Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]




 

Antes de falar de Procurado, filme de acção que estreou ontem, gostaria de fazer umas explicações que poderão servir para o futuro. Sempre gostei de cinema e leio revistas de banda-desenhada desde os meus 7/8 anos. Nos últimos anos temos assistido a uma proliferação de obras cinematográficas baseadas em BD's, principalmente comics norte-americanos. Isto só prova a secura de ideias que anda por Hollywood: basta ver a quantidade de sequelas, prequelas, adaptações de livros, remakes e outras ideias para disfarçar aquilo que está à vista de todos. Mas, divago. O certo é que não sou daqueles espectadores que se irritam com a mínima coisa num filme baseado numa BD. Há que ter em conta que são medias diferentes, com linguagem distintas e públicos mais ou menos homogéneos (e aqui entra a questão do pilim), e alterações devem ser feitas. Desde que se capte a essência da obra original e se faça um bom filme (ou BD) com isso, estamos conversados. Que me interessa que o Homem-Aranha não tenha os atiradores de teia? Eu quero é ver as agruras de Peter Parker com tudo o que o rodeia! Isto só para dar um exemplo. E se há pessoas que reclamam (muitas vezes, sem razão) de filmes baseados em comics, deviam ver era o oposto. Garanto que não dormiam dias a fio.

 

Serve isto para dizer que Procurado tinha mais a ganhar se fosse mais fiel ao comic que o originou. O filme acaba por ser um típico entretenimento de Hollywood e é uma pena constatar aquilo que poderia ter sido. Baseado muito levemente na obra de Mark Millar e J.G. Jones, a história começa com a apresentação de Wesley Gibson (James McAvoy, excelente no papel), apelidado pelo próprio de gajo mais fracassado à face da Terra. A namorada trai-o com o melhor amigo, o seu trabalho é um tédio, a sua chefa é uma víbora e ele precisa constantemente de comprimidos para ataques de pânico. Isto até ser recrutado por Fox (Angelina Jolie, esquelética que até mete dó) para um grupo de super-assassinos, apelidado de Fraternidade, e descobre ser o filho do melhor assassino que por lá passou, recentemente morto. No comic, tratava-se de super-vilões, o que dava para fazer imensas referências ao mundo das BDs (e picardias com o universo da DC Comics) e a Fraternidade era melhor explorada, com as suas sub-divisões e rivalidades entre os seus mentores. A primeira alteração ainda se justifica, a segunda não.

 

O filme mantém a irreverência da BD (embora não chegue tão longe) e nunca se leva muito a sério (basta ver a caracterização do universo de Gibson antes da recruta). E como o argumento abraça o absurdo logo desde o ínicio (o disparo de uma determinada arma a muitos quilómetros de distância), o espectador sente-se à vontade para se divertir com as exageradas (exageradíssimas) sequências de acção, com destaque para a primeira perseguição de carros e o segundo trabalho de Gibson (a do comboio, por ser menos divertida, já soa mais ridícula). A violência é tão estilizada e tão descompromissada que se torna inevitável o riso com o absurdo da cena.

 

E aqui entram os defeitos da máquina de Hollywood: a história previsível e telegrafada para o espectador; a necessidade de fornecer um passado triste para que nos identifiquemos com determinada personagem; a redenção do herói e por aí vai. O realizador russo Timur Bekmambetov (outra mania de Hollywood: ir buscar realizadores de sucesso europeus e transformá-los em tarefeiros de serviço) emprega todo o seu estilo na condução da narrativa: cortes rápidos e secos, voltas de 360º com a câmara e uso da câmara lenta, que aqui é contextualizada como a "percepção" das personagens (só vendo o filme para ter a explicação) e até nem se sai mal. Bom entretenimento, mas prefiram a banda-desenhada, se tiverem oportunidade de ler.

 

Qualidade da banha: 13/20

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:07



Alvará

Antero Eduardo Monteiro. 30 anos. Residente em Espinho, Aveiro, Portugal, Europa, Terra, Sistema Solar, Via Láctea. De momento está desempregado, mas já trabalhou como Técnico de Multimédia (seja lá o que isso for...) fazendo uso do grau de licenciado em Novas Tecnologias da Comunicação pela Universidade de Aveiro. Gosta de cinema, séries, comics, dormir, de chatear os outros e de ser pouco chateado. O presente estaminé serve para falar de tudo e de mais alguma coisa. Insultos positivos são bem-vindos. E, desde já, obrigado pela visita e volte sempre!

Pesquisar

  Pesquisar no Blog


Armazém

  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2015
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2014
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2013
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2012
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2011
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2010
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2009
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2008
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D