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A temporada em série (2011-2012)

por Antero, em 30.05.12

ALERTA DE SPOILER! Este post contém informações relevantes, pelo que é aconselhável que só leiam caso estejam a par da exibição norte-americana.

 

Foi a temporada das despedidas, das poucas descobertas e, no geral, marcada pela negativa no que à qualidade das séries que acompanho diz respeito. Os segundos anos de Game of Thrones e The Killing serão analisados quando terminarem.

 

 


Desperate Housewives: temporada 8

Oito anos. Eu acompanhei esta série por oito anos. O-I-T-O! Foi a série que me apresentou aos downloads pela Internet e criou o bichinho que perdura até hoje. A combinação entre o humor mordaz e o drama das donas de casa de Wisteria Lane foi como amor à primeira vista – e a primeira temporada de Desperate Housewives foi um furacão que arrasou a televisão em 2004/2005 e permanece como uma pérola do meio televisivo contemporâneo. De lá para cá, a série foi tendo altos e baixos, com histórias repetitivas e absurdas, o que até se compreende uma vez que a criação de Marc Cherry é, acima de tudo, uma sátira às soap operas.

 

Esta temporada sofre do mesmo mal das anteriores: entra-se a matar com o mistério da ocasião, escalam-se os eventos até ao tal episódio "especial" (que, abençoado seja, não trouxe desastres absurdos) e depois entra tudo em ponto morto até ao desfecho. Tem sido assim: na obrigação de dar, no mínimo, quatro narrativas diferenciadas às protagonistas, Desperate Housewives enrola mais do que devia e ousa menos do que seria recomendado. Quantas vezes vimos Andrew a atazanar a vida de Bree? Lynette a meter o nariz no trabalho de Tom? Ou Gaby a superar o seu egoísmo? O que vale é que tivemos um mistério que as envolvia a todas quando encobriram o crime de Carlos ao ter assassinado o padrasto de Gaby – e como a série brilha mais quando as quatro cruzam as suas histórias, foi uma delícia ver o plano delas (encabeçado por Bree) desmoronar a passos largos.

 

Para cada boa história, porém, levámos com outras de pouco interesse: as aulas de arte de Susan; os mafiosos que ameaçavam o empreendimento de Ben; a morte de Mike não teve impacto algum, não se relacionou com nada e a história do mafioso acabou por ali mesmo; a bebé de Julie foi um bocejo (estava na cara que ela nunca a abandonaria e tiveram de espetar à força um segredo de Mike para ela mudar de ideias). Por outro lado, Renee destacou-se bem mais que no ano anterior (e com muito mais piada) e algumas sequências relacionadas com o divórcio de Lynette e a nova paixão de Tom foram comoventes (e Felicity Huffman volta a provar que é mais talentosa do elenco e o quanto foi desperdiçada ultimamente). O final foi o feliz entre o possível: Bree foi absolvida; só Susan ficou sem marido, mas com uma neta para criar; Karen McCluskey morre; e mudam-se todas de Fairview ao som da mítica narração da defunta Mary Alice e do regresso de algumas personagens que por lá passaram (e morreram).

 

Fica a memória de uma sensacional primeira temporada, uma terceira e quarta também de alto nível e o restante já é mais do mesmo. Ainda assim, as intrigas, os mistérios e o humor de Wisteria Lane vão deixar saudades.

 

Melhor episódio: 8×09 – Putting It Together: o plano de Bree em encobrir o homicídio de Alejandro deixa-a completamente desgastada e isolada, pelo que ela tenta o suicídio.

 

Pior episódio: 8×18 – Any Moment: Andrew regressa "desomossexualizado" e Susan lida com o rescaldo da morte de Mike e a agressividade do pequeno MJ, o pior ator infantil de qualquer série!

 

 

 

Dexter: temporada 6

Pior era improvável, mas Dexter superou-se na sua mediocridade. Está tudoaqui.

 

Melhor episódio: 6x07 - Nebraska: uma lufada de ar fresco. Dexter é dominado pelo seu lado mau personificado pelo seu irmão. Pena que durou um mísero episódio.

 

Pior episódio: 6x09 - Get Gellar: a reviravolta mais previsível de sempre é apresentada com incrível amadorismo.

 

 

 

Homeland: temporada 1

Inteligente, adulta, provocante e absurdamente tensa, Homeland é um soco no estômago de uma América a lamber as feridas do 11 de setembro e a expurgar os fantasmas da última década. Mas os questionamentos que a série levanta vão muito além das fronteiras norte-americanas e vão ao âmago de cada um de nós: qual o preço a pagar pela nossa segurança? Liberdade? Família? Qualquer hipótese de redenção? Como se não bastasse este fabuloso estudo de personagens imersas nas suas convicções, Homeland ainda oferece um duelo de intepretações (Claire Danes e Damian Lewis nos papeis das suas vidas) simplesmente magistral. Sem mais,a melhor série do ano!

 

Melhor episódio: 1×07 – The Weekend: a meio da temporada de estreia, a série vira o jogo de maneira chocante e abre toda uma janela de possibilidades.

 

Pior episódio: 1×02 – Grace: escolha difícil e injusta numa temporada marcada por uma qualidade altíssima, mas empalidece um pouco em relação ao brilhante capítulo de estreia.

 

 

 

House: temporada 8

Outra que acompanhei por anos a fio (embora não tão religiosamente) e que este ano também se despediu, House atingiu um nível insuportável no início da derradeira temporada – e foi por isso que a abandonei por não conseguir assistir a um cadáver em composição de um produto outrora excelente. Regressei para os três últimos episódios e fiquei satisfeito com o que vi. Não por que a série havia melhorado muito, mas sim por que vi um esforço em dar-lhe um enterro digno, o que, vistas as coisas, já foi o suficiente. Deixei de ver com a entrada daquela irritante médica chinesa e depois da despedida da Thirteen, uma personagem que detestava e que passei a acarinhar com o tempo (ou então o nível baixou tão drasticamente que a beleza de Olivia Wilde ofuscou-me). O que mais me irritava nem era tanto o esquematismo da narrativa (era a fórmula da série e não havia muito a fazer): o que me chateava era a forma como os argumentistas inseriam acontecimentos ditos "bombásticos" aqui e ali para dar a impressão que as personagens "evoluiam" para, logo a seguir, voltar tudo ao mesmo. A estreia, com House na prisão em modo Prison Break, foi a gota de água: depois do desfecho miserável do ano anterior, isto foi o melhor que conseguiram arranjar? Daí até ao abandono foi um tiro - daí que não ache justo apontar qual o melhor e pior episódio, já que não os vi todos. Nem o enorme talento de Hugh Laurie me levou a superar a tortura que era assistir House, maneiras que não posso deixar de estar satisfeito com o fim da série. Metade dela valeu a pena; a outra metade não merece ser recordada.

 

 

 

How I Met Your Mother: temporada 7

Eles conseguiram! Fizeram a pior temporada de How I Met Your Mother! Eles conseguiram arrastar a questão menor da noiva de Barney por um ano inteiro! E ainda por cima é a Robin! Bolas, eu sou dos poucos defensores da altura em que eles foram um casal, mas apenas por que durou pouco tempo e renderam a situação ao máximo. Também não me importo que as coisas estejam mal resolvidas entre os dois e que, de quando em vez, se toque no assunto (como na possível gravidez dela), mas – porra! – apresentam Quinn que pega de estaca com Barney e, pouco depois, volta tudo ao mesmo. Inacreditável! E Ted? Até quando teremos de aturar a chatice crónica da personagem? Ele não se decide: ora está bem sozinho, ora deseja alguém ou então ainda está apaixonado pela Robin e exprime-se de maneira impossivelmente piegas – e estas narrativas circulares tornam-se ainda mais ridículas quando... sabemos que Robin não é a mãe dos filhos dele! O pior ficou guardado para o fim: o regresso de Victoria quando... também sabemos que esta não é mãe! (e, outra coisa, incomodou-me como Ted decide levá-la ao altar por já ter sido lá deixado e, numa questão de minutos, muda de ideias -  que carácter!). Quanto a Marshall e Lily não me lembro de uma única situação memorável envolvendo os dois, o que só mostra o degredo que foi este ano.

 

Melhor episódio: 7×12 – Symphony of Illumination: Robin narra a sua triste história para os filhos... que nunca irá ter.

 

Pior episódio: 7×15 – The Burning Beekeeper: uma história de caca (Lily organiza uma festa que corre mal), tentativas deprimentes em fazer rir e um lamentável desperdício do grande Martin Short.

 

 

 

Fringe: temporada 4

É ler as reviews semanais. Não esteve à altura da temporada anterior, mas foi criativa, empolgante e recheada de momentos memoráveis como se pede a Fringe. É fazer figas para que a última temporada de 13 episódios encerre a série com chave de ouro e apague o sabor amargo deixado pelo final.

 

Melhor episódio: 4x14 - The End of All Things: a origem dos Observadores!

 

Pior episódio: 4x21 - Brave New World (Part 1): apressado e tosco, a primeira parte daquele que esteve para ser o final da série é tudo aquilo que Fringe, bem ou mal, foi sabendo contornar. E nunca pensei que o regresso de William Bell fosse tão insípido.

 

 

Descobertas: Sherlock; Happy Endings

Depressões: Alcatraz, Terra Nova, Falling Skies, Spartacus, Touch, New Girl, The Big Bang Theory

 

Série que tenho mesmo de começar a ver: Breaking Bad


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publicado às 23:32

Homeland: a melhor série do ano

por Antero, em 19.12.11

ALERTA DE SPOILER! Este post contém informações relevantes, pelo que é aconselhável que só leiam caso estejam a par da exibição norte-americana.

 

 

Homeland: temporada 1

Há várias semanas que queria escrever sobre Homeland, sobre o prazer que ela me devolveu em acompanhar uma série todas as semanas, isto numa altura em que as estreias não chamam a atenção (American Horror Story?! Terra Nova?!), em que as de longa data apresentam imenso desgaste (How I Met Your Mother, House) e ainda outras que vão ladeira abaixo (Dexter foi particularmente penoso de assistir, mas isso fica para outro texto). Esfriei os ânimos e decidi esperar pelo final, não fosse desapontar-me a valer. Felizmente, isso não aconteceu. Pode ser difícil de acreditar, mas desde o primeiro ano de LOST que eu não via uma temporada de estreia tão absorvente, intensa e viciante.

 

Baseado num original israelita, Homeland começa com o regresso do sargento Nicholas Brody de regresso aos EUA após um cativeiro de oito anos no Iraque como prisioneiro de guerra da Al-Qaeda. De regresso a uma família que já havia seguido o seu rumo sem o patriarca, Brody é encarado como um herói por todos exceto a agente Carrie Mathison, que tem a informação de que um militar norte-americano foi convertido ao Islamismo e aos dogmas da organização terrorista. Trabalhando diretamente com Saul Berenson, que serve como mentor, Carrie fará tudo para provar que um ataque aos EUA é iminente ao mesmo tempo que lida com questões pessoais que podem pôr em causa a sua competência profissional e, pior ainda, a sua sanidade.

 

Ou seja, Brody pode ou não ser um terrorista, Carrie pode ou não estar certa ou, pelo menos, não completamente. Assim, somos atirados de cabeça num jogo de gato e rato, cheio de reviravoltas, traições e onde nada é o que parece. Se isto não soa especialmente inovador para quem já viu Prison Break ou 24 (com a qual divide alguns produtores), Homeland mergulha fundo na mente daqueles indivíduos e percebemos os seus desejos, os seus medos e as suas contradições. Carrie é astuta, determinada e inteligente, mas não será a sua instabilidade psicológica acentuada por anos e anos de trabalho árduo na CIA? Ou é a sua particularidade que a torna numa profissional tão competente? Por outro lado, Brody vê-se num mundo onde não se encaixa, rompe com a dinâmica familiar estabelecida na sua ausência e tem comportamentos estranhos. Será mesmo um terrorista? Ou terá se convertido como mecanismo de defesa?

 

Ao desenvolver as suas personagens cuidadosamente, Homeland faz com que nos preocupemos com cada uma delas e as consequências dos seus actos, enquanto aumenta a tensão em cenas compostas por confrontos verbais ou um simples teste do polígrafo. Além disso, a série não pinta a CIA como uns santos em defesa da pátria e ilustra bem as motivações dos terroristas bem como as ações destrutivas de ambas as partes em conflito – e é este clima de ambiguidade, em que nada é preto no branco em diferentes escalas, que torna a série tão fascinante e adulta. Mas o que realmente faz desta temporada de Homeland algo tão memorável é a sua ousadia em cruzar linhas que dávamos como certas e, deste modo, abrir toda uma janela de possibilidades – e, volto a repetir, este texto está cheio de spoilers, por isso é melhor parar de ler por aqui. Eu estou a avisar.

 

Eu avisei.

 

Continuando...

 

Quando Carrie e Brody se envolvem romanticamente no brilhante sétimo episódio, a narrativa faz aquilo a que poucas se atreveriam ou, pelo menos, não tão cedo. Sem o auxílio da vigilância ilegal que instalara na casa do sargento, Carrie vê-se obrigada a revelar-se e a conviver com o suspeito que logo se revê no seu caráter autodestrutivo, já que ele próprio está em vias de perder tudo aquilo que tinha. Ela, no entanto, vê nele alguém que preencha o vazio da sua carência emocional e ambos estabelecem um vínculo fugaz, mas marcante. Ela comete um erro, abre o jogo e a série responde a um monte de perguntas que outro produto televisivo arrastaria durante semanas. Aquele fim de semana, contudo, fornece dados que Carrie usará no último episódio para indiretamente (e sem saber) prevenir o ataque terrorista que Brody levara a cabo. A história pode tomar algumas direções bizarras e improváveis, mas, se formos a pensar bem, elas surgem lógicas e condizentes com as personalidades daqueles indivíduos.

 

A encabeçar um elenco de prestações homogéneas, Claire Danes dá um verdadeiro espetáculo como a decidida Carrie ao dominar todas as facetas da personagem: o génio forte, a instabilidade, a inteligência, a sagacidade, o descontrolo e uma certa vulnerabilidade (e a atriz é inteligente ao abraçar os traços menos atraentes de Carrie sabendo que o sucesso desta não depende da simpatia irrestrita do espectador). Dispensava-se era a narração sobre a sua ineficácia em impedir o 11 de Setembro, uma vez que custa acreditar que a jovial Carrie fosse um agente influente aos vinte e poucos anos, mas em tudo o resto Danes é dinamite pura. E mais: com o carismático Mandy Patinkin, ela estabelece uma dinâmica de pai e filha genuína e que nos leva a temer pela mesma devido às ações impensadas dela. Damian Lewis também brilha a grande nível como o ambíguo sargento Brody e Morena Baccarin destaca-se como a sofrida esposa que tenta endireitar a vida com a chegada do marido desaparecido.

 

No final, com Brody em direção à política e Carrie a submeter-se a um tratamento de choque, Homeland planta as sementes do já anunciado segundo ano. Porém, tirando uns pozinhos aqui e ali, este seria o final perfeito caso estivesse a falar de uma minissérie, já que os arcos dramáticos deles foram, de certa forma, satisfatoriamente resolvidos: ele em relação à família e à sua missão; ela em relação à doença. Posso até apostar que a próxima temporada não estará ao nível desta, mas estou em pulgas para saber que cartas é que os argumentistas têm na manga. Mesmo assim, fica a memória de 12 maravilhosos capítulos que fazem da temporada algo envolvente, instigante, conciso e perfeito.

 

Homeland estreia em janeiro na FOX e prepara-se para arrebatar vários prémios nos próximos meses.

 

Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

 

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publicado às 23:11


Alvará

Antero Eduardo Monteiro. 30 anos. Residente em Espinho, Aveiro, Portugal, Europa, Terra, Sistema Solar, Via Láctea. De momento está desempregado, mas já trabalhou como Técnico de Multimédia (seja lá o que isso for...) fazendo uso do grau de licenciado em Novas Tecnologias da Comunicação pela Universidade de Aveiro. Gosta de cinema, séries, comics, dormir, de chatear os outros e de ser pouco chateado. O presente estaminé serve para falar de tudo e de mais alguma coisa. Insultos positivos são bem-vindos. E, desde já, obrigado pela visita e volte sempre!

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