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Fringe: o pioneiro

por Antero, em 13.11.12

ALERTA DE SPOILER! Este post contém informações relevantes, pelo que é aconselhável que só leiam caso estejam a par da exibição norte-americana.

 

 

Sim, eu sei que tenho quatro episódios de Fringe em atraso, mas nada temam: não abandonei a série nem estou desiludido com a mesma – muito pelo contrário. Tirando o terceiro capítulo com aquela foleirada de povo que registava tudo naqueles cubos e tomava uma atitude passiva perante os acontecimentos (como qualquer historiador) e cujo sacrifício daquele pai ao ajudar a Divisão Fringe já se antecipava a milhas do fim, os rumos tomados nesta reta final estão a agradar-me e muito.

 

A questão das cassetes de vídeo ainda me causa arrepios (eu pensei que elas estariam espalhadas pela cidade e não que estariam todas presas no âmbar), mas quanto menos pensar nisso melhor. A morte de Etta nas mãos dos Observadores foi surpreendente por acontecer tão cedo e por ser o estopim da revolução que Peter opera em si mesmo. Como Olivia já referira em conversa com o marido, o desaparecimento da filha de ambos fez com que Peter se agarrasse à ideia de a reencontrar e Olivia, já sem esperanças, preferiu reunir forças pela Resistência. Assim, não admira que ela adote uma postura mais distante durante o luto (totalmente condizente com a sua personalidade) e Peter embarque numa jornada de vingança e fúria com consequências imprevisíveis – e potencialmente desastrosas.

 

Claro que isto faz com que Anna Torv ande meia apagada, o que é compensado pelo show dado por Joshua Jackson na sua cruzada contra os Observadores: ao implantar o dispositivo que os torna tão poderosos, Peter é provavelmente o primeiro de todos os Observadores, algo que reforça ainda mais a sua importância no "grande esquema das coisas" e justifica a sua salvação quando quase se afogava logo após Walter o ter raptado do Lado B e o facto de ter "regressado" na quarta temporada. Desta forma, Fringe parece investir numa lógica circular tão comum em narrativas que lidam com viagens no tempo (e que tanto me fascinam) e parece mesmo disposta a fechar as pontas soltas de maneira coerente (o que pode ser comprovado com o ressurgimento daquele rapaz visto na primeira temporada e que, sabemos agora, sempre era um Observador).

 

Sempre disponível para mergulhar em ideias intrigantes, Fringe introduz o conceito de um pocket universe (ou mundo compacto para quem, como eu, leu banda desenhada a mais), um universo inserido nos limites de outro maior, mas que não pode ser acedido pelos meios normais e onde as regras da Ciência não funcionam da mesma forma (um exemplo famosíssimo é a Ilha de LOST), embora escorregue na tolice de fazer-nos acreditar que Walter guardaria exemplos de casos arquivados e confidenciais na cave do laboratório, apesar de a ideia de os usar contra os Observadores tenha a sua piada. E ainda que eu ache que a busca pelas cassetes não funciona na perfeição, tenho de tirar o chapéu pelo facto de a série conseguir equilibrar a sua continuidade narrativa com um aspeto que sempre a caracterizou: os casos da semana que acabam por ter uma ténue relação entre si.

 

No entanto, é o lado humano da série que ainda se destaca e se Peter faz uma jogada perigosa para derrotar os Observadores, é provável que isso lhe custe a sua humanidade – o reflexo do próprio Walter que, ao recolocar as partes do cérebro que lhe faltavam, vê-se a voltar a ser o homem que tanto abominava. Mais do que isso: ao tornar-se no potencial primeiro Observador, Peter percorre o mesmo caminho que Walter que, por motivos passionais (a morte do filho), tomou uma decisão catastrófica e deixou dois universos em pé de guerra. É um Peter moralmente dividido entre a sua integridade e a possibilidade de salvar tudo o resto que acompanhamos agora – um lugar onde Walter já esteve tantas vezes e que demonstra um dos temais preferidos de Fringe: a relação entre pais e filhos. Peter, inadvertidamente, está em vias de cometer os mesmos erros do pai.

 

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publicado às 23:26


1 comentário

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De Dark a 01.12.2012 às 14:13

Comecei a ter uma ideia parva ha umas temporadas atras e agr começo a pensar se nao estaria certo... Sera que o Peter nao é o Setembro...?

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Banha de Cobra

Alvará

Antero Eduardo Monteiro. 30 anos. Residente em Espinho, Aveiro, Portugal, Europa, Terra, Sistema Solar, Via Láctea. De momento está desempregado, mas já trabalhou como Técnico de Multimédia (seja lá o que isso for...) fazendo uso do grau de licenciado em Novas Tecnologias da Comunicação pela Universidade de Aveiro. Gosta de cinema, séries, comics, dormir, de chatear os outros e de ser pouco chateado. O presente estaminé serve para falar de tudo e de mais alguma coisa. Insultos positivos são bem-vindos. E, desde já, obrigado pela visita e volte sempre!

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