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Comodismo

por Antero, em 21.04.09

"Esta cidade está cada vez pior. Mas eu não a trocava por nada deste Mundo!"

 

Quem me conhece sabe que eu repito esta expressão inúmeras vezes. Gosto de Espinho, sempre gostei. Nasci aqui e sempre vivi cá. Quando era mais novo e sempre que ia para fora, costumava dizer que o momento alto da viagem era ver a primeira placa a dizer "Espinho". Não há nada como voltar a casa. Mas como se pode gostar tanto de um local que perde o interesse a cada dia que passa? Simples: comodismo. E agora que penso no assunto, se calhar o comodismo guiou os rumos da minha vida mais vezes do que imagino.

 

Sempre que tinha de mudar de escola, ia sempre para onde estudavam o meu irmão e os meus primos. Era mais cómodo. Quando escolhi a Universidade de Aveiro para estudar (embora não fosse a primeira opção) era porque queria voltar a casa todos os dias. Não há nada como a comodidade do lar. Mais tarde, acabei por ir morar para Aveiro por pura necessidade, mas não sem antes de estudar lá há um ano e conhecer os cantos à casa. Acabados os estudos, voltei para casa. Arranjei trabalho em Espinho, a poucos minutos de casa. Mais cómodo, impossível.

 

Dificilmente me atiro às coisas de cabeça. Lido bem com a rotina. Qualquer mudança deixa-me de pé atrás. Mesmo qualquer alteração ao estado normal das coisas é bem ponderada. E sempre com pessimismo. Altos voos nunca foram para mim. Acho piada às pessoas que se lançam numa empreitada apenas para fugir à rotina. Confesso que sinto uma ponta de inveja desses corajosos, mas depois penso que todos perseguimos uma rotina, mesmo que ela seja "não ser rotineira". Típico da espécie humana esta necessidade de se sentir cómoda. Não será por isto que temos os nossos grupos de amigos, que andamos pelos mesmos sítios, que trabalhamos todos os dias, que nos afeiçoamos e amamos alguém? Perseguimos a estabilidade pelo que ela nos oferece ou pelo que podemos oferecer aos outros?

 

Egoísmo ou altruísmo?

 

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publicado às 23:46


10 comentários

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De Nuno a 22.04.2009 às 11:01

Antero, não fazes a mínima ideia como te compreendo.
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De catia a 22.04.2009 às 16:23

Revejo-me na maior parte das coisas, principalmente, na parte de não querer sair de baixo de tudo aquilo com aprendemos a conviver desde que nos conhecemos a nós próprios porque é aí que mora a nossa segurança e confiança pessoais. Mas ao contrário de ti e pela força das circunstâncias tive que me aventurar (se é que poderei chamar de aventurar, teve que ser mesmo) a largar as saias da mãe e as calças do pai e a ir morar para Aveiro sozinha aos 17 anos. Mas assim fui para um sitio onde já conhecesse alguém, a Faty. Lá está, também ando sempre atrás do comodismo. E quem é que não anda? Todos nós temos que ter o nosso porto seguro.

Curiosa fiquei eu em saber a que se deveu este post tão introspectivo. Foi bonito, escreve mais coisas assim para animar os meus dias de estágio que dão-me tão pocuo para pensar :)
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De Antero a 22.04.2009 às 18:13

Não se deveu a nenhum motivo em especial. O Alex acha que eu me apaixonei =P Mas eu também sei ser profundo quando quero e meter os meus leitores a reflectir de vez em quando. Isto não pode ser sempre galhofa, séries, filmes e futebol (bem que eu queria!)
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De catia a 22.04.2009 às 18:28

Pois, isso de teres uma paixoneta também me parece bastante provável... vá, próximo post já sabes, confessa-te aos teus leitores e diz o quem mora nesse coração, mais precisamente na rua do Amor :D (poético não é? LOL)
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De Antero a 22.04.2009 às 18:36

Eu nem sequer percebi essa da paixoneta. Quer dizer: qual post mais profundo implica sentimentos por outra pessoa? se eu ainda escrevesse coisas como "ah! nunca pensei estar assim", "amar é maravilhoso!", "sou tãaaaao feliz" e quejandos ainda era naquela.

Olha, num post supostamente sério já estou a descambar. Sua maldita! =P
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De catia a 22.04.2009 às 18:38

Tás a ver, tás a ver... anda aí passarinho verde!
Admite-o!
Aposto que até foi no ginásio!

(vá, agora sou só eu a querer ser cusca! Mas quando houver passarinho verde, faxabor de divulgar ao mundo inteiro e arredores óbiu?)
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De Violeta a 22.04.2009 às 19:27

É mesmo puro comodismo. Mas o comodismo é algo tão puramente humano... Tão mais fácil, tão mais "à mão"...

bom texto :)
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De Gui a 22.04.2009 às 20:03

percebo-te perfeitamente. estudei em aveiro (básico, secundário e universidade) e cá fiquei a trabalhar também (se bem que não a 5 minutos de casa, mais a 30 lol). ainda assim preciso de uma forte quebra de rotina de tempos a tempos. sinceramente acho que o ser humano é egoísta e por isso acho que persegue a estabilidade pelo que ela nos oferece. Contudo, acho que o comodismo é muito humano e perfeitamente natural, tudo é mais fácil e simples quando as coisas "estão à mão".
gostei muito de ler o teu post
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De rosa a 23.04.2009 às 00:09

Somos e sempre seremos comodistas de um modo ou de outro.
Mas sabe sempre bem dar um pulo do outro lado ou não?

Nice post ;)
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De Sérgio a 23.04.2009 às 00:09

Possa... onde está o gajo que eu saio tantas vezes... o que escreve não é o mesmo que fala´, só pode... Com as letras até pareces inteligente! :)

Abraço

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Alvará

Antero Eduardo Monteiro. 30 anos. Residente em Espinho, Aveiro, Portugal, Europa, Terra, Sistema Solar, Via Láctea. De momento está desempregado, mas já trabalhou como Técnico de Multimédia (seja lá o que isso for...) fazendo uso do grau de licenciado em Novas Tecnologias da Comunicação pela Universidade de Aveiro. Gosta de cinema, séries, comics, dormir, de chatear os outros e de ser pouco chateado. O presente estaminé serve para falar de tudo e de mais alguma coisa. Insultos positivos são bem-vindos. E, desde já, obrigado pela visita e volte sempre!

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