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A Selecção Nacional cumpriu os serviços mínimos e vai estar presente no Mundial 2010 a realizar na África do Sul. O país vibra de alegria, os patrocinadores já contam os milhões, a comunicação social prepara-se para andar anestesiada entre Maio e Junho, o torneio terá interesse acrescido, mas, para mim, esta equipa não convence. Hei-de bater nesta tecla até furar o computador: a equipa joga mal, as convocatórias de nódoas (Duda, Edinho), jogadores em baixo de forma (Paulo Ferreira, Deco) ou para aproveitar a ocasião (Nuno Assis por altura do jogo em Guimarães) são anedóticas, e todo o circo montado à volta da Selecção - e que vai piorar com o aproximar do Verão - é de revirar as tripas. Tremo só de pensar que vamos acompanhar os jogos de Portugal no histerismo da TVI.
Além do mais, acho que a equipa nunca superou - e com Queirós será difícil reverter isto - o trauma do jogo em casa com a Dinamarca, em que uma provável goleada tornou-se numa derrota inacreditável. Continuo a achar que ter Ricardo ou Eduardo na baliza é como trocar seis por meia dúzia, que Ronaldo não tem perfil para capitão e que a trupe que governa a Federação Portuguesa de Futebol só olha para o próprio umbigo. Creio que nunca acompanhei uma campanha da Selecção com tanto desinteresse. E se Queirós acha que Portugal tem condições para, no mínimo, chegar ao pódio é porque só pode estar noutra dimensão. Um banho de humildade não era mal pensado, não.
De qualquer forma, parabéns (muito) contidos para a equipa das quinas. Agora já posso acompanhar o Benfica sem interrupções e devaneios nacionalistas bacocos? Obrigado.
Por acaso não é algo que eu faça, mas, se eu tivesse de listar os nomes do elenco de um determinado filme antes de passar à crítica do mesmo, no caso de 2012 eu diria que o filme conta com as interpretações de Uncharted Territory, Digital Domain, Double Negative, Scanline, Sony Pictures Imageworks, entre outros e com participações especiais de John Cusack, Amanda Peet, Danny Glover, Woody Harrelson, Oliver Platt, Thandie Newton e Chiwetel Ejiofor. Para quem não sabe, as primeiras foram as empresas encarregues dos efeitos visuais de 2012, por isso nada mais justo do que lhes dar o devido crédito, uma vez que neste género o que conta são as cenas de destruição. O argumento, essa coisa tão menosprezada, é algo acessório.
Claro que "acessório" não necessariamente significa "imbecil", como comprovam algumas obras anteriores do realizador Roland Emmerich (O Dia da Independência, O Dia Depois de Amanhã), que até se revelaram entretenimentos de nível aceitável, mas nada disso acontece em 2012. Baseando-se nas previsões da civilização Maia de que o ano supracitado trará o fim do mundo, o filme conta com uma teoria maluca de que as tempestades solares ficarão de tal maneira intensas que desestabilizarão o núcleo da Terra, o que acarretará consequências devastadoras para o planeta. É neste clima de "caos antecipado" que os governos do G8 engendram um plano para salvar parte da civilização e acompanhamos as tentativas de salvamento de uma família em crise, nada mais nada menos do que o Capítulo 1 do Manual do Argumentista Preguiçoso.
O esquema é sempre o mesmo: contratam-se actores estabelecidos para dar um mínimo de credibilidade às personagens sem muito esforço (haverá alguém mais bom moço que John Cusack? E alguém mais lunático que Woody Harrelson?), demora-se meia hora a preparar a premissa e as situações para logo a seguir desatar a destruir tudo numa sucessão de clímaxes, onde algumas personagens se redimem ou pagam o preço pelos seus pecados e conflitos são superados. E como a destruição é o que realmente interessa, resta dizer que, neste aspecto, 2012 não decepciona: as sequências de acção são intensas, os efeitos especiais são primorosos e, o melhor de tudo, Emmerich faz questão de que acompanhemos tudo, ao contrário de abéculas como Michael Bay que pensam que quantos mais cortes por segundo, melhor.
Já que falo em destruição, convém referir que enquanto o planeta desaba também leva a credibilidade do filme atrás, que se torna cada vez mais idiota com o passar do tempo. Se já é difícil de acreditar que um terreno de milhares de hectares entre em erupção praticamente do nada, que as placas tectónicas se movam a uma velocidade recorde, na inundação dos Himalaias pelo oceano Índico, ou nos salvamentos no último segundo (embora isto faça parte do divertimento, certo?), mais complicado é aceitar o festival de imbecilidades que o filme oferece. Não é incrível como todas as personagens principais têm tempo para discursos profundos ou pedidos de perdão, mesmo com a morte ali ao lado? Gosto especialmente daquele que ao ver uma onda gigantesca à sua frente, telefona para um amigo a dizer que ninguém os foi salvar (e só agora se lembrou de o alertar?!) enquanto todos os outros fogem para salvar as suas vidas. 2012 tenta-nos convencer de que aquilo era o que qualquer pessoa normal faria nas mesmas circunstâncias.
Porém, estes artifícios para aumentar o "drama" de determinada cena não são nada comparados com o rol de coincidências absurdas apresentadas, uma vez que todas as personagens, de uma maneira ou outra, estão relacionadas ou acabam por se encontrar (como revela a cena constrangedora em que a amante de um russo - patrão da personagem de Cusack, claro - reconhece, no meio de uma multidão, o "rival" familiar deste como o cirurgião que... lhe fez os implantes mamários!). Aparentemente, em 2012, a Terra tem o tamanho da Ilha de LOST, o que talvez explique como os Himalaias trocam de lugar com a costa leste da China em poucas horas (ou assim o filme parece dar a entender), embora, mais tarde, mostre a previsão de satélite de um maremoto no Índico e a geografia do planeta seja a mesma de sempre (talvez esta parte do filme se passe no início de O Dia da Independência, quando os nossos satélites foram sabotados pelos extraterrestes. Ou então foi mesmo burrice de Emmerich...).
Contando com cenas que beiram o involuntariamente cómico como a fuga de um terramoto numa limounise (eu garanto que, com aquele condutor e aquele veículo, a Ferrari não teria um ano tão decepcionante na Fórmula 1), a queda do Cristo Redentor, ou o compartimento que se inunda mais rapidamente que os demais, embora esteja situado no meio (resposta: estava lá uma secundária sem relevância, enquanto que os outros tinham os protagonistas), 2012 recusa-se a acabar antes de atingir inchadíssimas duas horas e meia. O que começa como um divertimento desmiolado (e aposto que essa não era a intenção), acaba por se arrastar e tornar-se monótono e altamente pretencioso. E a última tirada do filme acaba por dar a machadada final de estupidez no espectador - o que, por si só, já vale o preço do bilhete. Nada como assistir a um mega terramoto, a um super vulcão e a um ultra maremoto para curar os males de incontinência.
Qualidade da banha: 5/20
Estou cansado. Organizar uma Feira é sempre cansativo, ainda mais com jornadas de 10 horas de trabalho diárias (Sábado e Domingo incluídos), assistir à montagem, estar presente e as viagens de um lado para o outro. É um tremendo desgaste físico e psicológico. Por isso é que aqui o estaminé começou a ganhar teias de aranha, algo que tentarei limpar nos próximos dias (embora não prometa nada).
Mas até que o evento correu bem e passou rápido. Vir a Lisboa é sempre um prazer, embora o trânsito caótico e a agitação típica de uma capital sejam de dispensar. À noite, tempo para relaxar com as poucas forças que restam e conviver com os colegas. Um italiano quarentão, representante de uma empresa colaboradora da minha já queria arrebitar para o Bairro Alto, algo que recusei na hora devido ao cansaço e ao facto de ter de acordar cedo no dia seguinte. Gosto deste tipo de descontração. Engravatados e sisudos como se vê aos montes neste tipo de eventos não são para mim.
Uma rapariga que controlava as entradas e saídas (e que já nem me verificava a acreditação, tal era o meu constante entra-e-sai do pavilhão) perguntou-me se eu era engenheiro informático, uma vez que não estava de fato e agia sempre de forma descontraída. Achei piada e disse que não era, mas que estava relacionado com computadores (com o tempo aprendi que é complicado explicar às pessoas o que é um Técnico de Multimédia, embora às vezes tenha as minhas próprias dúvidas), ao que ela retorquiu: "é que não é muito normal ver aqui uma pessoa sem fato ou, digamos, sem estar vestida para a ocasião e com cartão de expositor". Apeteceu-me perguntar, em tom de brincadeira, se ela achava que eu estava mal vestido, mas o facto é que ela (e eu) estávamos a trabalhar, então achei por bem apenas sorrir e dizer: "assim até chamo mais à atenção para o meu stand".
Adiante. Amanhã volto para cima para mais uma semana de trabalho intenso (ao contrário do que se pensa, os dias a seguir a este tipo de acontecimentos são de muito trabalho de organização de informações e contactos recolhidos) e, no final, umas merecidas férias. Entretanto, há que ver as condições de "renovação" de contrato e planear o futuro.
De qualquer forma, a eficácia foi de 100%: 4 taxistas, 4 benfiquistas!
CHEESECAKE
Nunca gostei deste legume. Quando era petiz e andava num infantário, certa vez deram-me a comer esta iguaria cozida e tive uma reacção alérgica tão forte que, a partir daí, vomitava sempre que comia tal repasto. Ainda hoje, só o cheiro de feijão-frade cozido é o suficiente para me dar naúseas e fica desde já o aviso para qualquer boa moça que se queira juntar aqui ao je: feijão-frade na mesa é motivo para divórcio sem direito a partilha de bens, pensões e outras compensações.
Serve isto para falar de uma banda que repudio há imenso tempo e que agora atingiu o seu ápice: os Black Eyed Peas. Essa praga da indústria discográfica deve ter uma receita mágica para criar música descartável que, por razões desconhecidas, ficam no ouvido e se recusam a sair (os chamados earworms). Razões ainda mais desconhecidas, pelo menos para mim, é a razão do seu sucesso. Os Linkin Park eram uma espécie semelhante, mas agora ninguém lhes liga nenhuma. Os Black Eyed Peas, principalmente desde que a insuportável Fergie juntou-se ao grupo, andam por aí há 6 anos! O prazo de validade deles não se esgota, é constantemente renovado por uma massa de gosto duvidoso ou totalmente alienada pelo que a comunicação social impinge. Quando ouço as batidas de um I Gotta Feeling ou de um Boom Boom Pow apodera-se de mim um desejo incontrolável de enfiar uma Black & Decker tímpano adentro. E as letras, mas o que é aquilo? My Humps? Let's Get It Started? Hey Mama?
A malta fala do anúncio do Pingo Doce, mas o verdadeiro sinal do Apocalipse está a uma estação de rádio de distância.
Foi com absoluto desinteresse que acompanhei o jogo da Selecção Nacional contra a sua congénere húngara. Ainda mais porque estava num jantar de aniversário onde, entre boa conversa e preciosidades como cheesecake, não valia a pena parar à frente do televisor. Porém, verdade seja dita, acho que nem que estivesse amordaçado ao sofá conseguiria acompanhar o jogo com o mínimo entusiasmo. Contando que Portugal chegue ao playoff, resta dizer que a fase de qualificação foi patética, tal como tinha sido a do Euro 2008. Irrita-me ver Ronaldo como capitão da equipa, chateia-me ver Liedson na Selecção (embora o jogador tenha todo o direito de lá estar; eu, pura e simplesmente, não gosto dele), as opções de Carlos Queirós(z) quase dão para rir. Falando no Carlinhos, é incrível ver como o homem se enterra quase compulsivamente: tanto criticou as escolhas de Scolari, o rendimento da equipa, a preparação dos jogos e, no final, acaba por fazer uma figurinha triste de submisso às ordens superiores, algo que Scolari, em maior ou menor grau, sempre foi conseguindo disfarçar com a sua postura de líder.
Não sou saudosista do Brasileiro. Acho que o seu tempo acabou no final do Mundial 2006. Ainda recordo o rescaldo dos quartos-de-final contra a Inglaterra eliminada nas grandes penalidades como se fosse ontem: tudo em festa, carros a buzinar, bandeiras ao vento e encontro uma amiga que me diz que estava lixada porque a Selecção havia feito um jogo paupérrimo (e contra 10 grande parte do tempo) e que não ia mais longe, como se veio a confirmar. Não pude deixar de concordar com ela. Depois veio a inenarrável qualificação para o Europeu 2008 e consequente campanha, acabando por confirmar o declínio notório da pujança da Selecção Nacional. E Scolari partiu (mas não sem antes assinar contrato com o Chelsea em pleno estágio na Suiça!).
Veio o Carlinhos. Pregava-se a renovação da equipa. E onde está ela? Entre tantas experiências erráticas, acabou por ter de recorrer à Velha Guarda e a seleccionados de ocasião, mas sem descurar a já saudosa calculadora que desde o início acompanhou a campanha da equipa. Mas o mais deprimente nisto tudo vai ser ver a Comunicação Social exaltar os feitos da equipa como se acabar em primeiro lugar neste grupo fosse uma tarefa hérculea. E, caso Portugal se apure mesmo, constatar o levantamento de um novo circo e feira de vaidades em torno da equipa, dando destaque a pilotos de aviões ou a empregadas de limpeza que, por acção divina, trocaram os lençóis da cama onde Ronaldo dormitou.
Não desejo a derrota da Selecção (tão pouco torço ferverosamente pelo seu sucesso), mas não consigo esconder aquele desejo sádico de ver Portugal falhar o apuramento: assistir à depressão de jornalistas medíocres como Nuno Luz ou Daniel Oliveira seria mel.
A ideia partiu daMartahá um ano atrás, por ocasião do meu 23º aniversário: fazer uma lista dos 23 filmes obrigatórios antes dos 23 anos. A ideia não foi avante, mas agora decidi compilar a lista, ainda na ressaca dos meus recém-celebrados 24 anos. Na verdade, não são exactamente 24 filmes (fiz batota e contei duas trilogias óbvias como um filme só) e reparem que alguns dos filmes nem são dos meus eleitos para uma potencial lista dos melhores de sempre. Fica então mais uma lista fútil e inútil, como acontece na maioria das vezes (filmes organizados por ano de lançamento).
O Couraçado Potemkin (1925)
Porquê? Porque pode se dizer que esta obra de Sergei Eisenstein foi o primeiro grande passo para que o Cinema se afirmasse de vez como uma forma de expressão artística.
Metrópolis (1927)
A mais importante ficção científica dos primórdios do Cinema, influenciadora de um sem número de outras obras (não necessariamente filmes).
Luzes da Cidade (1931)
É inacreditável que um filme tão simples como este tenha tido uma produção tão conturbada: o estúdio queria-o falado, mas Chaplin bateu o pé e manteve-o mudo. Depois, o seu famoso perfeccionismo arrastava o cronograma das filmagens. E, quando estreou, revelou toda a sensibilidade, humor e genialidade do seu autor.
O Triunfo da Vontade (1935)
Plasticamente belo, mas eticamente condenável, este filme de propaganda nazi revela todo o talento de Leni Riefenstahl para a composição de quadros absurdamente evocativos, com o recurso a técnicas inovadoras para a época e a uma brilhante utilização da banda sonora.
E Tudo O Vento Levou (1939)
Tem 4 horas? Passam a correr! É velho? É, mas ainda está fresco. O clássico dos clássicos, representante máximo da Idade de Ouro de Hollywood, onde o céu era o limite para a grandeza dos filmes.
Citizen Kane – O Mundo A Seus Pés (1941)
É complicado escrever em tão poucas palavras o quanto este filme foi inovador: desde a narrativa não-linear, às soluções de montagem, passando pelos enquadramentos e pelo argumento com a sua crítica ao poder, à ambição e ao corporativismo.
Casablanca (1942)
A mais bela e trágica história de amor que o Cinema já ofereceu.
O Crepúsculo dos Deuses (1950)
Há 60 anos, Billy Wilder teve a ousadia de dissecar o lado mais podre de Hollywood que, ao mesmo tempo que fabrica estrelas, deixa-as na solidão quando já não precisa delas. Crónica da perda de inocência do cinema mudo, ácido como poucos e ainda bastante actual, este filme ainda oferece memorável interpretação de Gloria Swanson como a arrepiante Norma Desmond.
O Comboio Apitou Três Vezes (1952)
O western não é muito é a minha praia, mas este aqui vale a pena, até porque é quase um anti-western. Tenso como poucos, a construção do suspense é primorosa e as interpretações são de primeira água.
Os Sete Samurais (1954)
Akira Kurosawa é grande!
Quanto Mais Quente Melhor (1959)
Esqueçam tudo o que achavam das vossas comédias favoritas: esta é a melhor comédia de sempre! Tudo funciona em perfeita harmonia. Já diz o filme que ‘Ninguém é perfeito’, mas Tony Curtis e Jack Lemmon travestidos e uma Marilyn Monroe a destilar sensualidade é o mais perto que existe da perfeição.
Psico (1960)
O filme mais famoso de Hitchcock, copiado até à exaustão, mas nunca igualado. Eu tenho medo de Norman Bates até hoje.
Lawrence da Arábia (1962)
O Épico por excelência, com a gloriosa interpretação de Peter O’Toole.
2001 – Odisseia no Espaço (1968)
Recheado de simbolismos e óptimos efeitos especiais, 2001 não é um filme fácil de digerir, tantas são as acepções que dele se podem retirar. É daqueles que dá para horas e horas de conversa.
O Padrinho / O Padrinho: Parte II / O Padrinho: Parte III (1972/1974/1990)
A mastodôntica trilogia de Coppola é um acontecimento cinematográfico ímpar. O terceiro capítulo até pode perder em relação aos anteriores, mas nada apaga o brilho de uma das obras maiores da história do Cinema.
A Guerra das Estrelas / O Império Contra-Ataca / O Regresso de Jedi (1977/1980/1983)
A obra que mudou toda uma forma de pensar e fazer Cinema. Para o bem e para o mal. O certo é que Star Wars (a primeira/segunda trilogia, depende do ponto de vista) é uma experiência transcendente: tinha tudo para ser um desastre, mas acabou por ser um marco graças à vontade de George Lucas e da maravilhosa narrativa épica que ele concebeu.
Os Salteadores da Arca Perdida (1981)
Primeira aventura de Indiana Jones. Ponto. Melhor filme de Spielberg. Ponto Aventura espectacular. Ponto. O Cinema na sua máxima expressão de entretenimento de massas. Ponto.
Goodfellas - Tudo Bons Rapazes (1990)
O Mundo é um lugar injusto e o Cinema não podia ficar atrás. Isso pode ser comprovado com a aclamação total de Danças Com Lobos em detrimento desta portentosa obra de Scorsese. Faça-se aqui a vénia ao mestre.
O Exterminador Implacável 2: O Dia do Julgamento (1991)
Este é O filme. Expandindo o universo do primeiro capítulo e recheado dos melhores meios da época (os efeitos especiais ainda impressionam passados tantos anos), James Cameron estabeleceu-se de vez na alta roda de Hollywood como um visionário capaz de aliar argumentos profundos e filosóficos com entretenimento de elevada qualidade.
O Silêncio dos Inocentes (1991)
Nunca um vilão foi tão sedutor e assustador ao mesmo tempo: Hannibal Lecter alia gostos requintados com matanças de indizível crueldade. Apesar de aparecer em míseros 16 minutos da projecção, Anthony Hoppkins deixa uma impressão tão forte que a sua sombra percorre todo o filme. Os seus duelos verbais com a agente Clarice Starling (Jodie Foster, sublime) são o ponto forte deste filme perturbador e intenso.
O Rei Leão (1994)
A obra-prima (entre tantas) dos estúdios Disney. Maravilhoso é pouco.
Pulp Fiction (1994)
O filme que lançou Tarantino para a estratosfera, relançou a carreira de John Travolta e estabeleceu actores como Samuel L. Jackson e Uma Thurman. Autêntica salada mista de géneros cinematográficos, repleto de referências pop, o filme não é mais do que longo exercício de estilo do talento do seu autor. E que estilo, senhores!
Mulholland Drive (2001)
Cabe-me aqui declarar que não sou fã do estilo de filmes labirínticos de David Lynch. Estrada Perdida ou INLAND EMPIRE não passam de obras vazias embrulhadas num pacote pouco convencional. Mas Mulholland Drive é um filme hipnotizante: envolvido numa atmosfera de constante conflito entre a ilusão e a realidade, eu diria que este filme não foi feito para fazer sentido, mas sim para ser sentido.
Ratatouille (2007)
Os estúdios Pixar fizeram alguns dos melhores filmes dos últimos 15 anos, então é mais do que obrigatório que eles estejam representados nesta lista. E admito, sem rodeios, que Ratatouille é, para mim, a melhor obra da casa (por uma unha negra, note-se). O filme tinha tudo para falhar: teve uma produção turbulenta (Brad Bird pegou no filme 2 anos antes da estreia), foi apanhado no meio da guerra entre a Disney e a Pixar, depois a Disney não sabia como promovê-lo e os analistas previam o primeiro fracasso da Pixar devido ao título estranho e ao argumento pouco atraente. No final, fomos presenteados com uma das mais estimulantes, maduras e divertidas animações de sempre. Como não amar uma animação que troca a sequência de acção da praxe no clímax do filme por um dos mais arrebatadores discursos de que há memória?
Ouch!
Hoje tive de me deslocar ao Aeroporto Francisco Sá Carneiro para ir buscar um italiano, dono de uma firma que o meu patrão quer estabelecer uma parceria. Como o meu Twingo não é o carro ideal para estas andanças corporativas, lá levei um enorme BMW Jipe (falha-me o modelo), com 6 mudanças e em que a marcha atrás se confundia com a primeira. Depois de um trânsito demoníaco, lá encontrei o senhor do alto dos seus 60 anos que me olhou meio espantado, quase nem acreditando que era comigo mesmo que vinha trocando emails. Ao que respondi:
- "Você devia estar à espera de um alto executivo, de fato, todo formal, e apareço-lhe eu, um míudo, de camisa, calças de ganga e todo transpirado." (estava um calor infernal)
- "Que idade você tem?"
- "Daqui a uns dias faço 24."
- "Não aparenta nada, mas olhe que isso ainda o vai favorecer. E, além do mais, já tem idade para ter juízo. Juízo para não andar vestido à executivo com este calor."
Um porreiro, o senhor.
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