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Homem de Ferro 3

por Antero, em 13.05.13


Iron Man 3 (2013)

Realização: Shane Black

Argumento: Drew Pearce, Shane Black

Elenco: Robert Downey Jr., Gwyneth Paltrow, Don Cheadle, Guy Pearce, Rebecca Hall, Jon Favreau, Ben Kingsley
 

Qualidade da banha:

 

O sucesso de Homem de Ferro nos cinemas está inegavelmente associado a Robert Downey Jr.. Ator extremamente talentoso, Downey Jr. ensombrou os elogios do início da sua carreira ao mergulhar na dependência nas drogas, com a agravante que, apenas há 10 anos, era considerado veneno de bilheteira. Até que veio a aposta arriscada em Homem de Ferro e que se revelou um imenso sucesso, explodindo o Universo Marvel nos cinemas. Convém ter isto presente já que, chegado ao terceiro capítulo (mais a participação emOs Vingadores), Tony Stark sobrevive graças ao talento do seu intérprete que, mesmo no piloto automático (culpa do argumento, mas já lá vamos), revela-se sempre acima do que o rodeia. E, em Homem de Ferro 3, é o que basta.

 

Escrito pelo estreante Drew Pearce e o realizador Shane Black (que retoma a colaboração com Downey Jr. depois do excelente e pouco visto Kiss Kiss Bang Bang), este novo filme traz Tony Stark abalado com os acontecimentos de Os Vingadores: sofrendo de crises e insónia, Stark afunda-se no trabalho como forma de escape do seu quotidiano, o que desgasta a sua relação com Pepper Potts (Paltrow). É neste contexto que surge a ameaça do Mandarim (Kingsley), um terrorista determinado a atacar os EUA pelas suas ações no Médio Oriente, enquanto Stark também tem de lidar com a aparição do vírus EXTREMIS - cujo desenvolvimento tem ligação com o seu passado.

 

Como em tantas terceiras partes de filmes com super-heróis, Homem de Ferro 3 traz mais vilões, mais perigos, mais recursos e obstáculos pessoais que carregam no drama das personagens - aspetos aos quais não me oponho desde que sejam bem trabalhados. No entanto, a leveza com que tudo é retratado suga qualquer tensão existente na narrativa: se antes tínhamos tópicos minimamente complexos e interessantes (para um blockbuster, entenda-se) como o facto de Stark ser atacado pelas armas que financiara ou as investidas do governo, sob a bandeira da segurança nacional, querer apropriar-se da tecnologia alheia, aqui temos uma cena onde James Rhodes (um apagado Don Cheadle) invade uma caserna no Paquistão e que é desenvolvida com efeitos cómicos. Outro exemplo são os inverosímeis ataques de ansiedade que acometem Stark que são tratados como alvo de risadas e que surgem apenas quando convenientes, sendo descartados logo de seguida.

 

Com um argumento com mais furos que uma peneira (Como funciona realmente o vírus EXTREMIS? Porque raio os seres infetados explodem sem deixar marcas? E porque motivo Stark só recorre às armaduras de reserva no clímax quando estas teriam dado um jeitaço ao longo da narrativa?), Homem de Ferro 3 até toma a opção corajosa de deixar Tony Stark sem grandes recursos por bastante tempo, o que nos levaria a admirar o seu intelecto para contornar as adversidades – isto, claro, até percebermos que a sua perspicácia dá pelo nome de deus ex machina. E o que dizer da preguiça do filme ao encenar a traição de um governante máximo dos EUA ao mostrar rapidamente um familiar seu sem um dos membros inferiores e que poderia ser um dos beneficiados com o EXTREMIS... caso vivêssemos num mundo onde próteses anatómicas nunca tivessem sido inventadas? E não esquecer o pirralho que auxilia Stark num vilarejo do interior que, mesmo divertido, é tão crânio em mecânica que me faz pensar que Stark não só é dos homens mais ricos do planeta como também um dos mais sortudos.

 

Espetacular nos seus aspetos técnicos (o mínimo para uma superprodução), Homem de Ferro 3 conta com sequências de ação dirigidas com segurança por Black, com destaque para o ataque à mansão Stark que encontra novas e inventivas soluções para a armadura de Stark, bem como o resgate de uma dúzia de pessoas em queda livre. Já a batalha final é sabotada pela sua boa ideia de trazer várias armaduras contra os vilões, visto que a sequência torna-se caótica por ter de acompanhar tantos intervenientes – e a montagem confusa não nos permite nem mesmo discernir a geografia do local e a posição de uns em relação aos outros (já a troca constante de armaduras por Stark é uma boa tirada, uma vez que seria ridículo que ele se limitasse apenas a uma com tantas ao seu dispor).

 

No entanto, mesmo com tantos problemas, Robert Downey Jr. carrega o filme nas costas com o seu carisma e humor depreciativo e há cenas no filme que dá para notar que foram escritas unicamente para que Downey Jr. pudesse brilhar - e praticamente todos saem a beneficiar com isto: Gwyneth Paltrow mostra-se mais à vontade como Pepper, Guy Pearce estabelece-se como um vilão à altura (as suas motivações e ações são outro problema do argumento) e diverte-se a valer como Aldrich Killian e até Paul Bettany, apenas com a voz, faz uma boa parelha com o protagonista. Apenas Rebecca Hall sai desperdiçada como um velho interesse romântico de Tony, mas é mesmo Ben Kingsley que merece ser comentado por fazer do Mandarim o mais surpreendente e improvável dos supervilões – e notem que o filme planta com cuidado as pistas da sua verdadeira natureza.

 

Beneficiado por não ser um preparativo para o próximo tomo da Marvel, o que lhe permite concentrar-se na sua própria estrutura (embora esta não esteja isenta de falhas), Homem de Ferro 3 demonstra a qualidade decrescente das aventuras do divertido Tony Stark e é bom que os produtores tenham isto em mente e alheiem-se dos fabulosos resultados de bilheteira (oh, utopia!). O carisma de Robert Downey Jr. não faz milagres.

 

PS: há uma cena após os créditos que dá sentido à narração que abre e fecha o filme.

 

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publicado às 23:48

A Invenção de Hugo

por Antero, em 23.02.12

 

Hugo (2011)

Realização: Martin Scorsese

Argumento: John Logan

Elenco: Asa Butterfield, Chlöe Grace Moretz, Ben Kingsley, Sasha Baron Cohen, Jude Law, Christopher Lee
 

Qualidade da banha:

 

Não deixa de ser curioso que dois dos grandes candidatos aos Oscars este ano abordem temáticas que remetam para os primórdios do Cinema, numa evocação de nostalgia que embala o espectador – mas, ao contrário deO Artista, esta curiosidade praticamente se torna numa bem-vinda ironia quando Scorsese abraça as mais recentes tecnologias para nos levar por uma viagem pelo fenómeno de popularização da Sétima Arte quando esta era ela própria... a mais recente tecnologia.

Escrito por John Logan a partir do livro de Brian Selznick, a história acompanha o órfão Hugo (Butterfield), que, vivendo numa estação ferroviária de Paris, tenta juntar peças a fim de reconstruir um autómato encontrado pelo seu pai (Law). Certo dia, Hugo é surpreendido pelo dono de uma loja de brinquedos ao tentar roubar mais um objeto para seu projeto e acaba por trabalhar para o sujeito ou será entregue ao ameaçador inspetor da estação, Gustave (Cohen). Tornando-se amigo de Isabelle (Moretz), filha adotiva do lojista, o rapaz acaba por descobrir que o seu patrão é Georges Méliès (Kingsley), esquecido realizador do icónico A Viagem à Lua e possível inventor do objeto descoberto pelo seu pai.

Com um tom de fábula mais do que apropriado à narrativa, A Invenção de Hugo situa a sua ação numa Paris fantasiosa, mas não irrealista: a estação de comboios é intensamente banhada por luz, a biblioteca está exageradamente apinhada de livros e os mecanismos dos relógios aparentemente não têm fim, mas estes cenários, mediante um design de produção e efeitos visuais impecáveis, nunca deixam de soar funcionais e harmoniosos – e Scorsese, um amante de planos-sequência, não hesita em empregá-los para acompanhar Hugo nas suas deambulações pelas entranhas da estação, sendo ainda beneficiado por um (finalmente!) trabalho em 3D memorável, já que a profundidade do campo visual é potenciada ao máximo e dando-se ao luxo de brincar com a tecnologia, como no momento em Gustave ameaça as crianças e a sua cabeça quase "salta" do ecrã.

Mas é a partir do momento em que a identidade do lojista é revelada que A Invenção de Hugo revela a sua ambição: Méliès já era um ilusionista reputado quando se deparou com o cinematógrafo dos irmãos Lumière e percebeu que poderia aplicar os seus truques para aperfeiçoar a técnica cinematográfica e contar histórias que desafiassem a imaginação do público. Tal como o Cinema, Hugo sofre uma trajetória emocional semelhante: limitado ao que via à distância no seu quotidiano (assim como os primeiros filmes traziam eventos prosaicos), ele logo é atirado para situações que remetem à aventura e que, de certa forma, refletem obras do primeiros anos da Sétima Arte (o incidente do comboio e o instante em que Hugo se pendura no ponteiro de um enorme relógio).

Noutras ocasiões, Scorsese faz uma recriação literal das produções de Mèliés e, mais uma vez, o efeito 3D é inteligentemente usado para traçar um paralelo entre a imersão que se busca atualmente e aquela que o pioneiro dos efeitos visuais almejava há mais de um século, como no brilhante momento no qual a câmara se afasta e vemos um aquário em grande plano e o cenário ao fundo, dando a ilusão de ambiente subaquático). A grande lição de A Invenção de Hugo, porém, é a necessidade de preservação dos clássicos como parte importante da História – e a salvação do esquecimento absoluto a que Mèliés (ainda) é sujeito justifica-se pela celebração de um legado artístico incalculável para criar as bases pelas quais o Cinema evoluiu e amadureceu.

 

Apenas prejudicado por histórias paralelas que se alongam mais do que o necessário e personagens secundárias sem grande relevância, A Invenção de Hugo é uma carta de amor não só a uma técnica, mas também a todas as suas potencialidades limitadas à imaginação de cada um. Uma homenagem feita com a tecnologia de ponta de agora para quem tudo isto proporcionou no passado.

 

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publicado às 23:52

Ó tempo, volta para trás...

por Antero, em 01.06.10

 

É incrível, mas é verdade: entre as dezenas de adaptações de videojogos levadas às salas nos últimos 20 anos não há uma minimamente decente. Já não peço uma obra-prima, mas um filme razoável. Nem isso. Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo é a nova investida no género e mais uma página virada sem glória. Percebem-se as intenções: tentar repetir a fórmula que fez a fama de Piratas das Caraíbas (não por acaso uma adaptação de uma atracção de um parque de diversões), chamou-se o prolífero Jerry Bruckheimer que, para cada boa obra que entrega, comete uma mão cheia de atentados e recrutou-se Mike Newell, cuja última incursão nas grandes produções foi com Harry Potter e o Cálice de Fogo, o melhor capítulo da série cinematográfica. Porém, todos os valores à disposição do filme de pouco ou nada serviram. Ainda não foi desta que um videojogo deu direito a um bom filme.

 

Iniciando-se com uma pomposa narração sobre o Destino, Príncipe da Pérsia conta a história do mendigo Dastan que é adoptado por um rei Sharaman admirado pela bravura e carácter que o jovem demonstrou. Anos depois, o exército persa liderado pelos filhos do rei, Tus e Garsiv, e pelo seu irmão, Nizam, prepara-se para invadir a cidade sagrada de Alamut. Desejoso de provar o seu valor na batalha, Dastan auxilia a invasão e conhece a princesa Tamina, cuja função é guardar a Adaga do Tempo que permite ao seu portador recuar no tempo e subjugar o passado conforme as suas pretensões. Nisto, o rei Sharaman é assassinado e Dastan é dado como culpado, o que o levará a fugir com Tamina e tentar provar a sua inocência, bem como proteger as místicas Areias do Tempo.

 

Filmado com absoluta preguiça por Newell, Príncipe da Pérsia é todo ele um videojogo dos pés à cabeça e menos um filme: depois de ultrapassado um obstáculo passa-se para o nível seguinte (foge dos guardas, recupera a Adaga, salva a donzela, recupera a Adaga, foge dos mercenários, salva a donzela, enfrenta o vilão, recupera a Adaga que teima em perder-se, salva a donzela que não pára quieta…) ; as informações são disparadas à medida que o tempo passa (somos informados de um sacrifício que Tamina terá que se sujeitar, mas depois não há seguimento quanto a isto); a Pérsia vista aqui abrange vales com construções monstruosas, desertos com dunas majestosas e até uma montanha onde neva bastante, e não deixa de ser cómico que para um Império que vai da China ao Mediterrâneo, todos estes lugares estejam a poucos dias de distância. Além disso, Newell não consegue explorar os elementos presentes no jogo como as panorâmicas de cada cenário que aqui soam pirosas ou o constante recurso a planos em slow-motion sem nenhum propósito narrativo, ao mesmo tempo que o seu trabalho é sabotado pela fraca direcção de arte, cujas coreografias das lutas revelam que tudo aquilo não passa de um cenário, e os efeitos não tão especiais que abundam pela projecção.

 

Por falar em sabotagem, crime maior é cometido pelo elenco. Ben Kingsley telegrafa para o espectador mal aparece todas as suas intenções; Jake Gyllenhaal é bom actor, sem dúvida, mas não tem o perfil de herói de acção nem consegue segurar uma grande produção, ao passo que Gemma Arterton é bela, mas é zero em presença e em química com o seu par romântico. Para piorar, as alfinetadas que ambos trocam são irritantes, mas nada se compara à chatice que é a insistência de Newell em apostar nas cenas que o casal está para se beijar e são interrompidos no último momento. Assim, o único que se destaca é Alfred Molina como o “empresário” Sheik Amar que, com a sua leveza e críticas à aristocracia, diverte-se a valer e rende as (poucas) gargalhadas do filme.

 

No mais, o filme conta com uma montagem caótica que mal dá oportunidade de perceber a geografia e o intervenientes das sequências de acção (mas nada que chegue ao extremo mau gosto de Michael Bay, o que já é um alívio), enquanto assassina a fluidez da narrativa ao fazer cortes incompreensíveis no meio das cenas - como no instante em que uma tempestade de areia colossal surge do nada para atacar Alamut, num plano que dura poucos segundos e que, bem explorado, podia carregar na espectacularidade que o filme tanto carece. Sim, porque apesar de nos berrar "Épico! Épico!" aos ouvidos, Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo é seco e calmo como um deserto sem ponta de vento.

 

Qualidade da banha: 7/20

 

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publicado às 23:05

Uma outra ilha misteriosa

por Antero, em 28.02.10

 

Muitos consideram que este último decénio fez mal ao bom velho Marty, que se deixou acomodar no lado mais comercial de Hollywood e deixou de ser o autor de outros tempos. Da minha parte não concordo: é certo que Gangs de Nova Iorque esteve aquém das expectativas, mas O Aviador e The Departed - Entre Inimigos deram novo fôlego a Scorsese (não vi, ainda, Shine a Light) e, em muito tempo, os seus filmes começaram a aliar boas carreiras nas bilheteiras com os elogios da crítica. Para todos aqueles que consideram que o mestre já não é o mesmo, é bem provável que o comercial Shutter Island seja mais lenha para a fogueira, levando-os a ignorar os méritos da produção e a passar um pano sobre o facto de que, mesmo a conduzir obras pouco pessoais, Scorsese já teve bons resultados como comprovam A Cor do Dinheiro ou O Cabo do Medo.

 

Em 1954, dois U.S. Marshalls são chamados para a remota ilha Shutter, onde funciona uma instituição psiquiátrica, com o objectivo de investigar o desaparecimento de uma paciente. A instituição alberga criminosos com doenças mentais e a desaparecida tem tendências homicidas. Para piorar, a mesma desapareceu sem deixar rasto e tudo indica que ainda estará na ilha, da qual se aproxima uma tempestade que a deixará isolada por uns dias. Um dos Marshalls é Teddy Daniels (Leonardo DiCaprio) que tem traumas de guerra para superar e depara-se a relutância do pessoal do hospital em colaborar nas investigações. Aos poucos, o clima de paranóia adensa-se e Teddy será obrigado a confrontar os seus fantasmas para resolver o caso.

 

Mergulhando o espectador numa atmosfera claustrofóbica, opressora e desconfortável, Scorsese deixa o público às cegas tal como o seu protagonista, o que se revelará importante para a compreensão da sua trajectória, algo salientado pelo própria situação social da altura, com a guerra às bruxas e ao comunismo promovida pelo Senador McCarthy. Teddy perdeu a esposa há uns anos e ainda não superou o choque da violência e degradação humana que presenciou no campo de extermínio de Dachau e como ele comprovou o pior que a natureza humana pode realizar, nada mais acertado que este se encontre dividido entre o que é irreal ou não compartilhando essa experiência com a plateia. Sonho e pesadelo, realidade e ficção andam de braço dado ao longo da projecção e Scorsese parece divertir-se imenso ao brincar com as expectativas e os receios do público, ao mesmo tempo que evidencia o seu típico amor pela Sétima Arte que vão de referências a filmes de terror dos anos 40, 50 e 60, passando por Hitchcock e Brian DePalma, onde a ambientação contava muito.

 

Para isso contribui a própria ilha Shutter que parece ganhar vida na objectiva de Scorsese: local deprimente tanto nos interiores do hospital como na vastidão florestal ou nas imponentes falésias, tudo contribui para a constante sensação de perigo que aflige o protagonista e, consequentemente, o espectador. Porém, nada disso valeria a pena se a personagem principal não levasse o público a identificar-se com ela e, neste aspecto, o filme só sai a ganhar com a actuação cuidada de Leonardo DiCaprio que há muito deixou de ser uma carinha laroca para se transformar num actor maduro e inteligente. O elenco secundário também não faz feio: Mark Ruffalo transmite confiança como o agente Chuck Aule, Sir Ben Kingsley demonstra todas as nuances e dualidades do afável e misterioso Dr. Cawley, ao passo que Michelle Williams desperta a nossa pena como a sofrida Dolores e o veteraníssimo Max von Sydow é a autoridade em pessoa como o Dr. Naehring.

 

Contando com uma fotografia belíssima de Robert Richardson que deprime e fascina na mesma medida e uma montagem precisa de Thelma Schoonmaker, ambos colaboradores habituais de Scorsese, Shutter Island até pode ter um desenlace mastigado demais para o público, mas o mesmo funciona porque acompanhamos toda a turbulência interior do momento e as razões que levaram até lá. E, como tantas vezes na sua filmografia, Scorsese oferece-nos a dissecação de um protagonista trágico, numa batalha consigo mesmo e com o seu habitat, tal como Travis Bickle, Jake La Motta, Robert Pupkin, Jesus Cristo, Frank Pierce e Howard Hughes.

 

Qualidade da banha: 16/20

 

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publicado às 18:50


Banha de Cobra

Alvará

Antero Eduardo Monteiro. 30 anos. Residente em Espinho, Aveiro, Portugal, Europa, Terra, Sistema Solar, Via Láctea. De momento está desempregado, mas já trabalhou como Técnico de Multimédia (seja lá o que isso for...) fazendo uso do grau de licenciado em Novas Tecnologias da Comunicação pela Universidade de Aveiro. Gosta de cinema, séries, comics, dormir, de chatear os outros e de ser pouco chateado. O presente estaminé serve para falar de tudo e de mais alguma coisa. Insultos positivos são bem-vindos. E, desde já, obrigado pela visita e volte sempre!

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