Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]




O Gato das Botas

por Antero, em 09.12.11

 

Puss in Boots (2011)

Realização: Chris Miller

Argumento: Tom Weeler, David H. Steinberg, Brian Lynch

Vozes: Antonio Banderas, Salma Hayek, Zach Galifianakis, Billy Bob Thornton, Amy Sedaris
 

Qualidade da banha:

 

Depois de artisticamente secar a teta da série Shrek, a Dreamworks Animation volta à carga com um derivado protagonizado pela emblemática personagem surgida no segundo capítulo daquela franquia: o Gato das Botas. Apesar de não chegar aos calcanhares das animações computorizadas da casa (os dois primeiros Shrek e Como Treinares o Teu Dragão), é reconfortante perceber que o filme está muitos furos acima de disparates como Madagáscar ou Monstros vs. Aliens. O Gato das Botas é divertido e empolgante e, no fundo, isso é o que basta, talvez por que as expectativas não eram as melhores.


Como já se tornou habitual em Hollywood, a narrativa é uma história de origem: no país dos contos de fadas, vive o lendário Gato das Botas (Banderas), um corajoso felino possuidor de um génio peculiar e de uma coragem sem limites. Apesar da sua reputação em todo o reino, o seu carisma e sedução são postos à prova quando conhece Kitty Patas Fofas (Hayek), uma misteriosa gata mascarada, que não tenciona deixar-se levar em conversas e que ele descobre estar ligada a Humpty Alexander Dumpty (Galifianakis), um seu amigo de infância. Os três acabam assim envolvidos num plano de assalto a Jack e Jill (Thornton e Sedaris), dois terríveis bandidos na posse de um antigo poder que ameaça o mundo.

 

Sem contar a ambição temática e adulta que caracteriza as maravilhosas longas-metragens da Pixar, O Gato das Botas investe num clima de aventuras que homenageia os velhos filmes protagonizados por Errol Flynn ou Douglas Fairbanks ao mesmo tempo que ressuscita aquilo que fez a fama de Shrek (e consequentemente esquecido as sequelas): a subversão das histórias de encantar. O maior exemplo disto vem na personagem de Humpty Dumpty: solitário e com uma imaginação fértil (dois traços de personalidade engenhosamente desenvolvidos a partir do seu isolamento em cima de um muro), é dele que parte o plano mirabolante de usar os feijões mágicos como forma de dar relevância à sua existência e, mesmo que o filme não consiga estabelecer um arco dramático profundo, a personagem torna-se querida pela sua condição de rejeitado e pelo certeiro casting de voz de Zach Galifianakis que lhe fornece um misto de comicidade e drama que cai como uma luva.

 

Cheio de piadas referentes a gatos (sendo a da fixação por luzes a melhor), O Gato das Botas conquista o espectador com personagens carismáticas como o já citado Humpty Dumpty, a arisca Kitty Patas Fofas e, claro, o protagonista vocalizado por Antonio Banderas – e se o efeito 3D é bem trabalhado na profundidade dos cenário, embora parta para o óbvio (leia-se objetos lançados para o público), o filme encontra espaço para gags visuais inspiradas como aquela que envolve abutres e a divisão do ecrã ou a cena em que o vilão revela os seus planos e temos um rápido flashback que o situa em momentos-chave da história, numa paródia a tantos outras obras que usam este artifício.

 

Contando com sequências de ação bem montadas (a do Pé de Feijão chega a ser alucinante), O Gato das Botas surge como uma mistura de Zorro com d'Artagnan, exatamente como ele havia sido imaginado aquando a sua aparição em Shrek 2. E não posso deixar de salientar como aspeto positivo o facto deste filme me ter lembrado o divertimento e o charme que se viu nas duas primeiras aventuras do ogro verde. Só isto já faria de O Gato das Botas uma obra recomendável.

 

Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:18



Banha de Cobra

Alvará

Antero Eduardo Monteiro. 30 anos. Residente em Espinho, Aveiro, Portugal, Europa, Terra, Sistema Solar, Via Láctea. De momento está desempregado, mas já trabalhou como Técnico de Multimédia (seja lá o que isso for...) fazendo uso do grau de licenciado em Novas Tecnologias da Comunicação pela Universidade de Aveiro. Gosta de cinema, séries, comics, dormir, de chatear os outros e de ser pouco chateado. O presente estaminé serve para falar de tudo e de mais alguma coisa. Insultos positivos são bem-vindos. E, desde já, obrigado pela visita e volte sempre!

Pesquisar

  Pesquisar no Blog


Armazém

  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2015
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2014
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2013
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2012
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2011
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2010
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2009
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2008
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D