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Regresso ao passado

por Antero, em 09.09.10

 

De certa forma, Predadores consegue o queOs Mercenáriosfalhou em tentar: homenagear satisfatoriamente o cinema de acção da década de 80 do século passado. Povoado por heróis sem grandes traços de personalidade que não a virilidade, a expressão fechada e os absurdos músculos, essa década foi fértil em películas na quais as sequências de acção faziam sombra a tudo o resto. Neste aspecto, o novo capítulo da saga Predador acerta em cheio, já que a acção praticamente ininterrupta é o mote de todo o argumento. Longe de ser uma refilmagem, Predadores respeita o original (cujos eventos são referenciados) e, ao mesmo tempo, desenvolve uma nova história independente dos filmes anteriores (nomeadamente, aquelas porcarias que metiam os Aliens ao barulho).

 

Produzido por Robert Rodriguez, Predadores estabelece logo nos primeiros minutos a sua premissa: um grupo armado composto por mercenários e soldados cai de pára-quedas numa selva e, em poucos minutos, já estão a ser caçados pelos nossos queridos monstros. Cabe-lhes enfrentar o ambiente hostil e delinear estratégias que possibilitem a sua sobrevivência e a fuga daquele lugar. Sem perder tempo com apresentações das personagens, o filme atira o espectador para a acção contínua que quase não o deixa respirar – o que é uma bênção, uma vez que, quando se dedica a desenvolver minimamente aqueles indivíduos, o cheiro que atinge o público é bafiento. Relacionando-se com curtas frases de efeito que (claro!) são precedidas de uma pausa enorme para (tentar) aumentar o efeito dramático, o grupo inclui o líder que (só podia...) é norte-americano, o mexicano brutamontes (Danny Trejo, que até tem direito a um plano só dele a exclamar "Isto é o Inferno!"), o franzino que serve de alívio cómico, o russo que tem saudades da família, um condenado à morte com cara de lunático e um asiático que (obviamente!) é um especialista com espadas.

 

Improvável como herói de acção, Adrien Brody é uma completa surpresa no papel de protagonista de um filme puramente voltado para o entretenimento. Não que essa surpresa venha pela sua actuação, que está no piloto automático, mas sim pela sua entrega a este tipo de filmes. Ainda assim, ele (e os seus músculos) fazem um trabalho mais eficaz a carregar o filme às costas que Jake Gyllenhall no recentePríncipe da Pérsia. Juntamente com a brasileira Alice Braga, eles são o mais próximo de uma personagem tridimensional, ainda que ela se destaque no papel da israelita amargurada pela sua vida de violência. Não que isto interesse muito, pois estes traços são meros detalhes no filme que, como já referi, se dedica a explorar a acção – e, neste aspecto, o filme não decepciona. Bem orquestradas (com a excepção de uma luta que envolve espadas), as sequências de acção estabelecem uma dinâmica de presa-caçador que se mantém até ao fim e, se é estranho os Predadores fazerem muita cerimónia em matar os oponentes já que contam com tecnologia para os aniquilar em três tempos, é por que o prazer não está em matar, mas sim em como se atinge o adversário – e só o facto de este pormenor não ser escancarado ao público por uma personagem já é algo digno de aplausos num filme tão óbvio e derivativo.

 

Com uma banda sonora decalcada da partitura de Alan Silvestri para o original, Predadores acerta também ao estabelecer os obstáculos que esperam os heróis que, além de contarem com a fúria assassina dos alienígenas, ainda têm de enfrentar o habitat imprevisível do campo de batalha, onde a selva cerrada imensa dá lugar a um deserto rochoso ou a uma floresta mais ampla. No entanto, o filme perde-se na coerência: é no mínimo estranho que se ninguém se lembre de usar lama para se camuflarem dos Predadores já que alguém os informa disto ou que algumas personagens se movam quase sem dificuldade mesmo após de sofrer ferimentos graves. Claro que isto não é tão grave quanto as expectativas deixadas pela conclusão do filme : ao deixar a porta totalmente aberta para uma sequela e a fazer fé no trajecto da saga anteriormente, é de crer que o próximo filme destruirá o que de bom se conseguiu agora.

 

Qualidade da banha: 12/20

 

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publicado às 17:08



Banha de Cobra

Alvará

Antero Eduardo Monteiro. 30 anos. Residente em Espinho, Aveiro, Portugal, Europa, Terra, Sistema Solar, Via Láctea. De momento está desempregado, mas já trabalhou como Técnico de Multimédia (seja lá o que isso for...) fazendo uso do grau de licenciado em Novas Tecnologias da Comunicação pela Universidade de Aveiro. Gosta de cinema, séries, comics, dormir, de chatear os outros e de ser pouco chateado. O presente estaminé serve para falar de tudo e de mais alguma coisa. Insultos positivos são bem-vindos. E, desde já, obrigado pela visita e volte sempre!

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