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O Código Base

por Antero, em 15.04.11

 

Source Code (2011)

Realização: Duncan Jones

Argumento: Ben Ripley

Elenco: Jake Gyllenhaal, Michelle Monaghan, Vera Farmiga, Jeffrey Wright

 

Qualidade da banha:

 

Sou completamente fascinado por obras que abordem viagens no tempo. Regresso ao Futuro, O Feitiço do Tempo, os dois primeiros Terminator, 12 Macacos, o mais recenteStar Trek, a quinta temporada da série televisiva LOST ou a curta-metragem 12:01 PM são alguns exemplos de obras que usam o recurso eficientemente, ainda que de diferentes maneiras. Assim, não é de admirar que um filme que mergulhe no conceito de loop temporal como O Código Base me agradasse - como, de facto, agradou. O que eu não esperava era que o filme revelasse uma faceta mais ambiciosa debaixo da sua capa de mero filme de acção para entreter as massas; uma surpresa que se desvaneceu ao ver o nome do realizador: Duncan Jones.

 

Realizador do óptimo Moon - O Outro Lado da Lua, uma ficção científica minimalista, mas extremamente ambiciosa do ponto de vista temático, Jones abraça novamente o mesmo género e, munido de mais recursos, conta a história do militar Colter Stevens (Gyllenhaal) que acorda numa viagem de comboio à frente de uma mulher (Monaghan) que não conhece. Aos poucos, Stevens percebe que integra uma operação experimental que consiste em ocupar o corpo de um dos passageiros do comboio durante oito minutos. A missão é descobrir uma bomba e o terrorista que a armou antes que ocorra uma violenta explosão mesmo às portas de Chicago.

 

Isto tudo acontece nos primeiros minutos de O Código Base e a prudência impede-me de revelar mais detalhes, mas basta referir que o conceito que sustenta o projecto que dá nome ao filme é intrigante o suficiente (ainda que absurdo) e dispara para assuntos habituais da ficção científica como viagens no tempo (ou, mais precisamente, transposição de consciências) realidades paralelas e projecções mentais. Ainda assim, a história é simples de acompanhar uma vez lançadas as regras do jogo e Jones segura-a com mão firme ao estabelecer um clima de urgência que mantém o espectador preso na cadeira, ao mesmo tempo que extrai da premissa discussões como os limites da Ciência, a eterna batalha entre o Livre Arbítrio e o Destino e a imutabilidade do tempo. Este tipo de questionamentos é a base dos melhores exemplos do género, nos quais um conceito absurdo (ou mesmo impossível) permite inúmeras aplicações no mundo real.

 

No entanto, nada disto teria o mesmo impacto caso não nos importássemos com as personagens e Jake Gyllenhaal faz um bom trabalho ao transmitir toda a confusão do Capitão Colter Steves ao ser confrontado com a difícil missão que tem em mãos, conseguindo ainda injectar imensa humanidade no sujeito (o que torna-se ainda mais admirável depois da tentativa falhada de o transformarem num herói de acção em Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo). As belas Michelle Monaghan e Vera Farmiga também se destacam: a primeira com uma excelente química com Gyllenhaal e a segunda a exalar, inicialmente, a segurança que alguém do seu posto deve ter ainda que, com o passar do tempo, venha a compreender o drama vivido pelo protagonista. A fechar o elenco principal vem Jeffrey Wright que serve como um manual de instruções para o espectador sobre as teorias científicas que movem a acção.

 

Prejudicado por um desfecho demasiado longo na tentativa de amarrar a narrativa (algo que faz eficazmente), O Código Base é daqueles exemplares cada vez mais raros de entretenimento com cérebro e que não tem medo de desafiar a inteligência do espectador ao mesmo tempo que não descura a sua vertente mais comercial. Engenhoso nas ideias e exemplar na execução, Duncan Jones é mesmo um realizador a ter debaixo de olho.

 

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publicado às 18:19



Banha de Cobra

Alvará

Antero Eduardo Monteiro. 30 anos. Residente em Espinho, Aveiro, Portugal, Europa, Terra, Sistema Solar, Via Láctea. De momento está desempregado, mas já trabalhou como Técnico de Multimédia (seja lá o que isso for...) fazendo uso do grau de licenciado em Novas Tecnologias da Comunicação pela Universidade de Aveiro. Gosta de cinema, séries, comics, dormir, de chatear os outros e de ser pouco chateado. O presente estaminé serve para falar de tudo e de mais alguma coisa. Insultos positivos são bem-vindos. E, desde já, obrigado pela visita e volte sempre!

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