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Sherlock, o da BBC

por Antero, em 21.03.12

 

Sherlock – temporadas 1 e 2

Eu não gosto de acompanhar séries britânicas. Não me refiro a assistir, mas sim a acompanhar. Talvez condicionado pelo método de produção televisivo norte-americano de 24 episódios por temporada (ou 12 nas redes privadas), ser espectador assíduo de uma série britânica é um suplício. Como as temporadas são curtíssimas (se chegar à dezena é uma sorte), extremamente espaçadas (um ano e tal é a regra) e o calendário não tem um padrão, então mais vale esperar que acabe para ver tudo de uma vez. Claro que isto traz outros benefícios: uma produção cuidada, não há racionamento de recursos, cada temporada é pensada como um núcleo isolado e não se esticam ou encurtam consoante as audiências (um método com muitas semelhanças aos das estações por subscrição norte-americanas). Além disso, como a indústria britânica não é tão avançada como a de Hollywood, a primeira produz pouco, mas bem – e não é por acaso que é comum dizer-se que as séries de terras de Sua Majestade têm mais “qualidade”.

Nada disto, porém, me levava a acompanhar uma série britânica. Isto até me suplicarem a ver Sherlock na mesma medida em que eu gritava aos quatro ventos para todos veremHomeland (estão à espera de quê?!). Sabia que era transmitida no AXN, que era uma atualização da figura mítica do detetive para o século XXI, que tinha poucos episódios, mas nada disso me puxou. Até que decidi dar uma oportunidade. Não devorei-a em pouco tempo por razões que explicarei adiante, mas confesso-me rendido: a série é um buraco de criatividade, engenho, estilo e diversão como poucas vezes vi.

 

Desenvolvida por Steven Moffat e Mark Gatiss, dois argumentistas da longeva Doctor Who, Sherlock é uma reimaginação da personagem vitoriana para os dias de hoje, com toda a tecnologia ao seu alcance e os adesivos de nicotina no lugar do característico cachimbo (uma valente alfinetada no politicamente correto contemporâneo). Na primeira temporada vemos como Sherlock e Watson se conhecem e, desta vez, a figura do médico é alterada para um veterano da guerra no Médio Oriente que tem de procurar casa onde morar: nem mais nem menos que a famosa morada do 221B em Baker Street. As investigações são resolvidas com recurso à Internet e ao constante envio de SMS que surgem no ecrã de maneira criativa e tornam a narrativa mais ágil (já para não falar nas rocambulescas deduções lógicas do protagonista).

 

No entanto, a essência da personagem mantem-se inalterada: Holmes continua à margem da sociedade, é olhado com desconfiança pelas autoridades e consegue ser altivo e inconveniente com aqueles que os rodeiam – e isto é apenas o ponto de partida para desenvolver a sua personalidade. Aqui não posso deixar de referir o episódio 2x01, A Scandal in Belgravia, uma pequena obra-prima e um dos melhores episódios de qualquer série que alguma vez assisti. Se antes Sherlock era apresentado como uma "máquina" em busca de casos que pusessem à prova o seu intelecto, aí vemos como ele foi capaz de estabelecer laços com uns poucos afortunados (Mrs. Hudson, Watson), chegando ao ponto de se preocupar com eles e até se desculpar pela sua arrogância. Além disso, o episódio estabelece a sofisticada e inteligente Irene Adler como alguém capaz de bater-se taco a taco com Sherlock sem se esquecer de brincar com aspetos da sua sexualidade (a castidade autoimposta, uma possível homossexualidade reprimida).

 

Visualmente cativante e com um ritmo imparável, Sherlock divide-se em seis capítulos de 1h30 que não aborrecem o espectador, embora eu demorasse bastante a ver cada um, já que a melhor forma é encara-los como telefilmes e saboreá-los com tempo e tranquilidade. Até por que a próxima temporada está prevista para ser gravada em 2013 e lançada, o mais tardar, em 2014. Eu não disse que séries britânicas eram um suplício?

 

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publicado às 23:38

Sherlock Holmes: Jogo de Sombras

por Antero, em 09.01.12

 

Sherlock Holmes: A Game of Shadows (2011)

Realização: Guy Ritchie

Argumento: Kieran Mulroney, Michele Molroney

Elenco: Robert Downey Jr., Jude Law, Noomi Rapace, Jared Harris, Stephen Fry, Kelly Reilly, Rachel McAdams
 

Qualidade da banha:

 

Em 2009, Guy Ritchie apresentou uma variação sobre a figura icónica do detetive Sherlock Holmes: direcionado para as gerações recentes, Holmes é agora o típico herói de ação, mas sempre acompanhado do inseparável Watson e ainda é o inferno da sua senhoria. Altamente perspicaz e inteligente, a personagem respeitava a essência das obras de Sir Arhur Conan Doyle apesar de todos os exageros impostos pelo faro comercial. Assim, não deixa de ser dececionante que Ritchie, após ser bem-sucedido na tarefa introduzir um renovado Holmes, repita a mesma fórmula do original, ampliando o que aquele filme tinha de pior.

Escrito pelo casal Molroney, Sherlock Holmes: Jogo de Sombras passa-se algum tempo depois dos eventos do primeiro filme: uma série de atentados terroristas, mortes de figuras célebres e aquisições em larga escala levam a que Sherlock (Downey Jr.) relacione-as com o temível Professor Moriarty (Harris). Com o fiel Watson (Law) prestes a casar com Mary (Reilly), Holmes decide levar a investigação avante apesar da recusa do amigo em acompanhá-lo – algo que os fará ir no encalço de Simza, uma cigana que inadvertidamente foi envolvida nos planos de Moriarty.
 
Situado na mesma Londres vitoriana suja e sombria e depois passando para faustosos cenários europeus como Paris e os alpes suíços, Sherlock Holmes: Jogo de Sombras tem no design de produção e na fotografia os seus pontos fortes: da Ópera de Paris aos bosques alemães, passando pelas ruelas londrinas e na utilização de inovações da época como o automóvel e a massificação dos comboios, tudo surge com um misto de elegância e negrume sem que estas facetas distintas se anulem uma à outra e – com o auxílio de abundantes efeitos especiais – se complementem numa atmosfera de intrigas e mistérios.
 
É triste, portanto, que o argumento não tenha ponta por onde se lhe pegue e insista, mais uma vez, numa história desnecessariamente confusa e absurda, desperdiçando até o potencial de contar com o arqui-inimigo de Sherlock, cujos planos mirabolantes têm a megalomania de um vilão de James Bond e não da sofisticação digna do detetive. Sofisticação que aparece somente no último confronto entre os dois com uma partida mental de xadrez mas, a esse ponto, já os viramos em confrontos físicos e em ocasiões em que Moriarty tenta eliminar o rival com... armamento pesado!
 
Talvez cansado de personificar figuras excêntricas (e de carregar filmes nas costas), Robert Downey Jr. está no piloto automático como um Holmes cuja genialidade é substituída pela corrida desenfreada e lutas constantes, enquanto Jude Law parece tão cansado como o seu Watson por ser obrigado a aturar e a ajudar o amigo vezes sem conta – e a dinâmica entre ambos, tão salutar, fluida e divertida no primeiro filme, surge aqui como uma quase dependência por parte de Holmes (o médico quer estar com a amada, porém é arrastado para um novo caso... outra vez!) e um frete da parte de Watson. Por outro lado, Jared Harris dá tudo o que pode como Moriarty e se o vilão não é mais assustador a culpa não é sua, mas sim do argumento, ao passo que Noomi Rapace torna-se, em pouco tempo, nasegundaintegrante do cinema nórdico a não causar impressão alguma numa superprodução de Hollywood (e nem vou abordar as pequenas participações de Kelly Reilly e Rachel McAdams que, com pouco tempo de antena, limitam-se ao mesmo... que já não era memorável.).
 
Com uma história aborrecida e um elenco subaproveitado, não admira que Sherlock Holmes: Jogo de Sombras seja tão entediante apesar dos esforços de Guy Ritchie em que o espectador não perceba a mísera história que tem em mãos. Mesmo o seu reconhecido virtuosismo acaba por resvalar para o excessivo com as gratuitas câmaras lentas que aparecem em toda a projeção (e esse exagero culmina na sequência em que as personagens fogem por uma floresta debaixo de fogo intenso). Tudo isto seria perdoável se Ritchie aproveitasse a oportunidade para expandir aquele universo (cenários diferentes não contam) e mergulhar a fundo nas motivações das personagens. Assim, temos o indivíduo peculiar com faro para conspirações, o fiel companheiro que se junta a ele por razões desconhecidas e o mauzão que almeja conquistar o mundo.

E explosões, muitas explosões.

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publicado às 22:40

Filmes Expresso #1

por Antero, em 25.01.10

Decidi abrir uma nova rubrica por aqui, onde farei apreciações curtas e directas dos filmes que vi recentemente. Pretende ser um complemento aos textos mais longos que vou publicando (que, regra geral, referem-se a estreias recentes) e, como nestas últimas semanas andei bastante parado, filmes é o que não faltam. A maioria serão filmes recentes, uma vez que estamos na temporada de prémios e não posso escrever exaustivamente sobre tudo (já me chega o jornal), mas nem sempre será assim pois posso abordar filmes já com uma certa idade ou outros que revi pela enésima vez.

 

Amar... É Complicado

It's Complicated (2009)

O carisma de Meryl Streep, Alec Baldwin e Steve Martin salvam esta batida história de amor cujo único diferencial é os protagonistas estarem na casa dos 50. De resto, mais do mesmo: Nancy Meyers continua a realizar com a preguiça de sempre e o argumento erra mais do que acerta, principalmente quando um charro de erva é metido ao barulho.

Qualidade da banha: 11/20

 

The Invention of Lying

The Invention of Lying (2009)

Uma premissa absurda (numa dimensão paralela, toda a gente diz a verdade até que alguém se atreve a mentir) é espremida ao máximo, com resultados eficazes, ainda que, aqui e ali, se entregue a clichés típicos da comédia norte-americana.

Qualidade da banha: 12/20

 

Invictus

Invictus (2009)

Uma história de superação contada pela câmara sóbria de Clint Eastwood que nunca deixa o filme resvalar para a pieguice típica do género. Morgan Freeman e Matt Damon oferecem interpretações excelentes e a reconstituição do Campeonato Mundial de Rugby de 1995 é primorosa.

Qualidade da banha: 15/20

 

Nas Nuvens

Up in the Air (2009)

Depois dos óptimos Obrigado Por Fumar e Juno, Jason Reitman realiza a sua melhor obra até ao momento, uma crónica da solidão individual na sociedade corporativa actual. Ainda que a realização não ofereça nenhum rasgo de génio, é o carisma de George Clooney e Vera Farmiga que transcendem o filme, aliado a um argumento cativante que ainda oferece um final atípico, corajoso e agridoce.

Qualidade da banha: 17/20

 

Moon - O Outro Lado da Lua

Moon (2009)

Filme de baixo orçamento, onde Sam Rockwell brilha a grande altura como o astronauta isolado numa estação lunar a poucos dias de voltar a casa. Parco em acção, o filme desenvolve temas como a solidão, a identidade e, acima de tudo, a consciência humana.

Qualidade da banha: 16/20

 

A Princesa e o Sapo

The Princess and the Frog (2009)

É óptimo ver a Disney apostar novamente nas animações tradicionais, mas não esperem um marco como A Pequena Sereia ou A Bela e o Monstro. A história é previsível e isso não é problemático, mas falta carisma às personagens e os números musicais são vulgares. A animação, por outro lado, é muito boa e a direcção de arte com a Nova Orleãs dos anos 20 é óptima.

Qualidade da banha: 8/20

 

Punisher: War Zone

Punisher: War Zone (2008)

Segundo tentativa com a personagem dos comics depois daquela medíocre película com John Travolta e Thomas Jane e, novamente, um filme de acção acéfalo, desnecessariamente ultra-violento e sem um pingo de emoção. Aconselhado a filmes deacção série B dos anos 80.

Qualidade da banha: 4/20

 

Sherlock Holmes

Sherlock Holmes (2009)

A história podia ser menos absurda e complexa, mas a química entre Robert Downey Jr. e Jude Law é impecável, tornando-o num entretenimento válido e um bom início para uma série de filmes com o bom e velho detective.

Qualidade da banha: 12/20

 

Visto do Céu

The Lovely Bones (2009)

Uma embaraçosa mancha no currículo de Peter Jackson, onde a história de uma rapariga estuprada (embora tal não seja mencionado) e assassinada é tratada com uma leveza inadequada, onde o realizador perde-se no tom que quer dar à narrativa. No final, temos uma obra mórbida na mensagem feliz que promove, moralista ao extremo e cobarde no seu desenlace para satisfazer as massas e que tem todo o aspecto de ter sido inserido à martelada.

Qualidade da banha: 5/20

 

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publicado às 17:12


Banha de Cobra

Alvará

Antero Eduardo Monteiro. 30 anos. Residente em Espinho, Aveiro, Portugal, Europa, Terra, Sistema Solar, Via Láctea. De momento está desempregado, mas já trabalhou como Técnico de Multimédia (seja lá o que isso for...) fazendo uso do grau de licenciado em Novas Tecnologias da Comunicação pela Universidade de Aveiro. Gosta de cinema, séries, comics, dormir, de chatear os outros e de ser pouco chateado. O presente estaminé serve para falar de tudo e de mais alguma coisa. Insultos positivos são bem-vindos. E, desde já, obrigado pela visita e volte sempre!

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