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127 Horas

por Antero, em 24.02.11

 

127 Hours (2010)

Realização: Danny Boyle

Argumento: Simon Beaufoy

Elenco: James Franco, Kate Mara, Amber Tamblyn, Treat Williams, John Lawrence

 

Qualidade da banha:


Aron Ralston é um alpinista que, na Primavera de 2003, ficou com o braço direito preso entre duas rochas durante uma caminhada no Blue John Canyon. Por mais de cinco dias (daí as 127 horas do título), Aron desesperou com a sede, a fome, o cansaço e a falta de ajuda (ele não tinha informado ninguém sobre o passeio), lutando pela sobrevivência com todos os meios disponíveis. Esta impressionante história é levada agora às telas pelos oscarizados Danny Boyle e Simon Beaufoy (do sobrevalorizado Slumdog Millionaire) e a árdua tarefa de manter uma longa-metragem focada numa única personagem e situada praticamente num só cenário é cumprida com bons resultados, ainda que com alguns percalços.

 

Incluindo uma introdução que delineia Aron com um sujeito de espírito aventureiro e amante da natureza, 127 Horas consegue a proeza de manter o espectador preso à cadeira com o drama vivido pelo protagonista. Inicialmente, Aron reage com um surpreendente racionabilidade ao acidente e só aos poucos o desespero toma conta dele, o que, obviamente, faz com que o jovem reavalie as atitudes que tomou até àquele ponto (e se...?), passando pela introspecção sobre a sua vida (principalmente quando ele começa a delirar) e não demora muito até que se revolte contra Deus, berrando a plenos pulmões que não merece tal destino.

 

Estes comportamentos raivosos dizem muito do ser humano envolvido em situações limite e o filme consegue levar-nos a identificar com a situação de Aron, uma vez que este é retratado como uma pessoa comum, com família, amigos e preocupações triviais – nunca o filme o tenta pintar como um herói, mas como alguém vulnerável numa posição extrema. Assim, o facto de Aron filmar depoimentos ao longo dos dias (o que realmente aconteceu) é como uma janela aberta para a sua alma e para os relacionamentos que ele mantém com outros indivíduos que aparecem em desnecessários e intrusivos flashbacks durante a projecção. Esta foi uma das formas arranjadas por Boyle para manter o público interessado no filme (e esticar a duração) e o que ele parece não perceber é que 127 Horas torna-se um verdadeiro murro no estômago graças ao clima de urgência da condição de Aron e não ao facto de perdermos tempo com a ex-namorada ou com momentos de infância ao lado do pai. Em contrapartida, as alucinações e a inserção de imagens como bebidas e comida salientam, sem nenhuma subtileza (e ainda bem), o desequilíbrio físico e psicológico do alpinista.

 

No entanto, nenhum filme destes se sustentaria sem uma interpretação que não tivesse a força de carregar a narrativa às costas, e 127 Horas conta com um James Franco que revela uma capacidade espectacular em demonstrar não só a degradação de Aron, mas também a sua imensa força de vontade em (sobre)viver. É quando ele deve tomar uma atitude drástica que o filme alcança o patamar de intensidade e crueza que vinha a ameaçar desde o início; e se a sequência em questão funciona é, em parte, graças a Boyle pela forma como a encena (com uma edição agitada, mas nada "michaelbayana"), mas principalmente devido à actuação visceral de Franco que retrata, sem eufemismos, a hesitação, a coragem e o extremismo a que Aron tem de chegar para lutar pela sua vida.

 

Impactante estudo sobre a persistência do ser humano, 127 Horas pode cometer os seus erros aqui e ali, mas também tem a sua quota de acertos (o plano que revela gradualmente o isolamento de Aron é de tirar o fôlego) e conta também com um James Franco em estado de graça, o que desequilibra a balança claramente a favor de Boyle.

 

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publicado às 01:47


5 comentários

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De Nuno a 24.02.2011 às 02:01

Grande, grande, grande interpretação do James Franco. Sem menosprezar o Colin Firth (dos filmes que já vi, o melhor actor), penso que na categoria de melhor actor pode haver uma surpresa.
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De Antero a 24.02.2011 às 02:03

Não vai haver. É certinho! :P
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De Nuno a 24.02.2011 às 02:15

E se não houver, é justíssimo. Mas o Franco está a revelar-se um bom actor.
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De Lissa a 24.02.2011 às 15:12

Gosto do senhor James Franco! :D ele é de ascendência açoriana!!! Sweeeeeeeeeeeeet! http://www.jn.pt/revistas/ns/interior.aspx?content_id=1787188
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De Raquel a 09.03.2011 às 09:41

Gostei imenso do filme, mas o documentário da NBC, Desperate days in Blue John Canyon, explica melhor certos aspectos da historia do Aron Ralston.

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Banha de Cobra

Alvará

Antero Eduardo Monteiro. 30 anos. Residente em Espinho, Aveiro, Portugal, Europa, Terra, Sistema Solar, Via Láctea. De momento está desempregado, mas já trabalhou como Técnico de Multimédia (seja lá o que isso for...) fazendo uso do grau de licenciado em Novas Tecnologias da Comunicação pela Universidade de Aveiro. Gosta de cinema, séries, comics, dormir, de chatear os outros e de ser pouco chateado. O presente estaminé serve para falar de tudo e de mais alguma coisa. Insultos positivos são bem-vindos. E, desde já, obrigado pela visita e volte sempre!

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