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ALERTA DE SPOILER! Este texto contém informações relevantes, pelo que é aconselhável a sua leitura se estiverem a par da exibição norte-americana.

 

 

Dexter - última temporada

Dexter acabou ontem num final espetacularmente mau que veio coroar uma temporada absolutamente imprestável. Na verdade, a série já havia acabado há muito, mas só agora foi decretado o óbito. Outrora fascinante, Dexter virou uma piada. Comecei a acompanhar logo após a incrível quarta temporada. Hoje afirmo sem problema: antes nunca tivesse começado. Cada temporada conseguia ser pior que a anterior, os episódios tornaram-se testes de paciência e atentados ao bom senso, e as personagens viraram marionetas em cada decisão ridícula tomada pelos argumentistas – estes, sim, merecedores de irem parar à mesa do serial killer.

 

Se a execução das temporadas anteriores já deixava a desejar, ao menos havia potencial na história: sempre em busca da aceitação e integração plena do seu caráter psicopata, Dexter envolveu-se com alguém que vislumbrava algo de nobre nas suas matanças (Lumen), tentou abraçar a religião como modo de escape (na sexta – e pavorosa – temporada) e, depois, ter de lidar com uma Debra acabada de descobrir o seu segredo (ainda que com um ano de atraso) e que mergulha no desespero de ter de decidir em proteger o irmão ou ser cúmplice dos seus atos, numa sétima temporada tão podre e desinteressante que perdi a vontade de escrever sobre ela. Chegados ao último ano e com as expectativas a dar os últimos cartuchos para que a série ainda revelasse algum engenho, Dexter logo as destrói ao avançar seis meses no tempo e poupar o espectador das consequências imediatas da morte de LaGuerta ao mesmo tempo que apresenta Vogel (uma desperdiçada Charlotte Rampling), a psicóloga que, juntamente com Harry, desenvolveu o Código que guia (guiava!) o comportamento homicida de Dexter. O facto de Vogel nunca ter sido mencionada anteriormente e de a sua influência na conduta de Dexter ser supostamente enorme só nos leva a crer que, como estamos na derradeira temporada, há que incluir um elemento que remeta ao passado e se faça aquilo a que se chama "fechar o círculo".

 

O problema é que Vogel é um mero artifício cuspido na narrativa que nunca é desenvolvido de forma orgânica – e basta ver a temporada final de Breaking Bad e até outras séries para perceber que estes elementos só funcionam se enquadrados naturalmente para que haja a perceção de que as pontas estão ser amarradas satisfatoriamente e não convenientemente (a diferença é brutal, acreditem). Para isto também contribui a dinâmica errática estabelecida com Dexter que ora o apoia, ora o reprime, ou então tenta ajudá-lo em relação a Deb, mas não para injetar ambiguidade na psicóloga e torná-la tridimensional e sim porque é mais conveniente para as cabeças pensantes (?) que escrevem isto. Já as histórias secundárias inúteis que sempre foram um dos pontos fracos da série aqui ganham uma dimensão gigantesca com a filha do Masuka, a prova para detetive do Quinn, a vizinha do Dexter, Elway e o seu gabinente de investigação, o amor de Debra e Quinn (como este tipo sobreviveu a seis temporadas sem acrescentar nada?), Jamie e a sua função robótica de babysitter e, claro, Harrison – o pior ator infantil de sempre.

 

 

Não dá para perdoar uma temporada que tem uma cena tão vergonhosa como esta, pois não?

Mas há mais. As coisas são orquestradas de maneira tão trapalhona que não há como não ficar constrangido. O regresso de Hanna, uma das piores adições da temporada transata, é ridículo: uma fugitiva de renome que quer fugir para a Argentina com Dexter tendo de passar por um aeroporto – sem esquecer a questão dos vistos de residência – onde qualquer um a pode reconhecer já que esta nem a aparência altera (nem sequer pinta o cabelo de outra cor). Ou talvez ela já tenha percebido que a cidade de Miami é servida por instituições povoada por incompetentes visto que não bastava a Miami Metro e os seus oficiais imbecis, ainda tem o pior hospital da Televisão onde qualquer um entra e sai com um cadáver sem ninguém questionar nada. E não posso deixar de lembrar que esta é a série na qual Dexter rapta, mata (com quarto cheio de plástico e tudo) e foge com o corpo de um assassino... de um aeroporto!

 

Peguem neste último episódio e situações do género encontram-se em todo o lado. Notem a cena mal filmada e pior editada em que Dexter confronta Saxon no hospital: num momento aquilo está às moscas, noutro já se encontra a correria normal numa unidade de saúde. Ou quando Hanna injeta Elway com um soporífero para que este não a persiga. Mas como? Ele não morre, eventualmente vai acordar e sabe para onde ela se dirige – para a tal estância balnear chamada Argentina (juro que de cada vez que diziam Argentina naquele tom idílico só me apetecia esmurrar o ecrã). Recuem uns episódios e reparem na cena em que Debra faz com que ela e Dexter se despistem. O que foi aquilo? Quais as consequências? Ninguém diz nada? Não: Dexter amua e recrimina a irmã por quase ter deixado o sobrinho orfão. No final, Dexter abandona Harrison aos cuidados de uma fugitiva que assassina os maridos por frustação e num país estrangeiro. Astor e Cody devem estar a pensar: "Ei, nós não tínhamos um irmão?".

 

Nada funcionou nesta temporada: as visões de Harry só serviam para martelar informações; as narrações de Dexter só salientavam o óbvio; Debra aceita o regresso de Hanna com bastante facilidade; aquele aprendiz de psicopata era uma tristeza; e o The Brain Surgeon, o grande vilão, era patético com os seus olhos esbugalhados e expressão rígida como se estivesse numa infindável partida do jogo do sério. Nem para uma temporada final conseguiram criar o mínimo de clima de tensão pelo destino das personagens e, quando Debra morre, recebi tudo aquilo com frieza. Eu simplesmente já não me importava com nada de nada. Só queria que o tormento acabasse. Eu acredito que mereço cometer um delito por ter acompanhado tamanho lixo. Sei lá, insultar velhinhas na rua, roubar doces de uma loja, esbofetear putos birrentos, qualquer coisa.

 

Mas como não há nada que não possa piorar... o que foram aqueles minutos finais?? Quem é que se lembrou de tal ideia? Ao menos deixavam-no morrer naquela tempestade de péssimos efeitos especiais. Seria mais digno. Agora fazer de Dexter um solitário lenhador... hahahahaha!

 

Dexter é uma excelente série de 4 temporadas. As restantes só para quem sofra de prisão de ventre.

 

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publicado às 19:05

A temporada em série (2011-2012)

por Antero, em 30.05.12

ALERTA DE SPOILER! Este post contém informações relevantes, pelo que é aconselhável que só leiam caso estejam a par da exibição norte-americana.

 

Foi a temporada das despedidas, das poucas descobertas e, no geral, marcada pela negativa no que à qualidade das séries que acompanho diz respeito. Os segundos anos de Game of Thrones e The Killing serão analisados quando terminarem.

 

 


Desperate Housewives: temporada 8

Oito anos. Eu acompanhei esta série por oito anos. O-I-T-O! Foi a série que me apresentou aos downloads pela Internet e criou o bichinho que perdura até hoje. A combinação entre o humor mordaz e o drama das donas de casa de Wisteria Lane foi como amor à primeira vista – e a primeira temporada de Desperate Housewives foi um furacão que arrasou a televisão em 2004/2005 e permanece como uma pérola do meio televisivo contemporâneo. De lá para cá, a série foi tendo altos e baixos, com histórias repetitivas e absurdas, o que até se compreende uma vez que a criação de Marc Cherry é, acima de tudo, uma sátira às soap operas.

 

Esta temporada sofre do mesmo mal das anteriores: entra-se a matar com o mistério da ocasião, escalam-se os eventos até ao tal episódio "especial" (que, abençoado seja, não trouxe desastres absurdos) e depois entra tudo em ponto morto até ao desfecho. Tem sido assim: na obrigação de dar, no mínimo, quatro narrativas diferenciadas às protagonistas, Desperate Housewives enrola mais do que devia e ousa menos do que seria recomendado. Quantas vezes vimos Andrew a atazanar a vida de Bree? Lynette a meter o nariz no trabalho de Tom? Ou Gaby a superar o seu egoísmo? O que vale é que tivemos um mistério que as envolvia a todas quando encobriram o crime de Carlos ao ter assassinado o padrasto de Gaby – e como a série brilha mais quando as quatro cruzam as suas histórias, foi uma delícia ver o plano delas (encabeçado por Bree) desmoronar a passos largos.

 

Para cada boa história, porém, levámos com outras de pouco interesse: as aulas de arte de Susan; os mafiosos que ameaçavam o empreendimento de Ben; a morte de Mike não teve impacto algum, não se relacionou com nada e a história do mafioso acabou por ali mesmo; a bebé de Julie foi um bocejo (estava na cara que ela nunca a abandonaria e tiveram de espetar à força um segredo de Mike para ela mudar de ideias). Por outro lado, Renee destacou-se bem mais que no ano anterior (e com muito mais piada) e algumas sequências relacionadas com o divórcio de Lynette e a nova paixão de Tom foram comoventes (e Felicity Huffman volta a provar que é mais talentosa do elenco e o quanto foi desperdiçada ultimamente). O final foi o feliz entre o possível: Bree foi absolvida; só Susan ficou sem marido, mas com uma neta para criar; Karen McCluskey morre; e mudam-se todas de Fairview ao som da mítica narração da defunta Mary Alice e do regresso de algumas personagens que por lá passaram (e morreram).

 

Fica a memória de uma sensacional primeira temporada, uma terceira e quarta também de alto nível e o restante já é mais do mesmo. Ainda assim, as intrigas, os mistérios e o humor de Wisteria Lane vão deixar saudades.

 

Melhor episódio: 8×09 – Putting It Together: o plano de Bree em encobrir o homicídio de Alejandro deixa-a completamente desgastada e isolada, pelo que ela tenta o suicídio.

 

Pior episódio: 8×18 – Any Moment: Andrew regressa "desomossexualizado" e Susan lida com o rescaldo da morte de Mike e a agressividade do pequeno MJ, o pior ator infantil de qualquer série!

 

 

 

Dexter: temporada 6

Pior era improvável, mas Dexter superou-se na sua mediocridade. Está tudoaqui.

 

Melhor episódio: 6x07 - Nebraska: uma lufada de ar fresco. Dexter é dominado pelo seu lado mau personificado pelo seu irmão. Pena que durou um mísero episódio.

 

Pior episódio: 6x09 - Get Gellar: a reviravolta mais previsível de sempre é apresentada com incrível amadorismo.

 

 

 

Homeland: temporada 1

Inteligente, adulta, provocante e absurdamente tensa, Homeland é um soco no estômago de uma América a lamber as feridas do 11 de setembro e a expurgar os fantasmas da última década. Mas os questionamentos que a série levanta vão muito além das fronteiras norte-americanas e vão ao âmago de cada um de nós: qual o preço a pagar pela nossa segurança? Liberdade? Família? Qualquer hipótese de redenção? Como se não bastasse este fabuloso estudo de personagens imersas nas suas convicções, Homeland ainda oferece um duelo de intepretações (Claire Danes e Damian Lewis nos papeis das suas vidas) simplesmente magistral. Sem mais,a melhor série do ano!

 

Melhor episódio: 1×07 – The Weekend: a meio da temporada de estreia, a série vira o jogo de maneira chocante e abre toda uma janela de possibilidades.

 

Pior episódio: 1×02 – Grace: escolha difícil e injusta numa temporada marcada por uma qualidade altíssima, mas empalidece um pouco em relação ao brilhante capítulo de estreia.

 

 

 

House: temporada 8

Outra que acompanhei por anos a fio (embora não tão religiosamente) e que este ano também se despediu, House atingiu um nível insuportável no início da derradeira temporada – e foi por isso que a abandonei por não conseguir assistir a um cadáver em composição de um produto outrora excelente. Regressei para os três últimos episódios e fiquei satisfeito com o que vi. Não por que a série havia melhorado muito, mas sim por que vi um esforço em dar-lhe um enterro digno, o que, vistas as coisas, já foi o suficiente. Deixei de ver com a entrada daquela irritante médica chinesa e depois da despedida da Thirteen, uma personagem que detestava e que passei a acarinhar com o tempo (ou então o nível baixou tão drasticamente que a beleza de Olivia Wilde ofuscou-me). O que mais me irritava nem era tanto o esquematismo da narrativa (era a fórmula da série e não havia muito a fazer): o que me chateava era a forma como os argumentistas inseriam acontecimentos ditos "bombásticos" aqui e ali para dar a impressão que as personagens "evoluiam" para, logo a seguir, voltar tudo ao mesmo. A estreia, com House na prisão em modo Prison Break, foi a gota de água: depois do desfecho miserável do ano anterior, isto foi o melhor que conseguiram arranjar? Daí até ao abandono foi um tiro - daí que não ache justo apontar qual o melhor e pior episódio, já que não os vi todos. Nem o enorme talento de Hugh Laurie me levou a superar a tortura que era assistir House, maneiras que não posso deixar de estar satisfeito com o fim da série. Metade dela valeu a pena; a outra metade não merece ser recordada.

 

 

 

How I Met Your Mother: temporada 7

Eles conseguiram! Fizeram a pior temporada de How I Met Your Mother! Eles conseguiram arrastar a questão menor da noiva de Barney por um ano inteiro! E ainda por cima é a Robin! Bolas, eu sou dos poucos defensores da altura em que eles foram um casal, mas apenas por que durou pouco tempo e renderam a situação ao máximo. Também não me importo que as coisas estejam mal resolvidas entre os dois e que, de quando em vez, se toque no assunto (como na possível gravidez dela), mas – porra! – apresentam Quinn que pega de estaca com Barney e, pouco depois, volta tudo ao mesmo. Inacreditável! E Ted? Até quando teremos de aturar a chatice crónica da personagem? Ele não se decide: ora está bem sozinho, ora deseja alguém ou então ainda está apaixonado pela Robin e exprime-se de maneira impossivelmente piegas – e estas narrativas circulares tornam-se ainda mais ridículas quando... sabemos que Robin não é a mãe dos filhos dele! O pior ficou guardado para o fim: o regresso de Victoria quando... também sabemos que esta não é mãe! (e, outra coisa, incomodou-me como Ted decide levá-la ao altar por já ter sido lá deixado e, numa questão de minutos, muda de ideias -  que carácter!). Quanto a Marshall e Lily não me lembro de uma única situação memorável envolvendo os dois, o que só mostra o degredo que foi este ano.

 

Melhor episódio: 7×12 – Symphony of Illumination: Robin narra a sua triste história para os filhos... que nunca irá ter.

 

Pior episódio: 7×15 – The Burning Beekeeper: uma história de caca (Lily organiza uma festa que corre mal), tentativas deprimentes em fazer rir e um lamentável desperdício do grande Martin Short.

 

 

 

Fringe: temporada 4

É ler as reviews semanais. Não esteve à altura da temporada anterior, mas foi criativa, empolgante e recheada de momentos memoráveis como se pede a Fringe. É fazer figas para que a última temporada de 13 episódios encerre a série com chave de ouro e apague o sabor amargo deixado pelo final.

 

Melhor episódio: 4x14 - The End of All Things: a origem dos Observadores!

 

Pior episódio: 4x21 - Brave New World (Part 1): apressado e tosco, a primeira parte daquele que esteve para ser o final da série é tudo aquilo que Fringe, bem ou mal, foi sabendo contornar. E nunca pensei que o regresso de William Bell fosse tão insípido.

 

 

Descobertas: Sherlock; Happy Endings

Depressões: Alcatraz, Terra Nova, Falling Skies, Spartacus, Touch, New Girl, The Big Bang Theory

 

Série que tenho mesmo de começar a ver: Breaking Bad


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publicado às 23:32

Assassinaram o Dexter!

por Antero, em 26.12.11

ALERTA DE SPOILER! Este post contém informações relevantes, pelo que é aconselhável que só leiam caso estejam a par da exibição norte-americana.

 

 

Dexter: temporada 6

Oh, God! – exclama Dexter antes de encerrar o seu sexto ano. Que bosta de final! E de temporada! – acrescento eu.

 

Seria de esperar que a série quisesse recuperar-se da fraca temporada anterior e os rumos até apontavam nesse sentido: a discussão sobre religião trazia um seguimento lógico a uma personagem que busca algum tipo de redenção e de integração numa sociedade na qual tem de ocultar e redirecionar constantemente a sua essência. A figura de Brother Sam, um indivíduo que encontrou na Fé a salvação para um passado criminoso, oferecia o contraponto necessário para a postura cética do nosso anti-herói enquanto Travis e Geller estabeleciam-se como vilões eficientes, mas nada digno do Trinity de John Lithgow (já lá vamos à grande "revelação" da temporada). Nisto, Brother Sam é assassinado e, ao vingá-lo num momento de raiva absoluta, Dexter é acometido pelo lado negro do seu Passageiro Sombrio, antes suavizado pela figura paterna, e agora controlado pela imagem do seu irmão, o Ice Truck Killer. Pena que durou tão pouco.

 

Em tantos aspetos que me incomodaram, este foi um deles: a tendência da narrativa não mergulhar a fundo nas suas ideias. A discussão religiosa ficou pela superfície, talvez por receio de irritar uma parcela do público, e mesmo o facto de ver um Dexter tomado na íntegra pelo seu instinto homicida foi resolvido num capítulo. Pior que isto, só deixar narrativas pelo meio, num puro desperdício de tempo e de talento do elenco: o imbróglio de Matthews serviu para provar a idoneidade de Debra e o jogo sujo de LaGuerta, mas e daí? Batista e Quinn pareciam saídos de uma comédia policial, o novo detetive não serviu para nada, a irmã do Batista e o estagiário do Masuka ocuparam mais tempo do que deveriam e nem quero pensar que este está a ser preparado para ser o próximo vilão apenas por... não conseguir impressionar o Dexter! Até atentados terroristas tivemos este ano. Cruzes!

 

Nada disto se compara à imbecilidade de criar uma trama romântica entre os irmãos Morgan. Tudo bem que eles não irmãos biológicos, mas – que caraças! – eles foram criados juntos desde cedo! E nada disto foi minimamente abordado nos últimos anos. De onde surgiu isto, então? Ora, da necessidade de estabelecer um conflito em Debra aquando a sua descoberta do segredo do irmão, talvez por que amor fraternal não seria suficiente nas cabeças acéfalas de quem idealizou tamanha cretinice. E dá-lhe sessões com a terapeuta menos articulada da História (deu saudades de In Treatment) capaz de convencer a pobre Debra que a sua dependência do irmão é... amor! E dá-lhe quase orgasmos na presença de Dexter! Chiça, penico!

 

Quanto à revelação que Gellar é uma alucinação de Travis, bem... desconfiei logo no primeiro capítulo. Afinal, se Dexter tem o seu pai para o auxiliar, não seria descabido pensar que um novo assassino poderia ter um semelhante. No entanto, uma mera suspeita tornou-se algo ridiculamente óbvio ao arrastarem a questão semanas a fio e tornou-se vergonhoso perceber que Travis, desenvolvido como um sujeito normal levado a cometer atrocidades em nome da Fé (um tópico corajoso e ambicioso), logo foi transformado num psicopata esquizofrénico caricatural igual a tantos outros - uma solução covarde e preguiçosa. E que me perdoem aqueles que gostaram de Debra ter descoberto que o irmão é um assassino, mas eu gostaria que a situação tivesse sido construída com mais cuidado e não que ela decida, do nada, declarar-se para o irmão... e numa cena do crime! Ou seja, isto veio com uma temporada de atraso, o que aumenta mais a minha irritação com os caminhos que Dexter tomou nos últimos dois anos.

 

Não posso deixar de referir aqui os numerosos momentos constrangedores que rechearam esta temporada e cá vão eles:

  • quando já muitos desconfiavam que Gellar era uma alucinação, Travis receia que ele apareça a qualquer momento. No jardim de casa da irmã...
  • ainda estou para perceber como Dexter safou-se das cordas que o prendiam no barco a incediar por Travis. Vi-o a tentar roê-las, mas, que eu saiba, Dexter não é um vampiro...
  • o nosso herói está em alto-mar, sem possibilidade de salvação, e convenientemente aparece um barco com imigrantes clandestinos chamado... Milagro!
  • Debra sonha com um jantar romântico ao lado do irmão...
  • Dexter apercebe-se do ataque com gás e ainda bem que estava lá aquela salinha disponível para isolar a moça...
  • Debra está com tusa pelo irmão que lhe aparece à frente... sem camisa...
  • eu acho que o estagiário roubou uma falsificação da mão da vitíma do Ice Truck Killer por que aquilo tem um ar tosco de plástico, espécie de adereço de série televisiva. Eu queixava-me já à Amazon....
  • como Dexter conseguiu carregar com Travis e o filho do topo do prédio sem o pessoal da Miami Metro chegar?! Talvez por que estes sejam incompetentes, já que...
  • ... esperam pelo analista de sangue antes de verificarem uma cena do crime!
  • e como ninguém deu conta das marteladas de Dexter na parede para apagar a sua cara desenhada por Travis?
  • Dexter mata o latino criminoso à frente de dezenas de pessoas e nem parece se chatear com isso...
  • Dexter envia uma mensagem de vídeo para o telemóvel de Travis a anunciar o seu fim. Nem sei como qualificar isto...
  • o que deu a Dexter para matar Travis numa igreja?! Era logo numa praça pública! E ainda por cima no local que Debra sabia onde ele estaria. Que amador...
  • Michael C. Hall é um grande ator, mas na cena em que finge ter-se injetado deu-me cá uma pena dele...
  • Debra, a nova tenente, está com as chefias à perna e Dexter insistir na investigação a solo sobre Travis sabendo que a irmã está no lodo. Porra, Dexter, deixa de ser chato e ajuda a irmã!
  • Travis invade a festa do infantário de Harrison e rapta-o na maior das calmas enquanto Dexter atende um telefonema de dois minutos, se tanto. Nem sei se felicito Travis por ser tão eficaz, se reclamo das educadoras de infância ou se insulto Dexter por se ter distraído quando um serial killer anda no seu encalço, sabe onde ele mora e que tem um filho.

Acho que já chega.

Não nego que a próxima temporada tem um potencial enorme, mas receio que os produtores vão arranjar novas formas de estragar tudo em vez de levá-la a bom porto. O Dexter que conheciamos está agora no Paraíso das Séries juntamente com LOST, Seinfeld, Friends e Os Sopranos. Amputada de dois membros, é certo, mas eu estou em crer que lá em cima também se preocupam com questões de acessibilidade.

 

Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.


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publicado às 23:56

A temporada em série (2010-2011)

por Antero, em 08.06.11

ALERTA DE SPOILER! Este post contém informações relevantes, pelo que é aconselhável que só leiam caso estejam a par da exibição norte-americana.

 

 

The Big Bang Theory: temporada 4

Eu sei que elogiei a série há uns meses atrás mas, após ver esta decepcionante temporada cheguei à conclusão que The Big Bang Theory é divertida, sim, porém sem nada que a faça distinguir de tantas e tantas outras comédias que andam por aí. A série entrou numa espiral de convencionalismo e de ideias mal exploradas, com as personagens a ultrapassarem todos os limites do aborrecimento. Leonard não cativa minimamente e o romance com Priya perde qualquer noção de simpatia já que sabemos que aquilo não vai durar; Sheldon só esporadicamente tem genuína piada e tornou-se previsível; Penny andou o ano todo perdida em ter muito o que fazer e acabar na cama com Raj foi o cúmulo da idiotice. Surpreendentemente, quem brilhou mais foi Howard e o seu namoro com Bernadette, uma vez que a personagem é das mais inspiradas do núcelo e com o seu universo pessoal (a mãe diabólica e o facto de ser o menos habilitado do grupo) levou a que ganhasse o devido destaque. Para aproveitar a série ao máximo convém juntar uma mão cheia de episódios e vê-los de seguida: o embalo que ganhamos com a sequência faz com que tudo pareça mais divertido; vê-los isoladamente só denota as fragilidades da comédia.

 

Melhor episódio: 4×02 – The Cruciferous Vegetable Amplification: Sheldon robot, num dos raros momentos de inspiração da personagem e uma ideia espremida até ao limite das suas possibilidades.

 

Pior episódio: 4x15 - The Benefactor Factor: inacreditavelmente, este capítulo deixou-me de mau humor.

 

 


Desperate Housewives: temporada 7

Gostei do regresso de Paul Young e da forma como o mistério da temporada foi, aos poucos, envolvendo todos os residentes de Wisteria Lane. Lamentavelmente, decidiram virar o foco para Susan e Mike (mais o inútil retorno de Zach) e as restantes donas de casa foram deixadas meio que ao abandono: Bree sempre às voltas com novos namorados, Gaby e a história da filha que nunca rendeu o devido e Lynette quase sem ter que fazer. Já a tão publicitada nova personagem, Renee, não é mais do uma cópia da Wilhemina Slater de Ugly Betty com a mesma actriz e que aprofunda ainda mais o vácuo deixado por Edie e Katherine. Pontos positivos: resolverem pegar na morte da mão de Carlos e fecharem essa página; separarem o casal mais forte da série, o que, após tanto tempo, abre novas oportunidades para Lynette e o episódio final com uma morte às mãos de Carlos e o grupo como cúmplice. Seria óptimo que o próximo ano envolvesse um grande arco a incluir todos os protagonistas, uma vez que a necessidade de criar pequenos arcos narrativos para cada uma delas está a desgastar a série.

 

Melhor episódio: 7×10 – Down The Block There’s a Riot: o já tradicional evento da temporada mais uma vez voltou a apelar a acontecimentos triviais (não há cá tornados megalómanos) e tornou a vingança de Paul Young implacável e marcante.

 

Pior episódio: 7×15 – Farewell Letter: Lynette às voltas com os gémeos, Susan a aproveitar-se da diálise, Gaby volta à terrinha, Bree fica solteira (outra vez...), Paul expulsa Beth, eu bocejo.

 

 

 

Dexter: temporada 5

A grande desilusão. Depois de uma brilhante quarta temporada, as expectativas estavam nos píncaros e tudo parecia encaminhar-se para que as mesmas não fossem defraudadas: Dexter a lidar com a morte de Rita, a descobrir a sua humanidade nos piores aspectos que ela reserva, o descontrolo emocional, os filhos e o amadurecimento de Debra (das poucas coisas realmente boas deste ano) que cada vez mais se torna a sua tábua de salvação. Depois aparece Lumen e as coisas começam a descambar. Tanta coisa com a ama de Harry para nada. LaGuerta e Batista em crise. O caso Santa Muerte cujas repercussões foram zero. Um vilão inicialmente promissor que se torna uma autêntica caricatura ensandecida. O envolvimento amoroso de Dexter com Lumen. A ridícula cena em que Debra está prestes a apanhá-los em flangrante e sai de cena. Quinn ser ilibado da morte de Lundy de maneira apressada e pouco credível. E, no final, Lumen abandona o nosso "herói" por já não sentir o instinto assassino que os unia (ugh!). Enfim, uma temporada tão esquecível que nem é mencionada nos anúncios do sexto ano, a começar em Setembro.

 

Melhor episódio: 5x01 - My Bad: um início promissor e o momento mais vulnerável de Dexter.

 

Pior episódio: 5x12 - The Big One: um desfecho que expõe tudo o que a temporada teve de pior e nós tentávamos não perceber na ânsia de um final bombástico.

 

 

 

The Event

Esta é o FlashForward da temporada. Mais uma potencial sucessora de LOST, o que, invariavelmente, já a condena ao fracasso, The Event junta pitadas de 24, The 4400 e - pasme-se! - Heroes numa salada indigesta que até poderia funcionar, mas cujos esforços em atingir o fundo do poço transformam-na numa espécie de divertidamente estupidificante recheada de humor involuntário. Seja pela conspiração dos extraterrestres que quanto mais se revela, mais o sentimento de dèja vu se instala; pelas personagens chatíssimas (Leila, a namorada de Sean, é inacreditavelmente robótica; o presidente canastrão; a líder sem sal e de voz arrastada; o vice-presidente cobarde e chorão); pelas fracas cenas de acção e erro de não criar o mínimo de sentimento de urgência que nos leve a temer pelas personagens (quanto a isto, é rever a hilariante sequência do "brutal" terramoto em solo norte-americano que parece afectar apenas o Washington Monument). Após a pausa natalícia de três meses para salvar a série, os produtores, que até vinham construíndo com alguma competência a mitologia da narrativa, erram ao investir na acção descerebrada numa tentativa falhada de conquistar uma audiência há muito perdida. E dá-lhe cenas como aquela que encerra a temporada (e a série) e da qual só me apraz perguntar: um corpo de massa enorme (digamos, um planeta) teletransportado para um ponto entre a Terra e a Lua não deveria afectar, de forma bem catastrófica, o nosso campo gravitacional?

 

Melhor episódio: 1×01 – I Haven’t Told You Everything: demonstra todo o potencial que a série não soube aproveitar.

 

Pior episódio: 1×20 – One Will Live, One Will Die: uma sucessão de imbecilidades e erros grotescos que, eventualmente, torna-se divertidamente estúpido.

 

 

 

House: temporada 7

Eu sempre digo que House passou a ter 7/8 bons episódios por temporada: o primeiro, o último e uns espalhados pelo meio para os espectadores perceberem como a série pode ser realmente boa e não desistam da mesma. Este ano nem a isso tivemos direito. Começando com o namoro de House e Cuddy, a temporada atinge níveis de interesse deploráveis: aos sete anos de vida não podemos exigir que os casos médicos surjam frescos e inovadores, mas a dinâmica de House e a equipa médica está tão desgastada que tudo parece forçado, desde as bocas, as epifanias e as conversas com Wilson. Assim, é mau perceber como a série mal aproveita a nova vida do seu protagonista: comprometido e logo com a chefe, House está retraído numa suposta felicidade repentina e porcamente desenvolvida. Numa série de fórmula como House é, ver o protagonista alegre foi um passo arriscado e pouco trabalhado (mesmo o rompimento por parte de Cuddy parece caído do céu) e tudo piora quando a relação termina. Mantém-se a desinteressante toada de dissecar um relacionamento que já não existe e que nunca resultou (nem para os espectadores), trazem uma estagiária para servir como a nova Cameron, investe-se na vida privada do aborrecido Taub, regressa Thirteen (já gosto mais dela) e é o vira o disco e toca o mesmo no infeliz House e a sua demanda pela felicidade quimérica, com supostos eventos bombásticos (agora foi esbarrar um veículo na casa de Cuddy... uau...) que nunca levam a nada. O próximo ano, já sem a actriz Lisa Edelstein que recusou renovar contrato, precisa urgentemente de ser o último.

 

Melhor episódio: 7×11 – Family Practice: explora com eficiência a dinâmica da relação amorosa entre House e Cuddy e traz a grande Candice 'Murphy Brown' Bergen de volta ao ecrã.

 

Pior episódio: 7×17 – Fall From Grace: House casa-se com uma bimba qualquer para fazer ciúmes a Cuddy. Preciso dizer mais?

 

 

 

How I Met Your Mother: temporada 6

Outra que anda extremamente irregular, notou-se uma tentativa de aprofundar emocionalmente os elementos do grupo, com resultados medianos: se Marshall atravessa uma fase mais complicada (desemprego e morte do pai) e Barney conhece o progenitor causador de várias nunaces da sua personalidade (brilhante John Lithgow), Ted continua entediante com o seu cariz apaixonado e meloso, Lilly só serviu de apoio ao marido e Robin também andou desperdiçada por episódios a fio (o máximo que conseguiram foi trazer de volta o seu velho colega, o egocêntrico Sandy Rivers). Viu-se logo que Zoey não seria a Mãe (já pouco ou nada se fala dela) e chegou a ser uma tortura acompanhar os esforços de Jennifer Morrisson pela comédia e não se percebe tanto alarde dos produtores em afirmar que esta seria a melhor temporada de todas, mais focada no lado pessoal e com acontecimentos importantes. O que eles não devem entender é que a série funciona melhor quando todos são inseridos no mesmo contexto e o choque de personalidades faz com que as piadas fluam naturalmente. Ficamos a saber que Barney é o noivo do casamento anunciado no primeiro episódio e resta saber como irão lidar com a situação, já que deu para ver que prender Barney numa relação não dá lá grande resultado (e eu duvido que a noiva seja a Robin; ela tem de ficar para tia).

 

Melhor episódio: 6×10 – Blitzgiving: todas as personagens na mesma história, Dia de Acção de Graças, Jorge Garcia, referências a LOST e mais um "mito" social que a série resgata: a do indivíduo que se ausenta mais cedo e perde acontecimentos de arromba.

 

Pior episódio: 6×07 – Canning Randy: a prova que Jennifer Morrisson não tem muito jeito para a comédia.

 

 

 

Fringe: temporada 3

Já tudo se falou sobre Fringe, já lhe concedi os mais rasgados elogios e resta-me agradecer o pequeno oásis que a série se tornou nesta decepcionante temporada. Onde todas as outras jogam pelo seguro, Fringe não tem medo de ousar e investir para levar a narrativa sempre além das nossas expectativas, num festim de inteligência e coesão que poucos dramas se podem gabar.

 

Melhor episódio: 3x01 - Olivia: entrada a pés juntos na temporada com um capítulo que dá continuidade à descoberta do Lado B ao mesmo tempo que carrega no drama da agente Dunham.

 

Pior episódio: 3x12 - Concentrate and Ask Again: não é um desastre, mas veio encalhar a sequência de óptimos episódios que vinha até aí.

 

 

Descobertas: The Middle; The Good Wife; Private Practice

Depressões: Smallville; Glee; 90210


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publicado às 23:14

O assassino familiar

por Antero, em 17.12.09

ALERTA DE SPOILER! Este post contém informações relevantes, pelo que é aconselhável que só leiam caso estejam a par da exibição norte-americana.

 

 

Dexter - quarta temporada

No início, conhecemos Dexter Morgan, um pacato funcionário do Departamento de Homicídios de Miami com um segredo: ele é um serial killer nas horas vagas. Na adolescência, o seu pai adoptivo reconheceu as suas tendências sociopatas e instruiu-o para que direccionasse os seus instintos para matar aqueles que não eram punidos pelo sistema judicial e, acima de tudo, que tivesse cuidado para não ser apanhado. Fomos apresentados à equipa do Departamento e a Rita, o seu interesse amoroso; basicamente, disfarces sociais para de Dexter passasse despercebido. Assistimos à sua origem, ao seu Código moral ser posto em causa (numa segunda temporada fenomenal que, ao contrário de muitos, achei ainda melhor que a primeira), à sua necessidade de contacto social e aprovação de uma figura paterna, naquele que é o menos bom dos quatro anos.

 

Agora, Dexter é um homem casado, com um bebé em mãos e dois filhos adoptivos. Conciliar as suas funções "profissionais" com as obrigações familiares não é tarefa fácil. E surge sempre a dúvida: Dexter oculta as suas actividades para proteger os que o rodeiam (em último caso, dele mesmo) ou para se proteger a si mesmo? Não é uma questão fácil e por isso Dexter é uma série fascinante: a carga dramática investida no protagonista divide-o a ele e também o espectador, que se vê na delicada posição de torcer por um assassino sem escrúpulos. Para tornar a identificação mais fácil, nada como humanizar o vilão ao máximo e agora vimos o pico desse processo e a potencial destruição do mesmo, com a morte de Rita, o grande elo de ligação entre o Monstro e o Homem.

 

Mas nem tudo foi perfeito: o relacionamento amoroso entre Laguerta e Angel parece surgir do nada e, por vezes, quebrava o andamento da narrativa, bem como fazerem de Rita uma esposa demasiado controladora e irritante. Porém, tudo isto passa para segundo plano com um vilão como Trinity, o melhor a série já ofereceu. Com uma interpretação fabulosa de John Lithgow - a fazer lembrar os melhores momentos de Blow Out - Explosão e Em Nome de Caim - Arthur é um indivíduo sinistro e calculista que guarda algumas semelhanças com Dexter. Este, como é apanágio da série, apoia-se na sua figura como substituto para a ausência dos ensinamentos do pai, intenções essas que acabam por ser frustradas porque, por muito que Dexter tente relacionar-se com um semelhante seu (a sua falta de traquejo social é notória mesmo quando ele finge estar à vontade) não há lugar para encobrimentos entre pares.

 

Fechando a temporada de forma chocante, Dexter abre novas possibilidades para o seu protagonista e estabelece-se como um dos melhores estudos de personagem já vistos na Televisão.

 

9 potes de banha

 

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publicado às 19:11


Banha de Cobra

Alvará

Antero Eduardo Monteiro. 30 anos. Residente em Espinho, Aveiro, Portugal, Europa, Terra, Sistema Solar, Via Láctea. De momento está desempregado, mas já trabalhou como Técnico de Multimédia (seja lá o que isso for...) fazendo uso do grau de licenciado em Novas Tecnologias da Comunicação pela Universidade de Aveiro. Gosta de cinema, séries, comics, dormir, de chatear os outros e de ser pouco chateado. O presente estaminé serve para falar de tudo e de mais alguma coisa. Insultos positivos são bem-vindos. E, desde já, obrigado pela visita e volte sempre!

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