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A Bíblia

por Antero, em 15.06.09

 

Ler Watchmen, a mais celebrada graphic novel de sempre, depois de ter assistido àadaptação cinematográficapoderia ser uma experiência monótona, uma vez que já conhecia a história de uma ponta à outra, as personagens já não eram novidade, as surpresas já estavam previstas. Surpreendentemente, o facto de já conhecer a história acabou por jogar a favor dos 12 capítulos que constituem a obra: acompanhar a acção a desenrolar-se lentamente, deliciar-me com detalhes que não aparecem no filme, perceber algo que ficou implícito na transposição para o grande ecrã (toda a trajectória de Ozymandias) ou sequências que foram melhor desenvolvidas no cinema (por exemplo, o libertação de Rorschach que tem muito mais acção e menos paleio no filme, mas deve ter sido opção de Zack Snyder para dar uma mexida nas coisas porque o livro tem muito pouca pancadaria e muito, mas muito falatório).

 

Fascinante também é perceber toda a construção narrativa que Alan Moore concebeu: nada é deixado ao acaso; até a informação mais insignificante pode revelar-se crucial mais à frente. Há capítulos inteiros dedicados a aprofundar cada personagem, como se a história fizesse uma pausa para respirar e dar-nos a conhecer o interior daqueles seres. A arte de Dave Gibbons, longe de querer destacar-se como ponto forte da obra, alcança um equilíbrio assombroso entre o realismo e a fantasia daquele 1985 alternativo, mas sem nunca rejeitar o facto de que aquele seria um local deprimente para se viver, seja nas ruas imundas de Nova Iorque, na apatia do laboratório do Dr. Manhattan ou nos majestosamente inócuos edifícios de Ozymandias (é como se cada local fosse como uma janela para a alma das personagens). Quanto ao final, confesso que, após ter visto o do filme, o do livro já surge meio fantasioso demais, embora a intenção da ameaça externa que unirá o Mundo esteja lá toda. Agora compreendo perfeitamente quando diziam que esta era a obra "infilmável". Snyder fez um esforço meritório, mas nada se compara à força e à complexidade do original. Uma obra-prima.

 

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publicado às 21:19

 

... o resultado é Hellboy II: O Exército Dourado. Perfeita fusão de filme de fantasia com a acção trepidante que se requer de uma película baseada num comic (da autoria de Mike Mignola), O Exército Dourado consegue sobrepor-se aos seus defeitos (que os tem) graças à energia contagiante e à imaginação sem limites de Guillermo Del Toro, que mistura tudo isto num cocktail que não deixa o espectador respirar por um segundo. E não é estritamente necessário ter assistido ao primeiro para usufruir do segundo, embora seja aconselhável, quanto mais não seja para conhecer as personagens e os seus poderes.

 

O argumento conta o seguinte: uma antiga aliança entre o mundo dos homens e o reino da fantasia está ameaçada quando a acção dos primeiros tem posto em risco a existência dos segundos. O Príncipe Nuada, herdeiro do reino que mais parece parente de Jeremy Irons n' A Máquina do Tempo, acaba o seu exílio para reaver uma coroa (dividida em 3 partes distintas) que lhe dará o poder de comandar o tal Exército Dourado que, devido à sua acção devastadora, havia sido adormecido (tudo isto é mostrado logo no início numa sequência fenomenal que, narrada pelo "pai" de Hellboy, mostra os seres como se fossem integrantes de uma história de encantar). Cabe a Hellboy e companhia impedir Nuada de atingir os seus intentos, contando com a preciosa ajuda da sua irmã, Nuala, e sem atrair a atenção pública, algo que se tem revelado complicado pois cada vez mais suspeitam da existência do demónio. A história não é grande coisa, é até bem simplista, mas Del Toro espreme-a ao máximo oferecendo sequências de acção espectaculares e muitas surpresas visuais, tanto ao nível dos cenários como das criaturas que vão surgindo (destaque para o Anjo da Morte).

 

Os efeitos especiais estão melhores que no primeiro filme. Apesar do espectador dar por eles, ao menos não ocorre aquele desconforto anterior, quando víamos uma personagem real ser substituída por um "boneco animado". O que não pode ser dito da caracterização do Hellboy jovem: nota-se, claramente, que o actor está desconfortável sob o peso da maquilhagem. De resto, não há nada em que se possa apontar o dedo na caracterização das personagens, pois todas elas são perfeitas e reveladoras da criatividade impar de Del Toro. Os actores continuam excelentes no seus papéis, destacando-se, obviamente, Ron Pearlman, que de mal-amado passou ao intérprete único de Hellboy (as feições do actor são visíveis mesmo debaixo de tanta maquilhagem, o que é notável).

 

Permeado com um bom-humor invejável (o cinismo de Hellboy é hilariante) e um sentido de gozo que poucos filmes de entretenimento conseguem atingir (preparem-se para o momento musical mais improvável de sempre!), O Exército Dourado não é nenhum O Cavaleiro das Trevas, nem tão pouco tem pretensões de chegar a esse patamar. Porém, é divertidíssimo e eficaz o suficiente para dar uma espiadela. E depois de ver o apuro visual de O Labirinto de Fauno levado ao extremo neste filme, é caso para dizer que já se saliva por O Hobbit aqui no estaminé.

 

Qualidade da banha: 15/20

 

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publicado às 17:19


Alvará

Antero Eduardo Monteiro. 30 anos. Residente em Espinho, Aveiro, Portugal, Europa, Terra, Sistema Solar, Via Láctea. De momento está desempregado, mas já trabalhou como Técnico de Multimédia (seja lá o que isso for...) fazendo uso do grau de licenciado em Novas Tecnologias da Comunicação pela Universidade de Aveiro. Gosta de cinema, séries, comics, dormir, de chatear os outros e de ser pouco chateado. O presente estaminé serve para falar de tudo e de mais alguma coisa. Insultos positivos são bem-vindos. E, desde já, obrigado pela visita e volte sempre!

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