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Melhor. Filme. Do. Ano.

por Antero, em 16.08.08

 

A cada filme da Pixar Animation Studios que é lançado, cresce a ansiedade e o receio. Afinal, a empresa estabeleceu um patamar de qualidade tão elevado nas suas animações, que é impossível não pensar em desiludir-nos com um novo filme. E como no ano passado a Pixar lançou Ratatoille, que é, sem dúvida, um dos melhores filmes de animação de sempre, as expectativas e os receios estavam nos píncaros. Mais uma vez, a Pixar troca-nos as voltas e consegue o impensável: WALL•E é tão magnífico como Ratatouille (e Toy Story 2, já agora); uma obra arriscada que surpreende tanto na premissa quanto no desenvolvimento da acção. Uma experiência apaixonante a jornada do robot solitário que há 700 anos limpa um planeta Terra desabitado devido aos altos níveis de poluição e acaba por desenvolver uma personalidade humana. Com a chegada ao planeta do robot EVA, WALL•E entusiasma-se por encontrar um semelhante seu, sem saber que ambos estão prestes a embarcar numa aventura que poderá definir o futuro da Terra.

 

Na primeira metade, WALL•E praticamente não tem diálogos (o primeiro surge só aos 20 minutos), investindo todo o peso do desenvolvimento da história nas imagens. E que imagens! Panorâmicas de tirar o fôlego do planeta Terra deserto, seco, com lixeiras empilhadas como se fossem edifícios. Mais à frente, há um belíssimo bailado no espaço e é incrível constatar a antropoformização dos vários robots que vão surgindo no filme (melhor, só mesmo o efeito conseguido em Carros). Aliás, a nível visual, o filme é um regalo para os olhos, como já é hábito da Pixar. Os efeitos sonoros também são formidáveis, ou não fossem do mesmo técnico de Star Wars. O perfeccionismo técnico é algo que hoje já não é tão difícil de atingir e os magos da Pixar sabem isso, uma vez que nada se sobrepõe a algo tão descurado nos dias de hoje: o argumento. E o argumento de WALL•E é, numa palavra, perfeito.

 

A história de amor entre WALL•E e EVA é das mais belas que o Cinema já nos ofereceu: ele vê nela algo que o completa, ela tenta lutar contra as directrizes que lhe foram estabelecidas e, se a princípio ela o encara como uma anomalia do ecossistema terrestre, é comovente assistir ao surgimento gradual do afecto entre os dois. E depois temos a caracterização da raça humana no futuro: subjugada a uma vida de luxos e poucos esforços (os robots fazem tudo... mesmo tudo!), os humanos tornam-se obesos, vitimas do consumismo e de um estilo de vida fútil. O humor do filme é outro ponto alto: descendente directo da comédia clássica que fez história no Cinema, o filme homenageia Chaplin, Disney, Keaton, Spielberg (Wall•E tem semelhanças com ET) e até Kubrick (a inteligência central AUTO parece primo de Hal de 2001 - Odisséia no Espaço). E não de forma descarada e metida a martelo como em tantos outros filmes (tipo Shrek), mas de maneira orgânica e puramente dentro do contexto.

 

Mas o grande destaque acaba mesmo por ser o robot WALL•E: carismático ao máximo, ele age como uma criança, plena de curiosidade e inocência. E num filme com tanta coisa para arrebatar os sentidos, a melhor sequência é mesmo aquela que é a mais minimalista, hilariante e reveladora ao mesmo tempo: quando WALL•E leva EVA ao seu refúgio e ambos partilham várias experiências com objectos que ele foi recolhendo ao longo do tempo. Depois, ele tenta conquistá-la da mesma maneira como assiste repetidamente num velho VHS do filme Hello, Dolly!, porque, no seu entender, é assim que os humanos se relacionam.

 

Com uma mensagem ecológica que só engrandece a película, WALL•E é a prova da vitalidade da Pixar (se é que eram precisas mais), que não tem medo de ser ousada, desafiando a criatividade e não seguindo fórmulas feitas a pensar no lucro fácil. Que o Joker me perdoe, mas o posto número um do ano já tem dono. Podem fechar as contagens. Uma obra-prima inesquecível!

 

Qualidade da banha: 20/20

 

PS: é favor não chegar tarde à sessão, pois antes passa a costumeira curta-metragem da Pixar e desta vez é a hilariante Presto, que mais parece ter sido realizada por Chuck Jones com a tecnologia actual. E, se não for muito incómodo, fiquem para assistir aos créditos finais que fazem uma inventiva e bela homenagem à evolução da animação ao longo da História. E versão original, se possível.

 

publicado às 04:02

De volta a casa

por Antero, em 15.08.08

Estou sem grande vontade de escrever, muito menos de falar sobre as férias. Acabo de fazer uma viagem de 8 horas de autocarro que, por acaso, até nem custou tanto como a primeira (ah! a ansiedade...). Estou exausto e ainda tenho de arrumar as tralhas. Queria ver se dormia um bocado antes do jogo do Benfica, mas vai ser complicado. Porém, logo à noite, nem o sono me vai impedir de assistir ao novo filme da Pixar, WALL·E. Maxwell Smart, o Mulder e a Scully que me desculpem, mas vão ter ficar para outro dia. Os próximos dias vão ser para tirar férias das férias e poupar uns trocos, que esta semana deixou-me mais pobre. Aliás, a inflação tem um nome: Algarve! Só mesmo lá para pagar 2 euros (Dois! D-O-I-S!) por um fino (imperial para aqueles lados) banalíssimo e servido num copo de sumo. Volto lá quando for milionário.

 

publicado às 17:30

O sinal da Internet aqui é tão fraco que nem sei este post vai dar certo (a caixa onde escrevo este texto mal aparece, por isso a formatação é para o tecto), mas é só para dizer que estou a adorar as férias aqui no Algarve (ou será Allgarve?). Por aqui é só brasileiros, ingleses, holandeses, alemães, franceses e, vá lá, portugueses. Os preços são proibitivos, mas hoje dei uma gorjeta de 95 cêntimos e senti-me rico. Aliás, acho que descobri o porquê do preço dos combustíveis estar tão alto: só pode ser para afastar os portugueses do Algarve. Outras coisas negativas: primeiro, a ventania que se faz sentir, bem pior que Espinho ou Aveiro. Se de dia até calha bem para atenuar o calor que se faz sentir, de noite é quase impossível não bater o dente. Segundo, o caos urbanístico que é a costa algarvia. Aquela ideia do Algarve como instância turística é um mito. Tirando as zonas coladas ao mar, o restante do Algarve é quase como uma extensão do Alentejo. E não é preciso ir muito longe da costa, basta andar 5 a 10 quilómetros e temos "o Abaixo do Baixo Alentejo".

 

A viagem para cá foi horrível, muito extenuante. Ainda assim, posso dizer que os efeitos foram mínimos porque vim durante a noite. De dia, deve custar muito mais. Passei a viagem toda a ouvir rádio. Há estações de rádio que passam anúncios publicitários em inglês! Até tenho medo de ir ao cinema e os filmes não serem legendados. De resto, o descanso tem sido muito, como a altura o exige. Ainda conto ir a Albufeira ou a Portimão. O primeiro pela noite, o segundo pelas praias. Se bem que as praias de Lagos são lindissímas, mas minúsculas (a maioria situa-se entre falhas nas ravinas), o que faz com que a meio da tarde tenhamos de nos mexer para acompanhar o movimento do Sol e não ficarmos na sombra. E é tudo. Continuação de boas férias para mim e para quem pode! :p

 

publicado às 19:43

Vou fazer-me à estrada

por Antero, em 05.08.08

Literalmente.

 

Esperam-me mais de 8 horas de viagem de autocarro (o horror! o horror!) até chegar à Meca portuguesa, aquele local tão pouco português, mas que consegue ser um dos nossos maiores embaixadores: o Algarve! Mais precisamente para Lagos (sim, foi para aqueles lados que a miúda desapareceu) passar uns dias de sol, praia, noite e muita diversão. Por isso, é provável que o blog não dê sinal de vida nos próximos dias, embora conste que a vizinha do lado não conheça o termo "protecção de redes sem fios", pelo que acesso à Internet não será problema. Volto a casa no final da próxima semana.

 

Mas antes da bonança, vem a tempestade.

 

Amanhã terei de me deslocar a Aveiro para tratar do meu certificado de habilitações. Fiz o pedido pela Internet há mais de mês, mas uma amiga minha falou-me que eles andam a perder requerimentos, quer em papel quer feitos online. E depois não mexem uma palha para acelarar o processo de requisição, porque muita gente precisa dele o mais rápido possível. Até estava para telefonar a clarificar a situação, mas depois dessa minha amiga levar 3 horas até lhe atenderem o telefone, acho que prefiro tratar disto cara a cara. Ao menos, vejo a cara da pessoa com a qual reclamo, discuto e esbracejo (não seria a primeira vez).

 

Por outro lado, até que será divertido avaliar e ver qual a pior: uma viagem de 8 horas de autocarro ou umas belas e longas horas passadas nos Serviços Académicos?

 

publicado às 16:40

Pragas do mundo moderno #4

por Antero, em 03.08.08

DOMINGOS

 

É para eu aprender a não sair de casa neste dia da semana. Para além de ser impossível aturar os famosos domingueiros, andei às voltas com o carro por causa do trânsito caótico, de uma procissão que me obrigava a mudar de rumo a cada esquina e, para borrar de vez a pintura, tive um acidente. Nada de grave, pura azelhice minha, mas complicou-me as contas das férias programadas para esta semana. O que vale é que foi no carro de um conhecido meu (isto é mesmo uma gota de sorte num mar de azar) e resolveu-se tudo na hora. Pontos positivos do dia: conseguir combinar um "lanche prolongado para jantar" para 8 pessoas, com um orçamento reduzido de 30 euros. E com camarões, grelhados e muita cerveja. Mesmo assim, que dia maldito!

 

publicado às 19:17

Este aqui, nem desligando o cérebro...

por Antero, em 01.08.08

 

Depois da montanha-russa de emoções proporcionada por Batman, Joker e companhia a semana passada (por falar nisso, a banda sonora d' O Cavaleiro das Trevas já cá canta), é até covardia ir ao cinema ver o novo capítulo d' A Múmia e esperar alguma coisa de jeito. A começar pelo sub-título, O Túmulo do Imperador Dragão. Quando um filme precisa de um atrelado tão grande para lhe dar nome, é quase sempre mau sinal. O primeiro filme ainda diverte, o segundo é uma porcaria; este aqui, bem... para não ser muito duro, refiro apenas que é tão bom como o anterior. Não diverte, não empolga, chega até a ser meio constrangedor. Pudera, o filme foi escrito pelos criadores de Smallville, o que já de si diz muita coisa.

 

A história é aquela lenga-lenga do costume: imperador (rei, governante, presidente, ditador, Alberto João Jardim, como queiram) tinha tudo na mão, é amaldiçoado para todo o sempre, até que uns desajeitados o ressuscitam. Depois, este vai ressuscitar o seu velho exército, que isto de lutar sozinho, quando se é super-poderoso, é uma maçada e assim até se torram uns milhões em efeitos especiais vistosos com multidões à paulada. E depois lá vão os heróis tentar remendar a cagada que fizeram, prontos a matar o vilão a tiro, quando já sabemos que apenas um feitiço ou um objecto mágico enfiado a martelo resolve o assunto. Ou, caso isto não funcione, talvez matar o vilão de tédio, tal é o arsenal de frases feitas, tiradas sem piada, declarações melosas e situações que fedem de tão batidas que são (aqueles rostos na areia a serem levados pelo vento no final do filme... enfim).

 

Mas, acho que estou a ser demasiado injusto com a película. Afinal, como ignorar a história de amor à primeira vista do filho do herói (um playboyzinho genérico) que arrasta a asa à chinoca logo na segunda vez que a vê, quando a mesma o tinha tentado matar antes? Ou então, o original esquema narrativo de "narração épica, cena de acção, paleio, paleio, paleio, cena de acção, paleio, paleio, paleio, cena de acção, paleio, paleio, cena de acção, paleio e, finalmente, cena de acção onde, milagrosamente, todos se encontram no mesmo local". E o que dizer da adição dos Abomináveis Homens da Neve (sim, plural) que ajudam os bons e, vejam só, até festejam quando eliminam um mauzão? Ou perceber a astúcia das personagens, que combatem nos Himalaias com armas, bazucas e explosões (até um valente grito sonoro é desferido pelo vilão) sem medo de uma avalanche, que apenas ocorre com a explosão de... uma granada! Já se sabe que a lógica não quer nada com estes filmes, mas um pouco de bom senso não fica mal (resta dizer que as personagens viajam por vários pontos do mundo num piscar de olhos e isto em 1946). Porém, a cena que me fez gargalhar a sério é aquela em que a personagem de Michelle Yeoh invoca uns pobres coitados para a luta através de um livro antigo, sendo que, há muitos milénios atrás, ela usara o mesmo livro para invocar em sânscrito (que é o idioma no qual está escrito), mas, no século XX, ela invoca-os em inglês. São os efeitos da globalização!

 

Os actores estão todos péssimos: Brendan Fraser já é um canastrão neste tipo de filmes, mas aqui supera-se; John Hannah continua sem piada (e não faz falta no filme); Luke Ford é uma carinha laroca e só; Jet Li e Michelle Yeoh só lá estão pelo salário. Mas, incrivelmente, a pior actuação é de Maria Bello, uma actriz competentíssima, que aqui oferece a sua pior performance: carregando no sotaque inglês em vários níveis de intensidade, tornando-o imediatamente falso, ela não exibe carisma algum e a sua cumplicidade com Fraser é rísivel. Rachel Weisz, sem se esforçar muito, fez muito melhor.

 

A melhor maneira para resumir este O Túmulo do Imperador Dragão encontrei-a no Rotten Tomatoes e é da autoria de Alonso Duralde e reza assim: "E num Verão em que mesmo o último Indiana Jones é uma pálida cópia dos anteriores, quem quer ver uma continuação de um Indiana Jones de segunda categoria?". No meu entender, nem com muitos cultos, feitiços, maldições e invocações, este iria ao sítio. Totalmente, morto e enterrado.

 

Qualidade da banha: 5/20

 

publicado às 04:30

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Alvará

Antero Eduardo Monteiro. 30 anos. Residente em Espinho, Aveiro, Portugal, Europa, Terra, Sistema Solar, Via Láctea. De momento está desempregado, mas já trabalhou como Técnico de Multimédia (seja lá o que isso for...) fazendo uso do grau de licenciado em Novas Tecnologias da Comunicação pela Universidade de Aveiro. Gosta de cinema, séries, comics, dormir, de chatear os outros e de ser pouco chateado. O presente estaminé serve para falar de tudo e de mais alguma coisa. Insultos positivos são bem-vindos. E, desde já, obrigado pela visita e volte sempre!

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