Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Prison Break: um final satisfatório

por Antero, em 02.06.09

ALERTA DE SPOILER! Este post contém informações relevantes, pelo que é aconselhável que só leiam caso estejam a par da exibição norte-americana.

 

 

Prison Break: Temporada 4 e The Final Break (telefilme)

Há uma diferença entre Heroes e Prison Break: ambos são entretenimentos descartáveis, com roteiros absurdos, com mais furos que uma peneira e intérpretes entre o fraco e o razoável. No entanto, Prison Break cumpre a sua função de entretenimento descompromissado, enquanto que a série dos heróis torra mais a paciência do que diverte. Depois de 4 anos a acompanhar as peripécias de Scofield e companhia e muitas unhas roídas, chega agora ao fim uma série que já havia passado o seu auge há muito, mas que ainda contou com um final digno, capaz de amarrar todas as pontas e deixar satisfeitos os (já poucos) fãs. Mas o percurso foi tudo menos fácil: depois de uma terceira temporada na corda bamba - e mais curta devido à greve dos argumentistas - o quarto ano começou de maneira trôpega, com a volta de Sarah, com o foco virado para a obtenção de Scylla e com a rocambulesca história de T-Bag a passar por impostor.

 

Aos poucos, porém, a temporada foi engrenando de vez à medida que as mortes se iam sucedendo, Scylla era um objectivo cada vez mais palpável e a Companhia estava presa por um fio. Interessante perceber o funcionamento da mesma (promover a guerra num país e lucrar com a sua reconstrução) e como Scylla mais não era que um projecto revolucionário de gestão de recursos de maneira fluída e implícita na narrativa. Com a Companhia de rastos e a traição de Self parecia que o quarto ano ia atingir um pico há muito não visto na série e o final prometia muito. Mas aí entraram dois factores que fizeram o interesse cair: um externo (a decisão de esperar meses até voltar a ter episódios inéditos) e um interno (a inclusão da mãe dos irmãos). Christina Rose entra de pára-quedas na história, trabalhava com a Companhia, muda as cartas todas, separa os irmãos, afinal já não são irmãos, topa que Sarah está grávida assim do nada, despreza Lincoln, gosta mais de Michael mas mais de poder, morre às mãos da "nora". Não era melhor manter a personagem morta? Até porque a revelação sobre Lincoln não causou o impacto esperado ou alguém duvidava que Michael ia deixar de o ajudar para se aliar à mãe? A presidente Caroline Reynolds tinha muito mais impacto como antagonista. Depois, Self passou a inútil, T-Bag andou perdido até ao último episódio quando confronta Sarah e o regresso de Kellerman e C-Note foi muito forçado.

 

Ainda assim, o final foi satisfatório por resolver todas as questões, compensando os bons e punindo os vilões, mas, principalmente, por matar Scofield. Vai daí, compilam dois episódios num telefilme onde vemos realmente como Michael morreu. E que morte tão sem sal e indigna da personagem. O motivo para Sarah ir presa e, consequentemente, relançar a história é deveras furado: o assassinato de Christina não fazia parte do perdão concedido a ela porque as suas funções na Companhia eram ocultas? A sério? Não se arranjava melhor? Vá lá que conseguiram criar tensão com o facto de Sarah ter permitido a fuga dos demais em Fox River, algo que custou o trabalho a imensa gente, e na nova prisão querem é fazer-lhe a vida negra. Porém, o General a pôr a cabeça dela a prémio foi tosco, as hierarquias das mulheres na prisão são muito cliché e tão... primeira temporada. Até porque o telefilme tem todo o ar de episódio piloto para uma nova série (por sinal, a ideia inicial era mesmo esta). E acaba por desamarrar pontas para as voltar a amarrar da mesma forma. Completamente desnecessário, mas ainda assim divertido.

 

Não me entendam mal: sempre gostei de Prison Break com todos os seus defeitos, situações forçadas, frases de efeito, planos mirabolantes, cliffhangers descartáveis e revelações absurdas. Mas há que ser honesto e perceber que a série durou mais do que devia. A quarta temporada fechou bem a história, mas não dá para esconder o seu tempo já lá ia e que foi esticada mais do que o aconselhável. Mesmo assim, vai deixar saudades.

 

6 potes de banha

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 23:54



Banha de Cobra

Alvará

Antero Eduardo Monteiro. 30 anos. Residente em Espinho, Aveiro, Portugal, Europa, Terra, Sistema Solar, Via Láctea. De momento está desempregado, mas já trabalhou como Técnico de Multimédia (seja lá o que isso for...) fazendo uso do grau de licenciado em Novas Tecnologias da Comunicação pela Universidade de Aveiro. Gosta de cinema, séries, comics, dormir, de chatear os outros e de ser pouco chateado. O presente estaminé serve para falar de tudo e de mais alguma coisa. Insultos positivos são bem-vindos. E, desde já, obrigado pela visita e volte sempre!

Pesquisar

  Pesquisar no Blog


Armazém

  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2015
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2014
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2013
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2012
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2011
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2010
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2009
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2008
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D