Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Os melhores (e piores) filmes de 2014

por Antero, em 31.12.14

boyhood-2014

Mais um final de ano, mais uma vez a já tradicional lista de melhores e os piores filmes estreados em Portugal em 2014, segundo a minha opinião.

 

1

Boyhood - Momentos de Uma Vida

Boyhood

Filmado ao longo de quase 12 anos, Boyhood é o mais ambicioso filme de toda a carreira do multifacetado Richard Linklater. Ao acompanharmos o crescimento de Mason (a revelação Ellar Coltrane), Linklater inevitavelmente leva a que reflitamos sobre a nossa própria e efémera experiência neste mundo e, assim, Boyhood alcança um efeito paradoxal: embora não tenha nada de extraordinário para contar, o filme foca-se na vida – o que, por si só, já é algo extraordinário.

 

2

Her - Uma História de Amor

Her

Um dos argumentos mais insólitos que eu me lembro, mas isso não é de espantar já que a mente por detrás do mesmo é Spike Jonze, um dos mais originais e virtuosos talentos revelados em Hollywood nas últimas décadas. Situado numa Los Angeles futurista mas perfeitamente plausível, Her é uma reflexão da necessidade humana de amar e sentir-se amado, o crescente isolamento da humanidade totalmente viciada na tecnologia e a forma como esta dita não só os nossos hábitos, mas também os nossos estados de espírito.

 

3

12 Anos Escravo

12 Years a Slave

Cineasta com um olhar atento para os limites e a brutalidade da natureza humana, o britânico Steve McQueen desvia a sua lente da individualidade (a greve de fome em Fome e o vício sexual de Vergonha) e foca-a num dos episódios mais degradantes da história da Humanidade: a escravidão.Violento, implacável e absolutamente essencial.

 

4

O Senhor Babadook

The Babadook

O Senhor Babadook não é um mero filme que assusta com altos acordes na banda sonora e sangue por todo o lado. Não; este filme inspira genuíno medo graças a uma ambientação digna de um pesadelo, uma realização precisa e uma visceral interpretação de Essie Davis (que, num mundo justo, estaria na corrida dos próximos Oscars). Perturbador e comovente, é desde já uma obra-prima do terror moderno.

 

5

O Filme Lego

The Lego Movie

É reconfortante perceber que até nas mais elaboradas peças de marketing – e, deixemo-nos de hipocrisias, uma longa-metragem sobre as peças Lego não tem outra razão de existir que não a de vender produtos da marca – há lugar para o mais puro entretenimento. O Filme Lego eleva-se acima da concorrência apostada em eternizar franquias desgastadas (sim, até mesmo a outrora infalível Pixar) porque capta o imaginário infantil como poucas animações conseguem numa (hilariante) história que celebra a individualidade, a inocência e a criatividade no meio do conformismo e do cinzentismo do mundo adulto.

 

6

Snowpiercer - Expresso do Amanhã

Snowpiercer

Ambicioso como alegoria social, fascinante como ficção científica pós-apocalíptica e espetacular como entretenimento, Snowpiercer une as sensibilidades do cinema oriental aos recursos do Ocidente e não se cansa de sacar coelhos da cartola até ao seu perfeito e subvalorizado desfecho.

 

7

Em Parte Incerta

Gone Girl

Quase sádico na forma como manipula as reações do público e realizado com competência e elegância por David Fincher, Em Parte Incerta beneficia-se pelas fabulosas de atuações de Ben Affleck e Rosamund Pike (dois atores que nunca tive em grande conta), pelo arrepiante humor negro e pelo ataque direto ao histerismo mediático construído por meios de comunicação que não hesitam em assumir a figura de acusador, juiz e carrasco em nome das audiências e do dinheiro.

 

8

X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido

X-Men: Days of Future Past

Aproveitando o que de melhor têm os X-Men no cinema (e, sim, há muita coisa boa por aqui), o regresso de Bryan Singer à franquia origina um sensacional blockbuster que conta com um argumento envolvente, personagens carismáticas, um elenco que é de sonho e cenas tão inventivas (como o tiroteio na cozinha) que é impossível não ficar rendido.

 

9

O Lobo de Wall Street

The Wolf of Wall Street

Martin Scorsese tão enérgico que mais parece que está em início de carreira volta a provar por A mais B a razão pela qual ainda é o melhor realizador norte-americano em atividade. O Lobo de Wall Street é juvenil, parvo, histérico, sexista e muito mais de negativo que se possa apontar aos seus protagonistas, mas a diferença (e este é o grande trunfo do filme) é que a objetiva de Scorsese faz questão de apontá-los como seres degradantes com poucas hipóteses de redenção e em momento algum defende as atrocidades que eles cometem.

 

10

O Homem Mais Procurado

A Most Wanted Man

Que enorme ator era Phillip Seymour Hoffman! E que grande filme é O Homem Mais Procurado para servir de montra para o imenso talento do ator falecido em fevereiro deste ano. Aqui está um thriller de espionagem feito por e para adultos. Cínico, melancólico e que substitui as sequências de ação do tipo James Bond por outras que se concentram no meticuloso trabalho executado por espiões que dependem mais de jogos psicológicos, estratégias e habilidade do que de armas para realizarem as suas tarefas.


Outros destaques de 2014, por ordem alfabética:

Agentes Universitários

O Clube de Dallas

O Duplo

Grand Budapest Hotel

Guardiões da Galáxia

Locke

Má Vizinhança

Os Maias – Cenas da Vida Romântica (versão integral)

Ninfomaníaca (Volumes I e II)

Planeta dos Macacos: A Revolta

Quando Tudo Está Perdido

Só os Amantes Sobrevivem

 

-----------------------------------------------------------------

 

-10

Ao Encontro de Mr. Banks

Saving Mr. Banks

Os bastidores da adaptação de ‘Mary Poppins’ para o grande ecrã dariam material para um filme, mas certamente poderiam originar algo mais refinado do que este burocrático e desonesto Ao Encontro de Mr. Banks. Com uma estrutura errática e um mar de obviedade e pieguice, o filme não tem receio em apostar em estereótipos como o norte-americano caloroso e homem de família (Walt Disney) versus a britânica fria e neurótica (P.L. Travers).

 

-9

Eu, Frankenstein

I, Frankenstein

Aaron Eckhart "desfigurou-se" em O Cavaleiro das Trevas e deu-se muito bem. Quis repetir a gracinha nesta barulhenta, histérica e incoerente porcaria e deu-se muito mal.

 

-8

O Filho de Deus

Son of God

Se A Bíblia, série do History Channel, já não era um portento em televisão, a sua versão fragmentada para o cinema não passa de uma mera colagem de episódios sem grande fluidez ou reflexão e até sem nenhuma outra perspetiva dos autores – o que desde logo reduz o seu alcance como longa-metragem. Ampliado no grande ecrã, O Filho de Deus mostra todos os defeitos da versão televisiva: parcos valores de produção, uma lógica visual inerte e uma escala bem mais comedida para algo que deveria ser épico. Quanto ao “nosso” Diogo Morgado, que aproveite a oportunidade e as supostas portas que o papel lhe terá aberto, mas tanto ele como o que o rodeia roçam o insípido e o desnecessário, mal conseguindo disfarçar a condição de produto oportunista.

 

-7

Tartarugas Ninja: Heróis Mutantes

Teenage Mutant Ninja Turtles

Ao longo dos anos ganhei um medo de morte ao sul-africano Jonathan Liebesman. O realizador estreou-se com Terror na Escuridão, um péssimo filme de terror; voltou ao género no dispensável Massacre no Texas – O Início; e cuja obra mais conhecida é Invasão Mundial: Batalha Los Angeles, uma ficção-científica de ação que é um terror. A verdade é que Liebesman não deixa o seu prestígio em mãos alheias: é um tarefeiro que tenta emular as “qualidades” do seu mentor, nada mais nada menos que Michael Bay. Tartarugas Ninja: Heróis Mutantes é esteticamente feio, narrativamente pobre e com atuações para lá de esquecíveis, com a bela Megan Fox mais uma vez a mostrar que o seu talento é inversamente proporcional aos seus atributos físicos. 

 

-6

Sex Tape - O Nosso Vídeo Proibido

Sex Tape

Promete muito a início, mas logo mostra o seu objetivo: ser um enorme e agressivo anúncio aos produtos da Apple. Além disso, é uma comédia inofensiva. Dá até pena de Jason Segel.

 

-5

Transcendence – A Nova Inteligência

Transcendence

Uma confusão. Se se limitasse a ser um filme de série B, Transcendence até poderia ser razoável com o seu elenco em modo "isto é sério demais para mim" e buracos narrativos que se vêm da Lua. Mas como é produzido por Christopher Nolan, isto é para levar a sério e o filme quer discutir (e mal) tanta coisa ao mesmo tempo que se perde ainda no primeiro ato (o que é uma proeza).

 

-4

Sei Lá

Sei Lá

Lisboa, 1998. Vem aí a Expo e "Portugal já não estará na cauda da Europa!". Quatro mulheres caricaturas: a sonhadora, a voraz, a pragmática e a coitadinha. Os homens são para usar e deitar fora, mas dá jeito ter o conforto de um. Um terrorista basco (?). Onde andas, Joaquim Leitão? Surpreendentemente, o livro é melhor.

 

-3

Mil e Uma Maneiras de Bater as Botas

A Million Ways to Die in the West

O sucesso inesperado leva, muitas vezes, ao desastre criativo. Um falhanço a quase todos os níveis (a fotografia e a banda sonora escapam à hecatombe), Mil e Uma Maneiras de Bater as Botas comete uma série de erros que, todos elencados, não dariam para uma enciclopédia: é demasiado longo; está recheado de “piadas” que andam à volta de palavrões, gases, urina, animais… por vezes todas juntas na mesma cena; Seth MacFarlane não tem ponta de carisma para ser protagonista e, ao rodear-se de um elenco tão bom e tão desperdiçado, só mostra que está muitos degraus abaixo em matéria de talento; as “piadas” ora são mal construídas, ora são repetidas ad infinitum, ora são atiradas ao acaso para, regra geral, atingirem o público com um estouro tão notável que a pergunta que fica é “como alguém achou que isto teria piada?”. 

 

-2

Transformers: Era da Extinção

Transformers: Age of Extinction

Ah, Michael Bay e a sua infinita capacidade em explodir coisas. Já não bastasse a sua “trilogia da sucata”, o realizador volta à carga com mais um capítulo do equivalente cinematográfico a levar com uma frigideira na cabeça durante tortuosos 165 minutos. Horrível, exagerado e estupidificante do primeiro ao último minuto, cria o desejo que o subtítulo se torne realidade.

 

-1

Eclipse em Portugal

Eclipse em Portugal

Nem num festival de vídeos amadores vocês encontrarão um filme tão horroroso e imbecil como Eclipse em Portugal, regresso do meu "estimado" Alexandre Valente às longas-metragens após esse portento de nome (até dói só de lembrar) Second Life. Valente referiu que fez um filme “de tostões”, sem apoios comunitários, mas nada justifica o festival de erros que passa no ecrã. Diálogos pobres, atuações caricaturais, edição deficiente (nota-se as diferenças de luz entre os planos) e o tratamento de som é de fugir (há diálogos que variam do impercetível ao quase berro – e isto na mesma frase!). Baseado num crime real, a história (história?) ridiculariza o criminoso, a sua família, os seus amigos, a sua comunidade e até os pobres coitados que aceitaram enfiar-se neste buraco. E como não há nada que não possa piorar, o filme recorre à solução que atesta a falência artística de qualquer comédia: erros de gravações. Ah, Valente!

 

Outros destaques (pela negativa) de 2014, por ordem alfabética:

300 – O Início de um Império

Os Gatos Não Têm Vertigens

Godzilla

Grace de Mónaco

O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos

Os Mercenários 3

Need For Speed: O Filme

Não Há Duas Sem Três

Ressaca de Saltos Altos

 

-----------------------------------------------------------------

 

Bom ano e bons filmes!

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 18:50


6 comentários

Sem imagem de perfil

De Mafalda M. a 03.01.2015 às 17:29

Lol, o pior filme foi daqueles que queria ir ver com o meu (na altura) namorado. Só que passaram para um horário diferente no cinema e acabámos por não ir ver. De certeza meteram as sessões desse filme para mais tarde porque não estava a ter sucesso. Hehehe!
Need For Speed também fui ver e não gostei muito.
"Ao Encontro de Mr. Banks" por acaso gostei!

Dos melhores filmes gostei imenso do "Her" e do Lego Movie. Só tirava o Lobo de Wal Street porque para mim foi dos piores filmes que alguma vez vi em 2014!

Comentar post



Banha de Cobra

Alvará

Antero Eduardo Monteiro. 30 anos. Residente em Espinho, Aveiro, Portugal, Europa, Terra, Sistema Solar, Via Láctea. De momento está desempregado, mas já trabalhou como Técnico de Multimédia (seja lá o que isso for...) fazendo uso do grau de licenciado em Novas Tecnologias da Comunicação pela Universidade de Aveiro. Gosta de cinema, séries, comics, dormir, de chatear os outros e de ser pouco chateado. O presente estaminé serve para falar de tudo e de mais alguma coisa. Insultos positivos são bem-vindos. E, desde já, obrigado pela visita e volte sempre!

Pesquisar

  Pesquisar no Blog


Armazém

  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2015
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2014
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2013
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2012
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2011
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2010
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2009
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2008
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D