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A temporada em série (2009-2010)

por Antero, em 31.05.10

ALERTA DE SPOILER! Este post contém informações relevantes, pelo que é aconselhável que só leiam caso estejam a par da exibição norte-americana.

 

Desperate Housewives: 6ª temporada

Depois de um quinto ano bem abaixo do nível habitual, a série puxa dos galões e oferece aquilo que tem de melhor: humor consistente e bons arcos dramáticos para as suas personagens. Lynette teve de esconder a gravidez, lidar com uma potencial nora prestes a dar o golpe do baú e receber o serial-killer em casa; Susan penou um bocado, mas os problemas financeiros criados por Mike foram uma boa jogada por parte dos argumentistas; Gaby espalhou a sua futilidade (e o timing cómico de Eva Longoria) por toda a temporada em situações divertidas; Bree andou às voltas com o amante (e que química que eles tinham!), receber Orson paraplégico e tentar redimir-se com um filho bastardo de Rex. Aliás, a história da Bree que encerrou o ano foi um grande acerto da série. Sempre estranhei a sua postura entre a punição imposta a Orson e que ela preveniu com o filho por ter atropelado a mão de Carlos e foi óptimo ver isso desenterrado para injectar mais emotividade a uma personagem que bem precisava de uma lufada de ar fresco. O mistério também foi melhor trabalhado: a história dos Bolen foi melhor que a do marido de Eddie (que teve uma resolução fraca) e os primeiros episódios da temporada foram excelentes a platar todas as sementes, ainda que depois derrapassem para a mediania. Um das coisas que não gostei foi não terem aprofundado mais a relação entre a Julie e o Nick e como Susan lidaria com isso. De qualquer forma, é refrescante ver como Desperate Housewives ainda consegue dar a volta por cima.

 

FlashForward

A série teve um ascendente positivo depois dohiato, mas já não havia muito a fazer uma vez que o estrago estava feito. Uma das coisas que mais me irritam é como uma história que fala de personagens que tentam evitar o Destino ou chegar a ele não consegue criar o mínimo vínculo emocional no espectador. As personagens são mal trabalhadas, os actores não ajudam muito e certos arcos são puro enrolamento (eu quero lá saber do enfermeiro com cancro e da japonesa!). Mas mais deprimente é perceber que a série tinha alguns coelhos na cartola: o conceito do apagão - a consciência é transportada para um determinado ponto do futuro - é bem pensado e serviria para manter o interesse. Só que as personagens - sempre elas - são aborrecidas, há diálogos pavorosos, situações que não lembram a ninguém (aquela da agente dupla recém-descoberta desatar aos tiros num edifício ultra-protegido foi hilariante) e o envolvimento com a história fica comprometido. O final foi claramente pensado para uma segunda temporada e nada me deixou mais horrorizado que ver um novo apagão e uma projecção de 5 anos no futuro. Pensar que teria que acompanhar esta gente por mais 5 anos deixou-me agoniado logo pela manhã.

 

Heroes: quarta temporada

Vou tentar ser simpático. A quarta temporada foi melhor que a segunda e a terceira. Ponto a favor. A história principal - a família de Samuel no circo - foi mais consistente e mais interessante que o vírus ou tentar aprisionar os seres com poderes. Outro ponto a favor. Hiro, Parkman, Claire e Peter continuaram insuportáveis, Sylar continuou com os seus dilemas "sou um herói, sou um vilão" e a história avançava aos repelões. Se isto não é favor, também não é contra porque era mais do que esperado. Até que, no final, os argumentistas decidem carregar no botão de auto-destruição e entregam uma resolução que eu achei insultuosa. "Fodam-se todos!" parecia a palavra de ordem. Ver Nikki criar uma espécie de fossa para salvar Noah foi risível, Peter ganha poderes consoante as exigências do argumento, Hiro a tentar recuperar a namorada agora envelhecida meteu dó, poderes que entram em contradição com o estabelecido anteriormente (o gordo pode fazer a muda tocar violencelo o quanto quiser que não controla o poder dela de chamar pessoas - mas a própria série se esquece disso), o combate final foi ridículo e o gancho para a temporada seguinte foi vergonhoso. Então o Mundo já não sabe da existência dos heróis? Eles não foram caçados no quarto volume? Cancelamento tardio mais do que merecido.

 

House: sexta temporada

Os bons episódios passaram a ser a excepção quando antes eram a regra. Capítulos como o tratamento de House, do ditador, do dia-a-dia de Cuddy, o dedicado a Wilson e o final - House entrega sempre excelentes finais - são casos isolados numa série que acusa desgaste da fórmula. A série encontra-se refém da estrutura do paciente da semana e, regra geral, os episódios que fogem a este conceito acabam por se destacar. Podem argumentar que já antes era assim, mas não se notava tanto: a dinâmica entre o grupo era primorosa e o desenvolvimento do protagonista camuflavam estas falhas. Seis temporadas depois, House passou a ser uma série em que basta ver o início e o fim da temporada (talvez uns pelo meio) que de resto não se perde nada.

 

How I Met Your Mother: quinta temporada

Outra que tem acusado um desgaste tremendo. A busca pela Mãe está cada vez mais cansativa e deixada para segundo plano. A história passou a ser não tanto pelo encontro com a tal, mas sim ver o crescimento de Ted como merecedor de encontrar a sua alma gémea. Só que Ted é, das cinco que compõem o grupo, a personagem mais desinteressante e acompanhar as mudanças na sua vida e os seus discursos sonhadores é um tédio. Vá lá que ainda há episódios que resgatam o prazer original como o 100º (onde temos várias referências à Mãe), o aniversário da Lilly (onde, subtilmente, fica implícito que ela estará grávida daqui a um ano) ou todo o arco do namoro entre Robin e Barney que foi explorado ao máximo e acabado antes de começar a esgotar - o que achei uma solução eficaz. Por outro lado, há episódios onde a dinâmica do grupo e as situações parecem forçadas e as piadas não saem com a mesma naturalidade, apesar do carisma dos actores e da continuidade da série seja de louvar.

 

Grey's Anatomy: 6x23 - Sanctuary / 6x24 - Death and All His Friends

Não acompanho, vejo alguns episódios aqui e ali, vou acompanhando o que se passa com as personagens (nomeadamente pelos problemas nos bastidores), mas o final foi tão elogiado que eu tive de confirmar. Mesmo sem saber grande coisa do que aconteceu neste sexto ano, o final de Grey's Anatomy é tenso, bem filmado, bem interpretado e capaz de cativar mesmo quem nunca tenha visto um episódio sequer. Os grandes capítulos são assim: colam o espectador do início ao fim com uma trama oleada e que sem deixar espaço de manobra. Vénias para cenas como o colapso de Miranda Bailey, a operação de Derek ou o aborto de Meredith, tudo brilhantemente orquestrado por Shonda Rhimes. Fosse eu fã da série, teria ficado tão ou mais perturbado como no final de LOST.

 

Boas indicações: Community; Modern Family

Más indicações: FlashForward; Heroes; Castle; Smallville; Gossip Girl; The Vampire Diaries

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publicado às 02:41

LOST: enfim... o fim!

por Antero, em 24.05.10

ALERTA DE SPOILER! Este post contém informações relevantes, pelo que é aconselhável que só leiam caso estejam a par da exibição norte-americana.

 

 

LOST 6x17 e 6x18: The End

Um final poético, poderoso e, acima de tudo, corajoso. Vai desagradar imensa gente, principalmente aqueles que estão à espera de respostas. Eu fiquei plenamente satisfeito. Não houve respostas, mas houve emoções a rodo. Chorei litros. Foi perfeito.

 

A esta altura nunca pensei que a série pudesse voltar a surpreender. Pensava eu que o último episódio seria dedicado ao desenrolar da guerra entre o recém-nomeado guardião da lha, Jack, e o Falso Locke ao mesmo tempo que acompanharíamos uma espécie de fusão entre ambas as realidades. A primeira parte foi cumprida: Jack e Locke decidem tirar a prova dos nove e comprovar qual dos dois teria razão e auxiliam Desmond na caverna da luz - onde o conceito darolhafoi levado à letra. Desmond pensaria que estaria, de certa forma, a activar a realidade paralela, mas o máximo que conseguiu foi despoletar um evento que levaria ao afundamento da Ilha. No entanto, esgotada a fonte, esgota-se também a imortalidade do Homem de Negro e este fica à mercê de Jack. Enquanto isso, Lapidus é encotrado vivo e providenciará a fuga tanto almejada por Sawyer, Miles, Kate, Claire e Richard, ao passo que Hurley fica para trás e sucede a Jack como líder e com Ben como seu braço direito.

 

Por outro lado, na realidade paralela, a emoção só aumentava a cada personagem que "despertava" e vários foram os momentos simbólicos a remeter a eventos passados: o parto de Aaron, a ecografia de Sun, a recuperação de Locke. Mas as lágrimas começaram a ficar mais pesadas nos últimos dez minutos com a epifania de Jack, ainda por cima com a incrível banda sonora de Michael Giacchino que é de uma consistência e emotividade memoráveis. Longe do misticismo ou da ciência, o final de LOST recorreu à religião no seu sentido mais lato (basta ver que na Igreja onde todos se encontram há vários símbolos de diferentes religiões, numa mensagem que se quer universal). Eu pensei que a realidade paralela poderia significar que o Homem de Negro havia vencido ou que a mesma era um prémio de Jacob pelos sacrifícios feitos, mas nada me preparou para o turbilhão de emoções que foi o desvendar da verdadeira natureza da mesma.

 

Impossível de ser racionalmente explicada, a realidade paralela acaba por ser uma segunda vivência (reencarnação?) daquelas personagens que se permitem reencontrar após terem partilhado uma parcela decisiva das suas existências. Purgatório? Talvez sim, até porque algumas personagens não "estão preparadas" (Ana Lucia) e outras decidem ficar para trás (Ben) como se ainda tivessem muito que fazer para redimir os seus pecados. Eu, que não sou nada dado a estas coisas, achei uma solução fascinante e que encerra a trajectória das personagens de forma elegante e poética, com a morte de Jack no local onde tudo começou, mas agora com o sentido de dever cumprido.

 

 

 

 

Obviamente que quem procurava que tudo se resolvesse agora deve andar bem frustrado. No fundo, o essencial foi respondido ou ficou nas entrelinhas. Apenas não ficamos a saber exactamente como as coisas são (a luz ou o Monstro, por exemplo), mas sabemos o seu propósito e seria impossível explicar plausivelmente vários mistérios da Ilha, mas a sua natureza ficou esclarecida. Claro que houve situações mal desenvolvidas - o facto de Walt ser especial - ou respostas muito menos elaboradas que as teorias que pipocavam na Internet. No entanto, os produtores de LOST sempre afirmaram que esta era uma série de personagem, sobre humanidade e o sentido da vida. Os mistérios maquilhavam os questionamentos que a série levantava, a evolução das suas personagens e o conflito que germinava entre elas. Para mim, é mais instigante perceber como Sawyer passou de pessoa conflituosa e vingativa para um sujeito afável, ou acompanhar a jornada emocional de Jack até chegar a crente ou assistir à contradição do caminho de Locke, cuja fé na Ilha o levou à morte, do que saber porque os Números aparecem em todo o lado (uma pergunta parva quanto a mim) ou saber mais sobre as tatuagens de Jack.

 

Assim, o final de LOST deixa um monte de perguntas em aberto e que podem perfeitamente ser descortinadas pelo espectador mas, melhor do que isso, oferece um final emotivo que faz justiça a toda a série ao confiar na inteligência do espectador e preferindo arriscar do que jogar pelo seguro, cabendo ao espectador interpretar o final como bem quiser. Um brilhante final para uma série genial. Foi uma bela caminhada. Obrigado.

 

10 potes de banha


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publicado às 11:53

O fim de uma era

por Antero, em 23.05.10



Quando comecei a acompanhar LOST no início de 2006 depois da insistência de conhecidos, nunca imaginei que fosse ficar fisgado desta maneira. Na altura era uma alegria: via os episódios de rajada (a segunda temporada ia a meio quando vi o piloto), sabendo que teria sempre o capítulo seguinte logo ali no computador para saciar o meu crescente fascínio. Na terceira temporada, o vício falou mais alto e passei a seguir religiosamente com a exibição norte-americana. Eram dias de espera e desespero, noites a deitar-me tarde para ter o episódio pronto para passar ao meus colegas universitários logo pela manhã (muitos deles em Erasmus), horas passadas a ler blogues, a formular teorias, a fugir de spoilers (embora vacilasse por vezes). Já vi LOST como estudante, como estagiário, como trabalhador, como desempregado. Desbloquei conversas com a série e passei horas a discuti-la. Ri, chorei, emocionei-me, irritei-me, revoltei-me, assustei-me. Mas sempre como mesmo fascínio. Vi o passado, o presente e o futuro daquelas personagens, viajei no tempo com elas e até acompanhei uma vida paralela. Conheci-as a fundo, condenei comportamentos, emocionei-me com as suas catarses e epifanias, descobri com elas cada recanto da Ilha, temi pelas suas vidas, compreendi certas decisões, maravilhei-me com as descobertas, torci o nariz a certos acontecimentos, impacientei-me com o quebra-cabeças, mas no final saía sempre recompensado.

 

A partir de hoje, tudo isto acabará. Eu e a Televisão ficaremos orfãos de LOST, a série mais falada da década, amada por muitos, odiada por outros tantos, mas que não deixa ninguém indiferente. Não haverá mais episódios para analisar, repercutir, falar bem, falar mal, nada! Hoje acaba a maior jornada já desenvolvida na Televisão e que apaixonou e desiludiu milhões. É certo que haverá muito por explicar, muito será deixado à imaginação do espectador, alguns enigmas foram explicados subtilmente (algo que adoro na série; ela não subestima a inteligência do espectador) e o final não agradará a todos, um pouco o reflexo desta temporada que tem dividido opiniões - o que não deixa de ser um ponto a favor dos produtores por percorrerem caminhos inesperados e promoverem a discussão. Por isso, tranquem as portas, fechem as janelas, desliguem o telemóvel e tragam os lenços de papel. Esqueçam o Mundial de futebol; o acontecimento televisivo do ano ocorre hoje. LOST ACABA HOJE! HOJE! H-O-J-E! E acredito que acabará em beleza.

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publicado às 02:44

Professor contra discípulo

por Antero, em 22.05.10


Há uns meses atrás, ninguém diria que esta seria a final da actual edição da Liga dos Campeões. Manchester United, Chelsea ou Barcelona eram seguramente favoritos para a disputa pelo título. Todas elas foram arrumadas. Longe de se perspectivar um grande jogo de futebol, temos o duelo entre duas fortíssimas equipas, cada uma ao seu modo: ambas fizeram a dobradinha na temporada que agora encerra, são lideradas por treinadores carismáticos (embora Mourinho seja muito mais peculiar que Van Gaal) e com créditos mais do que firmados, e ambas perseguem a glória europeia que esmoreceu nos últimos anos. Mais logo volto aqui para fazer uma pequena apreciação do jogo.

[Actualização 21h33]
Primeira parte típica: Bayern a tentar marcar, mas sem criar oportunidades claras, e Inter a defender como sempre. Depois vão lá à frente e pumba! Segunda parte mais intensa, com mais oportunidades para ambas as equipas, mas claro desnível para o bávaros. E depois o Inter vai lá à frente e pumba! O Inter acaba por marcar em alturas que o Bayern estava por cima, mas isto já se tornou tão rotineiro com Mourinho que acaba por nem ser grande surpresa. Ao menos que o homem aproveite para festejar em grande, algo que a sua cara de frete impediu da última vez. Pode ter começado aqui uma bela estadia por Madrid.

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publicado às 02:44

Filmes Expresso #3

por Antero, em 21.05.10

Austrália

Australia (2008)

Faustoso, plástico, evocativo e - surpreendentemente - monótono, Austrália é um épico que pretende homenagear o cinema clássico de Hollywood, mas que se espalha ao comprido pelo seu argumento que nunca acerta no tom, pela realização errática de Baz Luhrmann e pela actuação caricatural de Nicole Kidman.

Qualidade da banha: 6/20

 

Como Treinares o Teu Dragão

How to Train Your Dragon (2010)

Espetacularmente animado (as cenas de voo são de tirar o fôlego), com uma história mais profunda do que se imagina a pricípio (aceitação na sociedade, o facto de ser diferente no seio familiar) mas sem ser piegas, este é o melhor filme da Dreamworks desde o primeiro Shrek.

Qualidade da banha: 16/20

 

Deliver Us from Evil

Deliver Us from Evil (2006)

Documentário chocante sobre a pedofilia na Igreja Católica, nomeadamente os recentes casos nos EUA, que mostra como uma instituição milenar prefere encobrir as suas ovelhas negras do que ajudar os seus seguidores. Construído como uma narrativa simples que, aos poucos, atinge o seu climax,numa cena comovente em que a revolta toma conta dos envolvidos , o documentário não deixa pedra sobre pedra quanto ao envolvimento do actual Papa no escândalo e à própria metodologia arcaica da Igreja na formação dos seus líderes.

Qualidade da banha: 19/20

 

Dia dos Namorados

Valentine's Day (2010)

Copiando a fórmula que fez o sucesso do (muito) superior O Amor Acontece, esta comédia romântica é um disparate do início ao fim, tonta, cansativa e lamechas, onde a única narrativa que se salva - entre as mais de dez que pontuam o filme! - é a protagonizada por Julia Roberts e Bradley Cooper.

Qualidade da banha: 4/20

 

Fora de Controlo

Edge of Darkness (2010)

Mel Gibson de volta ao que faz de melhor: o homem comum atormentado, duro, que não teme perante nada. E mesmo com a idade avançada, ele carrega um filme genérico às costas, onde a trama acaba por ser mais complexa que o ideal e a resolução não faz jus à personagem de Gibson.

Qualidade da banha: 12/20

 

Millennium 1 - Os Homens que Odeiam as Mulheres

Män som hatar kvinnor (2009)

Primeira parte da trilogia Millennium escrita pelo falecido Stieg Larsson, o filme conta com personagens instigantes, uma narrativa envolvente e sequências chocantes, pecando apenas no terrível meia-hora final que estca a película ao máximo sem saber como a há-de encerrar.

Qualidade da banha: 13/20

 

O Livro de Eli

The Book of Eli (2009)

Filme de acção série B com mensagem social que pode agradar ou não o espectador consoante as suas crenças, O Livro de Eli é uma competente homenagem ao western, embora seja tremendamente falho como estudo social, bem como o que origina e/ou destrói a mesma.

Qualidade da banha: 11/20

 

Um Cidadão Exemplar

Law Abiding Citizen (2009)

O filme começa bem, mas desliza para o implausível à medida que os eventos se vão tornando cada vez mais exagerados, culminando num final ridículo que na tentativa de amarrar todas as pontas manda a tão útil suspensão de descrença às urtigas.

Qualidade da banha: 6/20

 

Um Homem Singular

A Single Man (2009)

Crónica do período de luto que toma conta do ser humano quando perde alguém querido, a primeira obra do estilista Tom Ford conta com uma belíssima cinematografia e uma prestação contida e ao mesmo tempo visceral de Colin Firth que eleva o filme a outro patamar.

Qualidade da banha: 17/20

 

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publicado às 13:38

LOST: dedos cruzados

por Antero, em 19.05.10

ALERTA DE SPOILER! Este post contém informações relevantes, pelo que é aconselhável que só leiam caso estejam a par da exibição norte-americana.

 

 

LOST 6x16: What They Died For

Depois de ver o frustranteAcross the Seana semana passada, fui rever umas cenas, li umas coisas e cheguei à seguinte conclusão: encarem a luz da vida apresentada como quiserem. Para aqueles que desejam recorrer ao metafísico e à fantasia, levem aquilo à letra. Por outro lado, se são como eu e com uma tendência para explicações mais "científicas", vejam a luz como o centro do enorme campo de electromagnetismo que rodeia a Ilha. É como se a série nos pedisse para entrar no jogo "Fé x Ciência" que ela tão bem promove desde o seu início. Não admira que Widmore deposite todas as esperanças em Desmond e nas suas "habilidades" adquiridas com o facto de ter accionado a chave de segurança da escotilha e de ter estado no núcleo de uma intensa descarga electromagnética (rever final da segunda temporada, por favor). Widmore que não esperou pela vingança e foi morto a sangue frio por um Ben de volta aos (bons) tempos de calculista, embora esta tomada de posição surja mais como uma forma de auto-preservação do que realmente estar aliado com os objectivos do Homem de Negro.

 

Contudo, o grande destaque do episódio foi a passagem de testemunho do posto de Jacob para Jack, algo que, mediante toda a jornada emocional do Doutor, ocorre naturalmente (o vinho que a Mãe ofereceu a Jacob não interessa realmente; o importante é o gesto e a intenção com que o mesmo é feito). Numa rima temática fabulosa, Jack e Locke (embora não seja a mesma personagem) encontram-se em lados opostos - como sempre estiveram, aliás - só que agora é o perturbado Jack que descobre o sentido da sua vida e se apropria de um posto que, durante praticamente toda a série, pensávamos que estaria destinado ao careca. Não deixa de ser irónico que Locke tenha sido o catalisador da libertação de Jack e este se encontre, agora, na posição que ele tanto almejava, o que confere um carácter ainda mais trágico a John Locke. Além disso, soubemos a justificação para Kate deixar de ser uma candidata, o que achei apropriado se pensarmos em todos os ressentimentos que Jacob tinha com a sua Mãe e não querer o mesmo para Kate ou Aaron (obviamente que Kate deixou de ser uma candidata depois de eles terem ido para 1977, uma vez que eu acredito que Sun não viajou no tempo por não estar habilitada para o cargo).

 

Na outra realidade, acompanhamos os esforços de Desmond em reunir toda a gente no tal concerto e ainda matámos saudades de personagens marcantes como Rousseau e Ana Lucia. Ao mesmo tempo, Locke aceita ser curado por Jack por começar a desconfiar que é muita coincidência os seus caminhos terem-se cruzado desde o voo 815. Foi um episódio de preparação para o grande final no próximo Domingo (madrugada de Segunda em Portugal) e que terá a duração de 100 minutos (quase um telefilme). Depois... acabou!

 

9 potes de banha


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publicado às 19:47

Longe do mito

por Antero, em 15.05.10

 

Perdido algures num passado remoto e com uns fogachos aqui e ali (Thelma e Louise, Hannibal e Amigos do Alheio), o talento do realizador Ridley Scott tem servido uma carreira instável, para dizer o mínimo. O homem por trás de obras seminais como Alien – O Oitavo Passageiro e Blade Runner – Perigo Iminente atingiu o pico da montanha cedo na vida, há longos 28 anos, e, de lá para cá, entregou-se a obras menores numa filmografia que abrange diversos géneros. Em Robin Hood, percebe-se a intenção de repetir o efeito do premiado Gladiador (que acho bonzinho, mas só), não por acaso o filme que o trouxe de volta para a ribalta e deu o Oscar a Russel Crowe. Porém, de boas intenções está o inferno cheio e a obra recém estreada é mais um esforço meritório, mas inconsequente, numa carreira recheada deles. Em suma: um filme digno do seu realizador.

 

Desenvolvido como uma espécie de prequela das histórias conhecidas de Robin dos Bosques, Robin Hood pretende dar a conhecer o início da lenda. Assim, temos Robin Longstride, um soldado do exército do Rei Ricardo Coração de Leão, que aproveita a morte deste e o fracasso das Cruzadas para regressar a casa com os parceiros João Pequeno, Will Scarlet e Alan A’Dayle. Para isso, eles passam-se pelo batalhão encarregue de entregar a coroa na Inglaterra, o que o levará a conhecer Lady Marion e a conhecer a realidade dos barões falidos que se revoltam contra o Rei João, irmão do falecido Rei Ricardo. Ao mesmo tempo, intrigas no seio da Corte e a bancarrota da Inglaterra permitem uma planejada invasão por parte dos franceses.

 

Ridley Scott não é nenhum novato nestas andanças: Gladiador e Reino dos Céus são tecnicamente impecáveis e transpiram épico pelos poros. Por isso, uma das grandes surpresas de Robin Hood é que ele nem se dedicar tanto a batalhas, mas sim a tentar fundamentar a narrativa (unindo todas as pontas que levarão à história já conhecida) e dar novas dimensões a velhas personagens. Desta forma, Robin surge como um guerreiro mais preocupado com o seu bem-estar do que propriamente com os problemas do reino, ao mesmo tempo que o Rei Ricardo abandona toda a nobreza que o caracteriza, estando quase sempre ébrio e tomando medidas pouco prudentes. Por outro lado, o Rei João mantém a faceta arrogante e mimada de sempre, embora revele o desejo de cair nas graças do povo (o que é diferente de ser um bom monarca) e conseguir tão boa fama como o seu irmão, ao passo que Lady Marion condiz mais com os tempos modernos e surja como mulher determinada e de forte personalidade (o orgulho das feministas actuais), isto até ao desastroso acto final – do qual falarei mais abaixo.

 

A colaborar na tarefa de revelar novas dimensões das personagens vem o elenco encabeçado por Russell Crowe que dá a Robin Hood todo o ar de um Maximus mais bem-humorado, enquanto Cate Blanchett dá credibilidade (dentro do possível) a uma personagem fora do seu tempo e Mark Strong interpreta, pela terceira vez em seis meses, um vilão – aliás, basta vê-lo em cena para perceber que a sua personagem não é confiável, uma vez que ele não inova nada de filme para filme, o que não deixa de ser uma pequena proeza. Em contrapartida, são os secundários quem mais brilham, como William Hurt no papel do valoroso e dedicado William Marshal e o veteraníssimo Max von Sydow numa participação curta e marcante.

 

Ainda que os valores de produção sejam competentes, eles acabam por não impressionar muito devido à realização burocrática de Ridley Scott que não consegue imprimir o mínimo de energia às cenas de acção. Outro tropeço é a estrutura narrativa que parece incluir elementos de forma inorgânica, apenas para avançar a narrativa artificialmente: o casal que discute mas ama-se profundamente, o trauma do passado que se revela determinante (numa cena imbecil em que uma lembrança aparece do nada, praticamente inventando a psicanálise como tratamento médico) ou o facto de o tempo ser convenientemente relativo – não por acaso, o exército francês está a caminho de Inglaterra pelo Canal da Mancha, mas ainda há tempo de alertar a Corte, reunir com os barões a Norte, seguir para a costa e surpreender os franceses. Nada como a pontualidade britânica.

 

O grande erro de Robin Hood, porém, é o seu terceiro acto, que praticamente consegue destruir o que de bom se vinha feito anteriormente (mesmo com todos os percalços). A batalha final mais parece o desembarque das tropas Aliadas na Normândia e, se isto já seria pouco adequado num filme de época, a sequência ainda se torna mais constrangedora pelo facto da mesma ser encenada de forma pouco majestosa (económica, diria eu), com uma Lady Marion armada em Joana D’Arc – o que pode ser muito louvável nos dias de hoje, mas não deixa de ser uma facada na credibilidade do filme – e com um Robin Hood a revelar-se um canivete suíço do exército, já que ele ajuda os arqueiros, a cavalaria e, como não podia deixar de ser, a donzela em perigo.

 

Contudo, o que mais decepciona no filme é a própria preguiça com que ele foi produzido. O argumento original pretendia dar a conhecer um lado mais simpático do Xerife de Nottingham que apenas tentava cumprir o seu dever contra um Robin dos Bosques retratado como um fora-da-lei menos idealista. Infelizmente esta ideia não foi avante e preferiu-se jogar pelo seguro, subestimando a inteligência do espectador. Poderia ter saído daqui um filme muito mais interessante que este inconsequente, mas passável, Robin ‘Maximus’ Hood.

 

Qualidade da banha: 11/20

 

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publicado às 03:42

LOST: manipulações

por Antero, em 12.05.10

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LOST 6x15: Across the Sea

"Cada pergunta que eu responder só levará a outras perguntas." - diz a mãe adoptiva de Jacob e do seu irmão, o Homem de Negro (do qual não sabemos o nome e isso não interessa para o caso). É a forma que os produtores de LOST nos avisarem: nem tudo será respondido, algumas explicações serão bem simplórias e muito ficará obscuro (o que não deixa de ter o seu charme). No entanto, o episódio que seria dedicado a Jacob acaba por se revelar frustrante não pelo que diz, mas sim pelo que omite. A esta altura do campeonato, seria impossível para a série responder tudo numa base mais científica/plausível quando muito do que temos visto remete à fantasia e ao esoterismo. Só que, basicamente, não tivemos grandes respostas, mas sim uma transição das mesmas: já não é Jacob que nos instigue, mas sim a sua mãe, de onde ela veio, como se tornou guardiã da Ilha, que raio é aquela luz (seria a forma de explicar os fenómenos electromagnéticos numa época menos tecnologicamente avançada?), quais os poderes dela e como ela os passou para Jacob. Tudo o resto soou muito superficial e, não por acaso, lembrei-me dos infames midi-chlorians (qualquer fã de Star Wars arrepia-se ao ouvir este termo).

 

Onde o episódio é bem sucedido é no estabelecimento de uma relação entre Jacob e o Homem de Negro de irmãos (gémeos) que nos permite entender as nuances da sua rivalidade actual, bem como deduzir que tudo isto não passa de um jogo cujas regras são ditadas pelo primeiro (um dos pontos pior explorados no episódio). A Mãe deles preparou-os para que um deles tomasse o seu lugar, embora não esconda a preferência pelo Homem de Negro que, mais calculista, rebelde, vivaz e criativo, poderia ser o substituto perfeito (não é por acaso que ela trata-o com nomes carinhosos e que, mesmo depois do abandono dele, ela esperou sempre pelo seu regresso como Jacob aponta). Na semana passada, escrevi aqui que o Falso Locke se havia estabelecido como o grande vilão do arco final da série, mas, de uma forma que só LOST consegue, o tapete é-me novamente tirado dos pés: aqui não há vilões nem heróis, tudo o que ele queria era sair da Ilha. Daí que investigue os diferentes núcleos de electromagnetismo da Ilha e promova um mecanismo que o liberte (a roda que Ben girou para "mover" a Ilha). Também não deixa de ser irónico que o Homem de Negro que confronta Jacob com a opinião que o Homem só serve para corromper e destruir esteja de acordo com a opinião vinculada pela própria Mãe que viria a assassinar.

 

No final, ficamos a saber quem são os esqueletos encontrados na gruta lá no início da série (episódio seis para ser mais preciso), embora isto não fosse realmente importante. Relevante seria perceber como e porque Jacob começou a vigiar os candidatos, porque decidiu criar esta espécie de jogo, porque o Monstro não o pode matar ou então se o seu irmão morreu mesmo ao entrar na fonte e libertou o Monstro ou se, de alguma forma, ele se transformou no Monstro por ter perdido a sua humanidade. Era bom que este episódio se revelasse determinante no futuro, mas isso dependerá do tratamento que for dado nas duas horas e meia que faltam para o final da série. E com tão pouco tempo e tanto para responder, acho que vamos mesmo ter de nos contentar com isto.

 

7 potes de banha


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publicado às 21:23

 

Aqui o estaminé celebrou dois anos na semana passada (eu nem me lembrei...), mas a verdadeira prenda chegou ontem: o Benfica sagrou-se campeão nacional. Foi o culminar de uma época fabulosa, de excelente futebol e estádios cheios por toda a parte, embora seja de lamentar a eliminação precoce na Taça de Portugal e a não aposta na Liga Europa (o campeonato era o grande objectivo). Jorge Jesus chegou, viu e venceu. Eu, que torci o nariz à sua contratação, confesso-me rendido às evidências. Já o estava quanto ao melhor futebol praticado pelo Benfica desde a mítica época 1993/1994 (a primeira que me lembro de ver futebol, embora não muito), mas tantas são as vezes que os resultados finais deixam a desejar quanto à execução. Agora, posso adiantar que já tenho as costas marcadas das chibatadas por penitência. Jesus não merecia melhor.

Esta época vi três jogos ao vivo do meu clube. Em Paços de Ferreira, onde uma molha descomunal foi insuficiente para apagar a alegria da vitória por 3-1; na Luz, contra a Académica, hat-trick de Cardozo e um soberbo chapéu de Saviola (e outro vendaval terrível); e novamente na Luz, recém recuperado do pé partido, onde, gelado pelo vento, assisti a um jogo paupérrimo contra o Belenenses, com uma magra vitória por 1-0 (inevitavelmente por Cardozo). Mais vezes estive para ir, mas não se proporcionou, até porque os bilhetes começaram a ficar cada vez mais caros e restritos a sócios. Chegada a recta final do campeonato, veio a ansiedade. O Sp. Braga não desarmava, o Benfica podia falhar a todo o momento e diluir toda uma época em nada. Passado o pesadelo do Porto contra aquele clube abjecto, a equipa tinha tudo para ser campeã em casa. E não vacilou, bem como coroou Cardozo como rei dos marcadores, algo que não acontecia desde o saudoso (dizem-me) Rui Águas.

A festa começou desde cedo e, logo ao intervalo, abri uma garrafa de vinho que se foi esvaziando até ao apito final. Não houve brinde com Licor de Merda de Cantanhede porque ninguém me quis acompanhar cá em casa (não os recrimino; aquela garrafa só é aberta quando o Benfica é campeão, logo...) e saltei logo para a rua. Cantava-se, saltava-se, berrava-se e eu com um sorriso parvo de orelha a orelha que não teimava em sair. O campeonato era nosso, justamente nosso. Domingos bem pode chorar o quanto quiser e Pinto da Costa bem pode praguejar aos quatro ventos, mas, num país sério, já o Benfica seria campeão há muito e o presidente do FC Porto não teria tempo de antena para abrir a fossa de ódio que é a sua boca.


Mérito para Luís Filipe Vieira que acreditou em Jesus e soube estar calado em momentos-chave, limitando-se ao essencial. Parabéns a Rui Costa por manter o grupo unido e plenamente entrosado com o clube. Aos jogadores, desde o mágico Aimar ao genial Saviola, passando pelo canhão Cardozo, o polivalente Ruben Amorim, o dedicado David Luiz, o muitas vezes inconsequente Di Maria (que me tira do sério com as suas fintinhas), ao patrão Luisão, o acelerado Weldon, o esquentado Carlos Martins, o (in)seguro Quim, o "elástico" Ramires, o Fabinho, e aquele que foi, para mim, a surpresa deste ano, Javi Garcia, a todos eles parabéns, sois campeões no maior clube português. A todos os outros também, até ao "coxo" Luís Filipe! Todos foram importantes. Porém, ninguém foi mais importante que o grande Jorge Jesus. Ele pode ser asneirento, não ter o dom da fala, mascar chiclete e berrar imenso, mas sabe o que faz e é dos melhores naquilo que faz. Quique era bem falante, uma simpatia, mas faltava-lhe o pulso, a garra, aquele instinto dos campeões. Jesus podia até ficar pela Taça da Liga, mas devolver a crença e o bom futebol para os lados da Luz já seria um prémio inegável.

 

Prémio esse que foi agora materializado: o Benfica é Campeão!

 

PS: a convocatória de Carlos Queiroz para o Mundial é tão anedótica que nem merece grandes considerações. Mérito a Queiroz pela sua coerência (e isto deve ser louvado): a lista de escolhas é coerente com a sua mediocridade como seleccionador nacional. Prevejo uma curta estadia pela África do Sul...

 

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publicado às 23:47

CAMPEÕES, CARAGO!

por Antero, em 09.05.10

 

SPORT LISBOA E BENFICA
CAMPEÃO NACIONAL 2009/2010

* Post gentilmente dedicado a José Maria Pedroto. Não precisas de agradecer, Pinto da Costa.

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publicado às 19:48

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Banha de Cobra

Alvará

Antero Eduardo Monteiro. 30 anos. Residente em Espinho, Aveiro, Portugal, Europa, Terra, Sistema Solar, Via Láctea. De momento está desempregado, mas já trabalhou como Técnico de Multimédia (seja lá o que isso for...) fazendo uso do grau de licenciado em Novas Tecnologias da Comunicação pela Universidade de Aveiro. Gosta de cinema, séries, comics, dormir, de chatear os outros e de ser pouco chateado. O presente estaminé serve para falar de tudo e de mais alguma coisa. Insultos positivos são bem-vindos. E, desde já, obrigado pela visita e volte sempre!

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