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LOST: paz de espírito

por Antero, em 06.03.09

ALERTA DE SPOILER! Este post contém informações relevantes, pelo que é aconselhável que só leiam caso estejam a par da exibição norte-americana.

 

 

LOST 5x08: LaFleur

Apesar de não ter um único episódio centrado em si na quarta temporada, Sawyer foi daquelas personagens que amadureceram imenso ao longo do tempo: de indivíduo arrogante e anti-social, ele passou a amargurado e a preocupar-se mais com aqueles que o rodeiam, chegando ao ponto de arriscar a sua vida para salvar a de outros. Todo este percurso foi feito aos poucos e com imenso cuidado ao longo das temporadas e hoje temos um Sawyer com perfil de líder e – porque não dizê-lo – em paz consigo mesmo. Esta paz culminou no episódio desta semana que mostrou o que aconteceu aos sobreviventes quando a Ilha estabilizou devido à acção de Locke. Parados em 1974, foram-se os flashes e as dores de cabeça e Sawyer, Juliet, Miles, Jin e Daniel infiltram-se na Iniciativa Dharma – na altura em pé de guerra com os Hostis – e assim se passam 3 anos. Nenhuma revelação bombástica (ok… talvez a estátua), nenhum momento “OMG” ou “WOW”, apenas um episódio leve sobre Sawyer e a sua nova vida. E, mesmo assim, foi formidável.

 

Lembram-se de um episódio na quarta temporada em que Kate e Sawyer estão na vila dos Outros e ele sugere-lhe que eles fiquem por ali e não sejam resgatados. E Kate pergunta-lhe até quando eles iriam ficar a brincar às casinhas. Pois bem, no final do episódio é isso que Juliet e Sawyer fazem; eles vivem uma mentira e, de certo modo, já se habituaram àquela rotina. Tal como Locke, Sawyer encontra estabilidade na Ilha, mesmo que esta esteja alicerçada numa mentira, mas como ele é um mentiroso por natureza, ele dá-se bem neste novo meio. Definitivamente, ele não tem porque voltar para casa e foi tocante quando ele diz que 3 anos são suficientes para esquecer alguém. Isto até Kate voltar de vez e virar o mundo do nosso querido James Ford do avesso. Vou confessar uma coisa: sempre fui mais a favor de ver Kate com Jack, mesmo com as neuroses deste. E mesmo com a volta desta, creio que Sawyer ficará com Juliet, afinal já está com ela há 3 anos e com Kate foram quê? 3 meses? Mesmo assim, acho que pode resultar daqui um grande conflito neste quadrado amoroso.

 

Mas deixando as pintelhices de amor de lado, o que eu realmente começo a perceber é que vamos saber tudo sobre a Dharma e a Ilha in loco, ou seja, os personagens serão parte activa na resolução (ou criação) dos mistérios. Será que vamos ver Ben quando este chegou à Ilha? Será que vamos assistir a um capítulo fulcral da guerra entre a Dharma e os Hostis? E porque Locke e Ben ficaram em 2008? Onde foi parar o corpo da Charlotte? E porque raios Richard (o homem com eyeliner carregado como disse Sawyer; adorei) aparece em qualquer ponto sempre com a mesma aparência? Para a semana não há LOST, sendo que o nono episódio desta maravilhosa quinta temporada será exibido daqui a duas semanas.

 

10 potes de banha

 

publicado às 12:45

 

Nunca li Watchmen, embora oiça falar dela há mais de uma década, o que faz com que eu não seja nenhum leigo no que à obra diz respeito. Para um fã de banda desenhada como eu, não é difícil perceber o impacto que a graphic novel teve nos paradigmas vigentes até então (a obra foi publicada em 1986): nunca os super-heróis haviam sido retratados com tanta complexidade, não havia espaço para a divisão simplista entre o “bem” e o “mal” e os heróis (se assim se podem chamar) eram, acima de tudo, humanos, passíveis de errar e ter defeitos. Há claramente um antes e um depois de Watchmen e não admira, por isso, que tenha havido tanta contestação dos fãs na transição para os cinemas que agora estreia, a começar pelo mentor da obra, Alan Moore. Mas a Alan Moore até podemos perdoar a sua postura, visto o que Hollywood fez às suas obras, como V de Vingança, From Hell e o intragável Liga de Cavalheiros Extraordinários.

 

Situado no ano de 1985, num universo alternativo em que Nixon já vai para o quinto mandato como Presidente dos EUA em virtude da vitória na Guerra do Vietname, Watchmen conta a história de um grupo de super-heróis reformados, que mais não são do que os representantes actuais de um grupo de super-heróis surgido na década de 30, os Minutemen. O homicídio do velho, cínico e sociopata Comediante leva o misterioso Roarschach a encetar uma investigação e começa a suspeitar de uma conspiração para assassinar todos aqueles que fazem parte dos Watchmen. São eles: Coruja Nocturna, que está numa crise de meia-idade e que se ressente do abandono da vida de aventureiro; Espectro de Seda II, que herdou o cargo da sua mãe, a Espectro de Seda original; Ozymandias, um actual empresário de sucesso, considerado a pessoa mais inteligente do Mundo; o Dr. Manhattan, o único que tem realmente poderes, sendo o símbolo da Era Atómica e que é usado como mecanismo de defesa pelo governo de Nixon (foi assim que ele venceu no Vietname); para além dos já referidos Comediante e Roarschach. Todos estes acontecimentos acabam por convergir na Guerra Fria encetada entre os EUA e a União Soviética, quando a guerra pela ocupação do Afeganistão atingia o auge.

 

É complicado falar de Watchmen tentando resumir todo os significados que a obra traz consigo. Por um lado, temos a despedida de uma era mais inocente dos quadradinhos (as ditas Era de Ouro e Prata), a ascensão da energia nuclear como justificação para assuntos mais científicos (leia-se, plausíveis) nas histórias, o aprofundamento das personagens como seres reais, deixando de lado o maniqueísmo de outrora de parte. De outro modo, temos uma história intrincada, que exige imensa compreensão e atenção aos detalhes por parte do leitor; as manipulações do poder político, que usa a figura do “herói” segundo os seus interesses; dissertações sobre a teoria do Caos, o equilíbrio entre a ética e o dever e o papel do “herói” no mundo cinzento actual. É uma obra que desconstrói toda uma mitologia criada em 50 anos e é de tal forma detalhada que quem não estiver inteirado com estes mecanismos típicos da banda desenhada passará ao lado de muita coisa. Por isto é que a obra sempre foi apelidada de “infilmável” e, vendo agora o resultado final de Watchmen – Os Guardiões, diria que é quase um milagre o filme ter saído como saiu. Ele sobreviveu a tudo: a produtores sedentos de dinheiro que queriam desvirtuar a história, à dança de realizadores, aos cortes exigidos devido à longa duração, à censura leve que os produtores queriam atingir, entre outros factores.

 

Mas Zack Snyder, realizador de O Renascer dos Mortos e 300, bateu o pé e disse que queria ser o mais fiel possível à graphic novel, deixando a acção em 1985, com muita violência, sexo e nudez. Embora o filme não seja totalmente fiel à obra original (Os Contos do Cargueiro Negro foram cortados e saem numa animação em DVD; o final é diferente) e apesar de não ter aquele apelo aos fãs da banda desenhada, uma vez que estamos a falar de um produto cinematográfico que chega a um número maior de pessoas, Watchmen é um bom filme, mas não é a adaptação perfeita. Aliás, posso já adiantar que Watchmen é um filme difícil de digerir pelo público médio: a narrativa desenvolve-se de maneira tão intrincada que o espectador é bombardeado de informações novas a serem processadas, principalmente a partir do meio do filme, quando as diferentes parcelas da história começam a encontrar-se. Quem for ao cinema à espera do típico filme de super-heróis cheio de acção e correria vai apanhar a decepção de uma vida. O filme tem muito poucas cenas de acção e estas não passam das normais sequências rápidas, com cortes secos e muita câmara lenta (como em 300). O grande ponto a favor de Watchmen é que este estabelece o universo riquíssimo da graphic novel de forma envolvente e coesa.

 

 

Começando com o assassinato do Comediante ao som de Unforgetable e passando logo para o genial genérico que introduz toda a trajectória dos Minutemen ao longo das décadas, tudo isto ao som de Bob Dylan e o seu The Times They Are a-Changin’ (acreditem, é mesmo genial e estejam atentos aos detalhes), Watchmen estabelece logo um clima de nostalgia e melancolia à medida que os eventos entre as décadas sucedem, culminando no negrume trazido pela administração Nixon e os anos 80. Uma pena que as restantes músicas inseridas em momentos fulcrais do filme não adicionem nada de novo e algumas surjam completamente deslocadas. Um pena também que os efeitos especiais sejam tão irregulares, alternando entre o bom e o fraco (a sequência de Marte e algumas partes do Dr. Manhattan) e que personagens que, supostamente, não deveriam ter poderes, saltem, tenham super-força e sejam extremamente rápidos. Mas isto é perdoável graças à realização que transpira respeito pela obra original, respeitando toda a sua essência e à segurança com que ele alterna flashbacks com o presente de maneira elegante e pouco confusa numa história com tantas informações. Ainda assim, o filme pode soar desinteressante para quem não teve contacto com a obra original, devido ao seu ritmo lento e à história complexa (na sessão a que fui, houve gente a desistir antes do filme acabar).

 

Para que a proposta do filme funcione, convém que as interpretações estejam à altura e estas não desiludem: Patrick Wilson comove com as incertezas de Dan Dreiberg; Jackie Earle Haley encarna um Roarschach intenso e obstinado; Jeffrey Dean Morgan está espectacular como o Comediante, com uma acidez adequada ao papel; Billy Crudup consegue revelar as suas feições e os questionamentos de Dr. Manhattan mesmo debaixo de milhentos efeitos especiais. Os elos mais fracos ficam mesmo com Matthew Goode como Ozymandias, cheio de caretas e arrogância e - com muita pena minha porque a personagem tinha um potencial enorme – a Espectro de Seda de Malin Akerman, que não consegue exprimir todos os anseios e dúvidas da personagem (e se uma revelação no final do filme sobre ela falha em provocar qualquer tipo de emoção no espectador é devido à interpretação fraca da actriz, mas também à realização de Snyder que não dá o devido destaque à mesma). De realçar também a direcção de arte (soberba) e a fotografia, embora esta passe mais despercebida devido à inundação de efeitos por computador que tomam conta da projecção a certa altura.

 

E temos o final, um dos grandes pontos de discórdia entre os adeptos da obra original. Pois bem, apesar de ser bastante diferente da resolução original, o final proposto por Watchmen é totalmente coerente com a restante história, respeita a essência da original e não retira nem um décimo dos questionamentos levantados há mais de 20 anos (apesar de, segundo fui informado, a discussão que a procede ser muito curta no filme). Snyder ainda se dá ao luxo de inserir algumas referências como o miúdo que lê Os Contos do Cargueiro Negro, o número 300 que surge a certa altura, a sua já violência estilizada característica, embora falhe redondamente no nariz exageradamente grande de Nixon.

 

Cheio de violência, nudez e sexo, exigindo do espectador mais do que ele está habituado a dar, com personagens pouco identificáveis e baseado numa obra que é considerada uma obra-prima do século XX, Watchmen - Os Guardiões revela-se uma das mais arriscadas propostas vindas de Hollywood nos últimos anos, o que, tendo em conta as suas tendências, é algo de admirável. Mesmo assim, o filme não consegue escapar ao pesado legado que trazia atrás de si e isso acaba por prejudicá-lo. Não é revolucionário como foi a obra que o originou, mas isso era tarefa impossível: o público já viu imensas variantes dos Watchmen, seja na banda desenhada, na televisão ou no cinema. De qualquer forma, será de lamentar se o filme não tiver o reconhecimento devido: é sinal de que Hollywood deverá arriscar ainda menos no futuro. Para mal de todos nós.

 

Qualidade da banha: 15/20

 

publicado às 23:45

O combate de uma vida

por Antero, em 01.03.09

 

Mickey Rourke é um actor que atingiu a fama nos anos 80, com filmes como O Ano do Dragão, 9 Semanas e Meia e Nas Portas do Inferno (que é imperdível, quanto mais não seja pela fabulosa reviravolta que encerra o filme). Elogiado pelo seu talento e presença em cena, ele decidiu mandar isso tudo às urtigas e enveredou por uma carreira de boxeur nos anos 90. Quando decidiu voltar a actuar, Hollywood foi implacável pelo seu comportamento e fama de arruaceiro e Rourke afundou-se em filmes sem expressão, daqueles que ficam na prateleira dos videoclubes a acumular pó. Isto até voltar a ser contratado como secundário de luxo por gente como Tony Scott e Robert Rodriguez, que viam nele a tal figura de duro ideal para personagens do género (como pode ser observado na personagem de Marv em Sin City – A Cidade do Pecado).

 

Agora reparem: Randy “The Ram” Robinson era um wrestler famoso pelos seus espectáculos nos anos 80, mas que actualmente se encontra na miséria, dedicando-se a fazer espectáculos quase amadores para plateias que mal se lembram dele. As suas finanças estão arruinadas, ele não tem família, a sua fama mais não é que a frustração de um passado glorioso e longínquo, e mesmo assim ele dedica-se à vida de wrestler porque aquilo é a sua vida e a única coisa que ele sabe e tem gosto em fazer. Isto até ter um enfarte após um combate mais intenso, o que o impede de continuar a praticar esse desporto e o faz reavaliar toda a sua trajectória. O que é que The Ram e Rourke têm em comum? Para além do percurso de ambos em que qualquer semelhança não é pura coincidência, o segundo interpreta o primeiro, o que torna O Wrestler num quase exercício de metalinguagem sobre a carreira do actor e da personagem de ficção. Só isto bastaria para chamar a atenção do público para este filme.

 

Mas não é só. O filme de Darren Aronofsky tem tantos pontos positivos que é difícil saber por onde começar. Ou melhor, nem tanto. Basta começar pela mais que elogiada interpretação de Mickey Rourke, que torna The Ram num indivíduo amargurado pelas escolhas que fez no passado, mas que encara o que faz com tamanho profissionalismo e dedicação, que é impossível para o público não se identificar imediatamente com ele. Ele não é uma pessoa irascível à procura de redenção (numa solução que Hollywood nunca dispensa): ele trata os seus companheiros com simpatia e respeito, como se estes fossem a sua verdadeira família; ele tenta reaproximar-se da filha adolescente com quem perdeu contacto (e a confissão e admissão de culpa que ele lhe faz à beira-mar é extremamente comovente); e quando Randy se vê atrás de um balcão para ganhar algum sustento, ele tenta tirar o máximo prazer da situação, embora se sinta diminuído e saudoso da emoção dos ringues. Acima de tudo, Randy tem um carácter autodestrutivo que o levou até àquela situação, carácter esse que vislumbramos quando ele trata realmente mal a stripper Cassidy, a sua única amiga (maravilhosa Marisa Tomei). Rourke, tal como Randy nos ringues, entrega-se de tal maneira ao papel, que até chegou a cortar-se de propósito numa das cenas mais chocantes do filme, depositando todo o peso do seu trajecto cinematográfico no papel.

 

Darren Aronofsky filma tudo com a câmara na mão e a opção revela-se acertada: em vez de alienar o público da história, ele torna-o mais próximo das personagens e encontra belas rimas visuais, como no momento em que Randy se prepara para iniciar o trabalho no talho e a câmara acompanha-o por trás com o som de uma plateia num pavilhão antes do espectáculo. Aliás, Aronofsky consegue a verdadeira proeza (pelo menos, para mim) de manter o interesse nos combates encenados do wrestling, não nos poupando dos horrores a que os lutadores se sujeitam em prol do espectáculo (a parte dos agrafos é terrível) e a sua câmara trata a modalidade com imensa admiração, como se aquela fosse a percepção de Randy sobre o seu triste quotidiano.

 

O cuidadoso argumento de Robert Siegel trata ainda a stripper Cassidy como uma mulher real, autêntica. Tal como Randy, ela tem o seu palco, mas devido ao peso dos anos, começa a ficar para trás na preferência dos clientes. Tal como o amigo, talvez seja chegada a hora de deixar a "ribalta" e Tomei retrata-a com extrema sensibilidade. Não admira que uma das melhores cenas do filme seja aquela em que Randy se solta no café e convida-a a cantar e dançar em público, como se ambos partilhassem as mesmas tristezas e merecessem extravasá-las (e, de certa forma, até que partilham). Do mesmo modo que Randy decide abandonar um palco, logo encontra outro mais particular para dar um sentido à sua vida: reatar a relação com a sua filha Stephanie que, para ele, se torna a verdadeira tábua de salvação da sua rotina sem os combates.

 

Duro e intenso, O Wrestler é um filme que conta com interpretações fabulosas e um protagonista caído em desgraça que tenta recuperar a sua dignidade moral, que até pode vir das pequenas coisas, como os agradecimentos de clientes anónimos que se cruzam com ele. O filme ainda conta com mais um ponto a seu favor que é saber acabar no momento certo, com aquele salto de Randy para a posteridade. A sua dignidade acabou por ser o seu verdadeiro - e mais intenso - combate. Palmas para ele.

 

Qualidade da banha: 18/20

 

publicado às 21:33

Pág. 2/2



Alvará

Antero Eduardo Monteiro. 30 anos. Residente em Espinho, Aveiro, Portugal, Europa, Terra, Sistema Solar, Via Láctea. De momento está desempregado, mas já trabalhou como Técnico de Multimédia (seja lá o que isso for...) fazendo uso do grau de licenciado em Novas Tecnologias da Comunicação pela Universidade de Aveiro. Gosta de cinema, séries, comics, dormir, de chatear os outros e de ser pouco chateado. O presente estaminé serve para falar de tudo e de mais alguma coisa. Insultos positivos são bem-vindos. E, desde já, obrigado pela visita e volte sempre!

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