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Os Marretas

por Antero, em 02.02.12

 

The Muppets (2011)

Realização: James Bobin

Argumento: Jason Segel, Nicholas Stoller

Elenco: Jason Segel, Amy Adams, Chris Cooper, Rashida Jones, Jack Black
Vozes: Steve Whitmire, Eric Jacobson, Dave Goelz, Bill Barretta, Matt Vogel, Peter Linz
 

Qualidade da banha:

 

É provável que as gerações mais novas não se lembrem dos Marretas, criação de Jim Henson e sucesso nos anos 70 e 80. Mesmo eu, do alto dos meus 26 anos, tenho vagas recordações do programa de televisão e das esporádicas longas-metragens que chegavam por cá (uma curiosidade que acabou por ser saciada graças às maravilhas da Internet). Longe dos ecrãs desde 1999, os Marretas voltam em grande estilo numa comédia capaz de cativar não só adultos que embarcarão nesta aventura por pura nostalgia, mas também os mais novos que têm aqui a oportunidade de (re)descobrir tudo aquilo que os fez (e faz) famosos.

Escrito pelo ator Jason Segel ao lado do argumentista/realizador Nicholas Stoller, Os Marretas segue Walter (voz de Peter Linz), um fantoche que vive com Gary (Segel), o seu irmão humano, na pequena cidade de Smalltown. Desde que se conhecem que são grandes admiradores dos Marretas, que ambos sentem ser uma espécie de alter-egos de si próprios. Os dois, juntamente com Mary (Adams), namorada de Gary, viajam para Los Angeles a fim de visitar o estúdio que albergava a produção do programa televisivo, onde acabam por saber dos planos do vilão milionário Richman (Cooper), que pretende destruir o local para explorar petróleo. Alertado pelo trio, o sapo Cocas decide reunir os velhos amigos para um último espetáculo com o objetivo de arrecadar os dez milhões de dólares necessários para salvar o estúdio.

Apostando num humor leve e inocente, Os Marretas conquista o espectador com as suas tiradas depreciativas e metalinguísticas: para acelerar a narrativa, as personagens sugerem que se inclua uma montagem ou que se faça uma “viagem de mapa”, onde o trajeto é delineado por vários países até ao destino final (e a chegada do grupo a França é genial). É este humor desconcertante que faz jus à irreverência dos bonecos em piadas e trocadilhos vistos em momentos como aquele em que alguém questiona o orçamento da produção ou aquele em que uma executiva diz que vai ser “direta” e alguém, não gostando do que ouviu, responde que ela podia ser “mais curva”.

Recheado de participações especiais de gente conhecida (tal como na série televisiva) e referências à cultura pop, Os Marretas usa-as não só como mera curiosidade, mas também organicamente à história: o facto da secretária de Miss Piggy ser Emily Blunt, que fazia o mesmo trabalho para Meryl Streep em O Diabo Veste Prada, projeta imediatamente o carácter vaidoso e altivo da porquinha em relação aos demais. Por outro lado, o argumento traz uma reminiscência do bromance tão caro às películas de Judd Apatow (com quem Segel já trabalhou) na relação “fraternal” entre Gary e Walter e revela uma moral anticorporativista a favor da individualidade que só a mentalidade retrógrada da execrável FOX News podia condenar.

Ambientado num universo que mistura aspetos contemporâneos com outros saídos dos anos 50 (como a cidadezinha de Smalltown), Os Marretas ainda se dá ao luxo de ir na contramão de tudo o que é feito em Hollywood recentemente. Não há cá CGI e tentativas de modernizar os bonecos: planos fechados que descortinam apenas a parte de cima das marionetas, cujos movimentos soam adequadamente “falsos”, numa tentativa bem-sucedida de manter a técnica o mais artesanal possível e, por isso mesmo, charmosa e nostálgica. Além disso, os números musicais mantêm um equilíbrio notável entre o comovente e o ridículo, com o destaque a ir para Man or Muppet (nomeada ao Oscar), onde um ator de comédia conhecidíssimo (que não vou revelar) faz a contraparte de Walter na absoluta perfeição.

Beneficiado por um elenco notável (Chris Cooper surpreende por se entregar à comédia e Amy Adams é sempre uma graça) e por uma energia aparentemente inesgotável, Os Marretas insufla vida nova a uma franquia poeirenta e prova que Cocas, Piggy, Fozzie, Gonzo, Animal e companhia ainda têm lugar no panorama atual dos filmes para miúdos e, especialmente, graúdos. Afinal, ainda há muita música para tocar e muitas luzes para ligar.

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publicado às 00:57

Festival de riso

por Antero, em 19.09.08

 

Tal como na excelente série Entourage, Tempestade Tropical é uma sátira ao universo de Hollywood, infestado de indivíduos egocêntricos e no qual os lucros ordenam. Enquanto que na televisão, a finalidade é tornar a acção mais realista, mas não menos cómica, no filme é o absurdo que toma conta da tela, o que não o menospreza de maneira nenhuma. No fundo, Tempestade Tropical é como uma metralhadora desgovernada a disparar para todos os lados, não deixando ninguém incólume. Lidando com estereótipos conhecidos de Hollywood, o filme é uma grata surpresa no panorama desolador da comédia cinematográfica actual.

 

Escrito a seis mãos por Ben Stiller (que também assina a realização), Justin Theroux e Etan Coen, o filme começa com dois anúncios publicitários e três trailers falsos, cuja finalidade é apresentar as personagens principais: a estrela de acção Tugg Speedman, um sub Vin Diesel; o comediante Jeff Portnoy, cujo filme mais conhecido é uma clara sátira às comédias de Eddie Murphy; e Kirk Lazarus, vencedor de cinco Óscars da Academia. Os três encontram-se a filmar um blockbuster de guerra baseado no livro Tempestade Tropical e, em poucos dias de filmagens, já o orçamento estourou e o realizador Damien Cockburn (Steve Coogan, engraçado como sempre) anda às voltas com as manias dos protagonistas que lhe dificultam a vida. Quando o principal produtor ameaça fechar a torneira, Cockburn decide transferir a acção para uma selva imensa e deixar indicações aos actores com o objectivo de filmar o melhor e mais realista filme de guerra de sempre, sem no entanto lhes informar que estão numa verdadeira zona de guerra algures no Vietname.

 

Ao contrário de lixos tóxicos como Epic Movie e Meet The Spartans, Tempestade Tropical não se limita a reproduzir cenas de filmes conhecidos, na esperança que o espectador ache piada àqueles exageros todos (aliás, acredito que as referências a Benson e a The Jeffersons passe ao lado de muita gente). Aqui, no meio da história que quer contar, há tiradas hilariantes ao mundo das vedetas de Hollywood e não fica pedra sobre pedra: filmes de guerra (Platoon e Apocalypse Now são referências óbvias); produtores sedentos de dinheiro (numa participação curiosa de Tom Cruise); campanhas humanitárias e ambientais em que as estrelas se envolvem; filhos adoptivos para auto-promoção; agentes preocupados com clausulas de contrato mesquinhas; actores de ego inchado (“Eu não leio guiões, os guiões lêem-me a mim.”), rappers, prémios da Academia e muito mais.

 

No meio disto tudo, Robert Downey Jr. consegue a proeza de, pela segunda vez no mesmo ano, ser a melhor coisa que dois bons filmes têm para oferecer. O seu Kirk Lazarus, actor adepto do Método e que se sujeita a uma cirurgia para ficar com aspecto afro-americano, é genial. Não deixando de representar um negro nem mesmo quando não está em cena, ele pensa saber tudo sobre os meandros de Hollywood e do culto das vedetas. É dele um dos melhores diálogos dos filme quando ele discute a diferença entre representar um deficiente mental, mas não um atrasado de todo e que apenas os primeiros são premiados. Outro ponto positivo é o filme saber o espaço que cada personagem do seu elenco absurdamente estrelado deve ter, o que não deixa de ser uma bela ironia tendo em conta o teor do filme.

 

Conseguindo captar mesmo quem não esteja muito por dentro do star-system de Hollywood, Tempestade Tropical é uma comédia irreverente que não deixa cair o pique nem por um momento, graças ao seu argumento repleto de surpresas e acidez. Entre as comédias em cartaz, prefiram este filme a abortos como Zohan. A Humanidade agradece.

 

Qualidade da banha: 16/20

 

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publicado às 16:25


Banha de Cobra

Alvará

Antero Eduardo Monteiro. 30 anos. Residente em Espinho, Aveiro, Portugal, Europa, Terra, Sistema Solar, Via Láctea. De momento está desempregado, mas já trabalhou como Técnico de Multimédia (seja lá o que isso for...) fazendo uso do grau de licenciado em Novas Tecnologias da Comunicação pela Universidade de Aveiro. Gosta de cinema, séries, comics, dormir, de chatear os outros e de ser pouco chateado. O presente estaminé serve para falar de tudo e de mais alguma coisa. Insultos positivos são bem-vindos. E, desde já, obrigado pela visita e volte sempre!

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