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Festival de riso

por Antero, em 19.09.08

 

Tal como na excelente série Entourage, Tempestade Tropical é uma sátira ao universo de Hollywood, infestado de indivíduos egocêntricos e no qual os lucros ordenam. Enquanto que na televisão, a finalidade é tornar a acção mais realista, mas não menos cómica, no filme é o absurdo que toma conta da tela, o que não o menospreza de maneira nenhuma. No fundo, Tempestade Tropical é como uma metralhadora desgovernada a disparar para todos os lados, não deixando ninguém incólume. Lidando com estereótipos conhecidos de Hollywood, o filme é uma grata surpresa no panorama desolador da comédia cinematográfica actual.

 

Escrito a seis mãos por Ben Stiller (que também assina a realização), Justin Theroux e Etan Coen, o filme começa com dois anúncios publicitários e três trailers falsos, cuja finalidade é apresentar as personagens principais: a estrela de acção Tugg Speedman, um sub Vin Diesel; o comediante Jeff Portnoy, cujo filme mais conhecido é uma clara sátira às comédias de Eddie Murphy; e Kirk Lazarus, vencedor de cinco Óscars da Academia. Os três encontram-se a filmar um blockbuster de guerra baseado no livro Tempestade Tropical e, em poucos dias de filmagens, já o orçamento estourou e o realizador Damien Cockburn (Steve Coogan, engraçado como sempre) anda às voltas com as manias dos protagonistas que lhe dificultam a vida. Quando o principal produtor ameaça fechar a torneira, Cockburn decide transferir a acção para uma selva imensa e deixar indicações aos actores com o objectivo de filmar o melhor e mais realista filme de guerra de sempre, sem no entanto lhes informar que estão numa verdadeira zona de guerra algures no Vietname.

 

Ao contrário de lixos tóxicos como Epic Movie e Meet The Spartans, Tempestade Tropical não se limita a reproduzir cenas de filmes conhecidos, na esperança que o espectador ache piada àqueles exageros todos (aliás, acredito que as referências a Benson e a The Jeffersons passe ao lado de muita gente). Aqui, no meio da história que quer contar, há tiradas hilariantes ao mundo das vedetas de Hollywood e não fica pedra sobre pedra: filmes de guerra (Platoon e Apocalypse Now são referências óbvias); produtores sedentos de dinheiro (numa participação curiosa de Tom Cruise); campanhas humanitárias e ambientais em que as estrelas se envolvem; filhos adoptivos para auto-promoção; agentes preocupados com clausulas de contrato mesquinhas; actores de ego inchado (“Eu não leio guiões, os guiões lêem-me a mim.”), rappers, prémios da Academia e muito mais.

 

No meio disto tudo, Robert Downey Jr. consegue a proeza de, pela segunda vez no mesmo ano, ser a melhor coisa que dois bons filmes têm para oferecer. O seu Kirk Lazarus, actor adepto do Método e que se sujeita a uma cirurgia para ficar com aspecto afro-americano, é genial. Não deixando de representar um negro nem mesmo quando não está em cena, ele pensa saber tudo sobre os meandros de Hollywood e do culto das vedetas. É dele um dos melhores diálogos dos filme quando ele discute a diferença entre representar um deficiente mental, mas não um atrasado de todo e que apenas os primeiros são premiados. Outro ponto positivo é o filme saber o espaço que cada personagem do seu elenco absurdamente estrelado deve ter, o que não deixa de ser uma bela ironia tendo em conta o teor do filme.

 

Conseguindo captar mesmo quem não esteja muito por dentro do star-system de Hollywood, Tempestade Tropical é uma comédia irreverente que não deixa cair o pique nem por um momento, graças ao seu argumento repleto de surpresas e acidez. Entre as comédias em cartaz, prefiram este filme a abortos como Zohan. A Humanidade agradece.

 

Qualidade da banha: 16/20

 

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publicado às 16:25



Banha de Cobra

Alvará

Antero Eduardo Monteiro. 30 anos. Residente em Espinho, Aveiro, Portugal, Europa, Terra, Sistema Solar, Via Láctea. De momento está desempregado, mas já trabalhou como Técnico de Multimédia (seja lá o que isso for...) fazendo uso do grau de licenciado em Novas Tecnologias da Comunicação pela Universidade de Aveiro. Gosta de cinema, séries, comics, dormir, de chatear os outros e de ser pouco chateado. O presente estaminé serve para falar de tudo e de mais alguma coisa. Insultos positivos são bem-vindos. E, desde já, obrigado pela visita e volte sempre!

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