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Lost: 10 anos

por Antero, em 22.09.14

 

Há dez anos um avião desaparecia no Pacífico Sul e dava início ao maior fenómeno televisivo deste jovem século. Misto de drama profundo com aventura, história de sobrevivência, ficção científica, filosofia e muitos (muitos!) mistérios, Lost capturou a imaginação do público com a história dos sobreviventes do fatídico Oceanic 815 e daqueles que se cruzaram nos seus caminhos. Durou 6 excelentes temporadas (sim todas, sem exceção!) e marcou um virar de página na forma como se produz e se vende em Televisão.

 

Surgida numa fase de grande experimentalismo e de proliferação de diferentes propostas e abordagens na Televisão norte-americana (em que as emissoras abertas começaram a ter de correr atrás dos canais do cabo), Lost ousou em desafiar aquilo que era regra nas narrativas serializadas: assistir ao piloto após tantos anos e com outros olhos é ver cada uma dessas leis atiradas janelas fora. Não há exposição para situar eventos e personalidades: sabemos exatamente aquilo que as personagens sabem, como se nós próprios também tivéssemos caído naquela Ilha - e, com isso, a tensão aumenta ao estabelecer-se desde logo uma atmosfera de urgência e perigo. A maneira como os flashbacks são introduzidos e incorporados organicamente na narrativa é genial: da Ilha saltamos para os últimos minutos do voo e experimentamos o pânico e a confusão da queda do avião. Mais à frente, descobrimos que Charlie é um viciado em heroína e que Kate encontrava-se algemada. Como chegaram àquele ponto? O que fez Kate para ser procurada pelas autoridades? É inocente? Cometeu um crime? Qual? Como? Porquê? E por aí fora à medida que a teia de enigmas se vai adensando e em que uma resposta longamente ansiada pode despoletar outra mão cheia de questões.

 

Nem só de flashbacks vivia Lost. Entre o núcleo de sobreviventes da cauda do avião, os flashforwards, as viagens no tempo, realidades paralelas, mais o misticismo, esoterismo, pseudo-ciência, teologia, etc., a série encontrava sempre novas e interessantes formas de contar a sua história, mantendo o espectador às escuras em relação ao que iria acontecer e como iria acontecer. Nada disto, porém, serviria de muito caso os dramas daspersonagens não fossem envolventes e esse era o ponto onde a produção mais se esmerava: se Lost se tornou tão memorável deve-se em grande parte à sua fascinante e multifacetada galeria de personagens que tivemos a oportunidade maravilhosa de os ver crescer diante dos nossos olhos. E os mistérios? O Monstro. O urso polar. A francesa louca. Os Outros. A Iniciativa DHARMA. O eletromagnetismo. 4 8 15 16 23 42. A Ilha desaparecer. Os saltos temporais. Jacob. Aquele desfecho.

 

No entanto, isto é somente a ponta do icebergue na experiência que foi acompanhar Lost ao longo dos anos e o seu sucesso deve-se a um timing perfeito com a popularização dos downloads de séries aquando a sua exibição original. A ABC, atenta ao hype que se foi gerando, nunca interferiu nesta questão e procurava formas de manter o interesse sem alienar a audiência mundial. Daí que a janela de exibição entre os EUA e o resto do Mundo tenha diminuído cada vez mais. Cabia na cabeça de alguém que, há meros dez ou cinco anos, pudessemos ver o final de uma série em simultâneo com os norte-americanos ou assistir ao mais recente episódio de Game of Thrones um dia após a exibição original? O paradigma mudou com os downloads e com Lost no topo das preferências da "pirataria online".

 

Revisitar Lost é também reavaliar-me. É ler textos antigos aqui do estaminé e ver outra pessoa, outra escrita (por vezes, terrível e de corar) e outra energia. De alguém que descobrira que a Televisão podia ser mais do que os CSIs da vida e pílulas de boa disposição em formato de 30 minutos. De uma excitação digna de uma criança na véspera de Natal - todas as semanas. De ler artigos por essa Internet fora (e quantos blogues e sites não surgiram graças à série?) e formular mil e uma teorias. De desesperar meses a fio entre temporadas.

Há muitas e boas séries ainda no ar, mas Lost era única. O prazer de ver a série começava quando o episódio acabava. Breaking Bad ensaiou algo parecido na reta final quando o Mundo abriu os olhos para o seu valor, mas foi algo ainda longe do fenómeno de culto que foi a primeira. Nenhuma série me desperta o mesmo grau de fascínio e viciação. Game of Thrones parei no final da terceira temporada e nunca mais retomei, The Walking Dead estanquei na primeira, desisti de Homeland, House of Cards vi dois episódios e "nhé",vi uns três capítulos de Hannibal e não me cativou. Podia pegar em True Detective, Sons of Anarchy, Fargo ou Masters of Sex, mas a verdade é que nunca vi essas séries nem as mesmas me puxam muito. Ainda tive Fringe (gostei muito, mas...), House (errrr...) e Dexter (cruzes, credo!). Claro que ainda tenho Sherlock (quando temos direito) e a cada vez mais incrível The Good Wife (que eu amo), mas Lost era... Lost!

O certo é que, gostando do final ou não, dos caminhos fantasiosos pelos quais se meteu e um ou outro engonhar da história, Lost merece ser recordada e celebrada como um dos mais originais, criativos, bizarros e admiráveis esforços que a Televisão já ofereceu. Que muitas outras tentem até hoje replicar o seu efeito é só mais um atestado de toda a sua qualidade.

 

Tenho saudades daquela maldita Ilha.

 

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publicado às 23:52

A estreia de Jardins Proibidos

por Antero, em 11.09.14

 

Ontem vi a estreia da sequela de Jardins Proibidos (o que não vale ter uma box para voltar atrás na emissão). A primeira versão foi a última novela que acompanhei de fio a pavio (tinha uns 14/15 anos), mas depois valores mais altos da juventude se levantaram. Alguns apontamentos, a maioria já partilhada no Twitter:

 

  • É bom saber que o meu apuro audiovisual evoluiu em 14 anos. Ao contrário das novelas da TVI.
  • São José Correia deve estar contratualmente obrigada a aparecer sempre com altos decotes. No mínimo.
  • A miúda que faz de filha do Granger e da Kolodzig é terrível. Torci para que a pirralha fosse mesmo atropelada.
  • Paciente ameaça cortar financiamento antes da cirurgia e, no meio da tensão, enfermeiro auxiliar sugere rezar uma Avé Maria.
  • A cena da praxe pode ser considerada exploitation?
  • Fiquei sem perceber se a personagem de Daniela Ruah morreu ou se foi embora. Para tipo, sei lá, Los Angeles?
  • Dois médicos que se envolveram no passado e trabalham no mesmo hospital ficam espantados por se reencontrarem. WTF?
  • Este reencontro dispara um flashback: uma cascata no meio dos Açores onde o casal dá largas à sua paixão. Ela aparece de costas toda nua (e aposto que usaram uma dupla); ele, claro, aparece todo nu dos ombros para cima.
  • Kolodzig engravida enquanto Granger está para o estrangeiro por 5 meses. Ficou incontactável? Como ninguém o avisou? Eu pensava que esta novela era moderna!
  • Grandes moradias, com governantas e uma cave do tamanho de 3 apartamentos. A namorada do primogénito é vista como "ralé".
  • O espanholito que só diz umas três frases em castelhano tem um meet cute com a gaja de Penacova. Claro que ele é amigalhaço do namorado dela e restante malta. Só ela não sabia. Que original!
  • A trama é insípida, os actores fraquinhos, os diálogos pavorosos e a realização básica. Veredicto: a novela merecia um live tweet.

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publicado às 13:41


Banha de Cobra

Alvará

Antero Eduardo Monteiro. 30 anos. Residente em Espinho, Aveiro, Portugal, Europa, Terra, Sistema Solar, Via Láctea. De momento está desempregado, mas já trabalhou como Técnico de Multimédia (seja lá o que isso for...) fazendo uso do grau de licenciado em Novas Tecnologias da Comunicação pela Universidade de Aveiro. Gosta de cinema, séries, comics, dormir, de chatear os outros e de ser pouco chateado. O presente estaminé serve para falar de tudo e de mais alguma coisa. Insultos positivos são bem-vindos. E, desde já, obrigado pela visita e volte sempre!

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