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Onde pára a Força?

por Antero, em 01.09.08

 

George Lucas é um tipo teimoso. Criador da saga Star Wars, ele, pura e simplesmente, não quer deixar o seu bebé  "morrer", ou seja, deixar de lhe render uns bons trocados. Umas vezes, sai-se bem; outras nem tanto. Nos últimos anos, ele dedicou-se a produzir uma série animada para o canal Cartoon Network que daria continuação ao primeiro volume da série Clone Wars e que relata o que se passou entre o Episódio II - O Ataque dos Clones e o Episódio III - A Vingança dos Sith. Porém, com o seu olhar iluminado para o marketing, ele decidiu que o filme televisivo, que prepararia para o novo volume da série, deveria ser lançado nos cinemas. Uma péssima decisão.

 

Contando com uma história de caca, Star Wars: A Guerra dos Clones põe Obi-Wan Kenobi e Anakin Skywalker numa missão de resgatar o filho de Jabba, The Hutt, que havia sido raptado pelas forças separatistas da República, sendo que esta tem interesse em manter relações com os Hutts, devido à sua influência nos Territórios Externos e que poderá dar um novo rumo à guerra. Ao estar situado entre duas obras já conhecidas do público, o filme pouco poderá acrescentar às personagens principais, eliminando qualquer surpresa na cronologia. Desta forma, o filme inclui novas adições ao universo Star Wars, o que possibilitará que o foco do filme se desvie das personagens que já conhecemos e invista nas relações entre eles e as novas aquisições (e a forma como isso poderá levar ao desfecho que todos conhecemos).

 

Ledo engano. A personagem de Ahsoka, que surge como aprendiz de Anakin, é retratada seguindo todos os clichés possíveis e imaginários: ela é uma criança que luta para ser tratada como adulta, é rebelde e imatura e as discussões entre ela e o seu mestre são vazias e irritantes. Por outro lado, A Guerra dos Clones investe num esquema narrativo de mergulhar o espectador numa cena de acção a cada 5 minutos e estas são fraquíssimas, muito devido à animação pouco fluída e sem grande detalhe. No pequeno ecrã, talvez passasse despercebido mas, na tela do cinema, esses defeitos são ressaltados. Pior de tudo, é ver as tentativas de fazer piadas com os droídes e com o filho de Jabba (retratado como um bebé fofinho e pronto a ser abraçado, por isso não se admirem se o virem numa montra da Toys 'R' Us). Para terem uma ideia, há uma altura em que um droíde, antes de ser esmagado, exclama "Oh, Meu Deus!" o que, naquela situação, levou-me a repetir mentalmente essa frase.

 

O certo é que tratando o espectador como se fosse uma criança que se contenta com explosões e cores, não se consegue disfarçar o facto de que A Guerra dos Clones é um filme aborrecido a vários níveis: seja na animação; no design das personagens (nota-se claramente que todo o processo foi apressado), na história que não avança; na música, que parece uma versão pirateada da partitura de John Williams; e, até mesmo, na narração no início do filme, em que o painel que sobe em direcção ao infinito é substituído por um discurso que mais faz lembrar aqueles folhetins radiofónicos da 2ª Guerra Mundial.

 

No entanto, o mais decepcionante é perceber que A Guerra dos Clones não tem um décimo do charme do primeiro volume de Clone Wars (o qual tive oportunidade de assistir numa maratona promovida pelo Cinanima, há uns anos atrás). E se levarmos em conta que este último foi feito em animação tradicional e com menos meios, mas cujo design respeitava a animação japonesa e as cenas de acção eram eficazes, já podem ter uma noção da gritante falta de qualidade d' A Guerra dos Clones. Sabem qual é a resposta para a pergunta que dá título a este post? Na conta bancária do senhor Lucas.

 

Qualidade da banha: 5/20

 

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publicado às 16:28


1 comentário

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De Rui a 01.09.2008 às 19:40

Grande boca!!! :)

Eu disse-te que o filme não valia nada :P

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Banha de Cobra

Alvará

Antero Eduardo Monteiro. 30 anos. Residente em Espinho, Aveiro, Portugal, Europa, Terra, Sistema Solar, Via Láctea. De momento está desempregado, mas já trabalhou como Técnico de Multimédia (seja lá o que isso for...) fazendo uso do grau de licenciado em Novas Tecnologias da Comunicação pela Universidade de Aveiro. Gosta de cinema, séries, comics, dormir, de chatear os outros e de ser pouco chateado. O presente estaminé serve para falar de tudo e de mais alguma coisa. Insultos positivos são bem-vindos. E, desde já, obrigado pela visita e volte sempre!

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