Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



A ressaca

por Antero, em 17.11.08

Recentemente, reencontrei um conhecido que já não via há anos. Poucos sabiam o que era feito dele nos últimos tempos e, do nada, o rapaz deu sinal de vida. E quando digo sinal de vida, a expressão é mais literal do que possam imaginar: preso a um namoro de longa data que já vinha da adolescência, ele foi-se afastando cada vez mais do mundo, digamos, pré-namoro para embarcar num cruzeiro só deles. Normalmente é assim e não há nada que censurar. Como dizia, sabiamente, outro amigo meu "o que verdadeiramente lixa as amizades são os namoros". Uma relação a dois exige empenho, dedicação e sacrifícios tem de ser feitos, quanto mais não seja para manter os motores do navio a todo o vapor.

 

Só que, para eles, o porto de chegada apareceu cedo e sem aviso e ele, lançado à sua sorte (ela fez a sua), voltou aos convívios de antigamente. Não é a primeira nem tão pouco há-de ser a última vez que isto acontece. Obviamente que ele ainda pensa nela e até se refere a ela de maneira bastante amistosa, embora espera que ela ainda vá bater com a cabeça na parede (entretanto, é ele quem trepa pelas paredes). Os amigos já estão avisados, o Hi5 já respira melhor, o telemóvel ainda guarda algumas lembranças - quanto mais não seja pelo número dela, agora com o sufixo "ex" - o próximo passo será, porventura, o computador carregado de ficheiros (imagens, textos e sabe-se lá que mais) partilhados pelos dois. Não é fácil lidar com a ressaca e, muitas vezes, descamba num desbobinar de insultos, defeitos, situações mal resolvidas e comportamentos menos dignos (o que até nem foi o caso). Discordo que seja boa solução, até porque só acentua a "cegueira" que se apoderou da pessoa, mas se acham que é boa terapia, venham de lá os impropérios e o diabo a quatro. Para compensar um grande amor, só um grande ódio. E lá porque eu estou aqui a criticar esta atitude, nada me garante que eu não venha a fazer o mesmo. Afinal, ninguém é imune à ressaca.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:58


Alvará

Antero Eduardo Monteiro. 30 anos. Residente em Espinho, Aveiro, Portugal, Europa, Terra, Sistema Solar, Via Láctea. De momento está desempregado, mas já trabalhou como Técnico de Multimédia (seja lá o que isso for...) fazendo uso do grau de licenciado em Novas Tecnologias da Comunicação pela Universidade de Aveiro. Gosta de cinema, séries, comics, dormir, de chatear os outros e de ser pouco chateado. O presente estaminé serve para falar de tudo e de mais alguma coisa. Insultos positivos são bem-vindos. E, desde já, obrigado pela visita e volte sempre!

Pesquisar

  Pesquisar no Blog

Últimos vendidos


Armazém

  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2015
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2014
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2013
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2012
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2011
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2010
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2009
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2008
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D