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Manobras de diversão

por Antero, em 16.07.08

Bem, parece que o FC Porto vai mesmo à Liga dos Campeões. Porque são inocentes? Nada disso! Parece que as altas esferas do futebol europeu continuam com dúvidas sobre a validade dos castigos a aplicar (o quê? Outra vez?) e então volta tudo ao mesmo e espera-se uma decisão final final final (não é engano). As piruetas do senhor Gonçalves Pereira e companhia deram resultados: adiar ao máximo as decisões, confundir tudo e todos e está o erro remendado por agora. Perde o Benfica, que, assim disputa a Taça UEFA? Não! O Benfica fez o que lhe competia. Perde o país com as figuras tristes que aconteceram nas últimas semanas e o silêncio de outros face a essas figuras. Porque todas estas cambalhotas de "decisão sim, decisão não" terá pouco a ver com o Benfica, mas muito a ver com o FC Porto. Já agora, quem foram os clubes que votaram contra as alterações ao regulamento que previam penas mais duras para actos de corrupção? Pois, os do costume... e consta por aí que Carolina Salgado prepara novo livro, com supervisão de Marinho Neves. Se a ex-dama e actual praticante da actividade mais velha do Mundo age por interesses nada louváveis (embora isso não lhe tire a credibilidade toda), Marinho Neves está acima de qualquer suspeita. Não que eu queira relacionar os dois factos...

 

Mas o que me leva a escrever este post é a edição de hoje do jornal O Jogo. A capa é um mimo: "FC Porto nas Champions Ponto Final". Amigos, o ponto final já tem um sinal atribuído tipo... há séculos, não é necessário escrever mesmo tudinho. Ah! mas era "ponto final" porque a decisão é final? Assim, final final final? Não, porque a UEFA ainda pode voltar atrás (embora seja improvável). Mas a capa não é pior. Muita gente reclama das inenarráveis capas do Record, e longe de mim defendê-las, mas os artigos d' O Jogo também são qualquer coisa. Daqueles de saltar os olhos das órbitas. Ora atentem:

 

O romeno Sapunaru fez ontem de manhã o primeiro treino à vista dos jornalistas e o segundo para Jesualdo apreciar as suas qualidades. Desde logo o que chamou a atenção foi a compleição física do defesa-direito contratado ao Rapid, porque 187 centímetros não passam despercebidos a ninguém, ainda mais se o ponteiro da balança parar nos 81 quilogramas. Um defesa de respeito, portanto. Mais rápido do que encontrar os adjectivos para o catalogar foi perceber a alcunha pela qual os companheiros já o tratam. "Sapu", evidentemente, para evitar que as línguas fiquem enroladas e o lance se perca nessas milésimas de segundo.

 

Chamam-lhe silly season. Eu chamo-lhe imbecilidade. Quem foi o cretino que escreveu isto? E isto é recorrente no jornalismo português: informações enviesadas, notícias deturpadas, objectividade de conteúdo para o raio que o parta, endeusamento de figuras que nem têm provas dadas, imprecisões, medo de defender uma posição e branqueamento de situações escandalosas (nem vou pegar nos erros ortográficos). O que me leva à seguinte consideração, que já vem sendo feito há muito tempo e não se relaciona somente com o jornalismo desportivo: os media oferecem aquilo que o público quer ou somos nós que engolimos toda a porcaria que nos deitam no prato?

 

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publicado às 15:33


3 comentários

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De Nuno a 17.07.2008 às 10:41

Claro que nisto dos media a culpa está dos dois lados. Senão vejamos: um dia destes, fiz o exercício de analisar as capas do jornal Record no último ano. Em 365 edições, só por três vezes o F.C. Porto fez capa: uma, quando foi campeão, outra por causa do Apito Dourado e a última quando se sagrou campeão, novamente. Sei que o Benfica é o que verdadeiramente vende, mas custa-me acreditar que em 365 dias, o Porto só foi notícia em 3. Outro aspecto engraçado: quando o F.C. Porto foi posto fora da Liga dos Campeões, os três desportivos fizeram capa. Quando o T.A.S. decidiu que o Porto jogava afinal a competição, o assunto foi arrumado para o canto pelo Record e pel'A Bola. Agora, sobre a qualidade dos jornais, falando dos desportivos, um país que tem 10 milhões de habitantes, um dos mais baixos índices de leitura da União Europeia, ter 3 jornais desportivos diários é ridículo. Daí que a qualidade não possa ser muito grande...
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De Antero a 17.07.2008 às 11:25

Estávamos tão bem com apenas 2 jornais desportivos, até que apareceu o assessor oficial portista e lixou tudo. heheheheh.

Só o Benfica vende. Todos sabem e admitem isso. O Sporting ainda é naquela, mas ninguém está muito interessado no Porto. A um nível nacional, claro. O que não quer dizer que só digam maravilhas do Benfica, que eu considero a equipa mais perseguida pelos media (basta ver o tratamento do caso de Vale e Azevedo e imaginar o fim de mundo que seria se os Apitos se virassem para o clube da Luz).

Mas o cerne do post é mesmo o último parágrafo que vale para todos os meios de comunicação. O jornalismo desportivo é apenas uma das partes mais flagrantes. O Jornal de Notícias é um dos que me tem desiludido imenso nos últimos meses, a televisão é o que se sabe e até mesmo nos links aí ao lado há um site que devia ser imparcial nos seus artigos e, muitas vezes, mal consegue disfarçar a sua tendenciosidade. Quando até a própria Internet sofre deste mal, acho que não há muito mais a dizer.
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De Nuno a 17.07.2008 às 11:45

Não concordo com isso do Benfica ser o clube mais perseguido. O caso que referiste é sintomático: o Trafulha e Azevedo só começou a ser "perseguido" quando abandonou a presidência do Benfica. Porque, convenhamos, o homem já era trafulha antes de vir para o Benfica.
O jornalismo, no seu geral, é parcial e gerido por interesses. É óbvio. O JN, casa que me traz boas memórias, sofre disso. o problema nisto tudo é a capa de imparciais que tentam passar, quando sabemos que não é assim. As notícias aparecem (ou não aparecem) por motivos superiores aos da verdade e informação pública.

P.S. vou escrever um post sobre isso, mas deixo já um cheiro: A Bola, essa bíblia, estava a puxar o tema de "interferências externas" para explicar a dificuldade que o Benfica teve em contratar o Aimar. Quando confrontado com isto, o Rui Costa respondeu: "isso não interessa nada, o importante é que o jogador está aqui". Muito bem, o Maestro continua a subir na minha consideração. Poucos benfiquistas conseguem, diga-se :p

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Antero Eduardo Monteiro. 30 anos. Residente em Espinho, Aveiro, Portugal, Europa, Terra, Sistema Solar, Via Láctea. De momento está desempregado, mas já trabalhou como Técnico de Multimédia (seja lá o que isso for...) fazendo uso do grau de licenciado em Novas Tecnologias da Comunicação pela Universidade de Aveiro. Gosta de cinema, séries, comics, dormir, de chatear os outros e de ser pouco chateado. O presente estaminé serve para falar de tudo e de mais alguma coisa. Insultos positivos são bem-vindos. E, desde já, obrigado pela visita e volte sempre!

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