Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




LOST: felicidade eterna?

por Antero, em 07.04.10

ALERTA DE SPOILER! Este post contém informações relevantes, pelo que é aconselhável que só leiam caso estejam a par da exibição norte-americana.

 

 

LOST 6x11: Happily Ever After

Para se perceber este brilhante episódio de LOST, há que fazer uma recapitulação da trajectória de Desmond. Ao sobreviver à explosão da estação Cisne, no final da segunda temporada, a mente do escocês "quebrou" a sua linearidade e passou a estar dispersa no tempo, o que fez com que ele tivesse pequenas visões do futuro onde previa a morte de Charlie, facto que não conseguiu impedir apesar dos seus esforços. Ao sair da Ilha de helicóptero - já na quarta temporada - Desmond cruzou o campo electromagnético que a circunda, o que intensificou os efeitos de dispersão da sua consciência, algo só reparado quando ele conseguiu influenciar a continuidade temporal e entrar em contacto com Penny, a sua constante, aquele que lhe dá harmonia e estabilidade. Desmond é "especial" porque consegue alterar o Tempo e, não por acaso, Faraday recorreu a ele (isto já na quinta temporada) para o alertar sobre a situação dos losties que haviam ficado para trás e que corriam perigo devido à instabilidade da Ilha depois de Ben "movê-la".

 

E eis que chegamos ao momento actual: Widmore raptou Desmond e levou-o de volta para a Ilha. A intenção de Charles é usa-lo como arma para salvar a vida de todos, uma vez que ele conseguiu sobreviver praticamente ileso a um desastre electromagnético e, assim, decide está-lo noutra exposição. Esta experiência leva ao primeiro cruzamento entre as duas realidades paralelas, onde Desmond é um "moço de recados" de Widmore e tem como tarefa levar Charlie para um concerto que este dará numa festa organizada pela esposa do milionário, Eliose Hawking. Com o avançar dos eventos, Desmond começa a ter noção de algo está errado e onde lhe surgem visões de acontecimento da realidade que tão bem conhecemos. Tal como Charlie vislumbrou o seu amor no avião (Claire) e Faraday no Museu (Charlotte), o escocês passa a procurar por Penny. Ao encontrá-la - no mesmo estádio onde treinava para a regata e onde conheceu Jack pela primeiríssima vez - Desmond volta a entrar em contacto com a sua constante e toma plena consciência das duas realidades e da sua missão. No final, dá a impressão que a sua mente "trocou" de realidade e que o "verdadeiro" Desmond se encontra na realidade paralela, pronto a avisar os passageiros do voo 815 de que as suas vidas não são o que realmente aparentam.

 

Como em todos os episódios que envolvam o brotha, há muito para ser digerido e analisado até se chegarem a conclusões finais (e rever o capitulo é sempre aconselhado). Desmond será a ponte entre as realidades alternativas e passará por ele a resolução da guerra entre Jacob e o Homem de Negro. Quando eu pensava que já tinha decifrado o rumo final da série, mais uma vez ela volta a mudar a disposição das peças e a abrir outras possibilidades para o seu desfecho. É incrível a quantidade de perguntas novas que surgem a míseros seis episódios do fim anunciado. Será que Eliose sabia da realidade paralela para não querer promover um envolvimento entre Desmond e Penny? Charlie e Faraday também teriam noção do que se passa? Como a realidade paralela pode influenciar a guerra travada na Ilha? E Widmore sempre soube que Desmond iria "parar" ao outro lado? A realidade paralela significa que o Homem de Preto venceu e que Desmond será a chave para que ele saia derrotado?

 

Recheado de referências a acontecimentos que já conhecemos (o navio, o whisky, o estádio, o motorista que era passageiro do cargueiro e que morreu devido a experiências de "dispersão temporal", Aaron, o talento de Faraday para a música, a morte de Charlie e tantos, tantos outros), o episódio abriu definitivamente o caminho que levará ao final da melhor série da actualidade. E nem imaginam como é triste escrever isto.

 

10 potes de banha


Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 03:30


3 comentários

Sem imagem de perfil

De Samuel a 07.04.2010 às 23:59

Sempre achei a relação Desmond - Penny um dos pormenores... digamos "bonitos" da série. Toda aquela harmonia, as dificuldades, o ódio do Widmore pelo Desmond, o facto da Penny ser o "farol" do Desmond... sempre achei interessante.

No meio de tanta coisa excelente no episódio, aquela conversa entre o Desmond e o Faraday foi excepcional. Duas pessoas que nada têm a ver um com o outro apercebem-se (ou pelo menos começam a perceber) que algo bate mal. E o facto de novamente a Penny centrar-se nesse pormenor, de ser ela, digamos, o elemento que demonstra aos losties (Desmond e Faraday) do presente que há uma vida paralela foi interessantíssimo.

Eu não quero arriscar no que aí vem. Desmond, na sua dupla existência, tem quase noção de que existe uma realidade paralela e que algo tem que ser feito para que uma bate na outra. O Lost está a caminhar para um final "épico" e só espero que isto tudo valha a pena e que não fiquemos com um sabor amargo na boca.

Mas numa coisas acertas na mouch brotha, depois desta série, a televisão nunca mais será igual.
Imagem de perfil

De Antero a 08.04.2010 às 00:14

Só um reparo: como escrevi, não foi Penny que "abriu os olhos" de Faraday, mas sim Charlotte, tal como Claire foi para Charlie. Ao vê-las foi como se as amassem desde sempre, provado que algo nas suas existências estava errado.

De resto, óptimo comentário.
Sem imagem de perfil

De Carlos Figueiredo a 12.04.2010 às 17:14

Desmond é, aliás, uma personagem que tem muitas semelhanças com o Ulisses da "Odisseia" de Homero. Um homem que vagueia pelos mares e que enfrenta os deuses para conseguir regressar à sua casa em Ítaca, para os braços da sua amada (que também se chama Penélope).

Comentar post



Banha de Cobra

Alvará

Antero Eduardo Monteiro. 30 anos. Residente em Espinho, Aveiro, Portugal, Europa, Terra, Sistema Solar, Via Láctea. De momento está desempregado, mas já trabalhou como Técnico de Multimédia (seja lá o que isso for...) fazendo uso do grau de licenciado em Novas Tecnologias da Comunicação pela Universidade de Aveiro. Gosta de cinema, séries, comics, dormir, de chatear os outros e de ser pouco chateado. O presente estaminé serve para falar de tudo e de mais alguma coisa. Insultos positivos são bem-vindos. E, desde já, obrigado pela visita e volte sempre!

Pesquisar

  Pesquisar no Blog


Armazém

  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2015
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2014
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2013
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2012
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2011
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2010
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2009
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2008
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D