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Coisas estranhas e absurdas

por Antero, em 12.12.10

ALERTA DE SPOILER! Este post contém informações relevantes, pelo que é aconselhável que só leiam caso estejam a par da exibição norte-americana.

 

 

Fringe - temporadas 1 e 2

Várias são as comparações entre Fringe, mais uma criação do prolífero J. J. Abrams ao lado da dupla Roberto Orci e Alex Kurtzman (capazes domelhore dopior) e o fenómeno dos anos noventa, Ficheiros Secretos. De certa forma, a primeira temporada vive muito à base dos louros da finada e celebrada série de Chris Carter: departamento mais ou menos secreto do FBI que trata de casos do foro paranormal, uma conspiração que serve de pano de fundo para o desenrolar da série, protagonista feminina e de traços fortes e profissionais, episódios isolados que pegam na velha fórmula do "monstro da semana". O primeiro ano de Fringe segue assim irregular ao tentar libertar-se das amarras da comparação com outros produtos e, aos poucos, a série começa a caminhar pelo próprio pé.

 

Os méritos de Fringe são muitos. A ficção científica é tratada com imenso respeito, incluindo histórias intrigantes, eficazes do ponto de vista dramático e com "explicações" (assim mesmo, entre aspas) para tornar tudo, senão mais plausível, menos absurdo. Sem depender de mistérios que se arrastam por episódios a fio (algo que, bem trabalhado, consegue bons resultados, o que é raro), a série vai dando respostas que encerram certas questões, mas que acabam por abrir outras possibilidades. Assim, o facto de Walter ter raptado o filho do universo paralelo levou a uma escalada de eventos que fecha a segunda temporada de maneira coesa, embora pouco surpreendente. Sim, fiquei surpreso por saber que Peter não era desta realidade, porém logo percebi que, no final do segundo ano, era Walternate quem perseguia Peter, que a "nossa" Olivia havia sido aprisionada no outro lado ou que William Bell tinha permanecido "desaparecido" para remediar os estragos das acções impensadas de Walter no passado.

 

Com finais de temporada de grande nível (principalmente na segunda, onde a construção narrativa é primorosa), Fringe ainda conta com um elenco competente, onde Joshua Jackson deixa para trás o estigma da xaropada Dawson's Creek e a lindíssima Anna Torv abraça uma personagem feminina forte e determinada que, aos poucos, torna-se mais sensível e menos distante para com o restante da equipa (réplicas da traição do seu ex-parceiro de armas e de cama, John Scott). No entanto, quem se destaca mesmo é John Noble como o alucinado e inteligentíssimo Walter Bishop que, marcado por traumas passados, revela uma postura infantil e dependente de outros, naquela que é a personagem mais fascinante e complexa da série.

 

Uma pena, portanto, que a Fox tenha sobrestimado o potencial da série e a tenha metido como atracção nas concorridas noites de Quinta e, agora, Fringe corre sério risco de cancelamento com a já anunciada mudança para o "horário da morte", as malditas Sextas à noite. É bem provável que já só tenhamos mais meio ano na companhia de Olivia, Peter, Walter, Broyles e respectivas contrapartes.

 

[Actualização 14/12/2010]

Comecei a ver a terceira temporada e confesso-me rendido a Fringe. Incrível como a série consegue desenvolver dois núcleos distintos (os episódios alternam entre "este" lado e o "outro") com o mesmo nível de interesse, sem que nenhum anule o outro, o que dá um prato cheio para o elenco esbanjar talento ao compor as mesmas personagens, mas com perfis diferentes. A série, aliás, não se furta de explorar todas as possibilidades oferecidas pela guerra de mundos paralelos (guerra esta com motivações bem estabelecidas, já que não dá para ignorar o estrago feito pela passagem de Walter na realidade alternativa) e isto atinge o auge no episódio quatro, Do Shapeshifters Dream of Electric Sheep?, que deixaria o mestre Isaac Asimov inchado de orgulho. Fringe não acalma na totalidade o meu coração saudoso por LOST, mas é um oásis na actual e decepcionante temporada de séries.

 

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publicado às 18:25


Banha de Cobra

Alvará

Antero Eduardo Monteiro. 30 anos. Residente em Espinho, Aveiro, Portugal, Europa, Terra, Sistema Solar, Via Láctea. De momento está desempregado, mas já trabalhou como Técnico de Multimédia (seja lá o que isso for...) fazendo uso do grau de licenciado em Novas Tecnologias da Comunicação pela Universidade de Aveiro. Gosta de cinema, séries, comics, dormir, de chatear os outros e de ser pouco chateado. O presente estaminé serve para falar de tudo e de mais alguma coisa. Insultos positivos são bem-vindos. E, desde já, obrigado pela visita e volte sempre!

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