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A temporada em série (2010-2011)

por Antero, em 08.06.11

ALERTA DE SPOILER! Este post contém informações relevantes, pelo que é aconselhável que só leiam caso estejam a par da exibição norte-americana.

 

 

The Big Bang Theory: temporada 4

Eu sei que elogiei a série há uns meses atrás mas, após ver esta decepcionante temporada cheguei à conclusão que The Big Bang Theory é divertida, sim, porém sem nada que a faça distinguir de tantas e tantas outras comédias que andam por aí. A série entrou numa espiral de convencionalismo e de ideias mal exploradas, com as personagens a ultrapassarem todos os limites do aborrecimento. Leonard não cativa minimamente e o romance com Priya perde qualquer noção de simpatia já que sabemos que aquilo não vai durar; Sheldon só esporadicamente tem genuína piada e tornou-se previsível; Penny andou o ano todo perdida em ter muito o que fazer e acabar na cama com Raj foi o cúmulo da idiotice. Surpreendentemente, quem brilhou mais foi Howard e o seu namoro com Bernadette, uma vez que a personagem é das mais inspiradas do núcelo e com o seu universo pessoal (a mãe diabólica e o facto de ser o menos habilitado do grupo) levou a que ganhasse o devido destaque. Para aproveitar a série ao máximo convém juntar uma mão cheia de episódios e vê-los de seguida: o embalo que ganhamos com a sequência faz com que tudo pareça mais divertido; vê-los isoladamente só denota as fragilidades da comédia.

 

Melhor episódio: 4×02 – The Cruciferous Vegetable Amplification: Sheldon robot, num dos raros momentos de inspiração da personagem e uma ideia espremida até ao limite das suas possibilidades.

 

Pior episódio: 4x15 - The Benefactor Factor: inacreditavelmente, este capítulo deixou-me de mau humor.

 

 


Desperate Housewives: temporada 7

Gostei do regresso de Paul Young e da forma como o mistério da temporada foi, aos poucos, envolvendo todos os residentes de Wisteria Lane. Lamentavelmente, decidiram virar o foco para Susan e Mike (mais o inútil retorno de Zach) e as restantes donas de casa foram deixadas meio que ao abandono: Bree sempre às voltas com novos namorados, Gaby e a história da filha que nunca rendeu o devido e Lynette quase sem ter que fazer. Já a tão publicitada nova personagem, Renee, não é mais do uma cópia da Wilhemina Slater de Ugly Betty com a mesma actriz e que aprofunda ainda mais o vácuo deixado por Edie e Katherine. Pontos positivos: resolverem pegar na morte da mão de Carlos e fecharem essa página; separarem o casal mais forte da série, o que, após tanto tempo, abre novas oportunidades para Lynette e o episódio final com uma morte às mãos de Carlos e o grupo como cúmplice. Seria óptimo que o próximo ano envolvesse um grande arco a incluir todos os protagonistas, uma vez que a necessidade de criar pequenos arcos narrativos para cada uma delas está a desgastar a série.

 

Melhor episódio: 7×10 – Down The Block There’s a Riot: o já tradicional evento da temporada mais uma vez voltou a apelar a acontecimentos triviais (não há cá tornados megalómanos) e tornou a vingança de Paul Young implacável e marcante.

 

Pior episódio: 7×15 – Farewell Letter: Lynette às voltas com os gémeos, Susan a aproveitar-se da diálise, Gaby volta à terrinha, Bree fica solteira (outra vez...), Paul expulsa Beth, eu bocejo.

 

 

 

Dexter: temporada 5

A grande desilusão. Depois de uma brilhante quarta temporada, as expectativas estavam nos píncaros e tudo parecia encaminhar-se para que as mesmas não fossem defraudadas: Dexter a lidar com a morte de Rita, a descobrir a sua humanidade nos piores aspectos que ela reserva, o descontrolo emocional, os filhos e o amadurecimento de Debra (das poucas coisas realmente boas deste ano) que cada vez mais se torna a sua tábua de salvação. Depois aparece Lumen e as coisas começam a descambar. Tanta coisa com a ama de Harry para nada. LaGuerta e Batista em crise. O caso Santa Muerte cujas repercussões foram zero. Um vilão inicialmente promissor que se torna uma autêntica caricatura ensandecida. O envolvimento amoroso de Dexter com Lumen. A ridícula cena em que Debra está prestes a apanhá-los em flangrante e sai de cena. Quinn ser ilibado da morte de Lundy de maneira apressada e pouco credível. E, no final, Lumen abandona o nosso "herói" por já não sentir o instinto assassino que os unia (ugh!). Enfim, uma temporada tão esquecível que nem é mencionada nos anúncios do sexto ano, a começar em Setembro.

 

Melhor episódio: 5x01 - My Bad: um início promissor e o momento mais vulnerável de Dexter.

 

Pior episódio: 5x12 - The Big One: um desfecho que expõe tudo o que a temporada teve de pior e nós tentávamos não perceber na ânsia de um final bombástico.

 

 

 

The Event

Esta é o FlashForward da temporada. Mais uma potencial sucessora de LOST, o que, invariavelmente, já a condena ao fracasso, The Event junta pitadas de 24, The 4400 e - pasme-se! - Heroes numa salada indigesta que até poderia funcionar, mas cujos esforços em atingir o fundo do poço transformam-na numa espécie de divertidamente estupidificante recheada de humor involuntário. Seja pela conspiração dos extraterrestres que quanto mais se revela, mais o sentimento de dèja vu se instala; pelas personagens chatíssimas (Leila, a namorada de Sean, é inacreditavelmente robótica; o presidente canastrão; a líder sem sal e de voz arrastada; o vice-presidente cobarde e chorão); pelas fracas cenas de acção e erro de não criar o mínimo de sentimento de urgência que nos leve a temer pelas personagens (quanto a isto, é rever a hilariante sequência do "brutal" terramoto em solo norte-americano que parece afectar apenas o Washington Monument). Após a pausa natalícia de três meses para salvar a série, os produtores, que até vinham construíndo com alguma competência a mitologia da narrativa, erram ao investir na acção descerebrada numa tentativa falhada de conquistar uma audiência há muito perdida. E dá-lhe cenas como aquela que encerra a temporada (e a série) e da qual só me apraz perguntar: um corpo de massa enorme (digamos, um planeta) teletransportado para um ponto entre a Terra e a Lua não deveria afectar, de forma bem catastrófica, o nosso campo gravitacional?

 

Melhor episódio: 1×01 – I Haven’t Told You Everything: demonstra todo o potencial que a série não soube aproveitar.

 

Pior episódio: 1×20 – One Will Live, One Will Die: uma sucessão de imbecilidades e erros grotescos que, eventualmente, torna-se divertidamente estúpido.

 

 

 

House: temporada 7

Eu sempre digo que House passou a ter 7/8 bons episódios por temporada: o primeiro, o último e uns espalhados pelo meio para os espectadores perceberem como a série pode ser realmente boa e não desistam da mesma. Este ano nem a isso tivemos direito. Começando com o namoro de House e Cuddy, a temporada atinge níveis de interesse deploráveis: aos sete anos de vida não podemos exigir que os casos médicos surjam frescos e inovadores, mas a dinâmica de House e a equipa médica está tão desgastada que tudo parece forçado, desde as bocas, as epifanias e as conversas com Wilson. Assim, é mau perceber como a série mal aproveita a nova vida do seu protagonista: comprometido e logo com a chefe, House está retraído numa suposta felicidade repentina e porcamente desenvolvida. Numa série de fórmula como House é, ver o protagonista alegre foi um passo arriscado e pouco trabalhado (mesmo o rompimento por parte de Cuddy parece caído do céu) e tudo piora quando a relação termina. Mantém-se a desinteressante toada de dissecar um relacionamento que já não existe e que nunca resultou (nem para os espectadores), trazem uma estagiária para servir como a nova Cameron, investe-se na vida privada do aborrecido Taub, regressa Thirteen (já gosto mais dela) e é o vira o disco e toca o mesmo no infeliz House e a sua demanda pela felicidade quimérica, com supostos eventos bombásticos (agora foi esbarrar um veículo na casa de Cuddy... uau...) que nunca levam a nada. O próximo ano, já sem a actriz Lisa Edelstein que recusou renovar contrato, precisa urgentemente de ser o último.

 

Melhor episódio: 7×11 – Family Practice: explora com eficiência a dinâmica da relação amorosa entre House e Cuddy e traz a grande Candice 'Murphy Brown' Bergen de volta ao ecrã.

 

Pior episódio: 7×17 – Fall From Grace: House casa-se com uma bimba qualquer para fazer ciúmes a Cuddy. Preciso dizer mais?

 

 

 

How I Met Your Mother: temporada 6

Outra que anda extremamente irregular, notou-se uma tentativa de aprofundar emocionalmente os elementos do grupo, com resultados medianos: se Marshall atravessa uma fase mais complicada (desemprego e morte do pai) e Barney conhece o progenitor causador de várias nunaces da sua personalidade (brilhante John Lithgow), Ted continua entediante com o seu cariz apaixonado e meloso, Lilly só serviu de apoio ao marido e Robin também andou desperdiçada por episódios a fio (o máximo que conseguiram foi trazer de volta o seu velho colega, o egocêntrico Sandy Rivers). Viu-se logo que Zoey não seria a Mãe (já pouco ou nada se fala dela) e chegou a ser uma tortura acompanhar os esforços de Jennifer Morrisson pela comédia e não se percebe tanto alarde dos produtores em afirmar que esta seria a melhor temporada de todas, mais focada no lado pessoal e com acontecimentos importantes. O que eles não devem entender é que a série funciona melhor quando todos são inseridos no mesmo contexto e o choque de personalidades faz com que as piadas fluam naturalmente. Ficamos a saber que Barney é o noivo do casamento anunciado no primeiro episódio e resta saber como irão lidar com a situação, já que deu para ver que prender Barney numa relação não dá lá grande resultado (e eu duvido que a noiva seja a Robin; ela tem de ficar para tia).

 

Melhor episódio: 6×10 – Blitzgiving: todas as personagens na mesma história, Dia de Acção de Graças, Jorge Garcia, referências a LOST e mais um "mito" social que a série resgata: a do indivíduo que se ausenta mais cedo e perde acontecimentos de arromba.

 

Pior episódio: 6×07 – Canning Randy: a prova que Jennifer Morrisson não tem muito jeito para a comédia.

 

 

 

Fringe: temporada 3

Já tudo se falou sobre Fringe, já lhe concedi os mais rasgados elogios e resta-me agradecer o pequeno oásis que a série se tornou nesta decepcionante temporada. Onde todas as outras jogam pelo seguro, Fringe não tem medo de ousar e investir para levar a narrativa sempre além das nossas expectativas, num festim de inteligência e coesão que poucos dramas se podem gabar.

 

Melhor episódio: 3x01 - Olivia: entrada a pés juntos na temporada com um capítulo que dá continuidade à descoberta do Lado B ao mesmo tempo que carrega no drama da agente Dunham.

 

Pior episódio: 3x12 - Concentrate and Ask Again: não é um desastre, mas veio encalhar a sequência de óptimos episódios que vinha até aí.

 

 

Descobertas: The Middle; The Good Wife; Private Practice

Depressões: Smallville; Glee; 90210


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publicado às 23:14


5 comentários

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De Rita a 09.06.2011 às 08:39

modern family é uma das melhores séries actuais. se ainda não viste, tens de juntar a essas ;)
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De cátia a 09.06.2011 às 11:14

Térinho,
muito me apraz vê-lo voltar a escrever sobre essa GRANDE série que é Desperate Housewives, como não podia deixar de ser, claro! Mas aqui me confesso também que já há muito tempo que não lhe ponho as vistas em cima, ando em falta e por isso alguma das coisas que li no teu comentário à série deixaram-me curiosa. Agora o que eu não sabia é que para o ano há mais. Há? E eu que pensava que esta era a última temporada...
Beijinhos
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De Antero a 09.06.2011 às 12:16

Olá Cátia!

Há quanto tempo! E agora a menina tem um blog novo e não diz nada a ninguém? Andas atarefada com a vida de "casada" que até te esqueces de dizer por onde andas. :P

Bem, fala-se em mais duas temporadas para Desperate Housewives, mas como as audiências não andam famosas e o desgaste é notório, eu diria que a próxima será mesmo a última.
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De cátia a 09.06.2011 às 12:27

Verdade, há quanto tempo. Mas tu é que andas distraído que eu já tinha feito um comentário aqui há algum tempo e já tinha o novo blog, tu é que não percebeste :) Digamos que me fartei do outro e decidi criar um novo, já demasiada gente o lia :P
Eu por acaso não sabia que ia haver mais, mas concordo contigo, a série já deu o que tinha a dar. Eu própria que eu sou fã incondicional o sei porque deixei de acompanhar religiosamente já lá vão mais de dois meses. Aqueles hiatos de semanas sem episódios novos também não ajudam, mas pronto, faz parte. A ver se entretanto ponho o resto em dia, porque realmente esta temporada, tirando um ou outro momento foi assim mais para o xoxinho, muita lamechice e menos intriga que era o melhor desta série.
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De Maria Antonieta das Dores e dos Bolores a 15.06.2011 às 16:10

Na minha opinião a série que me está a prender esta temporada é "Grey's Anatomy". E tenho-o dito.

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Banha de Cobra

Alvará

Antero Eduardo Monteiro. 30 anos. Residente em Espinho, Aveiro, Portugal, Europa, Terra, Sistema Solar, Via Láctea. De momento está desempregado, mas já trabalhou como Técnico de Multimédia (seja lá o que isso for...) fazendo uso do grau de licenciado em Novas Tecnologias da Comunicação pela Universidade de Aveiro. Gosta de cinema, séries, comics, dormir, de chatear os outros e de ser pouco chateado. O presente estaminé serve para falar de tudo e de mais alguma coisa. Insultos positivos são bem-vindos. E, desde já, obrigado pela visita e volte sempre!

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