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LOST: duro amor

por Antero, em 02.04.10

ALERTA DE SPOILER! Este post contém informações relevantes, pelo que é aconselhável que só leiam caso estejam a par da exibição norte-americana.

 

 

LOST 6x10: The Package

É um bocado difícil, nesta altura do campeonato, levar com um episódio destes, o comumente chamado filler - aquele capítulo que pouco ou nada adianta na narrativa geral e que basicamente serve para preparar eventos futuros (ou encher chouriços, para ser mais preciso). E o que se avizinha não é nada bom (embora esperado): o Falso Locke declara guerra a Widmore que parece estar realmente do lado de Jacob e que providenciará uma solução para que tal entidade não abandone a Ilha, algo que passará por uma experiência de electromagnetismo e traz Desmond de volta para o acto final. Ainda que o episódio tenha perdido tempo com a desnecessária afasia de Sun, foi óptimo ver que Claire ainda guarda rancor por Kate e que esta corre perigo de vida ou perceber como o Homem de Negro pode perder o controlo da situação a qualquer momento, uma vez que peças importantes (Jin, Sun, Sawyer) têm interesses pessoais a sobreporem-se aos do colectivo.

 

Na realidade paralela, os acontecimentos foram pouco relevantes: Jin e Sun não são casados, mas mantêm um caso. Ela acaba por revelar que está grávida, o que sugere a conhecida infertilidade de Jin como consequência da influência de Jacob. E tudo aponta para que o Kwon dos candidatos seja mesmo Jin e não Sun, a não ser que a união matrimonial os torne ambos possíveis substitutos de Jacob - o que, além de ridículo, faria deste um ser pouco prático ao ter tanto trabalho para uni-los quando bastaria escrever Paik em vez de Kwon nas paredes da gruta. Engraçado foi ver as ironias narrativas tão comuns da série em acção, embora mais inconsequentes que nunca, como rever Mikhail e este ser atingido no olho, provando que o Destino é implacável em qualquer dimensão. Não fossem os segundos finais a acender uma luz de esperança quanto ao próximo episódio (que será centrado em Desmond) e a desilusão total estaria consumada. LOST tem de acelarar já e disparar para um final em grande.

 

6 potes de banha


publicado às 17:32

LOST: desde os primórdios...

por Antero, em 24.03.10

ALERTA DE SPOILER! Este post contém informações relevantes, pelo que é aconselhável que só leiam caso estejam a par da exibição norte-americana.

 

 

LOST 6x09: Ab Aeterno

Foram quase 6 anos, mais de uma centena de episódios e um sem número de acontecimentos para finalmente descobrirmos qual a verdadeira natureza da Ilha. Nada de teorias malucas como o Purgatório, o centro da Terra, uma espécie de Arca de Noé, um sonho e outras coisas do género.

 

O quê?! Não gostaram da explicação? Não perceberam a metáfora? Eu cá sou da opinião que as coisas mais complicadas explicam-se da maneira mais simples: a Ilha é uma "rolha" que impede o Mal de se espalhar pelo Mundo; o Homem de Negro é o Mal incarnado e não acredita na bondade do ser humano; Jacob é o seu carcereiro e tenta fazê-lo ver que os indivíduos são pessoas essencialmente boas. E daí surge uma guerra de manipulações que ocorre praticamente desde sempre com claro prejuízo de Jacob, ainda que o Homem de Negro não consiga escapar da sua prisão. Vários chegam à Ilha trazidos por Jacob e o seu passado não interessa mais, corroborando o facto da Ilha ser um lugar para recomeçar e onde a redenção pode acontecer a qualquer um. Com Jacob fora da jogada, cabe a outro que o substitua e continue a sua missão . Uma jornada espiritual sobre a condição humana, a eterna batalha entre o Destino e o Livre Arbítro , isto tudo é LOST. Dá vontade de rever a série desde o início e ver como todas as peças se encaixam.

 

Através da história de Richard Alpert (provavelmente, o mais longo flashback de toda a série), um sujeito simples levado como escravo para o Novo Mundo em 1867, percebemos como o Black Rock foi parar ao meio da Ilha e como a estátua que alberga Jacob se quebrou. Acompanhamos a sua cruzada rumo à sobrevivência e à possibilidade de obter perdão antes da morte, e o facto do Homem de Negro o tentar convencer com a ideia do Inferno (os tempos eram de exacerbada religiosidade) faz uma bela referência com as teorias dos fãs, quando muitos julgavam os losties mortos. Atormentado com o facto de ter sido incapaz de salvar a sua amada e de ter acidentalmente morto um homem, Alpert mostra-se mais vulnerável e obssessivo que nunca, algo que contrasta com a posição segura a articulada que vinha mostrando ao longo dos anos. Tal como Locke, Ricardus tornou-se uma marioneta nas mãos de alguém superior que manipula tudo e todos os que sejam necessário aos seus intentos, mesmo que estes sejam nobres. Neste aspecto, Jacob não se distancia muito da sua contraparte ao perceber que, para ser bem sucedido, teria que lutar com as mesmas armas do seu opositor: não deixar nada ao acaso e passar a interferir, ainda que indirectamente, nos acontecimentos da Ilha.

 

Porém, o detalhe mais importante do episódio (e que poderá revelar-se fulcral na resolução da história) é perceber que o Monstro de Fumo não poupa aqueles que se arrependem dos seus actos passados, como pensaríamos anteriormente depois da morte de Mr. Eko, até porque a criatura já matou indiscriminadamente. O Monstro analisa a essência de cada um, procurando algo que possa servir os seus interesses, algo que o indíviduo deseje muito e que estaria disposto a remendar no seu passado. Como o Homem de Negro promete a realização daquilo que os seus recrutas mais desejam, o que, até certo ponto, tem acontecido na realidade paralela, dá a entender que a garrafa partiu mesmo.

 

Ou talvez não.

 

10 potes de banha


publicado às 19:27

LOST: jogo duplo

por Antero, em 17.03.10

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LOST 6x08: Recon

LOST é uma série sobre pessoas e não tanto sobre mistérios. Estes servem mais como enfeites para manter a narrativa em andamento e prender a atenção do público, mas são as personagens que realmente cativam e poucas são as séries que conseguem desenvolver um numeroso elenco de forma satisfatória. Basta olhar para a sublime primeira temporada: ela é uma gota de água num oceano de mistérios, mas funciona de maneira exemplar devido ao conhecimento profundo que nos é dado sobre os indivíduos que sobreviveram ao desastre do voo 815 da Oceanic Airlines. Como já referianteriormente, Sawyer foi aquele que sofreu a maior evolução ao longo do tempo, passando de egoísta e frio a altruísta e generoso e o facto de termos acompanhado esse arco dramático só faz com que o mesmo tenha mais impacto. Claro que, já na recta final, há muito ainda a ser resolvido e isso é inegavelmente irritante, o que faz com que conflitos que poderiam ser melhor explorados se resolvam em três tempos, como o ódio de Claire para com Kate (que, ainda assim, rendeu uma curiosa cena em que o Falso Locke se refere à sua mãe como sendo louca).

 

Com a sua vida pacata desfeita e Juliet morta, Sawyer volta às suas raízes de calculista, tentando mover as peças a seu favor e usando a melhor arma de um golpista: a confiança. Ao ganhar a confiança de Widmore e do Falso Locke, confrontando-os com a verdade, Sawyer procura uma escapadela no meio do conflito que se aproxima, mas não sem pensar no bem-estar dos restantes, uma vez que ele próprio sabe que os dois ceifarão todas as vidas necessárias para atingir os seus objectivos. Interessante também foi perceber que Widmore não parece estar do lado do Falso Locke (vide as defesas que ele está a instalar na ilha secundária), o que me leva a pensar que ele procura impôr-se ao lugar de Jacob, mesmo sem fazer parte do lote de candidatos, o que pode explicar a animosidade que ele tem para com Ben que, como sabemos, o usurpou do posto de líder dos Outros.

 

Na realidade paralela, num mundo onde Jacob não brinca com o destino de cada uma das personagens, é a escolha o factor determinante para os rumos de cada um. Entre assumir a identidade do causador da morte dos seus pais como forma de o encontrar (o que o tornou numa ser trágico), Sawyer escolheu a via mais difícil, porém mais benévola: ele é um polícia que usa do mesmo esquema para apanhar outros golpistas. Mesmo com a vingança em mente e a lutar contra fantasmas passados, ele surge agora como um indivíduo pacífico, bem sucedido e eficiente naquilo que faz. Como se ele encontrasse a paz que tanto procurou - e, de certa forma, viveu como LaFleur - e que não é fruto de um despenhamento numa ilha ou de viagens no tempo, mas sim de escolhas acertadas.

 

Para a semana, o aguardado nono episódio, onde os bons e velhos flashbacks estão de volta e conheceremos a história do eternamente jovem Richard Alpert!

 

8 potes de banha

 

publicado às 19:11

LOST: uma nova oportunidade

por Antero, em 12.03.10

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LOST 6x07: Dr. Linus

Os episódios centrados em Benjamin Linus estão entre os melhores de toda a série e este não é excepção. Calculista, manipulador e ambicioso, Ben surgiu como o grande antagonista de LOST na segunda e na terceira temporada, sendo depois desenvolvido como um anti-herói, alguém em que não sabemos se devemos confiar, uma vez que as suas intenções são sempre obscuras. Mérito para os argumentistas e para Michael Emerson que o interpreta com uma dedicação ímpar. Porém, desde a morte de Alex que algo mudou: Ben procura uma redenção pelos seus actos e as suas consequências, conseguindo-a - pensava ele - emDead Is Dead. No entanto, ele viu-se como mero peão num tabuleiro maior do que ele previra, algo fatal num indíviduo sedento de poder. Como Ben declara na comovente conversa com Ilana, ele deixou que a sua sede de controlo pela Ilha se sobrepusesse a tudo o resto, mesmo ao amor que sentia pela filha adoptiva e que encontrou um destino cruel no processo. Voltar para junto de Locke seria aceitar a sua condição de mero instrumento e nunca abraçar a redenção na sua plenitude, mas, mesmo assim, ele decide tentar.

 

Na realidade paralela, vemos a redenção de Ben como nunca seria possível na linha temporal "normal". Ele é um professor dedicado, preocupado com os seus alunos e com o ambiente escolar e que cuida do pai enfermo que, por sua vez, não tem qualquer tipo de ressentimento para com o filho (e o pormenor do pai de Ben se manter vivo com oxigénio, quando já o víramos a ser assassinado com gás tóxico revela uma ironia narrativa sensacional). Uma das suas melhores alunas é precisamente Alex, que guarda imenso respeito por ele. Ele é quase como uma figura paterna para a jovem e ver Ben a tomar uma decisão que eleva os interesses dos outros acima dos seus é testemunhar a evolução da personagem, mesmo que ela ocorra numa realidade alternativa. Também foi óptimo rever o Artz e aturar o seu eterno mau-humor e perceber como Locke ainda se dispõe a seguir Ben e a tomá-lo como líder - um comportamente que, sabemos nós, levou-o à morte.

 

E se tudo isto seria o suficiente para marcar este sensível episódio como o melhor da temporada (até agora), ainda temos a fabulosa cena no interior do Black Rock, onde vemos Jack a dar um verdadeiro "salto de fé" e a abraçar de vez a natureza misteriosa da Ilha e a missão de Jacob, naquela que é a personagem mais bem desenvolvida desde o início da série. Tivemos direito também a referências a Paulo, Nikki e aos malfadados diamantes, mostrando a inteligência dos produtores da série em incluir detalhes de forma orgânica à narrativa. Nos últimos segundos, a cereja no topo do bolo: depois de uma cena de reencontro que remete aos primórdios do programa (e a música de Michael Giacchino - recentemente galardoado com um Oscar - é sempre excelente), vemos Widmore a caminho da Ilha, disposto a reclamar o que é seu nesta guerra. Resta saber de que lado é que ele estará.

 

10 potes de banha

 

publicado às 02:35

LOST: bem-vindo ao lado negro

por Antero, em 03.03.10

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LOST 6x06: Sundown

A tridimensionalidade das personagens em LOST é um dos seus maiores atractivos: ninguém é bom ou mau, nada é preto e branco. Sayid é um indivíduo bondoso na sua essência que tenta redimir-se no tempos passados como torturador no Iraque, mas as circustâncias levam-no a cometer actos de indizível crueldade. Na realidade paralela, o seu grande amor, Nadia, está viva, casada com o seu irmão e com dois filhos para criar. Ainda nutre sentimentos por Sayid, mas, no fundo, é feliz. Ele, como homem de negócios bem estabelecido, continua a correr atrás do prejuízo e é novamente levado a assassinar mesmo que para salvar a família do irmão (e, de certa forma, sua também). Dá a impressão que esta realidade alternativa não é consequência da explosão da bomba, mas sim como uma hipótese formulada caso Jacob não tivesse influenciado os trajectos dos nossos conhecidos (o que explicaria, em parte, a presença de Ben fora da Ilha). Como o Falso Locke diz a Sayid, ele pode providenciar a solução para todas as personagens, aquilo que eles mais desejam, e como um dos grandes conflitos da série é o binómio Destino/Livre Arbítrio, esta possibilidade não pode ser posta de lado.

 

Na Ilha, os acontecimentos foram bombásticos: Sayid abraça o seu lado negro e possibilita um extermínio promovido pelo Falso Locke que, a cada dia que passa, ganha mais seguidores e deixa a porta aberta para que encaremos Jacob não como o "herói", mas sim como uma entidade com ideias opostas à dele. O tabuleiro virou completamente para o lado do Monstro graças à acção do iraquiano e a saída da Ilha é o objectivo final. Como o vão fazer e as consequências que daí advém ninguém pode explicar. E onde está Jacob no meio disto tudo? Será que Jack e Locke travarão novo duelo num futuro próximo como peças essenciais para a resolução de tudo? Faltam 10 episódios e a tensão está mais alta que nunca.

 

9 potes de banha

 

publicado às 20:28

LOST: a vigília

por Antero, em 25.02.10

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LOST 6x05: Lighthouse

Muitos não gostam dos episódios centrados em Jack e confesso que também não sou grande fã dos mesmos, apesar de considerar a personagem uma das mais bem construídas da série, algo que nem todos concordam. O Doutor é, antes de mais, uma personagem trágica: o facto de ser um cirurgião e de curar os "defeitos" de outros não o impede de ver a sua vida pessoal em cacos, impossível de ser arranjada. De líder relutante, a homem da Ciência, passando a crente desesperado por algo maior, Jack sempre foi o centro de LOST e, numa clara ironia, ele foi apenas feliz e sentiu-se completo na Ilha mesmo que a contragosto e desejando abandonar a mesma (sentimento oposto ao de Locke). Na realidade paralela, vemos Jack e os seus daddy issues por um novo prisma: ele agora é pai e tenta salvaguardar uma relação sadia com o filho, algo que nunca conseguiu com o seu progenitor. Isto é um prato cheio para Matthew Fox que volta a dar uma interpretação detalhista e comovente, ainda que muitos tendam a subvalorizar o actor.

 

Por outro lado, não há como negar que a realidade paralela tem-se revelado nada empolgante e, estando nós a tão poucos capítulos do final da série, é complicado envolvermo-nos com uma linha narrativa que parece não levar a lugar algum e que gasta tempo precioso que podiam ser usados na resposta de tantas e tantas perguntas (apesar de eu achar este universo alternativo bastante do curioso do ponto de vista narrativo). Ainda assim, nem mesmo na Ilha estamos bem servidos e toda a parte da Claire e da "tortura" ao membro dos Outros revelou-se dispensável. Melhor mesmo foi acompanhar Hurley e Jack e perceber muita da natureza dos infames Números: 360 para formar todos os ângulos de um círculo, cada um deles se refere a um potencial substituto para Jacob que os vigiava através de um farol e, numa metáfora bem sacada, "iluminava" os caminhos destes até à Ilha (lembrar o que o Falso Locke referiu no episódio anterior sobre Jacob mexer os cordelinhos na vida de cada um dos potenciais suplentes).

 

De qualquer forma, a impressão é que as respostas vêm a conta-gotas e que o ritmo poderia ser mais trepidante para uma temporada final. E nisto pensei numa teoria maluca que já vi discutida nalguns blogs: a realidade alternativa pode ser o verdadeiro final da série e todos os eventos que acompanhamos na Ilha culminarão num reset de toda a série e repõe a linha do tempo como se ela nunca tivesse existido, onde Jack tem um filho (porque não se lembra ele da apendicite?), Ben está fora dela, Shannon não quis voltar para Los Angeles, Kate continua fugida, Desmond está no voo 815 e não havia nenhum motivo para que todos iniciassem a jornada que agora caminha para o fim.

 

7 potes de banha

 

publicado às 01:33

LOST: o candidato

por Antero, em 17.02.10

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LOST 6x04: The Substitute

John Locke era um zé-ninguém antes da Ilha e a sua verdadeira jornada espiritual começou no momento em que o voo 815 despenhou-se. Lá encontrou um objectivo e é lá que ficará enterrado, negando a sua existência patética fora da mesma. No entanto, na realidade paralela, Locke continua a ser um zé-ninguém, mas mais conformado e, talvez, mais feliz (é insinuado que até se dá bem com o pai - logo como ficou ele paraplégico?), embora ainda frustrado com a sua condição. A procura de uma existência melhor do que mundana continua a ditar os rumos da sua vida, enquanto que Rose nunca curará o cancro que a afecta. Só não percebi como Ben pode estar vivo na realidade alternativa, uma vez que ele se encontrava na Ilha no momento da explosão da bomba e que apagou toda a linha temporal vigente até então.

 

No "nosso" tempo, o Falso Locke recruta Sawyer para a sua missão de escapar da Ilha e é interessante perceber a dualidade do "novo" Locke para o nosso velho conhecido, como o golpista bem aponta ao dizer que o careca estava sempre assustado, mesmo quando parecia saber o que fazia. Ponto para Terry O'Quinn que acrescenta nuances distintos ao interpretar a mesma personagem. E nada mais justo que o Falso Locke tente chamar Sawyer para o seu grupo, uma vez que eles partilham do mesmo laço familiar - foi o pai de Locke que originou Sawyer e fez desaparecer James Ford - é quase como se eles fossem irmãos. Fascinante também é perceber como o sempre sereno Richard Alpert surge agora fragilizado e ansioso num sinal inequívoco do perigo que se aproxima, algo que também pode ser dito da postura de Locke que de confuso passou a um ser ciente das suas acções. O episódio ainda ofereceu muitas pistas sobre os infames Números que estão relacionados com a lista de Jacon para a sua sucessão, mesmo que eu não perceba a omissão de Kate, já que esta também esteve e foi tocada por Jacob anos atrás.

 

8 potes de banha

 

publicado às 13:15

LOST: a infecção

por Antero, em 10.02.10

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LOST 6x03: What Kate Does

Na estreia da sexta temporada, ficou definido que há duas linhas temporais paralelas: uma em que o plano de explodir a bomba resultou, e outra em que os esforços foram em vão e os losties regressaram a 2007. Utilizando elementos da mecânica quântica (como oGato de Schrödinger), os produtores de LOST acabam por dar um bombom ao espectador oferecendo a possibilidade de acompanhar as consequências do facto do voo 815 ter aterrado em Los Angeles (mesmo que, a rigor, certos factos tenham sido alterados). Se as realidades paralelas se irão cruzar ou se alguma delas se revelará "infundada" é algo que ninguém pode responder para já. Assim, continuamos a assistir aos eventos da fuga de Kate do aeroporto, sequestrando Claire, ao mesmo tempo que vemos o desenrolar da súbita ressureição de Sayid e o abandono de Sawyer do templo dos Outros onde, supostamente, todos estariam protegidos.

 

Ao contrário de muita gente, eu gostei deste episódio embora reconheça-lhe pouca relevância. Depois da electrizante estreia, é confortante dar uma relaxada e se o ritmo parado como as coisas acontecem no templo irritam qualquer um (incrível como ninguém fala com ninguém, nem fornecem respostas numa situação de perigo iminente), ao menos podemos acompanhar as acções de Kate dentro e fora da Ilha e perceber, através de rimas narrativas tão características da série, que a essência da personagem está toda lá. Na mesma medida que Kate foge também não deixa de prestar auxílio a uma Claire prestes a parir e não seria de todo impensável ela estar presente novamente no parto de Aaron (e a aparição de Ethan foi mais uma daquelas coincidências fenomenais que a série costuma desenvolver). Na Ilha, um Sawyer abalado com a morte de Juliet volta a fechar-se sobre si mesmo numa belíssima interpretação de Josh Holloway.

 

No entanto, é no final do episódio que começam a ser lançadas algumas pistas sobre o arco a percorrer nesta temporada e ela refere-se a uma possível "infecção" que Sayid terá sofrido (de Jacob?) e que a mesma terá afectado a desaparecida Claire que não se encontra com os Outros como eu tinha previsto. Nos últimos segundos, dá para perceber que Claire será uma reencarnação da defunta Rousseau. Se na realidade "paralela" a história da loira parece ter terminado com o indício que ficaria com Aaron, na Ilha toda uma série de questões novas acabam de pipocar nas nossas mentes.

 

8 potes de banha

 

publicado às 15:01

LOST: paralelismos

por Antero, em 03.02.10

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LOST 6x01 e 6x02: LA X

Nos primeiros minutos da sexta temporada, logo após a explosão da bomba provocada por Juliet, voltamos ao voo 815 da Oceanic onde vemos Jack meio atordoado. Aparece a hospedeira de bordo, tal como na primeira temporada, que lhe serve uma bebida (em vez de duas). Após uma série de turbulências, é Rose quem acalma Jack, quando foi o contrário que assistíramos anteriormente. O avião não se despenha. O acto de Juliet resultou? A linha temporal foi reposta? Sim e não. Porque logo a seguir quem se senta ao lado de Jack é Desmond e a Ilha aparece submersa no Oceano Pacífico. Pouco depois, passamos a acompanhar os eventos a seguir à detonação da bomba que, pelos vistos, fez os losties regressar a 2007, bem como as incidências no templo de Jacob depois deste ter sido morto por Ben.

 

Confuso? Pois, preparem-se que este é o mote do acto final de LOST: há duas linhas temporais paralelas e vemos a sucessão de acontecimentos que poderiam ter ocorrido caso o voo 815 não tivesse caído na Ilha ao mesmo tempo que seguimos a proclamada guerra entre Jacob e o seu arqui-rival. Nada de idas e vindas no tempo, o assunto agora são realidades paralelas. Ficamos a saber que o monstro de fumo é uma manifestação deste e que todas as suas maquinações têm como objectivo a sua saída da Ilha. Aparentemente, esta seria uma prisão e não é de excluir que ambos sejam representações do Bem e do Mal em constante oposição. Vemos o verdadeiro templo dos Outros, no qual se refugiaram desde o final da terceira temporada, e percebemos de que forma Ben foi "curado" do tiro disparado por Sayid. Aposto que Claire foi raptada e ficou lá com os Outros este tempo todo. E que a "morte" de Sayid não foi mais do que um esquema para que Jacob pudesse tomar o corpo dele. Ou que Richard Alpert foi parte activa no aprisionamento do inimigo de Jacob, o falso Locke. Todos parecem ser peões nesta guerra.

 

Porém, é na linha temporal alternativa (chamar-lhe "normal" parece, ainda, imprudente) que o episódio resgata todo o espírito da primeira temporada, principalmente com as aparições de Boone, Charlie, o xerife que perseguia Kate, entre outros - e o pormenor mais chocante da estreia foi perceber que a hospedeira que servia Jack também faz parte dos Outros. Foi nostálgico ver as personagens a interagir sem se conhecerem e com uma mão cheia de alusões a eventos que já presenciámos (deu-me um aperto no coração quando Boone disse que ficaria com Locke caso o avião caísse). Emocionante é também ver comportamentos antagónicos em personagens familiares como Jin (o bruto contra o afável), Sawyer (o cínico contra o nobre), Sun (a submissa contra a decidida) ou Jack (o confiante contra o confuso) e perceber que estes paralelismos só contribuem para que percebamos toda a complexidade e evolução delas ao longo das temporadas. O diálogo final entre Jack e Locke (o verdadeiro) foi maravilhoso e, desde já, um dos grandes momentos da série. Com ou sem acidente, todos eles estavam destinados a cruzarem-se e até Desmond, sem Ilha nenhuma para onde ir parar, estava no avião.

 

É óptimo ter LOST de volta e triste ver o seu término tão perto. Outro paralelismo angustiante que nos acompanhará até ao dia 23 de Maio, data assinalada para o final deste marco da Televisão.

 

9 potes de banha

 

publicado às 06:38

Contagem decrescente para o fim

por Antero, em 02.02.10

 

Arranca hoje a caminhada final de algo que começou em Setembro de 2004. É com um misto de ansiedade louca e pesar profundo que vejo a hora fatídica a aproximar-se. Eu quero saber como acaba mas não quero realmente que acabe. Porque nada se vai comparar a este memorável, excitante - e, por vezes, frustrante - quebra-cabeças, narrativamente maravilhoso e com personagens marcantes e inesquecíveis. Espero é que o final esteja à altura das temporadas anteriores. Seria uma pena ver o comboio a descarrilar à chegada, mas eu acredito que isto não vai acontecer. Até porque os produtores já prometeram um final de "pôr toda a gente a arrancar cabelos" que era tudo o que eu mais desejava.

 

LOST volta hoje com episódio duplo e serão 17 capítulos até ao final previsto para Maio. O fim começa agora... e seja o que Jacob quiser!

 

publicado às 00:05


Alvará

Antero Eduardo Monteiro. 30 anos. Residente em Espinho, Aveiro, Portugal, Europa, Terra, Sistema Solar, Via Láctea. De momento está desempregado, mas já trabalhou como Técnico de Multimédia (seja lá o que isso for...) fazendo uso do grau de licenciado em Novas Tecnologias da Comunicação pela Universidade de Aveiro. Gosta de cinema, séries, comics, dormir, de chatear os outros e de ser pouco chateado. O presente estaminé serve para falar de tudo e de mais alguma coisa. Insultos positivos são bem-vindos. E, desde já, obrigado pela visita e volte sempre!

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