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Godzilla (2014)

por Antero, em 21.05.14


Godzilla (2014)

Realização: Gareth Edwards

Argumento: Max Borenstein

Elenco: Aaron Taylor-Johnson, Ken Watanabe, Elizabeth Olsen, David Strathairn, Bryan Cranston, Juliette Binoche, Carson Bolde, Sally Hawkins

 

Qualidade da banha:

 

A nova versão da seminal criatura que inaugurou o género de filmes kaiju reforça o velho chavão de que não existem más ideias, apenas más execuções. E tudo havia para que o resultado fosse positivo: orçamento gigantesco, efeitos especiais de ponta, bons atores e a noção de adiar ao máximo a entrada em cena da estrela da companhia (o monstro, claro) e investir no desenvolvimento das suas personagens como forma de ancorar o drama da situação. Contudo, Godzilla revela-se um excelente soporífero, sem vida, uma falta de ritmo gritante e que é sabotado pelas suas próprias boas intenções.

 

Iniciando-se de maneira promissora com uma boa e tensa sequência inicial passada nas Filipinas em 1999, o argumento escrito por Max Borestein atira as suas boas ideias janela fora uma a uma com o desenrolar da projeção e deposita as suas fichas no mais aborrecido dos protagonistas: Ford (Taylor-Johnson, inexpressivo) que, regressado ao Japão depois de uma tragédia familiar, tem de cuidar do pai (Craston, desperdiçado) que, por sua vez, mostra-se obcecado com o acidente que decretou o estado de quarentena na central nuclear onde trabalhava. Em pouco tempo, está um monstro à solta que ameaça a vida de milhões de pessoas.

 

Não, esse monstro não se trata de Godzilla: nesta versão, a origem do famoso ser foi alterada para algo de acordo com a Evolução das Espécies e este surge para manter o equilíbrio natural caso outras criaturas se lembrem de aparecer – pelo menos foi isto que percebi da verborreia técnica cuspida pelos talentosos Sally Hawkins e Ken Watanabe que, coitados, fazem o possível para dar credibilidade a explicações que envolvem "fome de radiação" e "se são dois, então um deve ser macho e outro fêmea, logo vão acasalar", embora a forma como eles chegam a estas conclusões permaneça um mistério.

 

Estes absurdos, porém, fazem parte da proposta e a sua aceitação depende da elasticidade da suspensão de descrença de cada um. Eu estou disposto a aceitar isto tudo, a sério que estou, mas sabem o que me custa a aceitar? Que um tsunami se forme quando uma enorme massa se desloca pelo mar e atinge a costa, mas quando essa mesma massa retorna ao oceano nem a uma onda para surfar temos direito. Que uma criança reencontre num instante os pais perdidos tendo em conta a devastação sofrida à sua volta. Ou que queiram exterminar seres que se alimentam de radiação com... uma bomba atómica. Ou que o exército vasculhe instalações inóspitas de resíduos nucleares para procurar um gigantesco monstro e somente o encontram quando verificam uma divisória do local (meios aéreos incluídos), sendo que a criatura deixou um imenso rastro de destruição atrás de si – e, mesmo assim, os militares precisam de binóculos para a discernir no meio do deserto.

 

Sem mostrar a sua estrela na maior parte da projeção, o realizador Gareth Edwards obriga-nos a acompanhar e a tentar (sem sucesso) que temamos pela vida de um bando de clichés ambulantes (o cientista paranoico, o militar que deseja voltar para casa, a esposa sofredora, etc.), mas os seus dilemas são tão desinteressantes que dá vontade de berrar "saiam da frente que eu quero é ver a destruição!". Enquanto isso, a estratégia de Edwards em adiar ao máximo as sequências de ação até cria um ou outro momento bem esgalhado (como a do noticiário), mas a sua insistência em recorrer a fades para a transição das cenas leva à conclusão que a história não tem soluções para os obstáculos que levanta – e quando Godzilla entra verdadeiramente em ação, as burocráticas lutas e o facto de termos lutado hora e meia contra o sono retiram toda a excitação do icónico momento.

 

Contando com momentos que, isoladamente, funcionariam às mil maravilhas num trailer promocional (como a descida dos paraquedistas, embora o filme se esqueça que já havia estabelecido que Godzilla não era um dos vilões, logo a tensão é inexistente), este novo Godzilla consegue o impossível: fazer com que a versão de Roland Emmerich seja, à sua maneira, superior. O de 1998 com certeza era idiota, mas o de 2014 é idiota... e frustrante.

Se querem ver um bom, vigoroso e divertido filme de monstros à porrada, não vão muito longe: Batalha do Pacífico manda cumprimentos.

 

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publicado às 23:46

O Campeão voltou!

por Antero, em 20.04.14

 SPORT LISBOA E BENFICA

CAMPEÃO NACIONAL 2013/2014
 
Muito haveria para dizer sobre esta época (e irei escrever esse texto em tempo oportuno). Agora é altura de festejar em grande, pintar essas ruas de vermelho e espalhar esta alegria imensa. Viva o Benfica!

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publicado às 19:49

ALERTA DE SPOILER! Este texto contém informações relevantes, pelo que é aconselhável a sua leitura caso estejam a par da exibição norte-americana.

 

How I Met Your Mother - última temporada

Era uma vez uma sitcom que apareceu meio que despercebida em 2005. Na ressaca de Friends, tinha todo o clima desta última mas com uma engenhosa particularidade: a história é contada por Ted Mosby em 2030 aos seus filhos sobre como conheceu a mãe destes. Isto permitia que a estrutura narrativa assumisse o ponto de vista de Ted e tínhamos flashbacks, histórias paralelas, versões contraditórias, saltos temporais, enfim, uma miríade de coelhos na cartola na forma de como contar uma história. Era divertida, envolvente, carismática. Infelizmente, não era um estrondo de audiências. Mas, caramba, era realmente boa.

 

Até que algo engraçado aconteceu: a série tornou-se um sucesso – e como tudo o que faz sucesso é para manter (ainda para mais no canal que renova incessantemente coisas como The Big Bang Theory e CSI's e as suas crias), a série foi-se esticando, enfiou-se por caminhos erráticos, a qualidade caiu abismalmente e a piada inicial já era uma memória distante brevemente trazida à tona com um ou outro episódio bem esgalhado. Parecia que a tal Mãe nunca chegaria e não havia fim à vista.

 

É então que no final da 8ª temporada – quando eu estava pronto a desistir – eles decidem revelar quem é a dita cuja e o meu coração encheu-se de esperança. A mim não me bastava saber só como ela e Ted se conheceram: eu queria conhecê-la a fundo, queria vê-la a enturmar-se no grupo, perceber como Ted, após tantas aventuras e desventuras no campo amoroso, iria ver nela a recompensa por tantos dissabores e porque raios afinal ela seria a Tal! A aleatoriedade de poder ser qualquer uma não me satisfazia e eles teriam uma temporada inteira para preparar o terreno.

 

Nisto, os produtores decidem encapsular toda a derradeira temporada num único fim de semana – o do já anunciado casamento de Barney e Robin – e a série enterrou-se de vez. Sim, o final foi uma revoltante porcaria e seria-o mesmo que os 22 episódios anteriores tivessem sido brilhantes. Como o ano foi simplesmente terrível, este desfecho não fez muita mossa, pelo menos para mim. Prémio de consolação: não foi tão tenebroso como o final de Dexter.

 

A ideia do fim de semana já seria um erro à partida e não foram precisos muitos episódios para que execução da mesma se mostrasse pouco inspirada: Marshall passa metade do tempo afastado do grupo, Robin e Barney duvidam e duvidam e duvidam e duvidam e duvidam do passo gigantesco que é o matrimónio, a Mãe ficava capítulos sem aparecer, as participações especiais eram mal aproveitadas (o que fizeram – ou melhor: não fizeram – com a grande Tracey Ullman devia dar cadeia), e Ted, coitado, eternamente naquele limbo de ver os amigos a seguirem com as suas vidas e ele a ficar para trás. E não posso deixar de mencionar o episódio feito somente com rimas, um dos maiores lixos televisivos que já presenciei.

 

Enquanto isso, o pouco tempo de antena a que a Mãe tinha direito só acentuava a frustração do planeamento da temporada: desenvolvida como um "Ted com vagina" e atirada para anos de reclusão devido a um trauma terrível enquanto a sua alma gémea por encontrar divertia-se mesmo em depressão ou encalhado (um postura conservadora e machista dos produtores), a Mãe tinha a sua definição limitada a "mulher ideal para Ted" e mais nada. O que era uma pena já que quando ela e Ted partilhavam momentos em comum, Cristin Milioti inspirava simpatia imediata, tinha excelente química com Josh Radnor e bom timing cómico. Convinha ver mais dela, saber mais dela, que ela interagisse mais com o grupo, mas nada disso aconteceu. A esta altura, eu até já aceitava que eles investissem no velho cliché do "odeiam-se, mas amam-se no fundo", ao menos acompanharíamos a Mãe durante mais tempo.

 

Eles tinham a hora final para remediar isto. Ted ainda não se tinha cruzado com a "mulher da sua vida" (o que custa escrever isto agora, mas já lá vamos) e o casamento mais custoso da história da TV já se tinha realizado. E, mesmo com expectativas baixas, eles conseguiram estragar tudo.

 

Mais preocupado em atirar novos problemas para cima das personagens do que em fechar as pontas soltas, o final salta apressadamente ao longo dos anos para nos dar novas informações: Lily e Marshall estão de volta de Itália (e nem uma menção a isto) e ele, após ter perdido a oportunidade de ser juiz, vê-se encurralado num trabalho ingrato; Barney e Robin divorciam-se em três anos (Sim! O casamento que nos atiçaram durante anos e ao qual dedicaram uma temporada é desfeito aos 10 minutos do episódio seguinte!); Robin é uma estrela mundial das notícias e mal tem tempo para os amigos pois está sempre a viajar; e Ted vive pacatamente com a Mãe – cujo nome é Tracy.

 

Quando Barney reúne o grupo no bar e fica histérico com a possibilidade de reviver velhos momentos, confesso que não consegui conter um sorriso de nostalgia... apenas para este me saltar da cara e nunca mais voltar com o que veio a seguir: Barney volta a ser o mulherengo do costume e insiste para que o deixem "ser como ele é" numa negação clara e idiota do crescimento que ele sofreu nos últimos anos. Para mostrar, porém, que todos têm de crescer (embora isto já fosse estabelecido), Barney cumpre o desafio de dormir com 31 mulheres em 31 dias – e engravida a última, sendo obrigado a assumir a responsabilidade da paternidade. Reparem que isto foi feito estupidamente ao longo do episódio final: Barney amadureceu. Afinal, não. Ups, agora vai ter de se portar como crescido. Não tem piada. É triste, é imbecil e não faz sentido. Mas, acima de tudo, não tem piada!

 

O pior, claro, estava por vir. Ao longo do episódio percebi porque era imperativo (para os argumentistas, claro) que nós, espectadores, e o grupo não conhecêssemos a Mãe a fundo. A ridícula reviravolta final diz tudo. Não falo do facto de a Mãe estar morta no futuro: essa hipótese já fora levantada há uns dois anos e a própria série encarregou-se de atirar pistas nesse sentido. E até não seria mal de todo uma vez que daria a justificação perfeita para que Ted conte a história aos filhos e acabaria a comédia num tom agridoce, mas de dever cumprido.

 

Contudo, não é dessa "reviravolta" que falo: a Mãe nunca foi o amor da vida de Ted, mas sim Robin. Os filhos de Ted ouvem toda a saga e, de forma bem relaxada para quem acabou de saber a história da mãe defunta, instruem o pai a reatar com Robin. O crítico Alan Sepinwall relata tudo aqui. Muito resumidamente: este sempre foi o plano dos criadores. A cena com os filhos estava filmada desde o início da segunda temporada e eles decidiram ater-se ao plano inicial – mesmo que tudo o que tenham feito entretanto contradiga o que nos foi mostrado na hora final. A história nunca passou pelo encontro com a Mãe e as motivações do espectador são atiradas pela janela. A identidade da Mãe nunca interessou: ela é irrelevante na sua própria história. A própria jornada para a encontrar nunca interessou: por mais que tenham dito e mostrado que o binómio Ted-Robin estava ultrapassado, afinal nunca esteve – mesmo que estivesse. O que interessava é que Ted encontrasse a felicidade: ok, concedo esta, mas sempre ficou explícito que ele seria feliz ao lado da Mãe e que Robin estava fora da equação.

 

Fica a impressão que, como Robin não quer ter filhos (e, posteriormente, não os pode ter), a Mãe foi apenas a ponte para que Ted pudesse realizar o seu desejo de ser pai e, uma vez morta, pudesse voltar a insistir numa relação amorosa falida. A forma como os argumentistas manipularam as peças para chegar a este ponto roça o sadismo e a desconsideração pelos fãs – e não admira que a Internet esteja em polvorosa com todo o ódio dirigido ao final. Para quê insistir no casamento de Barney com Robin? Porquê dedicar toda uma temporada – e uma fraquíssima temporada – a algo que eles sabiam que não iria durar?

 

Mais sádico que isto só se tiver visto as primeiras temporadas recentemente – e foi isto que fiz após apanhar uns quantos episódios na Fox Life. Deu para compreender porque me viciei na série e a aguentei por tanto tempo, sempre olhando para o fundo do poço à espera que ela se reerguesse.

 

Se How I Met Your Mother se encerrasse naquela bonita cena da estação, talvez os produtores se safassem mesmo com todas as asneiras cometidas. Ao arrastarem Ted para a porta de Robin com a trompa azul, só cavaram mais fundo no buraco onde se enfiaram.

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publicado às 18:35

Oscars 2014 - tweets ao vivo

por Antero, em 04.03.14

Comentários que fui fazendo no Twitter antes e durante a cerimónia dos Oscars deste ano (informações que adicionei posteriormente em itálico):

 

A minha vontade de acompanhar os Oscars esta noite é zero, mas lá terá que ser. Tradição é tradição!

 

É uma pena que Nikki Finke tenha saido do Deadline Hollywood. A sua cobertura dos Oscars em 2013 - recheada de acidez - foi memorável.

 

Humpf... não há pachorra para o Red Carpet. Até o Bill Murray se rendeu ao "evento".

 

Até sketches (sem grande piada) metem no meio do Red Carpet. Eles próprios já perceberam a insignificância do desfile. -- Eram sketches do Jimmy Kimmel.

 

Chuva: a maior ameaça à cerimónia deste ano.

 

Os Oscars são uma premiação previsível - mesmo quando achamos o contrário. É só andar atento aos prémios dos Sindicatos, que estúdios fazem mais campanha e, claro, perceber a "sensibilidade" da Academia. Histórias como a de Barkhad Abdi são mel para os Oscars.

 

Embora eu ache que Abdi não vá ganhar, atenção. Jared Leto tem papado praticamente tudo.

 

A transmissão dos Oscars é a negação da TVI: os intervalos são muitos, mas CURTOS!

 

Bora lá então. São só HORAS disto.

 

Boa Ellen! Mal entra, esfrega na cara da Academia a sua própria presunção.

 

Gosto do estilo casual de Ellen. Mas o sonho é mesmo Ricky Gervais a apresentar.

 

Alguém devia ter enviado o guião da cerimónia para os comentadores da TVI saberem quando NÃO deviam falar. Tipo, nunca!

 

Pumba! As fãs dos Thirty Second to Mars descobrem o orgasmo.

 

Que horror esta actuação do Pharrell Williams. Faz justiça ao filme que representa.

 

Depois de ver Jared Leto a ganhar, Diogo "hot Jesus" Morgado também já sonha com a estatueta.

 

Até a apresentar um prémio Samuel L. Jackson fala com aquela cadência toda badass.

 

Tu queres ver que um filme Jackass vai ganhar um Oscar e... ufff, que alívio.

 

Harrison Ford tem fama de ser mal-humorado. Eu também ficaria depois de Indiana Jones 4.

 

American Hustle: super-mega-hiper-sobrevalorizado. Como já tinha sido com Guia Para um Final Feliz.

 

E não, não cheguei a ver Her, Nebraska e O Clube de Dallas. Vergonhoso.

 

Os prémios técnicos só não são chutados de vez da cerimónia porque... nem sei. Mas para esta "menção", mais vale nem levá-los lá.

 

Go Feraaaallllll!!!! #patriotismo #orgulhonacional #tugapower

 

Xenófobos da merda! Não gostam de portugueses é o que é! #bairrismo #roubo #foioárbitro

 

Vai Frozen!

 

"Are you ready?" - Sério? -- antes de anunciarem Frozen - O Reino de Gelo como Melhor Animação.

 

Comentador diz que Frozen pode ganhar mais um Oscar. A colega, segundos depois, repete a informação. Qualidade TVI!

 

Para perceberem como a Academia gosta de dar palmadinhas nas próprias costas, basta ver estes "vídeos institucionais" que nos espetam.

 

Nas categorias técnicas, Gravidade devia ser hors concours. Poupavam 2 das 20 horas que dura a cerimónia.

 

Pensei que Zac Efron estava internado em desintoxicação. #momentoCaras

 

Jason Sudeikis namora com Olivia Wilde. Cabrão!

 

Kate Hudson deve olhar para McConaughey e pensar: "Ei, não devias estar aqui. Devias estar comigo a filmar uma comédia romântica merdosa".

 

É algo que me fascina pelas "condicionantes" e que lamento estar completamente a leste: documentário de curta-metragem.

 

Bom, Ellen, eu tenho fome. Vou-me empaturrar de batatas fritas que isto está muito chatinho.

 

Melhor discurso da noite, fácil, fácil.

 

Kevin Spacey entra em grande. E tinha de vir o gajo da TVI arruinar o momento.

 

Angela Lansbury... Oscar, Disse Ela.

 

Que momento lindo. Venha daí essa foto.

 

Caraças, não consigo twittar nada. Raios te partam, Twitter de merda! -- a famosa selfie de Ellen DeGeneres havia deitado o Twitter abaixo durante uns minutos.

 

Ah, menos mal.

 

Lupita Nyong'o merece muito este prémio. A interpretação dela é de arrepiar.

 

Ok, Gravidade ganha Melhor Fotografia (duh!). Mas é um escândalo como o fabuloso Roger Deakins foi nomeado 11 vezes e nunca ganhou.

 

Isto é homenagem ao Feiticeiro de Oz ou ao decote da Pink?

 

Siga mais um "vídeo institucional" sobre "heróis". Tudo bem que a Academia quer chegar aos jovens, mas este modo YouTube é ridículo. -- modo YouTube = fan video.

 

Errr... não incluíram Alain Resnais? Ou fui eu que perdi? -- não, não chegaram a incluir. Não houve tempo.

 

Roger Ebert. Que saudade dos seus textos.

 

Credo! Goldie Hawn está quase irreconhecível, exceto pelo cabelo.

 

Let It Go é uma música belíssima. E a sequência no filme é uma das melhores de 2013. Tive pena de não ver no grande ecrã.

 

E é claro que as músicas nomeadas são retalhadas sem dó e cantadas a correr, não vá a malta jovem mudar de canal.

 

6 prémios para Gravidade. Se 12 Anos Escravo não ganhar Argumento, começo a achar que perde Melhor Filme.

 

Seria estranho o que ganha Melhor Filme só ter 2 óscares. O mínimo, há vários décadas, são 3 (tipo Argo, no ano passado).

 

"Happy Oscars to you / Let's do Frozen 2" - hahahaha!

 

Ah, já me esquecia: suck it, U2! Let it go, let it go...

 

Vamos lá ver a pujança de 12 Anos Escravo...

 

Pronto. Está feito. 12 Anos Escravo leva Melhor Argumento e, no mínimo, fica com 3 prémios. Menos seria nada Académico.

 

Estou a torcer tanto por Spike Jonze!

 

Fuck yeaaahhhhh!!!

 

Em 21 categorias que apostei, até ver só errei 2. Faltam 4 prémios. Acho que nunca acertei tanto. Continuemos...

 

Será que chamaram o Sidney Poitier para fazer a ponte e dar o prémio a Steve McQueen? Hum...

 

Cuarón pegou em 100 milhões de dólares, um argumento com 68 páginas, dois actores e fez uma experiência cinematográfica sensacional.

 

Sandra Bullock merece mais o Oscar por Gravidade do que por vinte "The Blind Side"s.

 

E dizem que Meryl Streep está super exagerada em August: Osage County.

 

DiCaprio, DiCaprio... este seria o teu ano, mas o McConaughey decidiu ficar sério e lixou tudo.

 

McConaughey agradece e faz lobby a Deus. A sério? Tirem-lhe o Oscar!

 

Ele deve estar pedrado. É bem possível, já que McConaughey é adepto de drogas leves e da sua despenalização (não é uma crítica!).

 

Will Smith vai chamar o filho para anunciar o vencedor, não?

 

Está certo, muito certo. Preferia Gravidade, mas 12 Anos Escravo é... um soco.

 

Em 21 categorias que previ, falhei somente duas! E venham falar da imprevisibilidade da Academia, tsc, tsc...

 

Bota dormir, gente!

 

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publicado às 23:46

Oscars 2014 - previsões

por Antero, em 28.02.14

 

A minha ordem de preferência para Melhor Filme:

Gravidade

12 Anos Escravo

O Lobo de Wall Street

Capitão Phillips

Philomena

Golpada Americana

 

Não cheguei a ver Her - Uma História de Amor, O Clube de Dallas e Nebraska a tempo deste artigo (eu sei, sou uma vergonha), mas vou tentar até à cerimónia e depois digo o que achei.

 

 

MELHOR FILME

Vai ganhar: 12 Anos Escravo

Devia ganhar: Desde que os nomeados foram anunciados que a disputa se firmou entre 12 Anos Escravo, Gravidade e Golpada Americana - e as semanas seguintes só vieram incendiar uma luta a dois, já que o filme de David O. Russell parece ter desistido do prémio máximo. E está mais do que visto que vai haver divisão entre este prémio e o seguinte. Favorito pessoal: Gravidade.

 

MELHOR REALIZAÇÃO

Vai ganhar: Alfonso Cuarón (Gravidade).

Devia ganhar: Aqui não parece haver grande discussão: Cuarón merece ganhar. O que ele faz em Gravidade é digno de um escultor no pleno das suas capacidades artísticas.

 

MELHOR ATOR

Vai ganhar: Matthew McConaughey (O Clube de Dallas)

Devia ganhar: Já foi a fase de Robert Redford (que nem nomeado foi), de Bruce Dern e de Chiwetel Ejiofor (que passou a ser o meu favorito mal vi 12 Anos Escravo). Até poderia ser o ano de Leonardo DiCaprio, mas a transformação física e o embalo ganho por McConaughey durante a temporada de prémios são o suficiente para que ele dispare como um verdadeiro vencedor antecipado.

 

MELHOR ATRIZ

Vai ganhar: Cate Blanchett (Blue Jasmine)

Devia ganhar: Outra sem grande discussão, já que é praticamente unânime que Blanchett está acima de todas as outras e é uma aposta segura há vários meses (e nem a vida privada de Woody Allen suavizou as hipóteses da atriz). A única que lhe poderá fazer frente será Judi Dench, mas é um cenário muito remoto.

 

MELHOR ATOR SECUNDÁRIO

Vai ganhar: Jared Leto (O Clube de Dallas)

Devia ganhar: Barkhad Abdi (Capitão Phillips) que ainda não está fora da disputa.

 

MELHOR ATRIZ SECUNDÁRIA

Vai ganhar: Lupita Nyong'o (12 Anos Escravo)

Devia ganhar: A pressão para que Jennifer Lawrence ganhe é enorme, mas a atriz já levou o ano passado por Guia Para um Final Feliz e é incompreensível como foi nomeada este ano por um papel inadequado à jovem atriz (viva o marketing!). E Nyong'o merece bem mais.

 

MELHOR ARGUMENTO ORIGINAL

Vai ganhar: Her - Uma História de Amor. É o favorito, simples.

Devia ganhar: Nunca substimar o poder de Woody Allen nesta categoria (se bem que as recentes polémicas não o ajudem em nada) nem o lobby de Golpada Americana, mas parece que desta vez o Oscar vai mesmo ser seduzido pela criatividade e surrealismo de Spike Jonze.

 

MELHOR ARGUMENTO ADAPTADO

Vai ganhar: 12 Anos Escravo

Devia ganhar: 12 Anos Escravo

 

MELHOR FILME LÍNGUA NÃO-INGLESA

Vai ganhar: A Grande Beleza, de Itália.

Devia ganhar: The Hunt - A Caça. Foi o único que vi e é incrível.

 

MELHOR FILME DE ANIMAÇÃO

Vai ganhar: Frozen - O Reino de Gelo

Devia ganhar: Fácil de prever e é a aposta mais segura da noite (110% de probabilidades de ganhar!). Poderia ser a despedida em grande de Hayao Miyazaki, mas vai cair para o filme que, quanto a mim, é um dos pontos altos desta nova fornada da Disney.

 

MELHOR DIREÇÃO ARTÍSTICA

Vai ganhar: O Grande Gatsby

Devia ganhar: O Grande Gatsby

 

MELHOR FOTOGRAFIA

Vai ganhar: Gravidade

Devia ganhar: Gravidade

 

MELHOR MONTAGEM

Vai ganhar: Gravidade

Devia ganhar: Gravidade

 

MELHOR BANDA SONORA

Vai ganhar: Gravidade

Devia ganhar: Gravidade

 

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL

Vai ganhar: 'Let It Go' (Frozen - O Reino de Gelo)

Devia ganhar: http://www.youtube.com/watch?v=0HtACLaRDk0

 

MELHOR GUARDA-ROUPA

Vai ganhar: Golpada Americana

Devia ganhar: O Grande Gatsby

 

MELHOR CARACTERIZAÇÃO

Vai ganhar: O Clube de Dallas

Devia ganhar: Eu não estou a ver a Academia a dar um prémio a um filme com a chancela Jackass... e daí...

 

MELHOR MISTURA DE SOM

Vai ganhar: Gravidade

Devia ganhar: Gravidade

 

MELHOR MONTAGEM DE SOM

Vai ganhar: Gravidade

Devia ganhar: Gravidade

 

MELHORES EFEITOS VISUAIS

Vai ganhar: Gravidade

Devia ganhar: Gravidade

 

MELHOR DOCUMENTÁRIO

Vai ganhar: The Act of Killing, somente porque é o favorito.

Devia ganhar: não vi nenhum dos nomeados.

 

MELHOR DOCUMENTÁRIO (curta-metragem)

Não vi nenhum dos nomeados

 

MELHOR CURTA-METRAGEM

Não vi nenhum dos nomeados

 

MELHOR CURTA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO

Não vi nenhum dos nomeados

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publicado às 21:43

O Rei subiu ao quarto anel

por Antero, em 05.01.14

 

Agadir, sul de Marrocos, verão de 2002. Estava de férias com a minha família. A certa altura, aproxima-se de nós um vendedor ambulante que logo nos topou como turistas e que, pelas nossas características físicas, percebeu que éramos do sul da Europa. "Espanhóis? Italianos?" – perguntou. "Não. Portugueses." – respondemos. "Ah, Portugal! Figo, Benfica, Eusébio!" – exclamou com um imenso sorriso. Reparem só: estávamos em 2002, Figo brilhava no Real Madrid campeão europeu, o Benfica penava na lama há anos e Eusébio reformara-se há uns 25 anos.

 

É com histórias como esta que percebemos a dimensão dos símbolos. Tal como muitos que hoje escrevem, eu não vi Eusébio a jogar, mas conhecia o legado, nutria admiração e respeito. Nenhum dos meus avós era benfiquista, mas a maioria dos meus tios (tanto da parte da mãe como de pai) é adepta do Benfica – e tudo graças à fabulosa geração de 60 que contava com o Pantera Negra nas suas fileiras. Mesmo os meus familiares simpatizantes de outras cores afirmam, sem complexos, o prazer que foi ver Eusébio a espalhar magia por mil e um relvados e a semear o pânico com aquele portentoso remate de pé direito. A sua luz era tão brilhante que conseguia ofuscar os seus valiosos companheiros de equipa, mas os mitos funcionam assim mesmo: a figura cola-se no imaginário coletivo e é alçada ao divino. Tudo o resto (até o homem) é secundário.

 

O que Eusébio fez por um Portugal cinzento, pobre e ignorado é imensurável, mas o que ele fez pelo Maior é indizível. O Benfica não seria metade do que é hoje sem ele. Muitos de nós somos orgulhosos benfiquistas graças a Eusébio.

 

Numa altura em que se criam verdadeiras batalhas com discussões inúteis sobre se Cristiano Ronaldo é o melhor jogador do Mundo e quiçá o melhor jogador português de sempre, o Rei deixa-nos com a certeza que até podia não ser o Melhor para todos, mas era Enorme todos os dias. Os mitos são assim: intocáveis. Maradona até pode ser o melhor, mas antes dele houve Pelé. E antes dele houve Garrincha. E isto só para pegar nos exemplos mais básicos e objetivos, já que a discussão daria pano para mangas. Por mim, todos terão sempre lugar no Olimpo que, mais uma vez, desviou do mundo dos vivos uma nova contratação de peso.

 

Até sempre, Campeão!

 

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publicado às 22:40

Os melhores (e piores) filmes de 2013

por Antero, em 31.12.13

Considerações iniciais:

  • filmes estreados em Portugal entre janeiro e dezembro de 2013;
  • com certeza que houve vários bons filmes este ano que não tive oportunidade de ver - logo não foram incluídos (os de Woody Allen, por exemplo, já se tornaram uma triste tradição por deixá-los sempre para o ano seguinte);
  • desta vez decidi não acrescentar destaques positivos e negativos a cada top 10. Preferi compilar uma lista com TODOS os filmes estreados que consegui ver, as suas cotações e ligações para as críticas (a organização foi feita consoante a data de estreia em Portugal);
  • destaque para a temporada final de Breaking Bad e o quinto ano da maravilhosa The Good Wife (ainda deverei escrever sobre ela), dois produtos televisivos que atingem um nível de qualidade que a esmagadora maioria das obras cinematográficas não consegue alcançar.

 

1

00:30 A Hora Negra

Zero Dark Thirty

Com mais de duas horas e meia e um final que toda a gente conhece, a realizadora Kathryn Bigelow e o argumentista Mark Boal (do oscarizado Estado de Guerra) vai aos bastidores das guerras modernas e mostra que a desumanização da mesma não ocorre somente no campo de batalha. Tenso, fascinante e com Jessica Chastain a carregar o filme nas costas, 00:30 A Hora Negra é também a melhor obra sobre o pós-11/09 por não ter receio de retratar uma América que, ferida no seu orgulho, não olhou a meios para capturar Osama bin Laden – mas a que preço?

 

2

Gravidade

Gravity

Um injeção de esperança nas capacidades do Cinema como fábrica de sonhos capaz de transportar o público para uma experiência de imersão total, Gravidade é também um entretenimento de altíssima qualidade que só pode ser devidamente apreciado no grande ecrã.

 

3

The Master - O Mentor

The Master

Menos um filme sobre as polémicas dos fundamentos da religião (qualquer uma!), O Mentor é, sim, um absorvente estudo de personagens com os sensacionais Joaquin Phoenix, Phillip Seymour Hoffman e Amy Adams no topo das suas formas e a imagética irrepreensível do sempre excelente Paul Thomas Anderson.

 

4

The Hunt - A Caça

Jagten

Uma cuidada e apavorante análise sobre a histeria coletiva que faz perguntas difíceis sem medo de as encarar de frente, A Caça traz Mads Mikkelsen numa poderosa interpretação digna de todos os prémios.

 

5

Raptadas

Prisioners

Intenso e visceral, Raptadas propõe um desgastante exercício moral ao espectador enquanto acompanha a investigação minuciosa e as consequências devastadoras do maior pesadelo para um pai: o rapto de uma filha.

 

6

Além da Escuridão: Star Trek

Star Trek Into Darkness

A sequela do fabuloso Star Trek de 2009 é tudo o que se pede num blockbuster: inteligente, pleno de aventura, divertido, personagens cativantes e um vilão sensacional que Benedict Cumberbatch interpreta com vigor. E, claro, um sentido de espetáculo que nunca perde de vista a história que quer contar.

 

7

Efeitos Secundários

Side Effects

Penúltima obra do prolífero Steven Soderbergh que deixaria Alfred Hitchcock inchado de orgulho. Um thriller que começa com um casal fraturado, passa pela indústria farmacêutica e dá tantas voltas no argumento que acaba em... bom, quanto menos souberem melhor.

 

8

Não

No

Reconstituição da campanha para o referendo que destituiria Augusto Pinochet e filmado com fitas de vídeo U-Matic tal como se fazia nos anos 80, Não atinge um nível quase documental duma altura em que o Mundo tinha os olhos postos no Chile e ainda oferece uma trajetória dramática impecável ao seu ambíguo protagonista.

 

9

Rush - Duelo de Rivais

Rush

O melhor filme de Ron Howard em ano (quiçá o seu melhor até), Rush é um trepidante mergulho na temporada de 1976 da Fórmula 1 e que capta o fascínio e os perigos da prova mesmo para aqueles que nunca foram fãs (como eu). Além disso, os carismáticos James Hunt e Nikki Lauda encontram os intérpretes perfeitos nas peles de Chris Hemsworth e do incrível Daniel Brühl.

 

10

Django Libertado

Django Unchained

Não é Tarantino vintage, mas basta ao realizador trabalhar bem para deixar a concorrência a milhas. Django Libertado é meramente estilo dos pés à cabeça – mas, bolas, que estilo!

 

-----------------------------------------------------------------

 

-10

Gru - O Maldisposto 2

Despicable Me 2

O anterior já era uma porcaria que ripava sem dó o que de melhor tem a Pixar, mas este conseguiu a proeza de descer ainda mais baixo. História? Não existe. Momentos engraçados? Um ou dois. Personagens? Chatas. Os Minions? São fofos, mas a qualidade de um filme não se mede pela fofura do elenco secundário que existe clara e somente para vender bonecos.

 

-9

Os Estagiários

The Internship

Aí está: o primeiro anúncio publicitário em forma de longa-metragem que tenta estabelecer o Google como uma corporação paradisíaca, benevolente e utópica e que até pode funcionar como peça de marketing, mas, como comédia, comete um erro fatal: não tem piada.

 

-8

Assalto à Casa Branca

Olympus Has Fallen

Uma espécie de Die Hard na Casa Branca que não descansa enquanto não atingir os níveis mais ridículos de violência, barulho e patriotismo possíveis.

 

-7

A Ressaca - Parte III

The Hangover Part III

Isto era mesmo necessário?

 

-6

Só Deus Perdoa

Only God Forgives

O dinamarquês Nicolas Winding Refn pegou nos créditos conseguidos com Drive e aplica a mesma fórmula, embore aqui nada funcione. Os visuais imersivos e as músicas envolvem ocasionalmente e, quando estas falham (e falham muito!), somos abandonados numa história de vingança inócua, violenta apenas porque sim e um elenco completamente perdido em cena (sim, até Ryan Gosling parece não saber o que fazer).

 

-5

Depois da Terra

After Earth

Projeto de vaidade da parte de Will Smith para alavancar o filho como estrela, Depois da Terra até teria algum potencial não fosse pelo cada vez mais desastroso M. Night Shyamalan que é incapaz de alterar o seu estilo consoante as necessidades de cada trabalho. O resultado é o costume: um ritmo lentíssimo, prestações constrangedoras, diálogos atrozes debitados com uma opulência hilariante e um desperdício de recursos que só não chateia por percebermos que Shyamalan provavelmente já não dará mais do que isto.

 

-4

Hansel e Gretel: Caçadores de Bruxas

Hansel and Gretel: Witch Hunters

Até poderia ter resultado como paródia, mas o balanço final é tão agressivamente mau (em tudo: elenco, história, efeitos especiais, cenas de ação) que eu só queria apagá-lo da minha memória mal o acabei de ver.

 

-3

Die Hard - Nunca É Bom Dia para Morrer

A Good Day to Die Hard

Em condições normais, Die Hard 5 não estaria tão baixo nesta lista. Em condições normais, eu não teria sequer visto este filme e iria ignorá-lo como tanto lixo lançado diretamente para o mercado de vídeo. John McClaine, porém, ainda tem o poder de atrair povo à salas e lá fui eu assistir à destruição de um ídolo. Tudo o que tornava McClaine tão caro a nós (a sua vulnerabilidade e pragmatismo) é atirado janela fora num argumento que o mete a destruir metade de Moscovo atrás do aborrecido filho em intermináveis e incompreensíveis sequências de ação.

 

-2

Miúdos e Graúdos 2

Grown Ups 2

Um clássico cá do estaminé: Dennis Dugan atrás das câmaras e Adam Sandler à frente delas. Os dois – a prova máxima que Hollywwod inverte as leis de seleção natural – orgulhosamente desenvolvem "piadas" que envolvem urina, dejetos, homofobia, misoginia, preconceitos e tudo o que há de mais vulgar e infantil em comédia enquanto promovem valores familiares!

 

-1

Comédia Explícita - Movie 43

Movie 43

Eu hei-de estar até ao fim da minha vida a tentar esquecer este filme. Ou então a tentar recordá-lo para que nunca mais o veja. Todos os envolvidos direta e indiretamente com este monte de estrume recheados de estrelas a fazer as piores figuras das suas carreiras deviam estar envergonhados. Até os irmãos Lumière.

 

 

Listagem de filmes estreados em Portugal em 2013 e respetivas estrelas:

 

Os Miseráveis (Les Misérables)

Eu, Alex Cross (Alex Cross)

Decisão de Risco (Flight)

Guia Para um Final Feliz (Silver Linings Playbook)

00:30 A Hora Negra (Zero Dark Thirty)

Seis Sessões (The Sessions)

Django Libertado (Django Unchained)

O Impossível (Lo Imposible)

Hansel e Gretel: Caçadores de Bruxas (Hansel and Gretel: Witch Hunters)

Lincoln (Lincoln)

Parker (Parker)

Hitchcock (Hitchcock)

The Master - O Mentor (The Master)

A Descida - Parte 2 (The Descent: Part 2)

Aguenta-te aos 40 (This Is 40)

Bestas do Sul Selvagem (Beasts of the Southern Wild)

Die Hard - Nunca É Bom Dia para Morrer (A Good Day to Die Hard)

Cidade Dividida (Broken City)

Comédia Explícita - Movie 43 (Movie 43)

Força Anti-Crime (Gangster Squad)

O Último Desafio (The Last Stand)

Efeitos Secundários (Side Effects)

Mamã (Mama)

Oz: O Grande e Poderoso (Oz: The Great and Powerful)

The Hunt - A Caça (Jagten)

Jack, o Caçador de Gigantes (Jack, the Giant Killer)

Vigarista à Vista (Identity Thief)

Sete Psicopatas (Seven Psychopaths)

G.I. Joe: Retaliação (G.I. Joe: Retaliation)

Terra Prometida (Promised Land)

Esquecido (Oblivion)

Regra de Silêncio (The Company You Keep)

Um Homem a Abater (Dead Man Down)

Homem de Ferro 3 (Iron Man 3)

Não (No)

Transe (Trance)

A Noite dos Mortos-Vivos (Evil Dead)

O Grande Dia (The Big Wedding)

Viagem de Finalistas (Spring Breakers)

Assalto à Casa Branca (Olympus Has Fallen)

O Grande Gatsby (The Great Gatsby)

O Outro Lado do Coração (Rabbit Hole)

Velocidade Furiosa 6 (Fast & Furious 6)

A Ressaca - Parte III (The Hangover Part III)

Antes da Meia Noite (Before Midnight)

Além da Escuridão: Star Trek (Star Trek Into Darkness)

Mestres da Ilusão (Now You See Me)

Os Estagiários (The Internship)

Monstros: A Universidade (Monsters University)

WWZ: Guerra Mundial (World War Z)

Homem de Aço (Man of Steel)

Imperador (Emperor)

Gru - O Maldisposto 2 (Despicable Me 2)

Depois da Terra (After Earth)

Batalha do Pacífico (Pacific Rim)

Miúdos e Graúdos 2 (Grown Ups 2)

Só Deus Perdoa (Only God Forgives)

Wolverine (The Wolverine)

A Gaiola Dourada (La Cage Dorée)

O Mascarilha (The Lone Ranger)

Elysium (Elysium)

Percy Jackson e o Mar dos Monstros (Percy Jackson: Sea of Monsters)

Dá & Leva (Pain and Gain)

Jobs (Jobs)

Os Instrumentos Mortais: Cidade dos Ossos (The Mortal Instruments: City of Bones)

Kick-Ass 2: Agora É a Doer (Kick-Ass 2)

Trip de Família (We're the Millers)

Armadas e Perigosas (The Heat)

R.I.P.D.: Agentes do Outro Mundo (R.I.P.D.)

Ataque ao Poder (White House Down)

A Evocação (The Conjuring)

Isto É o Fim (This Is the End)

Rush - Duelo de Rivais (Rush)

A Chamada (The Call)

Gravidade (Gravity)

Raptadas (Prisioners)

Capitão Phillips (Captain Phillips)

Fuga (Mud)

Thor: O Mundo das Trevas (Thor: The Dark World)

The Hunger Games: Em Chamas (The Hunger Games: Catching Fire)

O Hobbit: A Desolação de Smaug (The Hobbit: The Desolation of Smaug)

 

Bom ano e bons filmes!

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publicado às 14:36

O Hobbit: A Desolação de Smaug

por Antero, em 16.12.13

 

The Hobbit: The Desolation of Smaug (2013)

Realização: Peter Jackson

Argumento: Fran Walsh, Philippa Boyens, Peter Jackson, Guillermo del Toro

Elenco: Martin Freeman, Richard Armitage, Ian McKellen, Orlando Bloom, Evangeline Lilly, Lee Pace, Luke Evans, Ken Stott, James Nesbitt, Stephen Fry, Benedict Cumberbatch

 

Qualidade da banha:

 

O desespero em justificar a divisão de O Hobbit em três filmes de quase três horas cada é notório em A Desolação de Smaug que, tal como o anterior, revela-se longo e arrastado para uma simplória história que consiste em levar um grupo de indivíduos do ponto A ao B. Daí que quando Bilbo vislumbra uma caverna recheada de ouro e objetos preciosos, não consegui conter o pensamento de que aquilo é o que realmente guia os produtores deste filme numa nova incursão à Terra Média.

 

Continuando a partir do momento em que Uma Viagem Inesperada se encerrou, A Desolação de Smaug pega novamente em Bilbo (Freeman) e nos 13 anões para levá-los basicamente ao reino dos elfos, à cidade de Esgaroth e, finalmente, à Montanha Solitária onde mora o tal Smaug (Cumberbatch), o dragão que se apoderou do reino e dos bens dos anões e que está a pedir uma vingança à medida. Enquanto isso, Gandalf (McKellen) vai para sabe-se lá onde investigar sabe-se lá o quê ao lado do insuportável feiticeiro Radagast, o que o leva a estar ausente na maior parte do tempo já que esta película sente a necessidade de fazer alguma ponte com a trilogia de O Senhor dos Anéis.

 

Não que precisássemos de sermos lembrados da relação entre ambas, uma vez que o compositor Howard Shore faz acompanhar os conhecidos acordes a cada aparição do Um Anel – e até Smaug se refere ao objeto como "precioso" (e Peter Jackson não se contém e repete a expressão em eco: "Precioso! Precioso! Precioso!"). O dragão, aliás, surge como o vilão ideal para a megalomania de Jackson: adepto de longos discursos e incapaz de derrotar os oponentes com facilidade, Smaug até pode ser tecnicamente impecável e contar com a voz imponente de Cumberbatch, mas não tem um décimo da densidade de Gollum ou da ameaça de Sauron – e é triste perceber que quando ele está prestes a mostrar porque é tão temido, Jackson simplesmente interrompe a película e obriga-nos a voltar daqui a um ano. Bom, ao menos isto fará com que o terceiro capítulo entre a matar e não inclua uma introdução sonolenta... a não ser que a autoindulgência de Jackson leve a melhor.

 

Cometendo o crime de deixar a personagem que dá título ao filme em segundo plano para dar relevância a uma mão cheia de indivíduos aborrecidos, A Desolução de Smaug perde tempo precioso (não resisti) com o ridículo Radagast, o egoísta rei-elfo Thranduil (que serve para nada) e desperdiça a boa ideia de trazer uma guerreira elfa que não existia no livro apenas para limitá-la ao mais cliché dos triângulos amorosos. Entretanto, só dois ou três dos treze anões ganham destaque de facto, com o líder Thorin (Armitage) à cabeça – e mesmo a impressão que este deixa não é das melhores visto que mostra-se um comandante de homens irritante e pouco digno do trono que almeja – enquanto os restantes só estão lá para fazer número. Já o carismático Martin Freeman tem a ingrata tarefa de carregar o filme nas costas (e consegue) mesmo sendo uma figura periférica na sua própria história.

 

Impressionante nos aspetos técnicos, A Desolação de Smaug conta com um design de produção espetacular que transforma Esgaroth numa espécie de Veneza de madeira e cria soluções visuais inventivas como a escadaria esculpida numa estátua imensa ou a primeira aparição do vilão sob uma montanha de moedas de ouro. Contudo, os bonecos digitais que substituem os atores são meramente passáveis e dá para perceber a sua artificialidade, o que prejudica particularmente a enérgica sequência dos barris. Neste ponto, Jackson faz plena questão que admiremos os faustosos valores de produção que teve ao seu dispor tantas são as vezes que investe no movimento de afastar a câmara para que admiremos os cenários e as paisagens – isto ao som da excessiva banda sonora que se mostra disposta a nunca dar descanso aos nossos ouvidos.

 

Beneficiado por ter um ritmo mais regular do que Uma Viagem Inesperada (que só ganhava vida quando Gollum entrava em cena) ainda que não disfarce o seu objetivo de "encher chouriços", O Hobbit: A Desolação de Smaug reforça a impressão que estamos a pagar para assistir a um Terra Média: As Sobras. Se o anterior, porém, era fraco, este é somente razoável – e, quem sabe, o próximo até possa ser algo memorável. É, eu sei, sou um otimista.

 

Mas que estes filmes precisam de umas versões reduzidas, ai isso precisam!

 

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publicado às 17:26

The Hunger Games: Em Chamas

por Antero, em 29.11.13

 

The Hunger Games: Catching Fire (2013)

Realização: Francis Lawrence

Argumento: Simon Beaufoy, Michael Arndt

Elenco: Jennifer Lawrence, Josh Hutcherson, Liam Hemsworth, Woody Harrelson, Elizabeth Banks, Lenny Kravitz, Philip Seymour Hoffman, Jeffrey Wright, Stanley Tucci, Donald Sutherland, Sam Claflin, Jena Malone

 

Qualidade da banha:

 

Um erro comum em sequelas é repetir tudo aquilo que fez sucesso no original. Em vez de apostarem numa história nova que aprofunde o universo e as relações já estabelecidas, a maioria dos produtores prefere jogar pelo seguro e dar uma nova roupagem que, a rigor, não altera nada. The Hunger Games: Em Chamas, continuação do ótimo Os Jogos da Fome, não comete este erro: apesar dos heróis serem levados de volta à arena para combaterem entre si sob uma desculpa meio esfarrapada, o filme mergulha nas tensões políticas resultantes da vitória dos protagonistas na 74ª edição dos Jogos ao mesmo tempo que explora aqueles amargurados indivíduos.

 

Passando-se pouco tempo depois dos eventos do capítulo anterior, Em Chamas estabelece desde logo um clima cinzento e opressivo no qual Katniss (Lawrence) e Peeta (Hutcherson) deverão participar na ronda dos vitoriosos e visitar cada um dos 12 Distritos e fomentar uma farsa do romance entre os dois como forma de aplacar as sementes de revolta criadas pelas suas ações. Encarada como uma ameaça pelo ardiloso Presidente Snow (Sutherland), Katniss deve manter-se apática às mudanças que ocorrem à sua volta sob pena da sua família e o seu amado Gale (Hemsworth) serem mortos. É então que Snow, juntamente com o novo diretor dos Jogos, Plutarch Heavensbee (Seymour Hoffman), decidem alterar as regras para a edição especial dos 75º Jogos da Fome: os concorrentes serão selecionados consoante os vencedores anteriores de cada Distrito e, assim, Katniss e Peeta estão de volta à arena em que só um poderá sair vivo.

 

Distanciando-se do primeiro filme na maneira como retrata um Capitólio mais militarizado (mas, ainda assim, burlesco), Em Chamas não perde grande tempo com o triângulo amoroso da narrativa uma vez que há assuntos bem mais urgentes a tratar no momento (como Katniss clarifica para Gale) e os pretendentes da moça posicionam-se para auxiliá-la e não para fazer birrinhas e declarações de amor (o que dispara The Hunger Games para muitos degraus acima da péssima saga Twilight). Da mesma forma, o filme dá continuidade à sátira aos reality shows com o culto da celebridade, o voyeurismo mórbido em acompanhar detalhes da vida privada de alguém que tem uma objetiva sobre si e, claro, o facto de estes programas fabricarem uma realidade quando argumentam que estão meramente a "retratá-la" (e até o modelo da nova edição – uma espécie de “Big Brother All Stars” – toca no tema da arbitrariedade das regras destes programas onde novas decisões são tomadas pelos organizadores com o intuito de "melhorá-los").

 

Assim, Em Chamas não tem medo de abordar temáticas fortes e adultas para um blockbuster voltado ao público jovem: opressão, revolução, autoritarismo, segregação, controlo de informação (quando Katniss deixa de ser uma aliada valiosa aos governantes, estes não hesitam em apostar numa campanha de desinformação para denegri-la aos olhos do povo), o filme serve como alegoria onde cada um poderá projetar as suas convicções políticas – e, aqui, a mensagem de Em Chamas surge mais focada do que em Os Jogos da Fome no qual Katniss teria de basicamente sobreviver à disputa na arena e, agora, os riscos são bem maiores já que ela, mesmo não querendo, tornou-se no símbolo de uma luta. Daí que acompanhar a sua trajetória entre a submissão às ordens de Snow como forma de se proteger até à sua revolta com o totalitarismo dos governantes torna-a ainda mais complexa visto que ela abraça a luta por se aperceber do que o que está em jogo é algo bem maior do que ela.

 

Interpretada com entrega total por parte da talentosíssima Jennifer Lawrence, Katniss é uma figura feminina forte e determinada que não depende do sexo oposto para realizar as suas ambições pessoais. Pragmática e inteligente, ela atravessa a projeção com os olhos inchados de melancolia pela realidade triste que não consegue abandonar e pela fúria subjacente que cresce nela com o avançar dos acontecimentos. Sempre que Lawrence não está em cena (o que ocorre poucas vezes), Em Chamas sofre: há uma cena que alguém próximo quase morre e é pela atuação da atriz que a sequência comove e deixa um nó na garganta. Já Hutcherson constrói um sujeito digno do amor de Katniss e torna-se mais ativo na disputa (em Os Jogos da Fome ocorria uma inversão de papéis uma vez que Peeta era a "donzela em perigo"), Sutherland cria um vilão ameaçador somente com os seus olhares e inflexões e pausas do discurso e Philip Seymour Hoffman aposta num indivíduo ambíguo que deverá ter o devido destaque nos próximos capítulos.

 

Curioso por alterar a dinâmica dos próprios jogos já que os vencedores, ressentidos por terem de voltar à arena após a promessa de um resto de vida em paz, firmam alianças com os adversários, Em Chamas conta com uma realização mais cuidada da parte de Francis Lawrence que conduz as sequências de ação sem a irritante câmara tremida que prejudicou o antecessor e desenvolve um clima de urgência e perigo que assalta o espectador e nunca mais o larga. Interessante também por apostar num final em aberto do género de O Império Contra-Ataca que deixa uma vontade louca que acompanhar o que se seguirá, o filme só peca por ser mais longo que o ideal – e há um tópico de gravidez atirado lá para o meio que depois não é desenvolvido e poderia ter sido limado sem grande prejuízo.

 

Melancólico e sombrio, Em Chamas prova que a saga (esta sim!) The Hunger Games ainda tem bastante por explorar, mas que, para lá de toda a pirotecnia, da sátira e das mensagens políticas, o seu ponto forte é mesmo as suas personagens carismáticas com a admirável Katniss à cabeça.

 

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publicado às 19:06

Thor: O Mundo das Trevas

por Antero, em 05.11.13

 

Thor: The Dark World (2013)

Realização: Alan Taylor

Argumento: Christopher Yost, Christopher Markus, Stephen McFeely

Elenco: Chris Hemsworth, Natalie Portman, Tom Hiddleston, Anthony Hopkins, Stellan Skarsgård, Idris Elba, Christopher Eccleston, Adewale Akinnuoye-Agbaje, Kat Dennings, Ray Stevenson, Zachary Levi, Tadanobu Asano, Jaimie Alexander, Rene Russo

 

Qualidade da banha:

 

Facto: quem não gostou de Homem de Ferro 3 provavelmente também não irá gostar de Thor: O Mundo das Trevas. Ambos sofrem do mesmo mal: excesso de piadinhas, história superficial e genérica, festival de efeitos especiais como se isso sustentasse qualquer narrativa. No entanto, eu que até gostei moderadamente da terceira aventura de Tony Stark vejo-me na posição de ter de cascar forte e feio no segundo capítulo do Deus do Trovão. Aqui não há Robert Downey Jr. a salvar a honra do convento ou boas ideias espalhadas aqui e ali (como a revelação sobre a natureza de Mandarim), embora o resultado seja praticamente o mesmo: uma oportunidade falhada.

 

Realizado por Alan Taylor (que comandou alguns episódios da chatíssima série Game of Thrones), O Mundo das Trevas traz Thor (Hemsworth) a corrigir os problemas que se levantaram nos Nove Reinos depois dos eventos de Os Vingadores. De volta a Asgard onde deverá ocupar o lugar de Odin (Hopkins) no trono, Thor não consegue esquecer Jane Foster (Portman) que ainda o espera passado tanto tempo. Com o aproximar de um raro alinhamento dos Nove Reinos, vários portais são abertos que levarão a que Jane tome contacto com uma força destrutiva chamada Aether e que desperta o moribundo Malekith (Eccleston), cuja missão é apoderar-se desse elemento e destruir o universo.

 

Escrito por três pessoas (sendo que mais duas ajudaram a elaborar a história), Thor: O Mundo das Trevas serve mais como epílogo de Os Vingadores visto que perde imenso tempo em explicações sobre o que aconteceu ao protagonista após os eventos desse filme e a fazer várias referências ao universo da Marvel. O problema é que estas menções são convenientemente esquecidas para explicar certas situações: ora, porque é que os outros heróis não auxiliam Thor já que o universo que está em causa? Porque a SHIELD não intervém para deter a destruição de Londres? E como a ponte Bifrost foi reconstruída após o final do filme anterior? Em vez disso, o filme prefere pôr Loki (Hiddleston) a incorporar o Capitão América apenas para arrancar mais gargalhadas.

 

Prejudicada pelo tremendo sucesso de Os Vingadores, a Marvel vê-se numa encruzilhada artística: há que dar ameaças maiores às aventuras a solo dos seus heróis, mas sem que haja o perigo de alterar o rumo dos acontecimentos gerais para que todos permaneçam essencialmente os mesmos quando atenderem ao toque de recolher de Nick Fury. Desta forma, os filmes da Marvel arriscam-se a tornarem-se peças sem identidade, meros objetos de uma linha de produção que trabalha para manter o interesse do público aceso. Não há o mínimo de tensão ou sensação de perigo em O Mundo das Trevas - mesmo quando uma ação violenta é cometida sobre Thor, percebe-se na hora que o filme arranjará maneira de reverter as suas consequências.

 

Incrivelmente insípido para uma obra de fantasia, O Mundo das Trevas não consegue aproveitar que o seu universo já foi estabelecido no divertido e equilibrado filme anterior e, apesar de contar aventuras que se passam em mundos fantasiosos, soa terrivelmente derivativo. De Star Wars, O Senhor dos Anéis, Alien/Prometheus e até o primeiro Tron (!), a película suga vários elementos para que a identificação seja rápida e fácil mesmo que estas não contribuam para mais nada que não a constatação da ausência de vitalidade da narrativa. Até uma ideia inventiva como a convergência dos Reinos e os saltos entre vários mundos durante uma batalha é sabotada porque os cenários visitados limitam-se a Londres, Asgard, o tal Mundo das Trevas e as montanhas de gelo vistas no primeiro filme.

 

De resto, é uma benção que Loki traga alguma vida à narrativa (embora não traga nada de novo) porque o vilão com as suas motivações rasas passa completamente ao lado. Tom Hiddleston, aliás, é o único do numeroso elenco que consegue tirar proveito do relativo pouco tempo de antena a que tem direito, já que os nomes sonantes vistos na relação de atores no início deste texto não fazem mais do que figuração de luxo. Entretanto, a química entre Natalie Portman e Chris Hemsworth é praticamente nula e é uma incógnita como a insossa Jane Foster arranca tantos suspiros do Deus do Trovão. Era preferível, portanto, acompanhá-lo ao lado da guerreira Sif (Alexander) e, como esta ainda viverá uns bons milénios em comparação com a humana Jane, é esperar que a terráquea morra de velhice para a deusa se fazer ao piso.

 

Com bons efeitos especiais e um design de produção majestoso (menos mal), Thor: O Mundo das Trevas serve como paliativo para a expectativa para a segunda reunião dos Vingadores, mas é perfeitamente dispensável.

 

PS: há uma cena durante os créditos finais que está relacionada com o próximo filme da Marvel, Guardiões da Galáxia, e ainda outra no final que encerra parte da história.

 

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publicado às 18:42


Alvará

Antero Eduardo Monteiro. 30 anos. Residente em Espinho, Aveiro, Portugal, Europa, Terra, Sistema Solar, Via Láctea. De momento está desempregado, mas já trabalhou como Técnico de Multimédia (seja lá o que isso for...) fazendo uso do grau de licenciado em Novas Tecnologias da Comunicação pela Universidade de Aveiro. Gosta de cinema, séries, comics, dormir, de chatear os outros e de ser pouco chateado. O presente estaminé serve para falar de tudo e de mais alguma coisa. Insultos positivos são bem-vindos. E, desde já, obrigado pela visita e volte sempre!

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