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LOST: manipulações

por Antero, em 12.05.10

ALERTA DE SPOILER! Este post contém informações relevantes, pelo que é aconselhável que só leiam caso estejam a par da exibição norte-americana.

 

 

LOST 6x15: Across the Sea

"Cada pergunta que eu responder só levará a outras perguntas." - diz a mãe adoptiva de Jacob e do seu irmão, o Homem de Negro (do qual não sabemos o nome e isso não interessa para o caso). É a forma que os produtores de LOST nos avisarem: nem tudo será respondido, algumas explicações serão bem simplórias e muito ficará obscuro (o que não deixa de ter o seu charme). No entanto, o episódio que seria dedicado a Jacob acaba por se revelar frustrante não pelo que diz, mas sim pelo que omite. A esta altura do campeonato, seria impossível para a série responder tudo numa base mais científica/plausível quando muito do que temos visto remete à fantasia e ao esoterismo. Só que, basicamente, não tivemos grandes respostas, mas sim uma transição das mesmas: já não é Jacob que nos instigue, mas sim a sua mãe, de onde ela veio, como se tornou guardiã da Ilha, que raio é aquela luz (seria a forma de explicar os fenómenos electromagnéticos numa época menos tecnologicamente avançada?), quais os poderes dela e como ela os passou para Jacob. Tudo o resto soou muito superficial e, não por acaso, lembrei-me dos infames midi-chlorians (qualquer fã de Star Wars arrepia-se ao ouvir este termo).

 

Onde o episódio é bem sucedido é no estabelecimento de uma relação entre Jacob e o Homem de Negro de irmãos (gémeos) que nos permite entender as nuances da sua rivalidade actual, bem como deduzir que tudo isto não passa de um jogo cujas regras são ditadas pelo primeiro (um dos pontos pior explorados no episódio). A Mãe deles preparou-os para que um deles tomasse o seu lugar, embora não esconda a preferência pelo Homem de Negro que, mais calculista, rebelde, vivaz e criativo, poderia ser o substituto perfeito (não é por acaso que ela trata-o com nomes carinhosos e que, mesmo depois do abandono dele, ela esperou sempre pelo seu regresso como Jacob aponta). Na semana passada, escrevi aqui que o Falso Locke se havia estabelecido como o grande vilão do arco final da série, mas, de uma forma que só LOST consegue, o tapete é-me novamente tirado dos pés: aqui não há vilões nem heróis, tudo o que ele queria era sair da Ilha. Daí que investigue os diferentes núcleos de electromagnetismo da Ilha e promova um mecanismo que o liberte (a roda que Ben girou para "mover" a Ilha). Também não deixa de ser irónico que o Homem de Negro que confronta Jacob com a opinião que o Homem só serve para corromper e destruir esteja de acordo com a opinião vinculada pela própria Mãe que viria a assassinar.

 

No final, ficamos a saber quem são os esqueletos encontrados na gruta lá no início da série (episódio seis para ser mais preciso), embora isto não fosse realmente importante. Relevante seria perceber como e porque Jacob começou a vigiar os candidatos, porque decidiu criar esta espécie de jogo, porque o Monstro não o pode matar ou então se o seu irmão morreu mesmo ao entrar na fonte e libertou o Monstro ou se, de alguma forma, ele se transformou no Monstro por ter perdido a sua humanidade. Era bom que este episódio se revelasse determinante no futuro, mas isso dependerá do tratamento que for dado nas duas horas e meia que faltam para o final da série. E com tão pouco tempo e tanto para responder, acho que vamos mesmo ter de nos contentar com isto.

 

7 potes de banha


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publicado às 21:23


1 comentário

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De jonasnuts a 16.05.2010 às 11:32

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Banha de Cobra

Alvará

Antero Eduardo Monteiro. 30 anos. Residente em Espinho, Aveiro, Portugal, Europa, Terra, Sistema Solar, Via Láctea. De momento está desempregado, mas já trabalhou como Técnico de Multimédia (seja lá o que isso for...) fazendo uso do grau de licenciado em Novas Tecnologias da Comunicação pela Universidade de Aveiro. Gosta de cinema, séries, comics, dormir, de chatear os outros e de ser pouco chateado. O presente estaminé serve para falar de tudo e de mais alguma coisa. Insultos positivos são bem-vindos. E, desde já, obrigado pela visita e volte sempre!

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