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Terra Velha e Bafienta

por Antero, em 10.11.11

 

Terra Nova

Benvindos a Terra Nova, a solução para um planeta sobrepovoado, demasiado poluído e tantos outros clichés futuristas. Uma colónia na pré-história para onde uns quantos (in)felizes são enviados numa viagem no tempo, cujas circunstâncias são explicadas num único diálogo pela inteligente filha do meio dos Shannons, a aborrecida família que acompanhamos desde o início. Basicamente, eles não podiam ir para o próprio passado e arriscarem a alterar o futuro deles: eles são enviados por um portal emprestado de Stargate para outra linha temporal e esquecem-se que o tal Efeito Borboleta que eles tanto queriam evitar não se limita à sua realidade, e nada impede que o novo futuro já não esteja estragado. Isso, porém, só saberemos se Terra Nova for renovada para muitas temporadas, algo que eu desejo fortemente que não aconteça.

 

Produzida por Steven Spielberg (que já havia emprestado o seu "selo de qualidade" à intragável Falling Skies que, de tão má, mal passei do piloto), Terra Nova é um logro do início ao fim: o lugar é comandado pelo ator que fez de vilão em Avatar e aqui surge como o vilão de Avatar, apenas mais bonzinho; os cenários são providenciados por paupérrimos chroma keys e os dinossauros, além de tecnicamente vergonhosos, mal aparecem e devem passar fome, visto que nunca comem ninguém. Os construtores da colónia devem ter lido os argumentos e acharam que poderiam facilitar na segurança do local, já que a bicharada nunca dá as caras mesmo, e fizeram uma cerca tão baixa e com troncos de madeira cilíndricos que qualquer T-Rex destruiria num sopro. Eu não consigo culpar os animais: talvez eles tenham medo de encontrar os Shannons e extingam de tédio. Mais vale aguardar pelo asteroide e rezar para que não seja tão doloroso.

 

Ah, os Shannons... que família feliz! O pai é um ex-polícia, a mão é médica, o filho mais velho é um adolescente revoltado, a filha do meio é uma geek de primeira e a mais nova é apropriadamente adorável. Tão amorosos que eles são que parecem saídos de um anúncio de detergente, no qual o pai transpira no trabalho, o filho sua-se todo a jogar futebol, a filha verte sumo na camisola, a mais nova suja-se no parque e lá vem a mãe resolver a situação o último grito do pó para a roupa, para todos acabarem sorridentes e asseados. Depois temos os Outr... digo, os Sextos, grupo que se rebelou de Terra Nova e vive no meio da selva sem qualquer problema mesmo com o perigo jurássico ali à porta (daí eu achar que os dinossauros são anoréticos). Há muita intriga pelo meio, situações mal resolvidas, muitos efeitos especiais embaraçosos, mil personagens desinteressantes e o sono é uma constante. Terra Nova é, acima de tudo, um drama familiar. E dos piores!

 

A série foi-me aconselhada por um amigo que me disse que era "tipo LOST!" e os últimos anos têm-nos ensinado que qualquer comparação com a maravilhosa série da Ilha deserta mais povoada de sempre é meio caminho andado para o descalabro. Visto cinco episódios, rendo-me ao sofrimento e abandono Terra Nova sem olhar para trás. Não há guilty pleasure que salve isto, nem para acompanhar só uma temporada. Já tive a minha dose de Heroes, FlashForward e The Event. Sofri muito nesses tempos e até eu tenho os meus limites. Chega!

 

Terra Nova começou a ser exibida aos domingos à tarde na TVI. Não deixem de perder!

 

Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

 

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publicado às 18:10


3 comentários

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De cátia a 11.11.2011 às 10:53

Térinho,
também eu fui no engodo, vi a publicidade que andava a passar quinhentas vezes ao dia na TVI, a publicidade que foi feita ainda no próprio teleojornal da uma do domingo e fiquei a achar "tanta publicidade e com o nome de spielberg à mistura, só pode ser bom!". E só vi até ao intervalo.
Já com a publicidade fiquei a achar que aqueles dinossauros eram mesmo uma fantuchada. Com tanta tecnologia que hoje existe e que nada terá a ver com a que existia nos tempos do velhinho Parque Jurássico e os dinossauros que lá apareciam pareciam-me bem mais credíveis...
E depois que raio de ideia é essa de já que o planeta está sobrelotado e já nem o ar é respirável e se têm a oportunidade de voltar atrás no tempo, voltam logo para o período jurássico? Onde há dinossauros? Onde sabem que aconteceu um fenómeno, muito possivelmente a queda de um asteróide que dizimou os dinossauros e que muito provavelmente mataria todos eles que viajaram no tempo para irem viver para aquele acampamento de meia tigela? Realmente é uma série que não deu para levar muito a sério...
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De Antero a 11.11.2011 às 13:31

Fizeste bem, Cátia, que a coisa foi sempre a descer a partir daí. Eu vi até o quinto episódio, onde aparece uma menina fugida do meio da selva, com os seus cabelos loiros desgrenhados tipo palmeira amarela enfiada na cabeça, toda fofa e pronta a despertar o carinho demoníaco da família Shannon.

E fiquei por aí, mas acho que se continuasse não iria durar muito mais, já que o episódio seguinte foi uma espécie de CSI: Terra Nova.
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De Cláudia Salgado a 11.11.2011 às 17:33

Uma série que tinha tudo para dar certo e não deu em rigorosamente nada! Comparar a Lost é quase pecado!!

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Antero Eduardo Monteiro. 30 anos. Residente em Espinho, Aveiro, Portugal, Europa, Terra, Sistema Solar, Via Láctea. De momento está desempregado, mas já trabalhou como Técnico de Multimédia (seja lá o que isso for...) fazendo uso do grau de licenciado em Novas Tecnologias da Comunicação pela Universidade de Aveiro. Gosta de cinema, séries, comics, dormir, de chatear os outros e de ser pouco chateado. O presente estaminé serve para falar de tudo e de mais alguma coisa. Insultos positivos são bem-vindos. E, desde já, obrigado pela visita e volte sempre!

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