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O assassino familiar

por Antero, em 17.12.09

ALERTA DE SPOILER! Este post contém informações relevantes, pelo que é aconselhável que só leiam caso estejam a par da exibição norte-americana.

 

 

Dexter - quarta temporada

No início, conhecemos Dexter Morgan, um pacato funcionário do Departamento de Homicídios de Miami com um segredo: ele é um serial killer nas horas vagas. Na adolescência, o seu pai adoptivo reconheceu as suas tendências sociopatas e instruiu-o para que direccionasse os seus instintos para matar aqueles que não eram punidos pelo sistema judicial e, acima de tudo, que tivesse cuidado para não ser apanhado. Fomos apresentados à equipa do Departamento e a Rita, o seu interesse amoroso; basicamente, disfarces sociais para de Dexter passasse despercebido. Assistimos à sua origem, ao seu Código moral ser posto em causa (numa segunda temporada fenomenal que, ao contrário de muitos, achei ainda melhor que a primeira), à sua necessidade de contacto social e aprovação de uma figura paterna, naquele que é o menos bom dos quatro anos.

 

Agora, Dexter é um homem casado, com um bebé em mãos e dois filhos adoptivos. Conciliar as suas funções "profissionais" com as obrigações familiares não é tarefa fácil. E surge sempre a dúvida: Dexter oculta as suas actividades para proteger os que o rodeiam (em último caso, dele mesmo) ou para se proteger a si mesmo? Não é uma questão fácil e por isso Dexter é uma série fascinante: a carga dramática investida no protagonista divide-o a ele e também o espectador, que se vê na delicada posição de torcer por um assassino sem escrúpulos. Para tornar a identificação mais fácil, nada como humanizar o vilão ao máximo e agora vimos o pico desse processo e a potencial destruição do mesmo, com a morte de Rita, o grande elo de ligação entre o Monstro e o Homem.

 

Mas nem tudo foi perfeito: o relacionamento amoroso entre Laguerta e Angel parece surgir do nada e, por vezes, quebrava o andamento da narrativa, bem como fazerem de Rita uma esposa demasiado controladora e irritante. Porém, tudo isto passa para segundo plano com um vilão como Trinity, o melhor a série já ofereceu. Com uma interpretação fabulosa de John Lithgow - a fazer lembrar os melhores momentos de Blow Out - Explosão e Em Nome de Caim - Arthur é um indivíduo sinistro e calculista que guarda algumas semelhanças com Dexter. Este, como é apanágio da série, apoia-se na sua figura como substituto para a ausência dos ensinamentos do pai, intenções essas que acabam por ser frustradas porque, por muito que Dexter tente relacionar-se com um semelhante seu (a sua falta de traquejo social é notória mesmo quando ele finge estar à vontade) não há lugar para encobrimentos entre pares.

 

Fechando a temporada de forma chocante, Dexter abre novas possibilidades para o seu protagonista e estabelece-se como um dos melhores estudos de personagem já vistos na Televisão.

 

9 potes de banha

 

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publicado às 19:11


1 comentário

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De rosa a 03.01.2010 às 23:41

Absolutamente chocante o final!
Vejo que afinal também te rendeste à série ;)

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Banha de Cobra

Alvará

Antero Eduardo Monteiro. 30 anos. Residente em Espinho, Aveiro, Portugal, Europa, Terra, Sistema Solar, Via Láctea. De momento está desempregado, mas já trabalhou como Técnico de Multimédia (seja lá o que isso for...) fazendo uso do grau de licenciado em Novas Tecnologias da Comunicação pela Universidade de Aveiro. Gosta de cinema, séries, comics, dormir, de chatear os outros e de ser pouco chateado. O presente estaminé serve para falar de tudo e de mais alguma coisa. Insultos positivos são bem-vindos. E, desde já, obrigado pela visita e volte sempre!

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