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Espanholada

por Antero, em 24.06.08

Nada disso do que estão a pensar suas mentes porcas. Recentemente, assisti a dois filmes de nuestros hermanos e a conclusão é só uma: eles estão com a corda toda. Ora, vamos lá então!

 

O Enigma de Fermat

La Habitación de Fermat

 

 

Um grupo de quatro matemáticos, que não se conhecem, são convidados por um misterioso anfitrião (o tal Fermat) e desafiados a resolver um grande enigma. Presos numa sala, tem de passar sucessivas provas matemáticas enquanto a sala encolhe. Pronto, já deu para ver que a história não é das mais originais, remetendo imediatamente para filmes como Cubo ou a (insuportável) saga Saw. Mesmo o desenvolvimento da trama não é algo nunca dantes visto: há uma relação entre eles todos; um deles é instruído líder; e, como não podia deixar de ser; a saída é uma coisa tão banal, daquelas "como é que eles não pensaram nisto antes?!?".

 

No entanto, o filme até tem os seus atractivos: é engraçado ver personagens à volta de enigmas matemáticos que requerem lógica e capacidade de interpretação para soluccioná-los e, neste aspecto, o filme não decepciona. As personagens não são muito desenvolvidas, mas ao menos poupam-nos dos clichés do rebelde que tem ideias contrárias à do líder ou aquele do interesse romântico que surje espontâneamente. Porém, houve duas coisas que me incomodaram bastante no avançar da narrativa e para abordá-las terei de revelar aspectos importantes do filme. Por isso, se não quiserem saber nada do filme ou ainda não o viram, é só passar o rato pelo parágrafo seguinte:

 

SPOILERS! SPOILERS! SPOILERS! SPOILERS! SPOILERS! SPOILERS! SPOILERS!

 

O facto de Fermat, o anfitrião, ter de se ausentar do encontro logo no início e da narrativa fazer questão de o acompanhar, intercalando as suas cenas com as da sala, faz com que o espectador perceba, desde logo, que aquele não é o verdadeiro culpado da reunião dos matemáticos, o que retira tensão à história (porque já sabemos que o culpado só pode ser um dos quatro da sala). Já para não falar que esta solução quebra totalmente o ritmo da narrativa, tornando-a redundante, só se aproveitando para esticar a duração da película. Outro facto que me incomodou foi o de Pascal saber a idade da morte de Hilbert (estes nomes não querem dizer nada, já que eles adoptam identidades de famosos matemáticos) e ocultar essa informação dos restantes elementos, revelando-a no ponto mais conveniente da narrativa.

 

Apesar de tudo, é um razoável entretenimento, nada do outro mundo, mas que serve para passar o tempo e, porque não, desenvolver o nosso raciocínio lógico. O Ministério da Educação agradece.

 

Qualidade da banha: 11/20

 

 

O Orfanato

El Orfanato

 

 

Misturando elementos de vários filmes de terror, nomeadamente em exemplos dos últimos anos como O Sexto Sentido, Os Outros ou The Ring - O Aviso, esta produção de Guillermo del Toro consegue ganhar destaque pela sua ambientação e no investimento que faz em aprofundar as suas personagens. Laura e o seu marido adquirem o orfanato onde ela passou a sua infância com o objectivo de o restaurar para servir de casa de acolhimento para crianças doentes e o seu filho adoptivo, também ele doente, começa a tomar contacto com amigos imaginários. Porém, laura não liga muito até começarem a acontecer coisas estranhas e uma tragédia abater-se sobre o casal.

 

O filme começa bem devagar, deixando as coisas acontecerem naturalmente, até que a tensão crescente toma conta da história. Há duas cenas que se realçam, tal é a sua intensidade e angústia que provocam no espectador: quando a médium faz uma sessão espírita (acompanhada por nós através de monitores com visão nocturna) e quando Laura faz um pequeno jogo para atrair as entidades do casarão. Belén Rueda está impecável no papel de mãe extremosa e mergulhada em remorsos (reparem como ela parece perder anos de vida com o passar dos meses) e Roger Príncep cria uma criança inocente e verosímel (nada daqueles meninos prodígios que o Cinema é perito em mostrar).

 

Com uma direcção artística de louvar, um argumento envolvente (o final é óptimo, algo raro num filme de terror) e uma realização de Juan Antonio Bayona que potencia ao máximo os momentos mais tensos (recorrendo a sons e enquandramentos fechados), O Orfanato vem provar que não é preciso inovar no género de terror para se fazer uma boa obra. Basta saber jogar com as cartas que se tem na mão.

 

Qualidade da banha: 16/20

 

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publicado às 02:45


3 comentários

Sem imagem de perfil

De Nuno a 25.06.2008 às 23:28

Vi ontem o Orfanato e...caramba, houve momentos que agarrei-me aos lençóis da cama! Fantástico filme, com pormenores de realização deliciosos. Concordo contigo nessas duas cenas (a da sessão espírita e a do jogo), principalmente a segunda. Uma pessoa está sempre à espera que apareça algo e mesmo assim é apanhado de surpresa. E o final é qualquer coisa.
Nota 18/20


Vamos a ver agora o Enigma de Fermat!
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De dvd (vhs) a 27.06.2008 às 00:15

.é de facto interessante ter.me cruzado com este blog, justamente quando procuro bons filmes de terror para ver. Ha' uns tempos que deixei de os ver por os achar aborrecidos, obrigado pela sugestão. Encontrei agora o teu blog, e ta' 5*, continua.
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De Mr. White a 27.06.2008 às 00:39

O Orfanato é mesmo um grande filme. Depois do Labirinto do Fauno a fasquia estava alta mas correu bem. Parabéns pelo blog, está 5 estrelas!

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Banha de Cobra

Alvará

Antero Eduardo Monteiro. 30 anos. Residente em Espinho, Aveiro, Portugal, Europa, Terra, Sistema Solar, Via Láctea. De momento está desempregado, mas já trabalhou como Técnico de Multimédia (seja lá o que isso for...) fazendo uso do grau de licenciado em Novas Tecnologias da Comunicação pela Universidade de Aveiro. Gosta de cinema, séries, comics, dormir, de chatear os outros e de ser pouco chateado. O presente estaminé serve para falar de tudo e de mais alguma coisa. Insultos positivos são bem-vindos. E, desde já, obrigado pela visita e volte sempre!

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