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LOST: desde os primórdios...

por Antero, em 24.03.10

ALERTA DE SPOILER! Este post contém informações relevantes, pelo que é aconselhável que só leiam caso estejam a par da exibição norte-americana.

 

 

LOST 6x09: Ab Aeterno

Foram quase 6 anos, mais de uma centena de episódios e um sem número de acontecimentos para finalmente descobrirmos qual a verdadeira natureza da Ilha. Nada de teorias malucas como o Purgatório, o centro da Terra, uma espécie de Arca de Noé, um sonho e outras coisas do género.

 

O quê?! Não gostaram da explicação? Não perceberam a metáfora? Eu cá sou da opinião que as coisas mais complicadas explicam-se da maneira mais simples: a Ilha é uma "rolha" que impede o Mal de se espalhar pelo Mundo; o Homem de Negro é o Mal incarnado e não acredita na bondade do ser humano; Jacob é o seu carcereiro e tenta fazê-lo ver que os indivíduos são pessoas essencialmente boas. E daí surge uma guerra de manipulações que ocorre praticamente desde sempre com claro prejuízo de Jacob, ainda que o Homem de Negro não consiga escapar da sua prisão. Vários chegam à Ilha trazidos por Jacob e o seu passado não interessa mais, corroborando o facto da Ilha ser um lugar para recomeçar e onde a redenção pode acontecer a qualquer um. Com Jacob fora da jogada, cabe a outro que o substitua e continue a sua missão . Uma jornada espiritual sobre a condição humana, a eterna batalha entre o Destino e o Livre Arbítro , isto tudo é LOST. Dá vontade de rever a série desde o início e ver como todas as peças se encaixam.

 

Através da história de Richard Alpert (provavelmente, o mais longo flashback de toda a série), um sujeito simples levado como escravo para o Novo Mundo em 1867, percebemos como o Black Rock foi parar ao meio da Ilha e como a estátua que alberga Jacob se quebrou. Acompanhamos a sua cruzada rumo à sobrevivência e à possibilidade de obter perdão antes da morte, e o facto do Homem de Negro o tentar convencer com a ideia do Inferno (os tempos eram de exacerbada religiosidade) faz uma bela referência com as teorias dos fãs, quando muitos julgavam os losties mortos. Atormentado com o facto de ter sido incapaz de salvar a sua amada e de ter acidentalmente morto um homem, Alpert mostra-se mais vulnerável e obssessivo que nunca, algo que contrasta com a posição segura a articulada que vinha mostrando ao longo dos anos. Tal como Locke, Ricardus tornou-se uma marioneta nas mãos de alguém superior que manipula tudo e todos os que sejam necessário aos seus intentos, mesmo que estes sejam nobres. Neste aspecto, Jacob não se distancia muito da sua contraparte ao perceber que, para ser bem sucedido, teria que lutar com as mesmas armas do seu opositor: não deixar nada ao acaso e passar a interferir, ainda que indirectamente, nos acontecimentos da Ilha.

 

Porém, o detalhe mais importante do episódio (e que poderá revelar-se fulcral na resolução da história) é perceber que o Monstro de Fumo não poupa aqueles que se arrependem dos seus actos passados, como pensaríamos anteriormente depois da morte de Mr. Eko, até porque a criatura já matou indiscriminadamente. O Monstro analisa a essência de cada um, procurando algo que possa servir os seus interesses, algo que o indíviduo deseje muito e que estaria disposto a remendar no seu passado. Como o Homem de Negro promete a realização daquilo que os seus recrutas mais desejam, o que, até certo ponto, tem acontecido na realidade paralela, dá a entender que a garrafa partiu mesmo.

 

Ou talvez não.

 

10 potes de banha


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publicado às 19:27



Banha de Cobra

Alvará

Antero Eduardo Monteiro. 30 anos. Residente em Espinho, Aveiro, Portugal, Europa, Terra, Sistema Solar, Via Láctea. De momento está desempregado, mas já trabalhou como Técnico de Multimédia (seja lá o que isso for...) fazendo uso do grau de licenciado em Novas Tecnologias da Comunicação pela Universidade de Aveiro. Gosta de cinema, séries, comics, dormir, de chatear os outros e de ser pouco chateado. O presente estaminé serve para falar de tudo e de mais alguma coisa. Insultos positivos são bem-vindos. E, desde já, obrigado pela visita e volte sempre!

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