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A Seleção de alguns de nós...

por Antero, em 16.11.11

Olhando para trás, a escolha de Paulo Bento para suceder o Carlinhos na... errr... liderança da Seleção Nacional foi o melhor que podia ter acontecido: numa situação delicada quanto ao apuramento para o Euro 2012, exigiam-se pontos e rápido. Ora, poucos treinadores portugueses conseguem ser tão pragmáticos e disciplinadores (para o bem e para o mal) como Bento, habituado a trabalhar com recursos limitados (quatro épocas seguidas naquele Sporting não foram por obra e graça do Espírito Santo) e a conseguir bons resultados ainda que à custa de bom futebol.

 

Hoje não houve nada disso: Portugal goleou, jogou muito bem, dominou, humilhou, deu recital, deu para Postiga bisar (!) e está no Europeu depois de fazer picadinho destes pobres bósnios que, esforçados, nunca pareceram ter arcaboiço para a Seleção (nem lá, nem cá). É certo que Bento não terá a exclusiva culpa de Portugal ter ido parar ao play-off, mas uma derrota hoje (ou um empate) seriam da sua inteira responsabilidade – e ver um crápula como Amândio de Carvalho afirmar o contrário causa repulsa, mas não surpresa, pela pessoa em questão. Eu percebi a ideia de querer aliviar a pressão sobre os jogadores e o selecionador, mas não seria necessário ginástica mental para imaginar possíveis situações onde o verme iria morder a língua caso a coisa desse para o torto, como já aconteceu. O silêncio ainda é de ouro.

 

É isto que me apoquenta: a cretinice que reina na Federação Portuguesa de Futebol. Estava tudo a correr tão bem, goleada para o povo, apuramento no bolso, adeptos em festa e as câmaras focam a tribuna VIP do Estádio da Luz e lá estão aqueles escrotos, com o boneco Madaíl à cabeça (finalmente vai-se embora!) e pensei: "pfffff... estragaram tudo!". E não deixo de pensar que quando tudo corre bem, lá estão eles a dar a cara, a brindar, a dar palmadinhas nas costas uns dos outros pelo trabalho feito; quando corre mal, é arranjar o bode expiatório mais à mão e sacudir os ombros uns dos outros por que, afinal, fizeram tudo o que (não) estava aos seus alcances. Se Portugal é uma selva e o futebol é um pântano, então a FPF é o lodo.

 

Isto pode soar a conversa de aziado que quer o mal da Seleção. Nada mais falso: eu desejo o seu sucesso, mas um sucesso sustentado, vigoroso, cativante e duradouro. As camadas jovens são o que se vê, os campeonatos ditos profissionais são o que se sabe. É ridículo achar que estes momentos fugazes de alegria poderão mudar alguma coisa no curto prazo. É ridículo ver um caramelo como Vieirinha, convocado às pressas, dizer que temos das melhores seleções do Mundo (do Mundo!). É triste ver a comunicação social elevar os jogadores a heróis nacionais, a entrar em euforia total com rankings duvidosos e a publicar manchetes escusadas e lamentáveis que soam a brejeirice pegada ou a sobranceria injustificada. Mas ter os pés assentes no chão nunca foi da natureza cá do burgo, pelo menos no que à última década diz respeito.

 

Venha de lá o Euro para o depressivo povo que este ao menos merece alguma alegria nestes tempos conturbados. Tudo o mais são tretas, já cantava o Tordo. E das grandes, digo eu!

 

Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

 

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publicado às 00:43

Virar à Direita

por Antero, em 05.06.11

O Partido Socialista, com José Sócrates à cabeça, acabou de levar uma tareia nas Legislativas 2011 e não ficou por aí: mesmo o Bloco de Esquerda e a CDU levaram um forte abalo e uma nova coligação PSD-CDS é iminente. Isto numas eleições carregadas pelo peso das medidas que o FMI irá implantar nos próximos anos e numa campanha mergulhada em acusações de todos os lados sobre culpabilidade e omissão. Sabendo como é o povo português, não era de todo improvável uma nova reeleição de José Sócrates, seja pela inexperiência e/ou ineficácia da oposição ou pela postura do próprio Sócrates, cuja eloquência e retórica desarmavam os opositores e a sua habilidade em trazer a si os louros de "pequenas" conquistas e alhear-se dos prejuízos.

 

Nada disto serviu (nem as sondagens que pintavam um cenário renhido) e eu, simpatizante socialista e plenamente consciente do mau serviço prestado pelos representantes do PS, estou surpreso e - diria até - moderadamente satisfeito. Porque o povo não foi nas lérias do Zé, na sua constante vitimização à qual os adversários ainda davam mais lenha e não caiu na mesma asneira uma segunda vez (segunda por que a primeira eleição foi contra Santana Lopes, então não conta). Por outro lado, dá para perceber que Sócrates não só minou o Partido Socialista, mas também teve efeitos colaterais em toda a Esquerda: o BE, que vinha em crescendo no mapa político nacional, viu-se relegado à quinta posição.

 

Eu votei em branco e andei toda a semana a ouvir mil e uma aberrações sobre essa decisão. Ia ajudar o Sócrates, para isso mais valia nem ir, que votasse num dos partidos sem expressão, enfim. Pois bem, eu votei em branco por que me preocupo: se estivesse nas tintas para isto, nem punha lá os pés. Li (por alto) as principais medidas propostas por TODOS os partidos e, quanto aos chamados pequenos, era cada um pior que o outro. Se eu não vejo capacidade e não deposito confiança naquela gente, simplesmente não voto em ninguém. Se isso favorece X ou Y, problema deles. Sejam mais eficientes da próxima vez. Eu não vou por "males menores".

 

Outra coisa que me deixou agastado: o facto de eu não apoiar Passos Coelho não faz de mim automaticamente pró-Sócrates, tal como o inverso não se aplica. Não gosto de Passos Coelho, de quem o rodeia, acho que perdeu tempo a falar de imbecilidades e acusações, de fazer joguinhos com o Governo na altura do PEC, acho que ele é inexperiente e não poderá fazer muito com a herança que terá em mãos (cuja culpa também tem de ser repartida com o PSD e - vejam só! - com aquele sujeito que reside no Palácio de Belém). Daí a adorar o Sócrates vai uma distância e tanto e não convém diabolizar nem um nem outro. Por isso é que eu entendo a postura dos meus pais em votar PS por que realmente houve coisas bem feitas e acham que há margem de manobra para pôr isto nos eixos, assim como percebo o meu irmão que engoliu o orgulho esquerdista e votou na Direita por que crê que necessitamos de uma mudança.

 

E isto escreve-vos um tipo de Esquerda, avesso à Direita, liberal, que acha que o Estado deve ter um papel minimamente regulador, que as preocupações máximas de um Governo deveriam ser educação e saúde, que concorda com as privatizações da TAP, Correios e CP; que as parcerias público-privadas devem ser revistas, defensor dos direitos dos homossexuais, que acha que o Ministério da Cultura é essencial ao país (mas que será o primeiro a levar cortes), que a RTP deve ser pública, que a Assembleia é maioritariamente composta por inúteis, que é a favor da despenalização do aborto, ateu, alérgico ao conservadorismo, que acredita que o grande mal deste país é a falta de fiscalização. Em tudo! Que admira a pluralidade da Esquerda por oposição a uma certa rigidez da Direita, mas com uma ponta de inveja do carácter reaccionário e singular para o qual tende a Direita que contrasta com uma certa passividade da Esquerda (alguém vê o CDS atacar o PSD como o BE e a CDU atacam o PS?).

 

Que Passos Coelho e restante executivo façam um bom trabalho e me surpreendam. De bom grado morderei a língua, se for caso disso.

 

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publicado às 20:51

Um quarto de século

por Antero, em 30.09.10

Ontem os jogadores do Benfica foram anjinhos, o Governo pediu-nos para "fazermo-nos" de anjinhos nos próximos anos e, segundo a minha mãe, há 25 anos tinha ela um anjinho de 4 quilos e 200 gramas para deitar cá para fora – o que veio a acontecer na data de hoje, dia 30. O último ano não foi dos melhores: fiquei desempregado, parti o pé (sem grandes consequências até hoje), um diagnóstico de cancro veio abalar a minha família, este país não anda para a frente e parece que nada é feito nesse sentido. Daqui a pouco, o IVA está mais velho do que eu e estaremos os dois a jogar dominó ou à sueca ali no café da esquina, enquanto tomamos café com cheirinho e trocamos impressões sobre futebol.

 

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publicado às 09:34


Alvará

Antero Eduardo Monteiro. 30 anos. Residente em Espinho, Aveiro, Portugal, Europa, Terra, Sistema Solar, Via Láctea. De momento está desempregado, mas já trabalhou como Técnico de Multimédia (seja lá o que isso for...) fazendo uso do grau de licenciado em Novas Tecnologias da Comunicação pela Universidade de Aveiro. Gosta de cinema, séries, comics, dormir, de chatear os outros e de ser pouco chateado. O presente estaminé serve para falar de tudo e de mais alguma coisa. Insultos positivos são bem-vindos. E, desde já, obrigado pela visita e volte sempre!

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