Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Mais robótico, menos humano

por Antero, em 05.06.09

 

Sabendo a postura dos executivos de Hollywood, parece impossível de acreditar que a magnífica saga Terminator esteve parada longos 12 anos. E devia ter ficado por aí: apesar de ser um filme de acção razoável, se bem que descartável no cômputo da narrativa, T3: A Ascensão das Máquinas metia os pés pelas mãos sempre que o assunto era viagens no tempo. Mas, uma vez reaberto o filião, nada como continuar a fazer render o peixe e assim chegamos ao recente Exterminador Implacável: A Salvação, realizado por McG (dos "estupendos" Anjos de Charlie) que tenta dar um novo fôlego à saga, situando-a no futuro após os acontecimentos conhecidos como o Dia do Julgamento. Porém, não se deixem enganar pelo título, uma vez que o filme, de salvação, tem muito pouco. Está mais para Exterminador Implacável: A Escorregadela.

 

Em 2003, Marcus Wright (Sam Worthington) encontra-se prestes a ser executado por ter estado envolvido na morte do seu irmão e de alguns policias. Abordado pela doente Dra. Kogan (Helena Bonham Carter), Wright aceita doar o seu corpo para a Cyberdine Systems para complexas experiências, e acaba por acordar já em 2018, anos depois do sistema Skynet ter adquirido consciência e matando quase todos os seres humanos (que, segundo o filme anterior, ocorreu em 2003, adiando a data inicialmente estabelecida em 1997). Confuso, ele encontra o jovem Kyle Reese, que é perseguido por estar destinado a se tornar o pai de John Connor (Christian Bale), o líder da resistência humana.

 

Líder... apelidar John Connor de líder acaba por ser uma piada de mau gosto. Com discursos patéticos, sem carisma, com cara de duro e constantemente aos berros, este John Connor é muito mal desenvolvido, descartando um dos pontos onde até T3 se evidenciou: o legado que Connor carrega e a missão que deve cumprir. Aqui temos um soldado que se rebela com os seus superiores (não falta nem a batida cena do "estás dispensado"), mas o porquê de ele granjear tantos seguidores é uma incógnita. Tudo isto poderia ser minimizado com a actuação de Bale, mas até esta acaba por contribuir para o desastre. O que ainda equilibra a balança é Worthington, mas falar da sua interpretação acaba por ser spoiler (se bem que qualquer um com dois dedos de testa descobre logo tudo). E como A Salvação acaba por lhe dar grande destaque, o filme ganha pontos aí.

 

Que logo os perde ao focar-se demasiado na acção, revelando a ausência de um argumento que sustente tudo de forma coesa. Aqui o que interessa é saltar de uma cena de acção para outra, mesmo que esta surja desnecessária e/ou sem o dinamismo que James Cameron imprimiu nos dois primeiros filmes (porém, a bem da verdade, há que referir uma cena em que McG se supera e estou a falar do longo plano sequência do helicóptero no início do filme. Mas a fonte de boas ideias esgota-se por aí.). "Emprestando" elementos de produções como Transformers, Guerra dos Mundos, O Dia da Independência, Mad Max e, claro, dos filmes anteriores, A Salvação acaba por se tornar uma obra sem identidade, sem algo de realmente inovador. A não ser que considerem variedades de robots (aquáticos, aéreos, híbridos,...) uma inovação, mas eu acho que é mais para vender bonecos.

 

Sem conseguir instaurar um clima de tensão que nos leve a desesperar pelos heróis, A Salvação ainda comete o pecado de amenizar (com vista a classificação etária) o "comportamento" dos Terminators, que nunca chegam a ser aquelas máquinas letais que matam sem dó nem piedade, chegando ao cúmulo de lutarem "mano-a-mano" com os humanos (como se tal fosse possível). Além disso, o filme é recheado de bons efeitos especiais, muita barulheira e várias explosões que, além de não conseguirem esconder um argumento robótico e previsível, ainda soam como um massacre aos sentidos que Michael Bay não desdenharia em apadrinhar.

 

Com tudo isto, o filme ainda dá uns valentes tiros no pé, como por exemplo o facto de Reese conduzir bem um veículo depois de afirmar que nunca conduzira na vida. Ou o facto da Skynet não matar Reese quando o tem preso. Ou o helicóptero que escapa à vontade de uma enorme explosão que, supostamente, deveria ser nuclear. Desta forma, apesar de não ferir a lógica dos filmes anteriores (algo que T3 não conseguiu), Exterminador Implacável: A Salvação acaba por não acrescentar nada ao que já conhecíamos. E se esta constatação vem embrulhada num pacote onde nada faz muito sentido, podemos ver que, no nosso mundo, as máquinas já se revoltaram há que tempos. Ou seja, o dinheiro vence sempre.

 

Qualidade da banha: 7/20

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:16



Banha de Cobra

Alvará

Antero Eduardo Monteiro. 30 anos. Residente em Espinho, Aveiro, Portugal, Europa, Terra, Sistema Solar, Via Láctea. De momento está desempregado, mas já trabalhou como Técnico de Multimédia (seja lá o que isso for...) fazendo uso do grau de licenciado em Novas Tecnologias da Comunicação pela Universidade de Aveiro. Gosta de cinema, séries, comics, dormir, de chatear os outros e de ser pouco chateado. O presente estaminé serve para falar de tudo e de mais alguma coisa. Insultos positivos são bem-vindos. E, desde já, obrigado pela visita e volte sempre!

Pesquisar

  Pesquisar no Blog


Armazém

  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2015
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2014
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2013
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2012
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2011
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2010
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2009
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2008
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D