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Filme do Desassossego

por Antero, em 01.02.11

 

Filme do Desassossego (2010)

Realização: João Botelho

Argumento: João Botelho

Elenco: Cláudio Silva, Pedro Lamares, Alexandra Lencastre, Ana Moreira, André Gomes, António Pedro Cerdeira, Carlos Costa, Catarina Wallenstein, Dinis Gomes, Filipe Vargas, José Eduardo, Luísa Cruz, Manuel João Vieira, Marcelo Urgeghe, Maragarida Vila-Nova, Miguel Guilherme, Miguel Moreira, Mónica Calle, Paulo Filipe, Ricardo Aibéo, Rita Blanco, Rui Morrison, Sofia Leite, Suzana Borges

 

Qualidade da banha:

 

Na passada Quinta-feira, esteve em exibição no Centro Multimeios de Espinho a obra baseada nos escritos de Bernardo Soares (um dos heterónimos de Fernando Pessoa), ‘Livro do Desassossego’, levada a cabo por João Botelho. Considerado “infilmável” devido à sua estrutura fragmentária e carácter analítico sobre a condição humana, a própria literatura e a sociedade como condicionadora da reflexão crítica, o ‘Livro’ ganha vida no ‘Filme’ graças à brilhante composição de planos de Botelho, que usa e abusa do ponto de fuga e do lado mais forte do ecrã (o terço mais à direita) para criar cenas de grande impacto e exuberância, como naquela em que as colinas de Lisboa se sobrepõem umas às outras (como se a cidade se engolisse a si mesma, numa clara sugestão da influência do Meio sobre o Homem) ou para ilustrar a solidão de Soares.

 

Se a nível plástico ‘Filme do Desassossego’ se revela intenso, a nível “narrativo” – assim mesmo, entre aspas – Botelho não consegue evitar a armadilha de estar a trabalhar com um texto sem fio condutor e sem um epicentro dramático. Lido, os registos de Soares permitem uma reflexão e absorção do que é transmitido; no Cinema, soa tudo a verborreia despejada sobre nós – e quando paramos para analisar a profundidade do que é dito, já estamos noutra sequência e com outro discurso, o que também peca por tornar a “história” episódica (embora isto fosse esperado). Um pouco mais longo que o ideal, ‘Filme do Desassossego’ conta com uma óptima interpretação de Cláudio Silva, cuja concentração absoluta permite-nos mergulhar na mente de Soares e nas suas deambulações por uma Lisboa que evoca a capital do início do século XX ao mesmo tempo que inclui objectos contemporâneos, num retrato da atemporalidade da obra.

 

Ainda que mereça uma reprimenda por sucumbir a lugares-comuns como o de enquadrar Soares junto ao Tejo, sozinho, enquanto a ondulação esbate na costa ou pela ópera no bosque que, apesar de bela, surge insólita e deslocada, Botelho merece todos os aplausos só pela introdução, onde Pessoa e Soares encontram-se nos extremos do cenário (e, consequentemente, do plano), para depois partilharem o centro do mesmo (a amálgama do Criador e da Obra), terminando com Soares a trocar de lugar com Pessoa na direita do quadro, assumindo o protagonismo da acção. Uma verdadeira aula sobre como criar planos e sequências de tirar o fôlego, ‘Filme do Desassossego’ falha em celebrar o génio criativo de Pessoa, já que a sua essência não encontra reflexo na arte cinematográfica, sendo ainda ofuscada pelo talento do seu realizador. Duvido que esta fosse a intenção de Botelho.

 

Nota: este texto é a versão integral da publicada na coluna de cinema da edição de 01 de Fevereiro de 2011 do jornalMaré Viva, a qual, por razões de espaço, teve de ser encurtada.

 

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publicado às 00:05


1 comentário

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De André a 25.03.2011 às 16:59

Odiei. Isto não foi filme, foi simplesmente um gajo a "ler" os textos e pronto. Ponto final, parágrafo. Bah! :)

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Banha de Cobra

Alvará

Antero Eduardo Monteiro. 30 anos. Residente em Espinho, Aveiro, Portugal, Europa, Terra, Sistema Solar, Via Láctea. De momento está desempregado, mas já trabalhou como Técnico de Multimédia (seja lá o que isso for...) fazendo uso do grau de licenciado em Novas Tecnologias da Comunicação pela Universidade de Aveiro. Gosta de cinema, séries, comics, dormir, de chatear os outros e de ser pouco chateado. O presente estaminé serve para falar de tudo e de mais alguma coisa. Insultos positivos são bem-vindos. E, desde já, obrigado pela visita e volte sempre!

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